OVNI produz audiodescrição ao vivo no 46º Festival de Cinema de Gramado — OVNI Acessibilidade Universal

Os quatro filmes exibidos na sessão oficial das mostras competitivas do dia 21 de agosto estarão acessíveis aos usuários da audiodescrição. (descrição da imagem) A foto colorida e horizontal retrata cerca de 50 pessoas atravessando em fila o tapete vermelho do 43º Festival de Gramado, na Rua Coberta. Algumas usam bengalas brancas e óculos escuros. […]

via OVNI produz audiodescrição ao vivo no 46º Festival de Cinema de Gramado — OVNI Acessibilidade Universal

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Entrevista com Maurício Santana

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Este mês o blog do MATAV Unesp publica a entrevista realizada com Maurício Santana, profissional da área de Publicidade e Rádio e TV, Diretor da empresa Iguale Comunicação de Acessibilidade. Na entrevista, Maurício conta um pouco de sua formação e carreira e nos relata os bastidores das tentativas de implantar acessibilidade nas salas de cinema brasileiras por meio do aplicativo Movie Reading.

MATAV: Conte um pouco de sua formação e de sua atuação profissional.

MAURÍCIO SANTANA: Sou da área de Comunicação. Formado em Publicidade, já atuei por muitos anos como monitor/técnico de laboratório de RTV do curso de Comunicação Social da UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba). Trabalhei em algumas emissoras de rádio e TV do interior de São Paulo e, posteriormente, atuei como docente da mesma universidade e também de outras instituições. Voltei pra São Paulo em 2007/2008 para o desafio de criar a Iguale e trabalhar com acessibilidade comunicacional.

MATAV- Quem criou o aplicativo Movie Reading e como e quando ele foi adotado no Brasil?

MAURÍCIO SANTANA- O MovieReading foi criado na Itália pela UMA (Universal Multimedia Access) e em 2014, depois de algumas negociações, nos tornamos representantes no Brasil e América do Sul. Fizemos muitos testes e somente em 2015 começamos a divulgar e publicar os primeiros títulos. Posteriormente, negociamos também a representação para o México e USA, mercados que ainda não iniciamos um trabalho efetivo e nem divulgação.

MATAV- Segundo a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (2015), sabemos que as salas de cinema brasileiras têm que oferecer três recursos de acessibilidade aos usuários com deficiência auditiva e visual: audiodescrição, legenda descritiva e libras. Qual a previsão de encontrarmos salas com os três recursos?

MAURÍCIO SANTANA- Não só a LBI, mas também a Instrução Normativa (IN) nº. 128, de 13 de setembro de 2016, regulamentam a oferta da acessibilidade pelas salas de exibição e a obrigatoriedade do distribuidor de filmes produzir os três recursos, e, portanto, acredito que realmente teremos esses três recursos sendo oferecidos. O problema é: quando?

 A Instrução Normativa da ANCINE já foi adiada uma vez e agora tem seu prazo para início em novembro de 2018, mas a LIBRAS ainda é um problema tecnológico a ser resolvido pelas empresas que querem ofertar comercialmente as tecnologias para os cinemas. A dificuldade é que, até novembro de 2017, data em que deveria ser iniciada a oferta de acessibilidade nas salas de cinema, apenas o MovieReading e mais outra tecnologia, também baseada em nuvem, estavam aptas a distribuir os três recursos. Porém, uma comissão da Digital Cinema Iniciative /Motion Pictures Association of America (DCI/MPAA), vinda dos USA, interferiu no processo brasileiro e sugeriu que os aplicativos não fossem adotados como tecnologia assistiva para esse fim, e que toda a distribuição de arquivos relacionados com o filme acontecesse apenas por meio do Digital Cinema Package (DCP).

Essa recomendação nos colocou fora da lista de possíveis fornecedores, mesmo sendo os únicos que poderiam imediatamente atender a Lei e incluir o público com deficiência, que já estava utilizando o MovieReading em algumas iniciativas pontuais, como o filme da Lara Pozzobom, por exemplo, “Mulheres no Poder”[1], que foi assistido com acessibilidade no país inteiro.

A proposta técnica desse grupo (DCI/MPAA), formado por representantes das Majors da indústria cinematográfica mundial, é de que se converta o arquivo de vídeo LIBRAS em um arquivo de áudio para ser inserido no DCP, já que este por formatação, só aceita um arquivo de vídeo que no caso é o próprio filme. Em seguida, um equipamento que deve ser instalado nas salas de cinema reconverta esse arquivo em vídeo para ser disponibilizado para o público.

Hoje, pelo menos que eu tenha conhecimento, existe em desenvolvimento/teste um equipamento de uma empresa do Sul, que tem a proposta de distribuir os recursos por meio de sinal de infravermelho dentro da sala, mas não sei como está esse processo de conversão.

Uma outra proposta absurda e desrespeitosa com o público é uma solução com a LIBRAS sendo realizada por AVATAR, ou seja, uma tradução produzida por um banco de dados. Na minha opinião, como se fosse a legenda do filme sendo feita pelo Google Tradutor, e lembremos que este já tem mais de 11 anos de desenvolvimento e não está nem perto de poder ser utilizado para esse fim.

MATAV- Quais são os maiores usuários do Movie Reading no Brasil?

MAURÍCIO SANTANA- Hoje temos cerca de seis mil downloads de conteúdos realizados e a audiodescrição tem sido o recurso mais procurado.

MATAV- Como vocês conseguem divulgar o aplicativo?

Maurício Santana- Estávamos com algumas estratégias sendo desenhadas para esse momento da implementação da acessibilidade nas salas de cinema, mas tivemos que abortar, como expliquei. Fizemos algumas ações em redes sociais, muitas demonstrações para distribuidores e produtores de filmes (todos ficaram bem impressionados com o MR) e também tivemos um stand na EXPOCOM 2016. Agora, estamos estudando um novo direcionamento para outras possibilidades, outras janelas de exibição, como festivais e mostras de cinema, Videos on Demand (VOD) e até a exibição em TVs (aberta e fechada), já que a potencialidade e eficácia do MovieReading, já foi testada e aprovada pelo público com deficiência.

MATAV: Os leitores interessados em saber mais sobre os projetos da Iguale Comunicação de Acessibilidade e detalhes sobre o Movie Reading podem acessar o site https://iguale.com.br/ ou https://iguale.com.br/moviereading/

[1]O filme  Mulheres no Poder pode ser visto com os recursos de acessibilidade do Movie Reading no Now.

ARSAD 2019 Advanced Research Seminar on Audio Description (TransMedia Catalonia- Barcelona)

De 19 a 21 de março de 2019 ocorrerá o 7º ARSAD (Advanced Research Seminar on Audio Description) em Barcelona.

Organizado pelo grupo de pesquisa TransMedia Catalonia, o evento tem se destacado por promover debates e troca de experiências entre pesquisadores, audiodescritores, produtores audiovisuais e usuários de AD de vários continentes.

Todas as atividades do ARSAD serão na  Residència de Investigadors (C/Hospital, 64, 08001 Barcelona).

Abaixo o link do evento.

http://grupsderecerca.uab.cat/arsad/

Acessibilidade é o tema da Semana do Tradutor/2018 – Unesp/IBILCE

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A tradicional Semana do Tradutor, organizada anualmente pelos alunos e professores de Tradução da Unesp de São José do Rio Preto terá como tema este ano: ˜Caminhos da acessibilidade: o papel sociocultural da tradução”.

Nossa querida colega Bell Machado estará por lá falando de audiodescrição.

Curtam, participem e inscrevam-se!

 

https://38semanadotradutor.wixsite.com/unesp

 

 

 

Media for All 2019

O evento Media for All é um dos melhores espaços de integração de pesquisadores e profissionais da área de Tradução Audiovisual. Ocorre bienalmente e sua 8ª edição será em junho de 2019, na  Stockholm University com a organização geral de Jan Ivarsson, conhecido internacionalmente por suas pesquisas na área de legendagem.

O site do evento já está ativado com as principais informações e segue abaixo a carta circular com mais detalhes.

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#paratodosverem

(descrição da imagem):  O e-flyer colorido e horizontal tem como fundo a cor azul clara e a logomarca da oitava edição do evento Media for All em destaque no centro. Letras e números compõem a logomarca. Aparecem da esquerda para a direita em caixa alta e em cor branca a letra M, o número quatro e a letra A, e por fim o número oito em cor rosa. No fundo da letra M aparece a ilustração de um recorte de película de filme na cor preta. Na linha abaixo da logomarca do evento aparecem em inglês e em fonte branca as informações sobre data, cidade e país do evento. 17 a 19 de junho, Estocolmo, Suécia.

https://www.tolk.su.se/english/media-for-all-8

 

1ª circular m4a8_cfp

 

Carnaval para todos: audiodescrição na Sapucaí 2018 Entrevista com Graciella Pozzobon

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Graciella Pozzobon é atriz, audiodescritora. Foi premiada como melhor atriz por sua atuação no documentário Cão Guia (1999).

O audiodescritor para descrever o Carnaval tem que ter mil olhos, porque ele tem que ver ao mesmo tempo muitas coisas (Graciella Pozzobon)

 

MATAV: Qual tipo de preparo ou treinamento que você e a equipe da Lavoro Produções fazem para audiodescrever o Carnaval no Rio de Janeiro?

Graciella: Um dois maiores desafios para nosso treinamento sempre é a questão do sigilo, as escolas de samba entregam muito pouco o jogo. E com isso a gente trabalha com o mesmo material que vai para as emissoras, as informações das escolas, do samba enredo, das alas, da estrutura da escola, o número de componentes etc. Nós não temos informação antecipada, as nossas contratações são feitas em cima da hora, dois ou três dias antes do evento.

Na primeira vez que fizemos a audiodescrição do carnaval do Rio de Janeiro, descrevemos todo o Sambódromo, a história da construção do local, da escultura do Niemeyer, fizemos uma descrição bem detalhada das arquibancadas e da estrutura física da passarela. Ou seja, a gente estuda os temas das escolas e os enredos. O carnaval tem uma questão muito subjetiva, a questão do nome da ala com a descrição dos detalhes ajuda muito a compreender o que está sendo passado naquele desfile. Temos que ir desvendando o que o carnavalesco quis dizer.

Para a preparação da AD do Carnaval em 2011, assistimos os DVDs dos desfiles dos anos anteriores e fomos treinando e ensaiando essa descrição. Foi uma coisa bastante engraçada, foi difícil fazer pela primeira vez, ainda mais na televisão.

No carnaval nós ficamos em uma cabine com visão privilegiada, isso ajuda muito a ver cada detalhe. Nós vemos a escola passar a dois metros de distância, é muito diferente de ver por uma tela, mas o treinamento com DVDS foi muito útil para nós entendermos a dificuldade que é descrever aquele imenso universo visual que é muito vasto e complexo de um desfile de escola de samba.

MATAV: Em 2018 houve algum desafio muito grande na AD do Carnaval da Sapucaí?

Graciella: Os desafios são constantes, pois é um espetáculo que tem muito imprevisto. Neste ano, no primeiro dia do desfile no Rio de Janeiro (domingo) estava um calor muito forte e muitas pessoas passaram mal desfilando.

E como a cabine de AD no Sambódromo fica na dispersão, na apoteose, a gente vê a escola chegando e finalizando o seu desfile. O que é muito bonito porque a gente vê a emoção dos componentes, a exaustão dos componentes e do pessoal que trabalha empurrando os carros. Vemos a emoção da diretoria toda ao vivo.

É um lugar muito legal, muito melhor, por exemplo, do que o início do desfile, onde está todo mundo certinho e tenso.

Enfim, neste ano muitas pessoas passaram mal e nós víamos os bombeiros, os componentes passando mal, sendo levados em cadeiras de rodas. Também apresentamos essas informações aos usuários. O audiodescritor para descrever o Carnaval tem que ter mil olhos, porque ele tem que ver ao mesmo tempo muitas coisas, por isso que trabalhamos em dupla porque um vai auxiliando o outro. Pois um vai auxiliando o outro e cada um vê uma coisa. Um pode ver o diretor da escola abraçado, chorando, por exemplo, e isso tudo também é descrito. Todas essas informações de bastidores, que é uma coisa muito incrível, a gente tem ali na nossa frente e na TV nós não temos esse tipo de informação. Só apresentam informações se há acidente ou um carro que quebra. Os imprevistos acontecem toda hora no evento ao vivo.

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MATAV: E sobre a emoção de trabalhar em um evento como este?

Graciella: É tão emocionante você estar na avenida, ouvir o samba, você fica envolvido naquela atmosfera do carnaval que por si só é muito arrepiante. O audiodescritor não precisa enfeitar ou trazer alguma carga de emoção pessoal porque o espetáculo sozinho já é muito poderoso. Mas é inevitável para o profissional trazer no tom da voz a emoção de ver aquelas coisas grandiosas e maravilhosas. A emoção não está exatamente na informação, ela está no tom do audiodescritor, por estar ali naquele lugar vendo ao vivo aquela informação visual tão mágica e tão incrível. Isso é o que eu acho que faz a audiodescrição ser tão empolgada, porque a gente não fica imune a esse impacto que o desfile causa.

MATAV: Vocês conseguem ter feedback dos usuários? Quais são?

Graciella: Conversamos praticamente com 100% das pessoas. Ficamos em um setor da prefeitura do Rio de Janeiro para pessoas com deficiência em geral: pessoas cadeirantes, cegas, surdas, com deficiências intelectuais variadas, dessa forma temos acesso a essas pessoas. Como é um trabalho de muitas horas, a gente chega por volta das 19h horas, o desfile começa às 21h e termina 6h da manhã, temos acesso a essas pessoas por muitas horas.

Nós sempre fazemos um registro em vídeo do trabalho de entrevistas com eles, para justamente ter esse retorno. Com isso nós conversamos de um a um, ao longo daquela noite toda, entrevistando e perguntando sobre a experiência com AD. Temos dois vídeos registrados, o de 2011 e o de 2016 (Youtube) e estamos acabando a edição do vídeo deste ano e são arrepiantes os depoimentos deles. Essas pessoas dizem: “Hoje eu vi”.

Há muitas pessoas cegas que são foliões, que vão à Sapucaí desde sempre e antes de ter a AD, eles ficavam apenas com o samba. Eu digo “apenas” porque comparado com a informação que eles têm com a AD é pouca coisa. Mas se formos pensar em termos gerais, é muito, porque o desfile é muito potente para quem está ali do lado.

É muito incrível você estar ali e ouvir a bateria passar. Ouvimos os depoimentos dessas pessoas que já iam à Sapucaí sem ter a experiência com a AD e passam a ter a descrição de todos os detalhes do início ao fim e percebemos como a AD é transformadora e maravilhosa para eles.

 

Carnaval para todos: audiodescrição na Sapucaí 2018 Entrevista com Lara Pozzobon

O carnaval do Rio de Janeiro é considerado um dos maiores eventos ao vivo do mundo. Uma grande festa que deve oferecer a toda e qualquer pessoa a possibilidade de ser inserida e incluída sem nenhuma barreira seja arquitetônica, de comunicação ou sensorial. Apresentaremos aqui no Blog duas entrevistas feitas pelo grupo MATAV com as profissionais da Lavoro Produções, equipe que realiza desde 2011 a audiodescrição (AD) ao vivo do Carnaval da Sapucaí.

 

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Lara Pozzobon é Doutora em Literatura Comparada (Literatura e Cinema) e produtora de cinema. A proprietária da Lavoro Produções é considerada pioneira e especialista em produção de eventos acessíveis, trouxe ao Brasil o Festival Assim Vivemos (Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência), primeiro festival brasileiro que ofereceu três recursos de acessibilidade sensorial em suas sessões (audiodescrição, legendagem para surdos e ensurdecidos e LIBRAS).

MATAV: Há quanto tempo a Lavoro Produções está envolvida com a AD do Carnaval no Rio de Janeiro?

Lara: A Lavoro Produções está envolvida com as audiodescrições no Carnaval do Rio de Janeiro desde 2011. A primeira vez que realizamos AD foi em 2011, depois em 2016 e este ano (2018) conseguimos novamente ser contratados para o serviço. Destaco que houve várias tentativas de aprovação da AD em todos os outros anos, mas não houve sucesso no diálogo com a equipe da RIOTUR.

 

MATAV: Quais os maiores desafios de fazer a AD dos desfiles de carnaval?

Lara: Há dois desafios: Reunir as informações e articulá-las com a descrição propriamente dita do que o audiodescritor está vendo. Ter a equipe escolhida para fazer esse trabalho, pessoas com conhecimento amplo de cultura e de elementos cênicos de Carnaval.

O maior desafio na primeira vez foi dar conta da quantidade enorme de informações que vem simbolizada em cada escola, em cada carro alegórico, em cada ala e em cada fantasia. Existe toda uma simbolização e quem assiste apenas a escola e não leu sobre o assunto ou não assistiu os comentaristas falando, não percebe e fica assistindo sem entender bem. Só pelo samba a gente não compreende todas as fantasias.

O mais difícil foi reunir todas as informações antes do desfile, porque boa parte das informações é sigilosa, são liberadas um dia antes ou no próprio dia do desfile. Depois que passa aquele momento do sigilo, a RIOTUR distribui para todos uma publicação com o resumo de todos os detalhes das escolas. Se a gente só descrevesse o que estivéssemos vendo, sem usar esse recurso não daríamos às pessoas com deficiência visual condições de igualdade para com os demais foliões que estão lendo o informativo. Então nós usamos as informações contidas nele para intercalar essas informações de simbolizações, de nomes das pessoas ou de algum outro detalhe histórico relacionado, que seja relevante para incrementar a descrição pura e simples do que estamos vendo passar na frente da cabine de AD. A gente usa as informações mais organizadas e sistematizadas para alinhavar com a descrição pura da imagem.

Outro desafio é fazer uma escalação apropriada para o gênero da audiodescrição. Escalar uma equipe que já tenha conhecimento ou capacidade de compreender rapidamente e saber identificar o que é mais relevante naquela imagem para fazer este trabalho.

Na minha equipe eu tenho dois carnavalescos, pessoas que amam o carnaval, que tem blocos e são atores. São pessoas que chegam com um entendimento da festa que é muito valiosa.

Na nossa equipe todos os audiodescritores são atores e geralmente entendem muito de figurinos, de tecido, de texturas, de elementos cenográficos, de todo o tipo de objetos cênicos e conhecem também muito a cultura brasileira, porque circulam na área, estudam e já têm o conhecimento. Aqui no Rio de Janeiro escolhemos atores-audiodescritores que já tivessem conhecimento de Carnaval, de personalidades, de pessoas conhecidas. Devem conhecer as celebridades, as personalidades ou a velha guarda de cada escola, as pessoas que estão passando ali na frente da cabine de AD.

 

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MATAV: Este ano quantos usuários foram pedir para ouvir a AD?

Lara: Nas três ocasiões em que fizemos AD, os ingressos foram distribuídos com aproximadamente 30 ou até 60 dias de antecedência do Carnaval e não se sabia se haveria AD. Eles são distribuídos antecipadamente para instituições de pessoas com deficiência das mais variadas. Como mencionei, a RIOTUR só nos contrata em cima da hora, com dois ou três dias de antecedência, infelizmente. Ou seja, a presença das pessoas com deficiências visual no Setor 13 não tem relação nenhuma com ter ou não ter divulgação da AD. Eu sempre digo que seria bom que isto seja decidido desde antes. De qualquer maneira, em 2018 tivemos um público de 20 a 30 pessoas em todas as noites que fizemos o trabalho.

MATAV: O que é necessário para que eventos como o Carnaval sempre tenham acessibilidade com qualidade e profissionalismo?

Lara: É importante que a sociedade em geral, o poder público e a mídia saibam que a AD é um direito do cidadão, como outros direitos que todo cidadão tem. A acessibilidade com qualidade e profissionalismo abarca várias questões, desde as licitações que nem sempre garantem a qualidade dos profissionais envolvidos e até questões peculiares do Brasil.

Seria interessante se as pessoas tivessem acesso ao hall de profissionais que já possuem experiência na área e sabem fazer de forma eficaz a AD. Valeria a pena conversar com profissionais experientes e não tão experientes de forma aberta para troca de informações. Em países desenvolvidos como o Japão, situações emergenciais são tratadas rapidamente sem a demora que envolve licitações e a burocracia que faz com que ações como a AD só sejam inseridas de última hora em eventos como o Carnaval.