Conheça a Libras – Língua Brasileira de Sinais

Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto na íntegra em http://adap.org.br/site/index.php/artigos/91-implante-coclear-e-libras-uma-parceria-benefica

libras

De acordo com o Censo IBGE de 2010 e o Portal de Notícias Terra, dos 9,7 milhões (5,1% da população) de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência auditiva, 2,5 milhões não compreendem o idioma materno e não fazem uso da Língua Portuguesa. Apesar de não haver dados exatos do número de usuários de Libras, a Língua Brasileira de Sinais, estima-se que grande parte desses 2,5 milhões de brasileiros optou por adotar exclusivamente este idioma. A esse número soma-se os adeptos do bilinguismo, ouvintes ou deficientes auditivos que conhecem o Português escrito e/ou falado e também a Libras. Saiba mais sobre a fascinante língua de sinais brasileira a seguir!

A Língua Brasileira de Sinais é um idioma de modalidade gesto-visual que combina movimentos gestuais e expressões faciais com a finalidade de transmitir uma mensagem. A Libras teve sua origem na Língua de Sinais Francesa, que foi trazida ao Brasil em 1856 pelo conde francês Ernest Huet, e a partir daí foi adotada pelas comunidades surdas brasileiras, que incorporaram expressões locais a essa língua e possibilitaram a ela uma evolução própria, independentemente de sua origem francesa.

Cada país possui sua própria língua de sinais, que independe do idioma nacional para ser estruturada (Brasil e Portugal, por exemplo, possuem línguas de sinais diferentes). Sendo assim, as línguas gesto-visuais são idiomas completos, com morfologia, sintaxe e semântica próprias, e podem ser usadas para expressar qualquer pensamento ou ideia, por mais abstratos que sejam. Assim como as línguas orais, a Libras também possui variações e dialetos regionais, e é por meio dela que a pessoa surda adquire condições para o aprendizado do Português em sua modalidade escrita, garantindo dessa forma a sua inclusão na cultura nacional.

pw-libras-2013Depois de um longo processo de lutas sociais da comunidade surda, a Libras foi oficializada no Brasil por meio da Lei 10.436, em 24 de abril de 2002, garantindo dessa forma alguns direitos básicos para esses cidadãos, como a possibilidade de solicitação de um intérprete em ambientes formais e de aprendizagem, como escolas e universidades, assim como poder contar com professores e fonoaudiólogos capacitados a lidar com as especificidades da comunidade surda, já que, a partir da referida data, a Libras se tornou uma disciplina curricular obrigatória nos cursos de Magistério e Fonoaudiologia do ensino superior brasileiro.

As vantagens de se aprender Libras vão além de conhecer outro idioma e poder se comunicar com a comunidade surda local. Segundo a linguista e pesquisadora Evani Viotti, da Universidade de São Paulo (USP), como as línguas de sinais são quadridimensionais, isto é, suas estruturas frasais são formadas pela profundidade, altura, largura e o tempo dos gestos, o aprendizado delas pode contribuir no desenvolvimento de uma alta habilidade cognitiva aos seus usuários. Porém, não são todos que conseguem se dar bem com esse idioma: quanto mais cedo se iniciar os estudos e maior for a dedicação pessoal, grandes serão as chances de sucesso e fluência nessa língua, e essa regra vale para qualquer idioma conhecido, oral ou gestual.

Onde aprender Libras?

Para os interessados em aprender esse idioma, há, além de vários cursos de Libras disponíveis na Internet, cursos presenciais da Língua Brasileira de Sinais. Em Bauru, são oferecidos pela Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais (Funcraf). Para saber mais, acesse o seguinte link: http://www.funcraf.org.br/index_arquivos/Page567.htm. Porém, vale a pena lembrar que o aprendizado da Libras, assim como de qualquer outro idioma, só se torna realmente efetivo com a prática da referida língua no dia-a-dia.

Aline Vendrame Cordeiro, usuária de Libras há mais de dez anos, nos dá o seu depoimento sobre a língua de sinais. “Aprendi Libras com 15 anos, quando ingressei na escola especial para surdos, o saudoso colégio Anne Sullivan, de São Caetano do Sul”, afirma. Possuindo surdez profunda em ambos os ouvidos, Aline foi educada pelo método oralista (a prática do Português falado e escrito) antes de conhecer a Libras. “Eu prefiro conversar em Libras com um grupo. A conversa flui naturalmente, você capta tudo. É difícil ler muitos lábios [referindo-se ao método da leitura labial]. Em Libras não se tem esse problema, é tudo tão natural quanto a fala”, comenta. E, em relação ao panorama da Libras na atualidade, ela afirma que o número de usuários vem crescendo cada vez mais. “Muitos surdos, intérpretes, e até alguns oralizados estão aderindo à causa. Acho que levei uns dois meses para aprender o idioma. Convivência, não tem nada melhor do que isso. É o segredo que os cursos não fazem”, defende Aline.

Alfabeto

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