Conheça alguns blogs e páginas sobre surdez, Aparelhos Auditivos e Implante Coclear

Cochlear_implantA ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear) reuniu, para quem quiser mergulhar no universo da deficiência auditiva e da oralização, alguns blogs e páginas, além da deles, que apresentam informações e relatos de experiências sobre a surdez, o uso de Aparelhos Auditivos e de Implante Coclear, com um breve depoimento dos próprios autores sobre a história de cada um dos blogs. Confira abaixo todos os links e suas descrições, em ordem alfabética.

Blogs sobre surdez e/ou Implante Coclear

Crônicas da Surdez, de Paula Pfeifer Moreira

“O Crônicas nasceu em 2010, época em que meu outro blog “bombava” com 400.000 acessos mensais. Decidi usar aquela audiência para falar de um assunto que ninguém comentava: deficiência auditiva! Ainda mais na área de moda e beleza… Meu objetivo inicial foi tentar me tornar para os outros a amiga que eu nunca tive para falar de surdez e seus assuntos delicados”.

Desculpe, Não Ouvi, de Lak Lobato

“Desde o momento em que a internet se tornou um meio de compartilhamento de informação, comecei a procurar pessoas que viviam em situação semelhante à minha. Que convivessem com a deficiência auditiva, mas que sua comunicação se desse através da língua portuguesa oral e a leitura labial, com ou sem apoio de próteses auditivas. Apesar de eu ter encontrado alguns fóruns de debate e grupos em redes sociais, ainda sentia falta de um site dedicado ao grupo de deficientes auditivos nessa condição, pois praticamente só havia divulgação da surdez representada pela língua de sinais, cuja realidade era bem diferente da nossa. Foi daí que nasceu o “Desculpe, não ouvi!”, um blog que fala de deficiência auditiva, sem torná-la sinônimo de comunicação por LIBRAS. Representando deficientes auditivos recém adquiridos, que tem bons resultados com próteses auditivas ou que tiveram intervenção precoce por fonoterapia. Um espaço onde eu me sentia representada e me aproximava de pessoas em condições similares”.

Igualmente Diferentes, de Diéfani Favareto Piovezan

“A ideia surgiu lendo o blog do Jairo Marques, em 2009. Como eu gostava de escrever, decidi fazer um blog sobre surdez e tentar educar um pouco as pessoas sobre o assunto”.

Marcelo de Paula IC, de Marcelo de Paula

“A criação do blog se deu em 2014 em meio a uma grande pressão. Sempre fui ativo nas redes sociais, e muitos amigos perguntavam ‘E o blog? Quando você vai criar um blog?’ Depois de tanto refletir, acabei cedendo e comecei a escrever. A ideia foi contar um pouco da minha história e de tudo que passei. Muitas pessoas desistem já no primeiro obstáculo, colocam uma expectativa muito alta ao que esperam dos resultados do IC. O bacana do blog é mostrar a realidade, que não será nada fácil, nem um pouco mesmo, e se você quiser ter sucesso, terá que batalhar (e muito) para chegar lá. Mas ciente que isso tudo pode valer a pena”.

Martelo Bigorna, de Cinara Mota

“Eu costumava desenhar umas piadinhas internas minhas sobre as situações que envolvem a surdez, pois levo tudo no maior humor, aí as pessoas começaram a pedir para eu por os desenhos em algum blog. Acabei criando um, mas, no começo, eu não estava muito feliz com a ideia, até que recebi mensagens de pessoas dizendo que meu humor fazia o dia deles, então abracei a causa”.

Meu Implante Coclear, de Deborah Batalha

“Criamos uma página no Facebook “Implante Coclear – Nosso filho ouvindo e falando: Desejo e Desafio”, e depois veio a proposta do site “www.meuimplantecoclear.com.br”, com o objetivo de compartilhar um pouco da história do nosso filho com o Implante Coclear ao longo desses anos, pois, nesse período, famílias e usuários têm entrado em contato para saber como tem sido a reabilitação auditiva do Alexandre e, principalmente, perguntando a respeito do uso e da manutenção do Implante Coclear e de seus acessórios no seu dia a dia. Neste espaço, trocamos experiências, informações, postamos vídeos, dicas, novidades e tudo mais relacionado ao uso do Implante Coclear. Tudo o que está escrito lá é a nossa experiência no dia a dia com o nosso filho em todos os momentos de sua vida. Acredito que estes canais sejam úteis para troca e divulgação de informações entre pais e usuários”.

O Milagre da Audição, de Alessandra Carolina Cristofano Drumond

“Em 2012, quando soube da existência do IC, fiquei um bom tempo pensando se fazia ou não no ouvido esquerdo, sem audição desde pequena, sendo que no outro usava AASI. Quando me decidi em fazer, eu tinha muitas dúvidas e não tinha conhecimento nenhum de blog sobre o assunto, embora já existissem alguns na época. As únicas fontes de informação que eu tinha eram meu médico e minha fono. Não conhecia sequer alguém implantando e achava que era raro o Implante Coclear. Aí tomei a decisão de escrever no blog contando minha experiência desde a minha decisão até atualmente, desejando que assim ajudasse outros a esclarecerem dúvidas sobre o IC, como eu tive. Aos poucos fui frequentando encontros e conhecendo outros implantados. Vários amigos implantados me deram muita força na minha adaptação do IC, uma amiga me incentivou a criar uma página no Facebook e um amigo ajudou a criar o logo do blog. Com isso tudo, tive cada vez mais certeza que tinha tomado a decisão certa”.

Roner IC, de Roner Dawson Barbosa

“Meu blog surgiu em 2003, quando eu fazia palestras sobre o IC em varias cidades do Brasil. Muita gente me perguntava mais sobre minha experiência. Então, para não ficar repetindo a historia várias vezes, publiquei o blog”.

SULP – Surdos Usuários da Língua Portuguesa, de Sônia Ramires

“O blog surgiu em novembro de 2008 para divulgar o Manifesto dos Surdos Usuários da Língua Portuguesa. O manifesto começou com um grupo do Orkut, e depois criamos o blog. Conseguimos umas 200 assinaturas e eu entreguei a cópia do manifesto para a deputada Mara Gabrilli, antes da redação final da Lei que começou a vigorar neste ano de 2016. Tenho contato com grupos da Argentina e leio notícias internacionais para sempre renovar o conteúdo do blog. A página é muito consultada por quem deseja informação e é diferente dos outros blogs que contam experiências pessoais sobre a surdez. Escolhemos o nome SULP para não deixar de fora os surdos sinalizados que podem ler e escrever em português”.

Surdez Silêncio em Voo de Borboleta, de Patrícia Rodrigues Witt

“O blog tem como objetivo compartilhar conhecimentos acerca da deficiência auditiva (desde perda leva à profunda, incluindo também os usuários de Aparelhos Auditivos e de Implante Coclear), motivando os leitores na troca de ideias, apoios e incentivos com histórias de superação, como também divulgar livros no mesmo tema. O público alvo é bem amplo: deficientes auditivos/surdos oralizados e sinalizados, familiares, amigos, intérpretes de LIBRAS, fonoaudiólogos(as), pedagogos(as), psicopegagos(as), psicólogos(as), Terapeutas Ocupacionais, outros profissionais e educadores da área, e claro, a todos os interessados!”.

Páginas no Facebook e Youtube sobre Implante Coclear

Canal Coclexplica!, de Bianca Arraes e Julianna Fagundes

“Eu já tinha essa ideia bem antes de fundar o Coclexplica!, porque eu participava de uns encontros onde tinham os surdos usuários de LIBRAS e eles são curiosos, me perguntavam sobre o IC, tipo “pode tomar banho depois de implantar?”. E também, desde que descobri o mundo anti-IC, pessoas que inventam mentiras cabeludas sobre o implante, ficava pasma quando ouvia as mentiras, e ao mesmo tempo me entristecia. Então pensei sobre esse projeto com o objetivo para esclarecer, desmentir o que diziam, tirar as dúvidas e o medo dos candidatos ao IC. Conheci uma implantada, a Julianna, e ela é craque em edição de vídeos, aí a chamei para fundar esse projeto. Em abril de 2015 criamos o Coclexplica! com vídeos legendados, pois os surdos usuários de LIBRAS não compreendem a Língua Portuguesa nos blogs sobre IC, e por essa razão eles ignoram as informações. Então, para ajuda-los a entender, tive a ideia de mostrar através de vídeos” – Bianca Arraes.

Canal Larahcocle, de Daniely Thmes Pinho

“Tenho uma filha linda, de 3 anos, que se chama Larah. Ao nascer, realizamos alguns testes, como de costume, porém, ela não passou no teste da orelhinha! Disseram que deu ausente. De princípio, eu não tinha entendido muito bem o que aconteceu, porém fazia tudo o que os médicos pediam. Até que, em um dos exames mais detalhados, foi diagnosticado que ela realmente tinha um grau profundo de surdez bilateral. Na hora eu fiquei quieta, mas, no meio do caminho, comecei a pensar nas palavras da médica e a ficha caiu. Comecei a me desesperar e pensar ‘E agora, o que eu faço? Porque com ela? O que fiz de errado? Vou ser uma boa mãe? Como será a vida dela? E as pessoas vão rir dela?’

Mas, com o passar do tempo, procurei respostas na internet e não via nada que pudesse me orientar, não via experiências já passadas por mães para me ajudar em minhas dúvidas, pois não sabia como correr atrás das informações. Depois que minha filha fez o Implante Coclear, as pessoas começaram a perguntar o que era aquele aparelho na cabecinha dela, e eu sempre respondia. Reparei que muitas pessoas não tinham acesso a esta informação e que muitas mães de crianças surdas também não. Resolvi então, expor nossas lutas, conquistas e felicidades. A Larah é o nosso maior presente e é impressionante o tanto de coisas boas que ela nos ensina a cada dia. Eu fui a mãe mais sortuda do mundo! Meu intuito é ajudar algumas mães a acabar com possíveis preconceitos e, principalmente, mostrar que nossos “cloquezinhos” (como falo nos vídeos) podem levar uma vida normal”.

Fotografia Implante Coclear, de Léo Negromonte

“Em 16 de outubro de 2013, quando eu tinha 17 anos de idade, fiz a cirurgia do Implante Coclear bilateral. A ativação foi em 28 de novembro de 2013. Neste dia, ouvi o primeiro som do meu mundo. Quando estou no metrô, as pessoas ficam olhando o meu IC, ninguém sabe o que é. Todos os meus amigos falavam que eu tiro fotos muito bem, por isso fiz a página do Facebook, Fotografia Implante Coclear. Para as pessoas saberem o que é o IC ou para quem tem dúvidas e está ansioso para usar o Implante Coclear. No dia 17 de fevereiro desse ano, vou começar a Faculdade de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda. Eu gosto muito de postar todas essas fotos incríveis! A página ajuda na autoestima e na valorização do implantado através da fotografia”.

Implante Coclear. Você sabe o que é?, de Fabiane Pereira

“Durante minha formação acadêmica sempre participei de projetos de pesquisa em um laboratório de estudo do comportamento da UFPA – Universidade Federal do Pará. Neste laboratório, as pesquisas são desenvolvidas para compreender os processos de aprendizagem e são realizadas com macaco-prego. Fiz muitas pesquisas com diversos objetivos. Quando me formei e iniciei o mestrado, quis aplicar os procedimentos que tiveram sucesso em não-humanos com humanos com alguma necessidade de ensino, foi então que fizemos a parceria com o Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza, da UFPA, que estava iniciando o projeto de Implante Coclear, com suas primeiras cirurgias. Através dessa parceria, elaboramos uma pesquisa para compreender o processo de aprendizagem dos novos sons para os usuários de IC (minha dissertação pode ser vista neste link).

Conclui o mestrado e fui convidada por uma equipe que realiza cirurgia de IC em Belém para compor a equipe realizando avaliação psicológica para a cirurgia de IC. Com a conclusão do mestrado, iniciei o doutorado e fiz parceria com o HRAC (Centrinho de Bauru – referência em IC no Brasil) onde fiz meu doutorado sanduíche, também estudando pessoas com IC, contudo crianças. O meu objetivo no doutorado é ensinar habilidades verbais de falante e ouvinte em crianças que receberam o IC. Atualmente estou de volta a Belém, retornando a pesquisa no Hospital Universitário e no próximo ano concluo o doutorado. Fiz a página no Facebook sem grandes interesses inicialmente. Minha intenção foi compartilhar, de algum modo, tudo que estava aprendendo durante a vigência do mestrado, mas alguns usuários de IC me procuram pela página para tirar dúvidas, o que me deixa muito feliz em poder ajudar com os conhecimentos que tenho obtido ao longo desses anos de estudos”.

Mundo Implante Coclear, de Netinho

“Após dois anos da minha ativação, senti o desejo de falar sobre o IC para as demais pessoas, mas não tinha uma ideia pronta de como seria isso. Pensei em fazer um blog, criar um grupo ou uma página que abordasse assuntos sobre a tecnologia, trazendo informações, dicas para implantados, etc. Mas depois pensei: há blogs muito bons que já falam sobre isso.

Um dia alguém me disse que daria tudo certo com o meu “transplante” coclear. Toda vez que eu falo do implante para alguém que ainda não o conhece, a reação é bem interessante. Quando a minha bateria acaba, fico perdido, literalmente. Não, e quando a Fono desliga o processador para realizar novos mapas? Dói, não é, caros colegas? Então parei e pensei: “É isso. Eu quero falar de algo que nos faça rir de modo saudável destas situações”. Particularmente, gosto de umas boas risadas. Então resolvi criar a página Mundo Implante Coclear no Facebook, onde abordo situações ou episódios conforme citei acima. Nada inventado, mas retratado com um pouco de graça, com um pouco de humor. Compartilho notícias e faço publicações sérias também, ou seja, uma variedade de assuntos no que tange a este universo sonoro”.

Os Jovens e o Implante Coclear, de Carminda Marçal, Marcelo de Paula, Letícia Nascimento e Melissa Peres

“Conheci a Carminda Marçal e ela tinha um objetivo com a juventude implantada. E contatou eu e a Melissa. Tivemos a ideia de criar a página Os Jovens e o Implante Coclear. E fomos por em prática esta ideia. O Marcelo de Paula nos ajudou e chamamos ele para ser administrador também. A página foi criada no dia 7 de Fevereiro de 2015” – Letícia Nascimento.

 

* Imagem: National Institutes of Health, part of the United States Department of Health and Human Services.

 

* Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto originalmente publicado aqui.

Conheça a função do Monitor da Pessoa com Deficiência

O sistema educacional brasileiro, público ou privado, é moldado segundo critérios gerais de necessidades de crianças e jovens no aprendizado e nas dinâmicas em sala de aula. Porém, sabe-se que cada ser humano é único e, portanto, podem ser necessários ajustes individuais ou coletivos para um melhor aproveitamento desta época da vida. No caso da pessoa com deficiência, tais adaptações são imprescindíveis para garantir a igualdade de oportunidades. Dependendo do tipo e do grau de uma deficiência, seja ela física, sensorial, intelectual ou múltipla, podem existir barreiras no meio escolar que dificultem ou até mesmo impeçam a plena realização da vida estudantil. Quando tais obstáculos não podem ser contornados com ações físicas e pontuais de acessibilidade, entra em cena o profissional Monitor de Apoio à Pessoa com Deficiência (MAPD), para garantir a inclusão do aluno em classes regulares de ensino.

Como trabalha o monitor da pessoa com deficiência?

O monitor é contratado como servidor público na área magisterial, quando atua em escolas públicas de ensino fundamental e médio. No ensino superior, o contrato de trabalho varia de acordo com cada universidade estadual ou federal, assim como nas escolas e faculdades particulares. A formação exigida desse profissional é livre (com exceção do intérprete de LIBRAS, sobre o qual falaremos mais adiante), podendo a pessoa ter cursado apenas o ensino fundamental, ou ter feito pós-graduação na área educacional; os critérios de escolha, bem como os salários, variam para cada instituição contratante.

As atividades do serviço de monitoria são diversificadas de acordo com a deficiência e as necessidades de cada estudante. No atendimento às pessoas com deficiência física, as principais ações do monitor podem ser referentes à ajuda no deslocamento do aluno e nas anotações do material passado em aula. Para os estudantes com graus variados de surdez, o profissional pode ajudar na sua comunicação interpessoal. Aos alunos com baixa visão ou cegueira, o auxílio é direcionado para a leitura e transcrição dos trabalhos e provas e, finalmente, para os estudantes com deficiência intelectual ou com Transtornos Globais do Aprendizado, o monitor auxilia na mediação dos conhecimentos passados pelos professores. Quando o aluno tem mais de um tipo de deficiência, as funções do profissional são ampliadas para dar conta de todas as necessidades do educando.

O serviço de monitoria nas escolas e universidades faz parte do Atendimento Educacional Especializado, este garantido por Lei, segundo os Artigos 227, § 1º, inciso II, e 208, inciso III, da Constituição Federal: “O Estado promoverá a criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência […]”. Também a Política Nacional de Educação Especial, na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008, dita que “cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de monitor ou cuidador aos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxílio constante no cotidiano escolar”. Para saber mais sobre outras leis que garantem esse direito aos estudantes com deficiência em geral e esclarecer mais dúvidas, veja o artigo da pedagoga Sônia Aranha sobre o tema.

O monitor-intérprete de LIBRAS

O tipo de profissional monitor de alunos com deficiência auditiva mais conhecido é o intérprete da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Ele é requisitado quando o jovem surdo não tem fluência na Língua Portuguesa e possui a LIBRAS como idioma materno. A fonoaudióloga Larissa Coutinho Fonseca, especialista em LIBRAS, afirma que, nesses casos, o monitor-intérprete é obrigatório para a comunicação da criança surda sinalizada. Tanto que esta profissão é regulamentada por uma lei específica, a de nº 12.319, de 1º de setembro de 2010. Larissa complementa: “Eles precisam do intérprete de LIBRAS, sem sombra de dúvidas! Porém, é apenas um intérprete para quantos surdos houver em sala de aula. No caso do surdo-cego, precisa de um interprete exclusivo”. A profissional também comenta sobre o panorama do mercado atual na área. “O mercado é promissor, porém, acredito que o intérprete precisa ter formação superior, seja em fono, pedagogia, o que for. Precisa estudar, conhecer as questões relacionadas à surdez”, defende.

11123555_845035602246155_2142651409_nA intérprete Paloma Bueno Fernandes dos Santos, por exemplo, é formada em Gestão de RH, com pós-graduação em Interpretação da LIBRAS, mestranda em Linguística Aplicada, e com diversos cursos de formação em Tradutor Intérprete de LIBRAS. Moradora de São José dos Campos/SP, ela nos conta um pouco de sua história com esse trabalho. “Consegui meu primeiro emprego após vários anos de voluntariado em instituições religiosas e eventos, as pessoas me ajudaram mostrando vagas e oportunidades de trabalho. Trabalho em duas instituições como intérprete de LIBRAS e também em eventos. Comecei a “carreira” quando tinha 16 anos de idade, pois na época eu ajudava meu ex-namorado surdo. Na adolescência, antes mesmo de ter contato com surdos já tinha feito um curso por curiosidade. Minha rotina é basicamente trabalho diário com surdos na Universidade e em curso de capacitação, auxilio nas atividades propostas pelo professor/instrutor e na comunicação com outros alunos. Tenho contato com vários intérpretes no trabalho, na igreja e grupos regionais de intérpretes de LIBRAS. Amo muito meu trabalho. Sinto muito satisfeita e realizada na minha profissão”.

11180248_820306491391852_1632758544_nO conhecimento sobre a surdez também pode vir das próprias experiências de vida do profissional com a cultura surda brasileira. Foi o caso da intérprete e professora de LIBRAS Letícia Navero, residente de Campinas/SP, com formação em fotografia, atualmente graduanda em pedagogia e fundadora do Movimento Eu Vivo LIBRAS. “Desde criança comecei a interagir com surdos, aos 5 anos de idade. O que facilitou foi a convivência com meus familiares surdos e amigos. Comecei trabalhando como tradutora intérprete no meio religioso, até que percebi que era essa minha profissão, parti para os estudos e cursos e sigo assim até hoje. Acordo bem cedo todos os dias, trabalho na cidade vizinha, Jundiaí. Trabalho com surdos em fase de aquisição de língua, ensino todos os vocabulários programados, utilizando vários recursos visuais. Em outros momentos, atendo surdos já fluentes na LIBRAS, o trabalho fica um pouco mais fácil, mesmo assim estimulamos para o conhecimento de informações diversas”, explica.

A paixão pela profissão é algo muito presente na vida de Letícia. “O porquê de ser intérprete? Acredito muito em sonhos que se tornam reais. Desde criança, meu sonho era ser tradutora-intérprete de língua de sinais, a partir do momento que coloquei na minha cabeça que era essa minha meta e o que eu queria, nunca mais parei de estudar. A comunicação, no meu ponto de vista, hoje é a “coisa” mais importante do mundo, o fato de ser intérprete ou tradutora de LIBRAS é algo surreal, você ser a interlocutora do discurso é maravilhoso, além de possibilitar o acesso da comunicação às pessoas surdas”.

Letícia também comenta sobre a situação atual do intérprete na sociedade. “A função do tradutor intérprete de LIBRAS é pouco valorizada no Brasil, aliás, a comunidade surda é vista com incapacidade perante a sociedade. Claro que isso vem mudando conforme os anos vão passando, mas infelizmente, em “passos de tartarugas”. Tenho fé, esperanças que as políticas educacionais aos sujeitos Surdos ainda serão restauradas, aprimoradas e aceitas, temos um grande número de Surdos e apoiadores ouvintes na militância por todo esse movimento!”, completa.

Monitores para surdos oralizados?

Poucas pessoas sabem, mas há um segundo tipo de monitor que pode acompanhar alunos com deficiência auditiva nas escolas e universidades. Chamado por alguns de “intérprete oralista”, este profissional costuma atuar na transcrição das aulas no caderno do estudante ou na repetição oral do conteúdo dito pelo professor quando este estiver distante do aluno. Geralmente, este monitor só é contratado quando a pessoa com perda auditiva possui também outra deficiência associada ou quando, sendo oralizada, não consegue obter benefícios com nenhum tipo de AASI ou implantes auditivos convencionais.

Esta questão do “intérprete oralista” é polêmica e suscita debates das várias partes envolvidas no processo. Se a criança não possuir nenhuma outra deficiência além da auditiva, as escolas podem ter dificuldades de aceitar contratar um monitor apenas para este trabalho. Além disso, alguns profissionais da saúde defendem que isso prejudicaria a autonomia da criança e seus esforços auditivos para compreender as palavras por si mesma, ao depender de outra pessoa como sua mediadora auditiva. Patrícia Rodrigues Witt, terapeuta ocupacional e especialista em surdez, comenta sobre esse dilema.

“Acredito que o monitor em sala de aula poderá causar dependência, a criança se acomoda e não procura independência, e passa a ser diferente de outras crianças… Eu, com deficiência auditiva profunda, nunca tive monitor em sala de aula, pois não existia o olhar da inclusão. Na época, minha mãe criou uma espécie de sala de recursos ambulantes: a cada dois meses, havia reunião dos profissionais que trabalhavam comigo (psicóloga, pedagoga e fonoaudióloga) na minha escola e davam orientação aos meus professores e serviços de supervisão. Além de instruí-los nas minhas necessidades, eles faziam avaliação constante de como estava o meu desenvolvimento em relação a escola. Mas, em casos extremos, eu acho que o monitor pode estar na sala de aula, dependendo da necessidade do aluno, mas, ao mesmo tempo, deve incentivá-lo para a sua independência”, explica.

A psicóloga Raquel Cassoli também nos mostra a sua visão sobre essa questão. “A recomendação é de que a criança use monitores apenas em casos mais severos, no caso do deficiente auditivo, se a criança realmente não tiver desenvolvido a comunicação ou em casos que haja outra deficiência além da surdez. A recomendação dos profissionais que trabalham com crianças deficientes é de sempre estimular a comunicação e a autonomia. Vigotski, um teórico russo da Psicologia, dizia que: “o maior problema que as pessoas deficientes têm, não é o limite causado pela deficiência em si, mas sim a forma como a sociedade os trata”. Esta frase é uma das coisas mais verdadeiras que já vi, a criança não deve ser tratada diferente, deve ser dado a ela a oportunidade de desenvolvimento o melhor possível. Por isso, na escola, nenhuma criança deve ser protegida, muito menos as crianças com deficiências, a criança super protegida tem menor tolerância a frustração, e a presença de um monitor que fique para atendê-la o tempo todo não a coloca em situações reais, como quando queremos falar algo e o professor não vê que queremos atenção, ou quando não somos entendidos e somos estimulados a formular nossas perguntas e nossas dúvidas de outra forma”.

Já a fonoaudióloga Larissa defende que “cada caso é um caso” e diz que, se a intervenção de reabilitação auditiva e fonoaudiológica for tardia, a criança poderá precisar sim de um monitor, mesmo que não tenha outra deficiência associada. “Eu acredito que vá depender de cada caso. Por exemplo, uma criança que tenha tido acompanhamento fonoaudiólogico precoce e faça uso sistemático de AASI frequentemente não precisa. Mas, para que os pais solicitem um mediador/monitor, é necessário saber se a criança também faz acompanhamentos extra escola. Uma criança com diagnóstico e intervenção tardios sempre apresentará maiores dificuldades que outra com todas as intervenções realizadas no tempo adequado. O monitor é recomendado apenas em casos em que a criança, mesmo estando em terapia fonoaudiológica e fazendo uso sistemático de AASI, ainda encontre dificuldades para acompanhar o conteúdo escolar”.

Como exemplo de atuação de “intérpretes oralistas”, trago a minha própria história para ilustrar a matéria. Eu, Ana Raquel, sou surda oralizada, tenho deficiência auditiva de grau moderado. Uso AASI, mas minha perda é agravada por um quadro intenso de zumbido, piorando minha discriminação dos sons da fala. Além disso, tenho um distúrbio de movimentos raro chamado Distonia, que se configura como uma deficiência física, pois limita meus movimentos dos braços e pescoço. Assim, quando eu era criança, tive monitores que me acompanharam na escola até eu atingir uma certa idade, para me auxiliarem, principalmente, em questões físicas.

Com a entrada em uma universidade pública e de grande porte, vi que não conseguia mais copiar conteúdos das aulas e ouvir os professores ao mesmo tempo, pois isso demandava um grande esforço físico e auditivo simultaneamente. Então, com base em minhas dificuldades físicas e auditivas, a Unesp de Bauru/SP contratou duas alunas da mesma instituição para me apoiarem durante as aulas, em dias alternados. Além de me auxiliarem fisicamente, por exemplo, copiando os conteúdos passados, elas repetem oralmente o que os professores dizem quando há muito barulho na sala ou quando não dá para eu fazer leitura labial.

11216190_1051571621539647_84116212_nConvidei as duas monitoras para darem os seus depoimentos aqui na reportagem, e elas aceitaram. Amanda Tiengo, recém-formada em Jornalismo, conta sobre como conseguiu esta função de monitoria e porque se identificou com o trabalho. “Consegui por meio de uma bolsa disponível na faculdade. Sempre gostei muito de ajudar as pessoas, principalmente quanto aos estudos. Durante o tempo que exerci a função, também era monitora de acompanhamento pedagógico em um projeto de uma escola municipal de Bauru, e plantonista de redação em um cursinho pré-vestibular, também em Bauru. O trabalho me traz satisfação visto que contempla uma coisa que gosto muito que é ajudar, sobretudo nos estudos”.

1384094_553876634683748_85592462_nJá a monitora Bárbara Zaneti de Carvalho, estudante de Arquitetura, dá a sua opinião sobre a importância da função do “intérprete oralista”. “Achei a proposta da monitoria interessante, pois teria contato com uma realidade diferente da minha. É gratificante saber que nossas atividades auxiliam na formação da aluna, e que facilita seu acesso ao conteúdo apresentado em sala de aula. Acredito ser uma função muito importante, pois auxilia no processo de inclusão dos surdos oralizados”.

Monitoria às pessoas com deficiência visual

Entrevistamos também uma monitora de um aluno universitário com deficiência visual e que estuda Direito na ITE (Instituição Toledo de Ensino), de Bauru/SP. Aline Cristina Caffêo Abrão trabalha na faculdade como secretária há dez anos. Porém, com o ingresso de um aluno com deficiência visual no período noturno da instituição, há quatro anos, Aline passou a desempenhar também a atividade de monitoria. “Auxilio o aluno ocasionalmente, somente no período de provas. Faço a leitura de todas as informações contidas nas avaliações, ele interpreta e responde. Eu nunca havia trabalhado como monitora antes, e não tenho contato com nenhuma outra pessoa que seja monitora, embora, no ano passado, tenha ingressado mais um deficiente visual e uma outra funcionária o acompanha nas provas também, mas quase não conversamos sobre isso por sermos de setores diferentes”, comenta ela sobre seu trabalho.

Pela responsabilidade que a função de monitoria envolve, Aline conta que teve algumas dúvidas e receios no início do seu trabalho. “No começo, me senti um pouco insegura, pois dependia muito de mim para ele entender as questões da prova e respondê-las. Eu tinha receio de ler rápido demais, devagar demais, ler errado, o que acontece muito, pois os professores usam muito o Latim no curso de Direito, mas deu tudo muito certo no final. O aluno foi me “moldando”, pedindo para ler novamente a questão mais devagar, e eu repito quantas e quantas vezes ele achar necessário, leio pausadamente quando a questão é bem extensa. E, em alguns casos, é necessário fazer uso dos Códigos (Civil, Penal, Processual), então ele traz o notebook e tem o Código falado, o que ajuda muito. Em outros casos, usamos o livro, e mesmo assim ele me orienta quanto à página, artigo e tudo mais a ser consultado”.

11080650_878657965505906_497682425070432930_oA atividade de monitoria gerou em Aline uma genuína gratificação e despertou seu interesse pelas questões que envolvem a adaptação e o apoio às pessoas com deficiência. “Eu estou gostando muito desse trabalho, estou me sentindo muito útil e importante para o aluno. Posso ajudá-lo quando ele precisa e isso é gratificante demais. Nós ficamos amigos, conheço seus pais, sua namorada, seus irmãos e o local onde ele estagia. Tenho vontade de fazer cursos ou algum treinamento para estar mais preparada para lidar com todas as situações de deficiência, pois a qualquer momento a faculdade poderá estar recebendo novos ingressantes e, hoje, nós, monitores, não temos esses conhecimentos a mais para oferecer”.

Jorge Luís Galli, o estudante de 22 anos e com deficiência visual monitorado por Aline, relata como se deu o processo da seleção do monitor para auxiliá-lo durantes as avaliações do seu curso. Antes de entrar na universidade, ele nunca havia tido contato com esse tipo de profissional, e realizava suas provas separadamente com os próprios professores ou com a sua professora de Braille. “Quando ingressei na faculdade, fui chamado para uma conversa com o diretor da instituição, para que eu explicasse todas as minhas dificuldades por causa da minha deficiência, e dessa forma, poder ajudar a instituição a realizar as adaptações necessárias. Neste sentido, a faculdade me ofereceu a ajuda da minha então monitora Aline Caffêo para a realização das minhas avaliações”.

Como conseguir um monitor para a sua criança com deficiência

O diagnóstico que determinará se a criança precisa ou não de um monitor escolar deverá ser realizado por uma equipe multidisciplinar, com professores, psicopedagogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Dr. Rogério Hamerschmidt, chefe do Serviço de Implante Coclear do Hospital de Clinicas da UFPR, também lembra a importância do laudo médico no processo, mas diz que só este documento não é o suficiente para conseguir o direito à monitoria. “O médico não dá laudo solicitando monitor, o médico dá o laudo atestando a surdez (ou outra deficiência). Quem vai solicitar o monitor é a própria professora, pedagoga ou a fonoaudióloga que assiste a criança”.

Segundo a pedagoga Sônia Aranha em seu site, nenhum tipo de escola, pública ou particular, pode cobrar a mais pelo serviço de monitoria, pois os custos de atendimentos especializados já devem estar inclusos entre os gastos da instituição (nas particulares, diluídos nas mensalidades de todos os alunos), o que, infelizmente, não ocorre em grande parte das vezes. A única alternativa restante mediante uma negativa da escola perante o pedido é juntar todos os documentos e procurar o Ministério Público do Estado, exigindo a sua intervenção, ou contratar um advogado e entrar diretamente na justiça contra a escola.

 

* Créditos das fotos: arquivos pessoais dos entrevistados.

* Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria desenvolvida inicialmente para uma disciplina do curso de Jornalismo da Unesp e publicada posteriormente também no site ADAP.

Pesquisadores criam dispositivo que permite “ouvir pela língua”

tongue-stimulating-retainerPor mais que pareça mentira ou brincadeira é a mais pura ciência: pesquisadores norte-americanos da Universidade do Estado do Colorado desenvolveram um aparelho que permite que deficientes auditivos escutem através de vibrações em suas línguas. A ideia é que o aparelho seja uma alternativa ao implante coclear, já que ele serviria também para pacientes que não tenham o nervo auditivo funcional.

O dispositivo usa um receptor bluetooth para captar os sons e convertê-los em impulsos elétricos, que são entregues a um retentor cheio de eletrodos, o qual precisa ser “empurrado” pela língua dos usuários para que eles possam ouvir.

É um processo parecido com o funcionamento de um implante coclear, mas não há necessidade de cirurgia. O novo dispositivo também não requer que o nervo auditivo do usuário seja funcional, assim, ele poderá ser usado por muito mais pessoas que tenham problemas auditivos.

“Os implantes cocleares são muito efetivos e transformaram a vida de muita gente, mas nem todos são candidatos a ele. Nós acreditamos que nosso dispositivo será tão efetivo quanto o IC, mas servirá para mais pessoas e terá um custo menor”, afirmou John Williams, engenheiro mecânico e  um dos criadores do projeto.

Com treinamento, usuários de IC aprendem a converter os impulsos elétricos recebidos pelo nervo auditivo em informações sonoras. A equipe de Williams acredita que pode fazer o mesmo com a língua. Isso porque nossa língua contém milhares de nervos, e a região do cérebro que recebe esses sinais já provou ser capaz de decodificar informações extremamente complexas. Isso significa que as pessoas podem, na teoria, aprender a traduzir as vibrações em suas línguas em palavras, o que permitirá que elas escutem.

O que os usuários sentem quando empurram a língua contra esse dispositivo é apenas um formigamento ou uma sensação de vibração. Mas o cérebro deles pode ser ensinado a trabalhar em padrões específicos de impulsos elétricos e traduzir isso em palavras. É diferente de se aprender braile, por exemplo, porque os usuários não vão sentir a vibração e aí pensar em qual palavra traduzir, pelo contrário, o cérebro vai na verdade aprender a fazer isso de forma automática. A língua pode realmente aprender a ouvir. Williams acredita que será preciso usar o dispositivo de três semanas a três meses, para começar a ensinar o cérebro a interpretar os sinais automaticamente.

A equipe trabalha agora com neurocientistas para mapear os receptores na língua e verificar que padrão de eletrodos no dispositivo vai funcionar melhor. Isso vai gerar informações importantes para entender o quão consistente nossa língua é.  Por exemplo, se todas as línguas sentem os impulsos elétricos na mesma região, isso quer dizer que é possível criar um padrão único. Porém, se ficar constatado que cada pessoa tem um modo diferente de receber os impulsos pela língua, os dispositivos serão personalizados para cada usuário, o que pode encarecer o produto.

Infelizmente, vai demorar um pouco até que a tecnologia possa ser utilizada pelo público, mas a equipe já começou a testar protótipos e criou uma start-up para construir o dispositivo, já que a tecnologia já está disponível. Se tudo correr como planejado, eles esperam abrir o mundo dos sons para uma nova audiência no período mais curto possível!

 

* Com informações do site: Sciencealert.com

* Por Renan Fantinato. Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto originalmente publicado aqui

Deficientes auditivos e gratuidade: conheça os seus direitos

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* Reportagem revista e atualizada em 05/01/2017.

Apesar de ainda precisar de algumas reformulações, as leis federais, estaduais e municipais garantem uma série de direitos aos indivíduos com deficiência. Muitas pessoas ainda desconhecem essas leis e deixam de se beneficiar por elas. Assim, a ADAP fez uma compilação das principais leis de gratuidade que beneficiam o deficiente auditivo.

Transporte Público

Toda pessoa com deficiência comprovadamente carente tem direito ao Passe Livre, que dá a gratuidade no transporte coletivo interestadual por ônibus, trem ou barco. São considerados “carentes” aqueles que possuem renda familiar mensal per capita de até um salário mínimo. Os interessados em cadastrar-se no programa ou aqueles que procuram mais informações podem acessar este link.

Em relação ao transporte intermunicipal, cada estado tem suas regras e leis. Porém, 22 estados já possuem leis de gratuidade para pessoas com deficiência. O último deles foi Minas Gerais, onde os usuários devem receber menos de dois salários mínimos para garantir o benefício, segundo lei sancionada no último mês. Para saber se o passe livre intermunicipal está previsto no seu estado, procure o Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, ou a OAB e Ministério Público locais.

A lógica também é a mesma para o transporte municipal urbano: a gratuidade depende da legislação de cada cidade, mas a grande maioria dos municípios já disciplinou esse favor legal. Alguns deles, inclusive, estendem o benefício aos acompanhantes da pessoa com deficiência. Novamente, para verificar quais são os procedimentos para receber o benefício, procure o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, a OAB ou outros órgãos locais.

Espetáculos artísticos-culturais e esportivos

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A Lei da Meia-Entrada (12.933/13) garante ao indivíduo com deficiência 50% de desconto no acesso a espetáculos artísticos, culturais e esportivos. A lei entrou em vigor em 2015, e prevê o direito à pessoa com deficiência que apresentar o cartão do Benefício de Prestação Continuada ou o documento do Instituto Nacional do Seguro Social que ateste sua aposentadoria. O acompanhante da pessoa com deficiência, nos casos que se faz estritamente necessário sua presença, também terá direito ao desconto.

Isenção de IPI e IPVA: exclusão dos deficientes auditivos

Atualmente, pessoas com deficiência física, mental ou visual tem direito a isenção do IPI e IPVA. No entanto, o Estado não estende este benefício ao deficiente auditivo, com o argumento de que este não enfrenta grandes impedimentos em sua locomoção.

No entanto, existem vários projetos de lei que buscam a isenção do IPI e tramitam na Câmara e no Senado. Assim, é possível que essa situação possa mudar em breve.

Porém, para deficientes auditivos que residem em São Paulo, há o direito de Isenção do Rodízio Municipal de Veículos para pessoa com deficiência (veja aqui como obter o seu).

Aposentadoria Especial

Deficientes auditivos também possuem direito à Aposentadoria Especial para pessoa com deficiência, segundo a Lei Complementar 142/2013 (confira e tire todas as suas dúvidas sobre o assunto aqui e aqui).

Benefícios insuficientes?

Apesar das leis e garantias citadas, o Estado ainda não cumpre o seu papel em relação aos deficientes auditivos. Pelo menos é isso que pensa Viviane Calanca, consultora jurídica da ADAP: “É um equívoco pensar que o Estado Brasileiro garante às pessoas com deficiência o tratamento devido. Não raro, essas pessoas sequer possuem o mínimo existencial, de modo a proporcionar uma vida digna”, afirma ela.

Segundo a advogada, uma das soluções possíveis para mudar este panorama seria a promoção de políticas públicas efetivas: “É necessário avançar em políticas que reduzam as desigualdades essencialmente e permanentemente, desestimulando a filosofia assistencialista. Para isso, necessitamos de ações entre o Estado e a sociedade que busquem trabalhar as mazelas da população”, explica Viviane.

Garantindo os direitos

Se as leis existem, elas devem ser cumpridas. Assim, Viviane Calanca orienta aqueles que se sentirem prejudicados ou se depararem com alguma quebra de lei: “A OAB do Brasil, as Defensorias Públicas e os Ministérios Públicos são incansáveis parceiros da pessoa com deficiência. Em caso de dúvidas, é recomendável buscar auxílio com alguma dessas Instituições”, finaliza a advogada.

 

* Por Renan Fantinato. Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto originalmente publicado aqui.

Aplicativos para substituir o telefone

TabletwebUma das maiores barreiras às pessoas com deficiência auditiva é falar ao telefone. Embora algumas pessoas consigam realizar ligações sem problemas, muitos outros passam por dificuldades nesta hora. O problema é ainda maior quando procuramos por serviços como taxis ou pedidos de comida, já que as linhas telefônicas destes estabelecimentos sempre estão com bastante ruído e barulho.

Contudo, a tecnologia digital tem evoluído muito nos últimos anos. Assim, milhares de aplicativos foram desenvolvidos para facilitar algumas atividades dos usuários. Mesmo que quase nenhum tenha sido criado exclusivamente para a comunidade surda, muitos deles podem ser uma excelente opção para essas pessoas, já que oferecem serviços que substituem o uso do telefone.

Confira abaixo uma lista com esses aplicativos:

Para pedir comida:

Ifood: O aplicativo reúne mais de 6 mil restaurantes espalhados por todo país. Para utilizá-lo, você deve fazer um cadastro e informar seu CEP. Automaticamente, o programa te mostrará quais são os restaurantes disponíveis para sua região. A partir daí, você pode ver o cardápio de cada estabelecimento e fazer seu pedido, sem precisar utilizar o telefone.

PedidosJá: Funciona de modo muito parecido com o “Ifood”. Apesar de ter uma base de dados um pouco menor em relação ao concorrente, ele cobre outros países da América Latina, permite comentários dos usuários e aceita instruções especiais para cada pedido (por exemplo: “carne ao ponto” ou “sem cebola”).

Para chamar um táxi:

99Taxis: Provavelmente é o mais utilizado e com mais opções. Permite que você escolha o táxi de acordo com a forma de pagamento (dinheiro, cheque ou cartão), localiza quais são os taxistas mais próximos ao seu local e você ainda pode acompanhar, em tempo real, o trajeto que o taxista faz até chegar a você.

EasyTaxi: Embora esteja disponível em menos regiões, segue a mesma linha do “99Taxis”. Destaque para a possibilidade de entrar em contato com o taxista caso ocorra algum imprevisto.

TaxiBeat: Disponível apenas para São Paulo e Rio de Janeiro, também tem funcionamento semelhante aos seus concorrentes. É popular em alguns países da Europa e vem sendo elogiado bastante por seus usuários.

Para serviços de emergência:

Agentto: É um aplicativo de segurança feito para você conseguir entrar em contato com amigos, familiares e até a própria polícia em situações de perigo. O alerta feito a sua “rede de confiança” (pessoas que você cadastra no site como “confiáveis”) é emitido sem precisar ser feita nenhuma ligação. Excelente aplicativo até para quem não tem problemas auditivos!

Porto Seguro: A seguradora “Porto Seguro” desenvolveu um aplicativo que permite que seus segurados solicitem serviços de assistência 24 horas, como guinchos ou mecânicos, sem precisar ligar para a Central de Atendimento. O cliente ainda pode acompanhar a chegada da assistência através de um mapa em tempo real. Uma boa inciativa da Porto Seguro, que poderia ser utilizada por outras seguradoras também.

Extra – Treinamento auditivo: 

Rehabilitation Game: Este programa foge da linha dos outros, pois não substitui o telefone. Porém, foi feito exclusivamente para usuários de implante coclear. A empresa Neurelec desenvolveu um aplicativo para treinamento auditivo, com o modo “crianças” e “adultos”. Excelente para o recém-implantado praticar a reabilitação auditiva e conferir seu progresso.

Todos os aplicativos apresentados são gratuitos e estão disponíveis na Play Store, para dispositivos Android, ou na Apple Store, para dispositivos iOS. E aí, tem mais alguma sugestão? Compartilhe conosco!

 

* Por Renan Fantinato. Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto originalmente publicado aqui.

Sistemas FM – Inovação no Ouvir

Nos últimos tempos, o campo dos avanços tecnológicos aplicados à saúde e à melhora da qualidade de vida vem se desenvolvendo num ritmo cada vez mais crescente. Entre as diversas pessoas que podem usufruir desses avanços está a categoria dos deficientes auditivos.  Depois das conquistas do desenvolvimento de equipamentos básicos, que ampliam a capacidade auditiva de uma forma geral, como os AASI (Aparelhos de Amplificação Sonora Individual), o IC (Implante Coclear) e o Sistema Baha, chegou a vez de dispositivos que permitem um melhor aproveitamento em situações sonoras específicas, como em uma sala de aula ou reunião de trabalho. Este é o caso dos Sistemas FM (Frequência Modulada) para Aparelhos Auditivos, Implantes Cocleares e Sistemas Baha.

Os aparelhos auditivos convencionais e os Implantes Cocleares e Baha, apesar de contarem com todos os avanços tecnológicos das últimas décadas, muitas vezes não conseguem reproduzir integralmente a capacidade natural da audição humana de distinguir, selecionar e compreender determinados sons, principalmente os da fala, em um ambiente ruidoso. E é exatamente nesse contexto que o uso de um Sistema FM se torna vantajoso e essencial, pois permite o enfoque e a amplificação das emissões da fonte sonora escolhida pelo usuário.

Transmissores FM da Phonak. Modelos Inspiro e Smartlink, respectivamente.

Transmissores FM da Phonak. Modelos Inspiro e Smartlink, respectivamente.

Esse dispositivo, composto de um transmissor e um receptor de frequência modulada, permite a transmissão de ondas sonoras diretamente da fonte emissora para os receptores auditivos, evitando as barreiras físicas e mecânicas pelas quais o som normalmente enfrentaria para chegar ao seu destino. O receptor de FM é acoplado nos respectivos aparelhos do usuário, e o transmissor geralmente costuma ficar próximo à fonte emissora de sons (que pode ser outra pessoa, equipamentos eletrônicos como TV e rádio, entre outros). Dessa forma, há um melhor aproveitamento das mensagens sonoras para os usuários deste equipamento, alcançando um melhor desempenho junto aos AASI, IC ou Baha.

Os primeiros modelos dessa tecnologia datam de 1996 (época em que ainda estavam em fase experimental), e seu desenvolvimento e popularização no Brasil se deram principalmente na última década. Segundo Sandra Laranja, fonoaudióloga responsável pela franquia da Phonak em Bauru, atualmente o equipamento é indicado para qualquer usuário de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual, de Implante Coclear ou de Sistema Baha que apresente dificuldades para compreensão da fala em ambientes ruidosos. “Qualquer aparelho auditivo, de qualquer marca e modelo (Retro, Intra, Micro), pode ser utilizado. Todos os modelos de IC também são compatíveis com o Sistema FM, através dos adaptadores ou sapatas”, afirma a profissional. Já Gabriela Fernandes, fonoaudióloga da empresa Starkey de São Paulo, também ressalta que não há contraindicações no uso do Sistema FM.

Sistemas FM e SUS, uma parceria necessária

O maior aproveitamento dos Sistemas FM pelos seus usuários se dá em ambientes escolares e de trabalho. De fato, se torna muito mais fácil o aprendizado para o aluno com deficiência auditiva quando os sons da fala de seus professores e colegas podem chegar de forma mais compreensível aos seus ouvidos. Pelo fato do preço de um Sistema FM, que varia entre R$7.000 a R$10.000, muitas vezes não ser acessível à grande parte da população brasileira, em junho de 2013 o Governo Federal incluiu o equipamento na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais fornecidos pelo SUS.

Para receber este aparelho através da Secretaria de Saúde e SUS, o usuário deve possuir entre 5 a 17 anos, fazer uso de AASI e/ou IC, estar matriculado regularmente em uma instituição de ensino (no nível Fundamental ou Médio), possuir domínio ou estar em fase de desenvolvimento da linguagem oral e apresentar desempenho em avaliação de habilidades de reconhecimento de fala no silêncio. Atendendo esses requisitos, os pais da criança deverão se dirigir à Secretaria da Educação de sua cidade e solicitarem os seus direitos.

Experiências de usuários do Sistema FM

Transmissor FM da Starkey, modelo Comfort Digisystem.

Transmissor FM da Starkey, modelo Comfort Digisystem.

Como exposto acima, usuários de todos os tipos de aparelhos auditivos e Implantes Cocleares e Baha podem fazer uso dos Sistemas FM. Porém, o grau do benefício variará de acordo com a perda auditiva. Portanto, cada usuário de FM relata diferentes impressões a respeito de suas experiências no uso do equipamento, que na maioria dos casos tendem a ser positivas.

Inclusive eu que aqui escrevo, Ana Raquel Périco Mangili, tenho minha própria experiência com o Sistema FM. Possuo perda auditiva bilateral moderada e sou usuária de AASI desde os meus dez anos. Percebi a necessidade de complementar minha capacidade auditiva ao entrar na Universidade. Sempre tive dificuldades em acompanhar a fala de professores e palestrantes, principalmente quando havia ruído de fundo ou quando os mestres se movimentavam muito durante a exposição do conteúdo, impedindo a minha leitura labial.

Com o uso do Sistema FM, obtive um ganho significativo em sala de aula. Minhas necessidades de contato visual com o professor e leitura labial diminuíram, pois com o FM a voz dos mestres chega aos meus ouvidos como se eles estivessem falando ao meu lado, sem a interferência da distância física. Assim, com menos esforço de concentração dedicada ao ato de ouvir, consigo fazer anotações do conteúdo ministrado nas aulas e me canso menos ao final do dia.

Já a mãe de Maryana Sobral Delasta, Andréa Sobral, relata que sua filha, de quatro anos de idade (e implantada desde o primeiro ano de vida), usa o Sistema FM há seis meses e tem um ganho muito bom com o aparelho, inclusive pedindo para usá-lo toda vez que vai à escola. Porém, Andréa faz uma observação: “O FM realmente ajuda muito os deficientes auditivos em ambientes ruidosos, já que o som chega limpo aos ouvidos. Mas se é preciso estimular o deficiente auditivo a reconhecer os sons, deve existir um limite para o uso desse instrumento. No caso da minha filha, ela só usa na escola, já que o barulho lá é intenso e ela precisa aprender e estar atenta a tudo”, afirma.

 

* Fontes das imagens: Starkey e Phonak.

 

* Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto originalmente publicado aqui.

A técnica da Leitura Labial

* Reportagem revista e atualizada em 06/01/2017.

Uma prática muito comum entre quem possui deficiência auditiva é “ouvir com os olhos”. Não nos referimos aqui ao uso da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, mas sim à técnica da Leitura Labial (também chamada de Leitura Orofacial), muito usada entre os adeptos do Oralismo, isto é, deficientes auditivos cuja língua materna é o Português e que usam sua fala e resíduos auditivos para se comunicar oralmente. A Leitura Labial consiste na observação do posicionamento dos lábios do falante para que, junto com os sons ouvidos (ou não), a pessoa com deficiência auditiva consiga ter uma maior facilidade para compreender a mensagem falada pelo outro.

Élen Muzy, que adquiriu surdez profunda devido à meningite e implantada há mais de 15 anos, conta sobre a importância da Leitura Labial em sua vida. “Quando perdi minha audição aos 11 anos de idade, no começo foi muito difícil. Eu estava com uma nova vida e não conseguia entender ninguém. Tinha que ficar andando com um caderno para que as pessoas escrevessem o que falaram quando eu não entendesse. Isso era muito chato e me deixava para baixo. Então eu fui aprendendo sozinha a Leitura Labial, na escola e no dia a dia. Mas como eu não ouvia mais, e minha fala estava mudando, tive que ir para a fono. Lá, fazia exercícios para não deixar a fala de lado e treinava também a Leitura Labial. Hoje, com o Implante Coclear, eu escuto muito bem, mas não consegui deixar o hábito de ler lábios. Eu pratico os dois, a audição e a leitura. É como um vício mesmo”, conclui.

Não são apenas os indivíduos com surdez que utilizam esta técnica. Em ambientes barulhentos, as pessoas ouvintes também podem buscar apoio na Leitura Labial para ajudar na compreensão da fala alheia. Pesquisadores do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais (Alemanha) descobriram, em 2012, que o sulco temporal superior esquerdo (região do lobo temporal cerebral) é a área do cérebro, presente em todos os humanos, responsável por entender o que uma pessoa diz sem escutá-la direito. Quanto maior a ativação do sulco temporal superior esquerdo, melhor será a habilidade de Leitura Labial de cada pessoa.

Também em 2012, outro estudo realizado no Florida Atlantic University (Estados Unidos) revelou que os bebês fazem uso da Leitura Labial nos seus pais para aprender a falar. Com o desenvolvimento da audição e da linguagem da criança, por volta do primeiro ano de vida ela abandona o uso desta técnica. Porém, nas crianças com deficiência auditiva, dependendo dos estímulos recebidos e do grau da perda da audição, a Leitura Labial poderá continuar sendo usada ao longo da vida.

Este foi o caso de Melissa Peres, de 14 anos e implantada desde fevereiro de 2013. “A Leitura Labial foi uma coisa que eu aprendi naturalmente, pois sem isso não conseguiria viver no mundo dos sons hoje. Mas eu acho que começou quando eu aprendi a falar, pois para falar, temos que conhecer as palavras, e para conhecê-las, temos que ouvi-las. Como, no meu caso, eu não ouvia, então comecei a observar de onde as palavras saíam, e assim aprendi a captar as palavras”, conta.

As limitações da Leitura Labial

Sabe-se que esta técnica auxilia muito na adaptação do indivíduo com surdez aos seus Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI) ou Implante Coclear (IC). Recomenda-se o uso da leitura dos lábios junto com os resíduos auditivos do paciente porque a Leitura Labial não é um método infalível. Diz-se que até o melhor leitor labial só consegue compreender em torno de 50% das palavras articuladas sem som, pois muitos fonemas (unidades mínimas das palavras) possuem uma articulação invisível ou a mesma articulação que outros. A pronúncia de sons como “p” e “m”, “d” e “n” e “s” e “z”, pode ser facilmente confundidas entre si.

Daí observa-se que o contexto da mensagem, assim como a intuição e a experiência do leitor labial, influencia muito no sucesso da comunicação através desta técnica. O mesmo vale para a Leitura Labial em outros idiomas. No inglês, por exemplo, estima-se que apenas 30% a 40% dos sons são distinguíveis de vista. Renata Orsi, recém-implantada este ano e residente nos EUA, nos conta um pouco sobre suas experiências por lá.

“Creio que aprendi esta técnica instintivamente, desde a infância, e agora faço Leitura Labial também em inglês, porque moro nos EUA. O inglês é mais difícil, já que não é minha primeira língua, e tem mais palavras labialmente parecidas do que no português. Como tenho um residual auditivo razoável, que faz com que eu tenha um ganho bom com o AASI no outro ouvido, consigo diferenciar. Claro que tenho muitas dificuldades, e peço para falarem mais devagar, mas estou fazendo a reabilitação auditiva nos dois idiomas: em inglês e também em português”, diz Renata.

A Leitura Labial exige muito mais esforço do que a comunicação apenas por meio da audição. As mensagens podem levar alguns segundos a mais para serem entendidas pelos praticantes da técnica, que, pela concentração visual que devem manter, sentem-se com a visão mais fatigada ao final do dia. Empecilhos também podem ocorrer e dificultar a comunicação, como quando o interlocutor tampa inconscientemente a boca com a mão ou outro objeto, o formato dos lábios ou se a pessoa articula bem eles, o movimento ou desvio da cabeça do falante, a iluminação do local e se há mais de uma pessoa falando ao mesmo tempo.

Como aprender a ler lábios?

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A grande maioria dos leitores labiais aprende a técnica sozinhos, com o treino diário. Segundo a fonoaudióloga da ADAP, Marcella Giust, a prática no dia-a-dia, observando os lábios das pessoas durante as situações comunicativas, é a melhor forma de se adquirir esta técnica. Mas as crianças, principalmente, costumam treinar a Leitura Labial com o apoio do profissional fonoaudiólogo, que neste caso pode se utilizar de uma sequência gradativa de reconhecimento das palavras (fonemas, vocábulos e frases), bem como material de suporte, como espelhos e vídeos legendados. Também muitas vezes é importante avisar à pessoa com quem se conversa para ela falar em um ritmo mediano, não muito rápido, mas também não muito lento, e articular bem as palavras. Para conhecer algumas dicas de Leitura Labial, clique aqui.

A implantada Cindia Tomasi Panciera comenta sobre como sua fonoaudióloga lhe ensinou a ler lábios. “Aprendi logo depois que fiquei surda, com oito anos de idade. Foi difícil no começo, mas logo me adaptei. A fono fazia comigo exercícios de pronúncia de fala olhando no espelho, encostando a mão na garganta para eu sentir como deveria falar também. Aí, em casa, minha mãe me ajudava a continuar os exercícios”.

Já Luismar Alves de Souza conta que aprendeu sozinho a técnica da Leitura Labial. “Na época da perda auditiva, aos 12 anos de idade, usei de várias artimanhas para treinar ler lábios. Fazia perguntas que eu mesmo já sabia a resposta, com a intenção de confirmar. Inventava palavras, frases e textos. Escrevia e pedia para minha irmã recitar para mim sem eu saber qual era a frase, e ficava olhando em sua boca, lendo os lábios dela. Tive um resultado satisfatório, alcançando a excelência de acordo com a melhora de minhas condições clínicas. Agora, depois do IC, continuo na mesma prática, porém, houve uma alteração considerável, pois preciso aprender a conciliar o barulho da voz, que ainda é só um arranhado, com a leitura labial. Esta dificuldade se torna mais amena nas fonoterapias, porque as fonoaudiólogas tem conhecimento, são treinadas em suas atividades profissionais”, relata.

Uma curiosidade extra: em 2009, pesquisadores da Universidade Britânica East Anglia, em parceria com outras instituições, desenvolveram o protótipo de um software de Leitura Labial para auxiliar no reconhecimento de discursos captados em vídeos. Assim como em alguns processadores de textos, basta a pessoa começar a falar e o programa identifica automaticamente o idioma e o transforma em palavras escritas. Até o momento, o software consegue detectar os seguintes idiomas: inglês, francês, alemão, árabe, mandarim, cantonês, italiano, polaco e russo.

* Fonte da imagem: Gallery Hip.

* Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto originalmente publicado aqui.

Conheça a Libras – Língua Brasileira de Sinais

Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto na íntegra em http://adap.org.br/site/index.php/artigos/91-implante-coclear-e-libras-uma-parceria-benefica

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De acordo com o Censo IBGE de 2010 e o Portal de Notícias Terra, dos 9,7 milhões (5,1% da população) de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência auditiva, 2,5 milhões não compreendem o idioma materno e não fazem uso da Língua Portuguesa. Apesar de não haver dados exatos do número de usuários de Libras, a Língua Brasileira de Sinais, estima-se que grande parte desses 2,5 milhões de brasileiros optou por adotar exclusivamente este idioma. A esse número soma-se os adeptos do bilinguismo, ouvintes ou deficientes auditivos que conhecem o Português escrito e/ou falado e também a Libras. Saiba mais sobre a fascinante língua de sinais brasileira a seguir!

A Língua Brasileira de Sinais é um idioma de modalidade gesto-visual que combina movimentos gestuais e expressões faciais com a finalidade de transmitir uma mensagem. A Libras teve sua origem na Língua de Sinais Francesa, que foi trazida ao Brasil em 1856 pelo conde francês Ernest Huet, e a partir daí foi adotada pelas comunidades surdas brasileiras, que incorporaram expressões locais a essa língua e possibilitaram a ela uma evolução própria, independentemente de sua origem francesa.

Cada país possui sua própria língua de sinais, que independe do idioma nacional para ser estruturada (Brasil e Portugal, por exemplo, possuem línguas de sinais diferentes). Sendo assim, as línguas gesto-visuais são idiomas completos, com morfologia, sintaxe e semântica próprias, e podem ser usadas para expressar qualquer pensamento ou ideia, por mais abstratos que sejam. Assim como as línguas orais, a Libras também possui variações e dialetos regionais, e é por meio dela que a pessoa surda adquire condições para o aprendizado do Português em sua modalidade escrita, garantindo dessa forma a sua inclusão na cultura nacional.

pw-libras-2013Depois de um longo processo de lutas sociais da comunidade surda, a Libras foi oficializada no Brasil por meio da Lei 10.436, em 24 de abril de 2002, garantindo dessa forma alguns direitos básicos para esses cidadãos, como a possibilidade de solicitação de um intérprete em ambientes formais e de aprendizagem, como escolas e universidades, assim como poder contar com professores e fonoaudiólogos capacitados a lidar com as especificidades da comunidade surda, já que, a partir da referida data, a Libras se tornou uma disciplina curricular obrigatória nos cursos de Magistério e Fonoaudiologia do ensino superior brasileiro.

As vantagens de se aprender Libras vão além de conhecer outro idioma e poder se comunicar com a comunidade surda local. Segundo a linguista e pesquisadora Evani Viotti, da Universidade de São Paulo (USP), como as línguas de sinais são quadridimensionais, isto é, suas estruturas frasais são formadas pela profundidade, altura, largura e o tempo dos gestos, o aprendizado delas pode contribuir no desenvolvimento de uma alta habilidade cognitiva aos seus usuários. Porém, não são todos que conseguem se dar bem com esse idioma: quanto mais cedo se iniciar os estudos e maior for a dedicação pessoal, grandes serão as chances de sucesso e fluência nessa língua, e essa regra vale para qualquer idioma conhecido, oral ou gestual.

Onde aprender Libras?

Para os interessados em aprender esse idioma, há, além de vários cursos de Libras disponíveis na Internet, cursos presenciais da Língua Brasileira de Sinais. Em Bauru, são oferecidos pela Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais (Funcraf). Para saber mais, acesse o seguinte link: http://www.funcraf.org.br/index_arquivos/Page567.htm. Porém, vale a pena lembrar que o aprendizado da Libras, assim como de qualquer outro idioma, só se torna realmente efetivo com a prática da referida língua no dia-a-dia.

Aline Vendrame Cordeiro, usuária de Libras há mais de dez anos, nos dá o seu depoimento sobre a língua de sinais. “Aprendi Libras com 15 anos, quando ingressei na escola especial para surdos, o saudoso colégio Anne Sullivan, de São Caetano do Sul”, afirma. Possuindo surdez profunda em ambos os ouvidos, Aline foi educada pelo método oralista (a prática do Português falado e escrito) antes de conhecer a Libras. “Eu prefiro conversar em Libras com um grupo. A conversa flui naturalmente, você capta tudo. É difícil ler muitos lábios [referindo-se ao método da leitura labial]. Em Libras não se tem esse problema, é tudo tão natural quanto a fala”, comenta. E, em relação ao panorama da Libras na atualidade, ela afirma que o número de usuários vem crescendo cada vez mais. “Muitos surdos, intérpretes, e até alguns oralizados estão aderindo à causa. Acho que levei uns dois meses para aprender o idioma. Convivência, não tem nada melhor do que isso. É o segredo que os cursos não fazem”, defende Aline.

Alfabeto

Deficiência auditiva e desempenho escolar – Como aproveitar melhor os estudos – Parte II

Nesta continuação da matéria anterior, veja dicas para proporcionar um melhor aprendizado à criança com deficiência auditiva

Por Ana Raquel Périco Mangili.

* Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto na íntegra em http://adap.org.br/site/index.php/artigos/86-implante-coclear-e-desempenho-escolar-como-aproveitar-melhor-os-estudos

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escola_inclusãoSeja no ensino fundamental, médio ou universitário, o desempenho do estudante com deficiência auditiva pode ser mais bem aproveitado com algumas dicas e atitudes, tanto para o professor quanto para o aluno. Enumeramos as principais logo abaixo, parcialmente extraídas da cartilha “Tools for Schools”, produzida pela Advanced Bionics (AB). Aos pais caberá repassar as orientações aos professores e manter um acompanhamento da vida escolar e das atividades de seu filho.

Aos alunos com deficiência auditiva:

  • Sente-se próximo do professor, de preferência nas primeiras carteiras da sala e distante de portas e janelas, para não ser distraído por ruídos externos à classe.
  • Se for aluno do ensino fundamental ou médio, requisite gratuitamente o seu Sistema FM pelo SUS, através da Secretaria de Educação da sua cidade. Em sala de aula, peça que seu professor utilize esse equipamento durante as aulas. Em exposição de trabalhos em grupo, oriente seus colegas a também utilizar o seu Sistema FM.
  • Se tiver prática na leitura labial, não hesite em utilizá-la quando achar necessário.

Aos professores e mestres:

  • Ministre suas aulas de forma natural. Não fale muito rápido nem muito lento. Também não há necessidade de gritar para se fazer ouvir pelo aluno.
  • Boa parte dos alunos com deficiência auditiva faz leitura labial. Portanto, facilite que eles vejam o seu rosto e boca. Evite falar de costas ou andar muito pela classe.
  • De preferência, mantenha a porta da sala de aula fechada, para evitar ruídos externos. Também evite arrastar carteiras ou falar junto com outros barulhos.
  • Quando for falar com o estudante implantado unilateralmente, dirija-se a ele sempre do lado implantado.
  • Procure entender e esclarecer as dúvidas do aluno. Tenha paciência se tiver que repetir a ele algum conteúdo já dito anteriormente, pois ele pode não ter ouvido mesmo que tenha prestado atenção à aula.
  • Quando quiser destacar alguma palavra, frase ou data, escreva-a na lousa, pois alunos com deficiência auditiva assimilam melhor o conteúdo por meios visuais.
  • Em dinâmicas de grupo, sintetize o que foi dito pelos colegas que estiverem sentados longe do aluno com deficiência auditiva. Incentive também a interação do implantado com os seus colegas.
  • Utilize o Sistema FM durante as aulas. Esse é um direito do estudante com deficiência auditiva.
  • Forneça materiais alternativos ao aluno quando for utilizar recursos sonoros em sala, como áudios e vídeos (aos quais se podem acrescentar legendas ou se recomendar a leitura do conteúdo por escrito em outra fonte).
  • Adapte ou substitua atividades que exijam muito do sentido auditivo do estudante, como prova oral ou análise de áudios, por exemplo.
  • Se a criança frequentar também um serviço de apoio educacional especializado, mantenha contato com o professor desse serviço para acompanhar o progresso do aluno nas áreas em que ele possua maior dificuldade.

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Deficiência auditiva e desempenho escolar – Como aproveitar melhor os estudos – Parte I

Na primeira parte desta matéria, saiba mais sobre a escolha da escola ideal para a criança com deficiência auditiva.

Por Ana Raquel Périco Mangili.

* Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto na íntegra em http://adap.org.br/site/index.php/artigos/86-implante-coclear-e-desempenho-escolar-como-aproveitar-melhor-os-estudos

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Mesmo com a recente incorporação do Sistema FM (um recurso tecnológico para Aparelhos Auditivos) na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS, os deficientes auditivos ainda não têm uma total igualdade de condições, em comparação às crianças ouvintes, dentro da sala de aula. Vale lembrar que, apesar de existir inúmeros tipos de Aparelhos Auditivos, eles ainda não exercem a função de total substitutivo do ouvido humano. A audição é um dos órgãos mais complexos da nossa espécie, de forma que ainda não se alcançou, pela tecnologia, a capacidade de reproduzi-la integralmente. De forma natural, o próprio sistema auditivo humano apresenta oscilações em seu desempenho ao longo da vida. Nas pessoas que já possuem alguma perda auditiva, essa oscilação traz consequências de forma ainda mais acentuadas. Sendo assim, pessoas com deficiência auditiva ainda possuem alguma dificuldade para ouvir e compreender os sons, mesmo utilizando os aparelhos.

Na reabilitação da criança deficiente auditiva, a família desempenha um papel fundamental. É no ambiente silencioso de sua casa e na sua interação direta com os familiares que o indivíduo aprenderá a identificar os primeiros sons e palavras, e no caso da criança possuir uma deficiência auditiva, cabe aos pais redobrarem os estímulos e o acesso às fontes sonoras para o seu melhor aproveitamento e aprendizado. Dessa forma, com o apoio da família e do profissional fonoaudiólogo, a criança estará mais apta a enfrentar um ambiente mais dinâmico e desafiador para o seu sentido auditivo: a escola.

Se até então, no ambiente familiar, as situações sonoras as quais as crianças eram expostas podiam ser controladas em favor de um melhor aproveitamento pelo indivíduo deficiente auditivo, no ambiente escolar esse controle se reduz drasticamente. A criança passará a conviver com diversas pessoas e múltiplas fontes sonoras, que muitas vezes sobrepõem-se umas às outras e se distanciam do seu interlocutor, o que ocasionará as principais dificuldades na compreensão dos sons pela criança com deficiência auditiva.

Sendo assim, uma dúvida comum a todos os pais dessas crianças é sobre que tipo de escola é mais adequada aos seus filhos. Segundo a fonoaudióloga da ADAP Marcella Giust, a grande maioria das crianças com perdas auditivas é orientada a frequentar escolas comuns. Isso porque, se o objetivo da reabilitação é desenvolver as capacidades auditivas da criança, ela deve ser exposta, desde cedo, a ambientes com o maior número de experiências sonoras, para possibilitar o desenvolvimento da audição, da fala e da linguagem oral.

A Constituição Brasileira garante a oferta de educação igualitária a todos os seus cidadãos. É dever da sociedade se reajustar de modo a se tornar acolhedora e justa para todos. Porém, como isso dificilmente ocorre de forma espontânea na realidade, cabe aos pais e profissionais da saúde orientar os professores e diretores escolares sobre as especificidades da criança e coordenar, junto com eles, esforços no sentido de complementar e auxiliar o aprendizado que se dá por meio do sistema auditivo dos pequenos.

Ana Júlia Kemer em sua escola em Florianópolis/SC. Foto: arquivo pessoal.

Ana Júlia Kemer em sua escola em Florianópolis/SC. Foto: arquivo pessoal.

Para começar, a seleção da escola que mais se adeque às necessidades da criança implantada é um item fundamental. A preferência deve ser por escolas que trabalhem com as políticas da educação inclusiva.  Outro item que deve ser levado em conta é o tamanho da escola. Quanto menor o número de alunos por sala, menos ruído para o deficiente auditivo e mais possibilidades de dedicação do professor para cada aluno.

Essas características podem levar alguns pais a deduzirem que as escolas particulares podem ser a melhor escolha, mas nem sempre isso é a regra, como aconteceu no caso de Ana Júlia Kemer, de oito anos de idade, usuária de Implante Coclear que frequenta uma escola pública de Florianópolis/SC. Sua mãe, Geiciane Lemos, comenta sobre o local: “É uma escola que trabalha a inclusão social das crianças com deficiência, tem toda uma estrutura para receber as crianças de acordo com a deficiência delas, por exemplo, nos corredores tem o alfabeto em Libras e em Braile. A escola também oferece, no contra turno escolar, aulas de Libras e Português para a Ana Júlia”.

Essas aulas no contra turno escolar, citadas por Geiciane, fazem parte do que se chama de “serviços de apoio educacional especializado”, previstos nas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial como uma opção de auxílio na aprendizagem das crianças. Aqui, o aluno poderá contar com atividades focadas nas suas dificuldades auditivas e de linguagem, junto com outros recursos tecnológicos, como vídeos legendados, que facilitem o seu aprendizado.

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Não perca a Parte II desta matéria, que trará valiosas dicas para proporcionar um melhor aprendizado à criança com deficiência auditiva.