O desafio de uma boa tradução

Por: Ana Stamato, Gabriela Staffa e Carol Molina

No processo de tradução e dublagem encontramos um desafio que, muitas vezes, passa despercebido pelos telespectadores: a transposição do regionalismo utilizado pelo autor da obra original.

Muitos profissionais não se preocupam em manter as diferenças linguísticas da obra traduzida, promovendo correções e fazendo com que a essência seja perdida. Às vezes, o autor deseja usar gírias e sotaques para demarcar traços estilísticos dos personagens, e isso não pode ser simplesmente ignorado pelo tradutor ou pelo legendista.

Por isso deve-se tomar muito cuidado ao adaptar obras de outras línguas, pois é preciso manter os traços estilísticos do autor e da obra original, uma vez que, como Carvalhal ressalta “se as línguas são diferentes, traduzir significa levar em conta essa diferença” (2003: 217).

Porém, a tradução literal, às vezes, não passa o sentido que o autor pretendia, exigindo que algumas adaptações sejam ser feitas. Carvalhal ressalta que “se as línguas são diferentes, traduzir significa levar em conta essa diferença” (2003: 217).

Cabe ressaltar que, quando tradutores adicionam regionalismos pessoais nas obras traduzidas, isso também pode gerar mudanças no significado original da obra, deixando o trabalho com baixa credibilidade perante o público conhecedor da obra original.

Tomamos como exemplo o análise feito por Yanna Karlla H.G.Cunha no seu trabalho O ENFOQUE REGIONALISTA NA TRADUÇÃO DE FARACO :

“De cuando en cuando, como siempre, golpeaba los trozos de coronilla con una trenza de alambre y arrimaba brasas a la caldera tiznada y panzona. (p.36)“

“De vez em quando, como sempre, golpeava as achas de coronilha com um arame trançado e encostava as brasas na cambona negra e bojuda. (p.36)”

A troca de “caldera” por “cambona” segue o mesmo intuito citado acima, ou seja, trazer um novo termo que esteja mais relacionado com o regional, porém mantendo a mesma impressão pretendida no original ao leitor.

O certo, então, seria trazer a obra de língua estrangeira para língua desejada de modo adaptado e buscando sempre as intenções iniciais do autor para que o significado original não seja perdido, já que a linguagem própria de um lugar não é uma simples expressão de cor local, mas sim uma identidade que, no contato com o outro, afirma uma história e evidencia a presença da cultura de um território.

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