MovieReading e o futuro da acessibilidade nos cinemas

O aplicativo conta com recursos de acessibilidade para a inclusão cultural

   Desde novembro de 2016, está em vigor a Instrução Normativa 128/2016, da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que regulamenta inclusão de recursos de acessibilidade auditiva e visual nas salas de cinema. O plano é que até 2020 todas as salas de cinema sejam acessíveis, com o conteúdo adaptado dos filmes em formato de audiodescrição, closed caption (legenda) e LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para deficientes auditivos e visuais. Para que esse futuro se torne possível, empresas têm investido em tecnologia e acessibilidade, e com isso surgiu o aplicativo Movie Reading.

   Criado pela empresa Iguale Comunicação de Acessibilidade em parceria com a Universal Multimedia Acces, o Movie Reading é um aplicativo de tecnologia assistiva e promete acessibilidade nas salas de cinema, com recurso de sincronização de áudio e legenda (e libras) automático e audiodescrição dos filmes em cartaz. O aplicativo está disponível para download gratuito nos sistemas Android e iOS, e uma vez baixado no seu celular, não é preciso de internet móvel para acessar os conteúdos do aplicativo. Para a audiodescrição, apenas um fone de ouvido em mãos é o suficiente. Porém, acompanhar as legendas no celular ao mesmo tempo que assiste o filme na tela dos cinemas pode ser um tanto incômodo, para resolver esse problema foram desenvolvidos óculos eletrônicos para visualizar as legendas e tornar a experiência mais confortável.

   Essa tecnologia é eficaz e facilitadora, e é um grande destaque da acessibilidade cultural hoje, já que não precisa de adaptação das salas de cinema e pode ser utilizada em casa com um filme em DVD ou na internet. Como? É só baixar o aplicativo, selecionar o filme que deseja e baixar o recurso necessário: audiodescrição, legendas e LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), depois, é só acessar de onde estiver, seja em casa ou no cinema. Além disso, não precisa ter wi-fi para acessar os conteúdos baixados, o aplicativo conta com sincronismo automático através de reconhecimento do áudio.

Dicas da MovieReading Brasil para usar o aplicativo:

1- Baixe o recurso antes de sair de casa.

2- Cuidado para não bloquear o microfone do seu celular ou tablet (evite colocar o dispositivo no bolso, bolsa ou utilizar capinhas que cubram o celular por inteiro.

3- Evite o uso de fones que tenham também microfone, utilize o microfone próprio do dispositivo.

   No mês de Maio o aplicativo ganhou destaque pela audiodescrição do filme “Teu mundo não cabe nos meus olhos”, dirigido por Paulo Nascimento e protagonizado por Edson Celulari. O filme fala sobre deficiência visual, tendo um cego como personagem principal, mas quem roubou a cena foi a pequena Giulia, de 11 anos, filha de Roger, recém contratado atacante do Corinthians. Ela foi convidada pelo Globo Esporte para experienciar uma sessão de cinema do filme com a ajuda da audiodescrição do Movie Reading.

“A parte que eu mais gostei do filme foi quando ele volta a não enxergar. Foi a parte que mais gostei porque ele voltou a ser feliz. Se acontecesse comigo, eu tomaria a mesma decisão que ele. Não a de enxergar, mas a de não enxergar”, afirmou Giulia, em uma entrevista para a revista esportiva Lance!.

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Créditos da imagem: Guilherme Pereira

 

#paracegover #paratodosverem Na imagem Giulia e Roger estão de mãos dadas. A menina estã com um vestido preto de mangas compridas e uma tiara vermelha. O jogador está com uma camisa branca e calças jeans. Os dois sorriem. Ao fundo, o poster do filme “Teu mundo não cabe nos meus olhos” com os atores Edson Celulari e Soledad Villami.

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Créditos da imagem: Reprodução/Globoesporte

#pracegover #paratodosverem Em uma sala de cinema, pai e filha sentam em poltronas lado a lado. A menina Giulia está de olhos fechados, porém esboça um sorriso e está com fones de ouvido. O pai, Roger, está olhando para ela e sorri.

#Cinemaparatodos #CinemacomAcessibilidade

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Leitores de Tela: a tecnologia assistiva na contramão do sistema

Conheça mais sobre os leitores de tela que contribuem para a inclusão digital

     Segundo uma estimativa de 2016 da Fundação Dorina Nowill para cegos, apenas 5% de todos os livros publicados no Brasil têm algum formato acessível para cegos, sejam em baile ou audiolivros. Este é apenas um dos dados que mostram como o acesso à educação, informação e entretenimento ainda é um desafio para os deficientes visuais.

    Nesse sentido, surgiram as Tecnologias Assistivas (TA), como os leitores de tela que possibilitam a navegação na internet por computadores ou dispositivos móveis. Este software faz uma tradução em áudio do que é exibido na tela do aparelho, finalmente criando um meio para que deficientes visuais sejam inseridos no contexto digital. Porém, existem muitos fatores que mais uma vez podem dificultar que essa tecnologia chegue até eles, como a falta deste recurso em computadores escolares.

   Além disso, os desenvolvedores e programadores de sites e blogs precisam estar atentos às questões sobre acessibilidade, por exemplo, a falta de descrições das imagens e o cadastro das opções “enviar”  como “botão 1” impedem que os leitores de tela executem o seu papel de maneira eficaz, uma consequência de um sistema falho que desconsidera a acessibilidade na configuração de seus produtos.

    Outro fator de exclusão é o alto preço dos leitores de tela para computadores, o mais popular conhecido como  JAWS (Job Access With Speech) custa em torno de 3,5 mil reais e a versão gratuita, o NVDA, ainda não alcança os padrões de qualidade dos leitores pagos. Um dos objetivos das Tecnologias Assistivas é a inclusão social das pessoas com deficiência, e foi com esse pensamento que o sociólogo Fernando Botelho criou a empresa F123, que desenvolve tecnologias assistivas de baixo custo para pessoas cegas. “Eu observei que era sempre o primeiro. Primeiro cego a me formar na Universidade de Georgetown (nos Estados Unidos), primeiro a trabalhar com comércio exterior na ONU. E não é porque os outros cegos não tinham talento, mas porque havia uma grande falta de tecnologia que desse acesso”, declara Fernando em uma entrevista para o jornal “Gazeta do povo” em fevereiro de 2016.

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#Pracegover #Paratodosverem

Descrição da imagem: Na foto está Fernando Botelho, ele segura uma bengala longa e está vestido com calça social e camisa. Ele está no centro de um palco de madeira. Ao fundo, lê-se “TEDX” em letras vermelhas. Esta imagem é do vídeo de sua palestra sobre educação inclusiva no evento TEDX. Confira o vídeo aqui.

    “Mais do que o acesso físico a computadores e softwares, o conceito de inclusão digital está relacionado à apropriação desses dispositivos e programas, e à habilidade de recombinar dados e produzir novos conhecimentos com essas tecnologias” comenta a pesquisadora Bruna Marcon. A empresa de Fernando desenvolveu o leitor de tela F123 Visual, que pode ser carregado em pen drive ou instalado em qualquer computador gratuitamente. A assinatura da assistência técnica passa a ter um custo de 262 reais após um ano de uso, com uma atualização automática. A importância dessa tecnologia é de integrar os deficientes visuais na sociedade, o que caracteriza a inclusão digital, que reflete nos âmbitos profissionais e educacionais dessas pessoas, promovendo autonomia, independência, qualidade de vida.

Conheça outros leitores de tela para computadores:

Virtual Vision: é o único leitor de tela totalmente desenvolvido com tecnologia nacional. Idealizado pela empresa Micropower, em 1998, está atualmente na sua décima versão e é compatível com o sistema Windows, reconhecendo alguns programas mais comuns em computadores como Word, Excel, Internet Explorer, Outlook e Skype.

VoiceOver: é um leitor de tela presente no aparelhos da Apple, como o Macbook, Iphone, Ipad, entre outros. Como ele já está integrado ao sistema do aparelho, não é preciso instalar o programa. Para ativar o seu é só acessar o menu, clicar em “Preferências do Sistema” e depois em  “Acessibilidade”.