“O Milagre de Anne Sullivan” e a descoberta da linguagem

Filme da década de 60 conta a infância da escritora surdocega

Resenha de João Batista Signorelli

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#ParaCegoVer: Foto em preto e branco de Helen Keller. Ela é uma senhora branca, de cabelos grisalhos curtos. Está em pé e olha para frente. Seu braço direito segura um livro grande em braile e com os dedos da mão esquerda lê uma palavra. Helen veste uma blusa preta com detalhes bordados na gola e usa um colar. Na parede, atrás de Helen, há uma estante com vários livros grandes e alguns enfeites decorativos.

Ela era escritora e ativista política. Escreveu 12 livros e diversos artigos e obteve um diploma de Bacharelado em Artes nos Estados Unidos. Helen Keller viajou o mundo, ministrou centenas de palestras, lutou pelos direitos das mulheres, dos trabalhadores e dos deficientes, foi surda e cega desde os 19 meses de idade.

O início de sua impressionante trajetória foi contado no cinema sob a direção de Arthur Penn (de“Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas”) e com Patty Duke interpretando a protagonista em sua infância e Anne Bancroft como Anne Sullivan, tutora de Helen. O Milagre de Anne Sullivan (The Miracle Worker no original) de 1962 foi uma adaptação de uma peça de teatro com a mesma dupla nos papéis principais. Vale ressaltar que ambas atrizes receberam o Oscar de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante respectivamente. Houve ainda outras duas versões produzidas diretamente para a televisão, uma de 1979 e outra de 2000, mas ainda assim a versão de 1962 permanece sendo considerada como a versão definitiva da infância de Helen Keller.

Trata-se de uma obra prima imensurável, um filme rico em emoções, transmitidas sem cair em artifícios formulaicos de superação típicos de filmes com essa mesma temática.

A trama acompanha Anne Sullivan, uma jovem professora parcialmente cega, em sua tentativa de educar a menina Helen Keller. É por vezes uma obra incômoda e ao mesmo tempo bela, uma vez que é capaz de transmitir tanto o horror de estar no mundo, mas não estar consciente disso, quanto a beleza de descobri-lo.

O filme se inicia com os pais de Helen descobrindo a sua surdocegueira. Logo de início, a natureza incômoda se instaura, com interpretações sem nenhum tipo daquela elegância tão presente em Hollywood poucos anos antes, abraçando uma tendência mais realista e incorporada. Essa natureza crua, quase agressiva se faz presente ao longo do filme, expressa principalmente na própria Helen, que tendo crescido em absoluta escuridão e silêncio, comporta-se violentamente para com as pessoas à sua volta e vaga pela casa quase como um animal.

Os créditos de abertura devem ser analisados minuciosamente, pois já servem para estabelecer situações difíceis constantes no cotidiano da protagonista. Logo na abertura (e que se repetirá ao longo do filme),  a trilha sonora inquietante cria uma atmosfera digna de um filme de terror e a fotografia em preto-e-branco realça as sombras e a escuridão sempre que necessário, tudo com a intenção fazer o espectador sentir desta forma a situação angustiante de Helen.

No início, garota já tem desenvolvida uma linguagem bastante rudimentar, que se limita a gestos de sim e não feitos com a cabeça e sentidos com as mãos, quando realizados por outras pessoas, além de sinais se referindo a suas principais necessidades, como aquele que utiliza para se referir à sua mãe.

Com a intenção final de fazer Helen compreender o mundo por meio da linguagem, Anne, a recém chegada professora faz sua aluna sentir, através do tato, os gestos do alfabeto de sinais, que ela se mostra capaz de reproduzir, mesmo sem atribuir aos gestos significado algum. Porém, ela encontra um difícil contratempo neste processo: o comportamento de Helen. Esta, além agir como animal, é extremamente mimada por sua mãe. Dessa maneira, o primeiro desafio da professora é ensinar a menina a se comportar. Anne Sullivan se revela como a pessoa ideal para realizar tal desafio, pois teve uma infância árdua ao lado de seu irmão paraplégico e é constantemente atormentada por memórias e sonhos retratados no filme pela sobreposição de imagens em flashback que são quase borrões.

É em uma tentativa de “domesticação” e de reversão da educação mimada que Helen recebeu que entra a famosa cena de estafantes, porém fascinantes 8 minutos em que Anne literalmente luta contra a menina para que ela comesse diretamente de sua colher, pois ela sempre havia se alimentado com as mãos. Nessa cena, a ausência de trilha sonora destaca o cansaço da situação e colabora na construção de tensão, além dos próprios sons produzidos pelas personagens como a respiração progressivamente mais acelerada de Anne, os grunhidos de defesa de Helen, os passos e golpes apreensivos e os pratos se quebrando de maneira quase estridente reafirmam a natureza animalesca de Helen e o esforço insistente de Anne para revertê-la.

A partir do momento que o comportamento de Helen passa a ser mais controlado, torna-se então mais fácil para que a professora possa se dedicar a ensiná-la a língua de sinais. A família se dá por mais que satisfeita: Helen se demonstra calma e obediente, menos agressiva e capaz de se servir e comer como uma pessoa comum. Enquanto os pais se demonstram alegres com a melhora da filha, Anne não se dá por satisfeita: “obediência não é o suficiente”. A tutora quer que a menina surdo-cega possa se comunicar e entender o mundo através da linguagem, que ela seja autônoma e não apenas um animal com comportamento condicionado.

Para que isso seja possível, na visão de Anne, o primeiro passo para Helen seria entender que as coisas existentes no mundo têm nome. Essa visão é certamente condizente com os pensamentos sobre Linguagem na época: ainda faltavam alguns anos para que fosse publicado o Curso de Linguística Geral de Ferdinand Saussure. Nele, Saussure vai além da visão de que a Linguagem se resume a dar nome às coisas existentes no mundo, pois nos signos linguísticos existe uma relação mais complexa entre um conceito e uma “imagem acústica”, um Significante e um Significado. Apesar de Anne não se utilizar deste vocabulário, em uma análise mais contemporânea poderia-se dizer que Helen mais do que apenas entender que as coisas têm nome, precisa compreender as coisas ao seu redor como conceitos, e relacioná-los a significantes, no caso dela não se tratando de “imagens acústicas” pois estas não seriam possíveis no Universo de compreensão dela. Criar um termo como “imagem gestual” neste caso poderia ser mais adequado.

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#ParaCegover: Cena do filme em preto e branco “Milagre de Anne Sullivan”.  A garota Helen e sua professora Anne estão em frente de uma bomba d´água no quintal de uma de casa de fazenda. A mão esquerda de Helen está posicionada debaixo da torneira e sua mão direita toca o rosto de Anne, que segura a alavanca da bomba d´água.

Por vezes Anne sente-se frustrada, como se não tivesse sido capaz de realizar o seu trabalho. A menina parece ser um caso perdido, mas no final do filme nos surpreendemos com sua desenvoltura.

Ao relembrar do passado, de quando ainda não era surdocega e estava começando a desenvolver seu vocabulário, Helen consegue finalmente entender a relação entre o mundo e os gestos tantas vezes replicados. Trata-se de uma conclusão inesquecível, é uma experiência catártica, que alivia toda a tormenta presenciada durante a projeção, quando finalmente a aluna de Anne Sullivan experimenta sensações jamais previstas pela sociedade.

O filme não se esforça por contar mais da vida de Helen Keller, sequer traz qualquer informação seu futuro. Não faria sentido, pois o filme está preocupado em contar a história do processo de descoberta da linguagem de Helen e não criar um retrato de sua vida. Não é difícil procurar um livro ou buscar na internet para conhecer um pouco mais dessa vida fascinante. Certamente, o filme desperta bastante curiosidade e acerta ao contar apenas o essencial para sua narrativa. Narrativa que pode se enquadrar no seleto grupo de filmes que de alguma forma mudam a nossa forma de ver o mundo, iluminando e clareando a nossa visão, assim como foi para Helen. Para mim, ao menos, foi assim.

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Ruídos nas legendas do filme Roma, de Alfonso Cuarón

Legendas distribuídas pela Netflix na Espanha geram polêmica

O filme mexicano Roma, produzido pela Netflix, foi um dos destaques do Oscar, a premiação mais famosa do cinema internacional, logrando 10 indicações e sendo laureado nas categorias de Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Filme em Língua Estrangeira. O drama foi um sucesso entre o público e a crítica, mas também não deixou de suscitar algumas controvérsias.

Ao ser distribuído nos cinemas e na Netflix da Espanha, parte do público se sentiu ofendida por a Netflix usar uma legenda em “Espanhol da Espanha”. O próprio diretor de Roma, o mexicano Alfonso Cuarón, manifestou seu repúdio ao ocorrido: “É ignorante e ofensivo para os próprios espanhóis”, disse ao jornal El País. “Algo de que mais desfruto é a cor e a textura de outros sotaques. É como se Almodóvar (cineasta espanhol) precisasse ser legendado”. O escritor mexicano Jordi Soler também se pronunciou, por meio do Twitter: “Roma está legendado em espanhol peninsular, que é paternalista, ofensivo e profundamente provinciano.”

Na legenda veiculada na Espanha, foram feitas várias traduções desnecessárias, como “ustedes” por “vosotros”, “mamá” por “madre”, “enojarse” por “enfadarse”, “checar” por “mirar” e “suave” por “tranquila”. Houve até traduções equivocadas culturalmente, como trocar uma marca mexicana de guloseimas (Gansito) por um aperitivo espanhol feito a base de milho (Ganchito). A polêmica se deu porque a tradução foi realmente paternalista, parecendo uma tentativa de colonizar o filme mexicano. Com a polêmica, a Netflix logo recuou na decisão, e atualmente as legendas de Roma em todos os países hispanofônicos são iguais – transcrições precisas das falas das personagens.

Mas o deslize foi até certo ponto bem-intencionado: a Netflix tem buscado cada vez mais trazer para seus filmes e séries opções de acessibilidade, como a legenda descritiva e a audiodescrição. O que não justifica o fato de tentarem deixar a linguagem utilizada na legenda “o mais próxima possível do uso na Espanha”, pois dessa forma, impede que o público espanhol tenha acesso a expressões e vocabulário específico da cultura mexicana. O Matav resolveu investigar a confusão, a fim de desvendar os limites da legendagem.

#ParaCegoVer: Na fotografia, em preto e branco, vê-se uma cena do filme Roma. Ao fundo uma praia, com ondas agressivas avançando até a orla. Na areia, a empregada Cleo está no centro, abraçada pela família mexicana: as crianças Pepe, Sofi, Toño, e Paco e a patroa Sofia. As crianças usam trajes de banho e têm os joelhos sujos de areia. A união dos atores assume o formato de um triângulo.

Roma não é um filme sobre a capital da Itália, mas sobre um bairro da Ciudad de México, chamado “Colonia Roma”. Passado entre 1970 (ano em que o México sediou a Copa do Mundo e o Brasil conquistou seu tricampeonato) e 1971, o filme acompanha a vida de uma família de classe média alta, composta por Antonio, o marido; Sofia, a esposa; as crianças Pepe, Sofi, Toño e Paco; as empregadas Adela e Cleo e o cachorro Borras.

Embora Cuarón tenha se inspirado em sua própria infância para produzir Roma (ele é representado por Paco), o diretor abdica do protagonismo do filme para dá-lo a Cleo, uma jovem empregada de origem indígena. O patriarca Antonio abandona a família e a família começa a desmoronar. O país também vive uma situação de tensão política, que às vezes assume uma faceta de violência escatológica. Fora do seio da família, Cleo tem seu próprio universo de desejos e frustrações para lidar. Mas ela se mantém forte e, de maneira silenciosa e gentil, está sempre presente para proteger a bolha de segurança em que viviam as crianças.

Para outros públicos que assistem Roma, como o espectador brasileiro, as legendas distribuídas pela Netflix permanecem com estranhamento linguístico. A maioria dos personagens fala em espanhol, que é legendado em letras brancas. As empregadas, Adela e Cleo, conversam entre si em mixteca, um dialeto indígena, que é legendado também em letras brancas, mas diferenciado pelo uso de colchetes. A escolha da mesma cor de legenda para as duas línguas não é um grande desafio, mas há ainda outros quatro idiomas falados no filme e nenhum deles foi legendado pela Netflix. Este tipo de filme com multilinguismo tem sido cada vez mais recorrente na indústria cinematográfica mundial. Bastardos Inglórios, dirigido por Quentin Tarantino, é um exemplo clássico de filme multilíngue contemporâneo.

Voltando a Roma, percebemos que quando Cleo está em um ônibus, os dois homens sentados à sua frente conversam em um outro dialeto indígena. Também aparecem alguns americanos no filme, que falam em inglês. Os lutadores de artes marciais, embora conversem em espanhol, repetem frases-feitas em japonês. E há até um homem que canta em nynorsk, uma das variantes da língua norueguesa. Nenhum desses trechos é traduzido, possivelmente uma escolha do diretor para que o público permaneça com o sentimento de estrangeirização pretendido no roteiro original.

#ParaCegoVer: Na foto, em preto e branco, vê-se uma cena do filme Roma. Há um homem louro, de cabelos curtos e bigode, em primeiro plano, fantasiado de um monstro peludo. Ele segura a máscara da fantasia embaixo do braço, e canta uma canção, com os olhos perdidos na escuridão da noite. Ele está em uma floresta, e no fundo há vários focos de incêndio com luminosidade intensa. Há alguns homens olhando o fogo e outros tentando contê-lo.

Como já mencionado, a escolha de não legendar esses idiomas se deve a uma opção do diretor. Cuarón provavelmente queria que tivéssemos a mesma experiência que Cleo teve ao ser confrontada com idiomas estrangeiros (ela só é fluente em espanhol e mixteca).

Além disso, Roma é um filme quieto, que nos convida a contemplar os cenários, em vez de nos anestesiar pelo estupor da ação constante. A primeira cena do filme começa com o enquadramento de um chão de garagem sendo lavado – primeiro temos o chão, e então a tela é invadida por ondas de água ensaboada, que refletem um avião pairando no céu. São mais de três minutos com a audiência olhando para o chão, enquanto os créditos passam diante dos olhos. O que para os mais espevitados já seria o bastante para abandonar a sala do cinema (ou fechar a aba da Netflix). Mas a cena também serve para estabelecer o tom do filme, dar um tempo para desligarmos nossas mentes da vida frenética do século XXI e mergulharmos no universo da narrativa que está prestes a se desdobrar.

Quando as falas em idiomas estrangeiros não recebem legendas, nós adotamos com elas o mesmo tratamento contemplativo que despendemos ao chão. Deixamos de analisar as frases apenas em seu sentido literal, porque não as compreendemos, e nos imergimos na estética delas – atribuímos-lhes sentidos que vão além da semântica. Quando os lutadores de artes marciais contam “ite, ni, sã, chi…”, em vez de “um, dois, três, quatro…”, somos remetidos a todo um país, a toda uma história. É um sentimento diferente.

É por causa desse tom contemplativo que a legenda em “Espanhol da Espanha” incomodou tanto. A atitude da Netflix teria aviltado aquela que está sendo considerada a magnum opus do diretor Alfonso Cuarón. Seria uma afronta, não só às suas escolhas artísticas, como também à cultura mexicana. Seria uma tentativa de minguar a diversidade linguística. Porque as palavras utilizadas refletem essa cultura, elas têm um sentimento diferente das palavras que um diretor espanhol teria usado.  

O episódio me faz pensar em José Saramago, autor de livros como O homem duplicado e Ensaio sobre a cegueira. Em respeito ao escritor português, as editoras brasileiras até hoje publicam suas obras seguindo a grafia vigente em Portugal. Além das construções sintáticas diferentes, proliferam-se no texto Cs postos em lugares estranhos para os brasileiros: acção, atractivo, direcção, objectivo. E, além de o autor ter um vocabulário impressionante, ele também faz escolhas lexicais estranhas ao brasileiro: “rapariga” no lugar de “moça”, “oxalá” em vez de “tomara”, “auscultador” para a parte do telefone que levamos à orelha. Ainda assim, os livros são perfeitamente compreensíveis a um brasileiro. Só é preciso se acostumar com a forma particular com que Saramago usa a pontuação e a leitura flui como o vento por uma porta aberta. Se tentassem traduzir seus livros para o português do Brasil, eu como leitor me sentiria pessoalmente ofendido. Seria uma mutilação da cultura portuguesa e da genialidade do autor.

#ParaCegoVer: Na foto, em preto e branco, vê-se uma cena do filme Roma. A empregada Cleo, de feições indígenas, está no banco traseiro de um carro preto. Ela olha pela janela com um semblante sereno no rosto. A janela reflete as nuvens do céu. Há duas crianças dormindo abraçadas a ela, uma garota de cabelos pretos e um garoto louro. Cleo afaga a cabeça da garota com a mão.

Mas há uma diferença fundamental entre um livro e um filme, na forma como as duas mídias são consumidas: a velocidade.

No livro, você pode reler uma frase que não tenha entendido de primeira. Às vezes os olhos percorrem páginas inteiras, enquanto a cabeça está viajando em outro lugar – mas não tem problema, é só voltar a ler na frase onde a consciência tiver debandado. Dá para ler com um dicionário (ou um celular) do lado, e pesquisar prontamente o significado de qualquer palavra desconhecida. Pode-se até ler com uma caneta em mãos, grifando um trecho importante, ou fazendo anotações nas bordas das páginas.

Já quando assistimos a um filme, nossa experiência é outra. O filme tem outro ritmo e é muitas vezes assistido com outras pessoas, ou seja, pode ser cansativo e deselegante pausá-lo para abrir o dicionário sempre que surgir uma dúvida sobre uma palavra ou expressão. Também não temos tempo de reparar em cada detalhe que aparece na tela, em cada sutileza das falas dos personagens, e são raros aqueles que têm a paciência de sentar sozinhos em frente à tela e escarafunchar um filme, pausando e rebobinando várias e várias vezes atrás de easter eggs, de erros de gravação, ou simplesmente de entender com mais profundidade uma obra complexa.

Por essa razão, os filmes precisam ser mais claros que os livros. Eles precisam acertar de primeira, se quiserem ser acessíveis, e precisam ser adaptados a todos os públicos. Faz sentido que exista alguma legenda para um filme mexicano assistido na Espanha. Afinal, as diferenças de sotaque e de vocabulário podem prejudicar a plena compreensão. Só que o espanhol, no México, na Espanha ou qualquer lugar do mundo, é um só idioma – com as mesmas regras gramaticais e a mesma grafia das palavras.

O erro da Netflix foi querer traduzir uma língua para ela mesma e acabar no processo suprimindo manifestações linguísticas e culturais próprias de um povo. Essas manifestações são parte importante de qualquer obra artística e ajudam a encurtar a distância e o preconceito que temos com esses povos. Que a Netflix, e todas as empresas ligadas ao entretenimento, continuem arriscando medidas de acessibilidade – mas com muita parcimônia, para que a tradução não ofusque a obra que a princípio pretendia fazer brilhar. 

Peça Tribos sob o olhar de uma surda oralizada

10455822_779342975482453_6239374273114955694_nNo dia 20 de fevereiro de 2015, a turnê da peça teatral Tribos, com Antonio Fagundes, presenteou o município de Bauru com três sessões noturnas, antes de seguir para Botucatu e demais cidades do estado de São Paulo. Em exibição desde setembro de 2013, essa peça inovadora que traz o tema da surdez e do preconceito como destaques já recebeu diversas avaliações da crítica especializada, a qual, em geral, dá o seu aval positivo a Tribos.

Porém, sente-se que o espetáculo foi analisado até então sob critérios objetivos e exógenos, por assim dizer, ao se ter como críticos indivíduos ouvintes, e não pessoas que fazem parte da minoria social retratada na peça. Por mais que tais críticos tenham obtido êxito ao apontar o caráter conscientizador de Tribos e identificar nela uma compilação das atitudes excludentes da sociedade para com as pessoas com deficiência auditiva, não poderão descrever com precisão os sentimentos e as equivalências das representações teatrais em relação ao universo surdo justamente por não fazerem parte dele.

Sendo assim, nós da Equipe MATAV, em parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear), apresentaremos uma resenha crítica da peça Tribos sob a perspectiva de uma jornalista com deficiência auditiva, justamente esta que aqui escreve. Contarei a vocês, em detalhes, como foi minha experiência ao assistir a peça, e também analisarei aspectos da história de Tribos, fazendo relação com as vivências diárias pelas quais os deficientes auditivos costumam passar em nossa sociedade.

Meu nome é Ana Raquel, sou estudante de Jornalismo pela Unesp de Bauru, colaboradora do Blog MATAV e estagiária em assessoria de imprensa na ADAP. Possuo deficiência auditiva de grau moderado desde o nascimento. Ouço praticamente todos os sons ambientais, porém, minha capacidade de discriminação da fala humana é insuficiente para eu entender as palavras ouvidas sem o apoio visual (o hábito de ler lábios). Ressalto que ser surdo não é somente a ausência de toda a audição, mas sim a impossibilidade de utilizar seu sentido auditivo para tarefas sonoras funcionais do dia a dia. Pelo fato de eu não ser fluente na LIBRAS, pertenço ao grupo dos surdos oralizados, aqueles que se comunicam em português por meio da voz, da leitura labial e dos resíduos auditivos que possuem.

Assim que recebi o convite da coordenadora do Blog MATAV, Prof. Lucinea Villela, para assistir a peça, o primeiro questionamento que me veio à cabeça foi a questão da Acessibilidade. Não sou uma frequentadora assídua de teatros devido ao descaso das companhias com os deficientes auditivos, principalmente os surdos oralizados. Já ouvi falar de várias apresentações que contam com intérprete de LIBRAS no local, mas como fazem os surdos que têm como idioma materno o Português? Admito que a legendagem em teatros seja mais difícil de ser feita do que as das obras cinematográficas, mas tal recurso não é impossível. Então resolvi contatar a equipe da peça Tribos, explicar minha situação e perguntar sobre as opções de acessibilidade que o espetáculo teria em Bauru.

A Equipe Tribos foi a primeira companhia brasileira a fornecer, em São Paulo, apresentações com acessibilidade em 70% da lotação do teatro, para todas as deficiências, com intérprete de LIBRAS, audiodescrição e legendagem em tablets à disposição do público. Porém, me explicaram que, em outras cidades que recebem a turnê, eles só podem disponibilizar intérpretes de LIBRAS, devido ao alto custo de se trazer todos os demais equipamentos acessíveis.  A equipe trabalha sob a forma de uma cooperativa, ou seja, sem nenhum patrocínio ou anunciante, o que limita a verba disponível para a turnê.

Contatei-os também para confirmar a informação de que acompanhante de pessoa com deficiência também paga meia entrada, segundo a Lei Nº. 12.933, pois decidi levar uma pessoa para ser meu intérprete oralista, anotando para mim algumas informações durante a peça e me ajudando com palavras que eu perderia quando os atores estivessem longe de mim ou de costas para a plateia. E eis que fui informada que meu acompanhante não poderia pagar meia entrada. Conforme me explicaram posteriormente, esse contratempo ocorreu por causa de uma norma do próprio Teatro de Bauru, que nega esse direito das pessoas com deficiência.  Estou indignada e precisando de esclarecimentos da Secretaria de Cultura da cidade sobre este absurdo.

Mas enfim, assisti a apresentação, que durou 80 minutos. Sentei-me na segunda fileira do teatro e já fui preparada para a situação de que eu provavelmente ouviria cerca de 50% dos diálogos, mesmo com os aparelhos auditivos, então procurei ler na internet antes toda notícia e crítica relacionada à peça, pois a contextualização e o conhecimento prévio ajudam muito na prática da Leitura Labial. Obviamente, quando os atores iam mais para o fundo do palco ou se viravam de costas para a plateia, eu não conseguia entender quase nada do que ouvia, e aí nessas horas eu orientava minha intérprete para fazer anotações do que foi falado e me passar depois.

1280870_532484433501643_1888073734_nA história da peça gira em torno de Billy (Bruno Fagundes), sua família e sua namorada Sylvia (Arieta Corrêa). Billy é um surdo oralizado que faz leitura labial e usa aparelhos auditivos, mas esses recursos são insuficientes para a sua completa integração social no mundo ouvinte. Antes de conhecer Sylvia, ele não possuía nenhum contato com outros surdos, e sua família buscava esconder sua deficiência sob o manto da superproteção. “Ele não é surdo porque foi criado em uma família que ouve”, diz seu pai Christopher (Antonio Fagundes), confirmando a visão ignorante que cerca Billy diariamente. Podemos encontrar facilmente essa atitude de negação da surdez na realidade dos surdos oralizados. Pelo fato da leitura labial nos possibilitar a compreensão de parte do que ouvimos, as demais pessoas tendem a nos considerar como ouvintes normais, não compreendendo por que precisamos também de acessibilidade em algumas situações.

Na apresentação, vemos que Billy se expressa relativamente bem pela oralidade quando está conversando face a face com uma pessoa, mas basta começar um ruído de fundo ou entrar mais participantes na conversa que ele se atrapalha todo e se sente excluído do diálogo. Realmente, a leitura labial possui limitações, é preciso grande foco e também intuição para acompanhar e apreender as palavras que saem dos lábios de alguém. E muitos só conseguem eficiência nessa prática se aliarem a leitura dos lábios com o som que conseguem captar com seus resíduos auditivos. Assim, ambientes com ruídos de fundo ou com outras pessoas na conversa acabam dificultando, e muitas vezes impossibilitando, o nosso entendimento das palavras.

Já Sylvia, a namorada de Billy, é filha de pais surdos e começou recentemente a perder a audição também. Desde pequena ela teve contato com a Língua de Sinais, e acaba apresentando esse idioma ao Billy. O rapaz se sente encantado com a LIBRAS, e percebe que, para ele, é mais fácil se comunicar através dela do que empregar seus profundos esforços para ouvir o português. E então começa a se questionar sobre o porquê de seus pais nunca lhe terem ensinado essa outra língua.

Para parte dos surdos oralizados, a LIBRAS pode se constituir em uma melhor alternativa do que a Leitura Labial. Tudo depende da disposição pessoal de aprender um novo idioma e de conviver com pessoas que também o utilizem. Muitos surdos oralizados optaram pela oralização apenas pelo fato de só ter contato com indivíduos que fazem uso do português.

20214_508456702571083_1927250816_nNo jantar em que Billy apresenta Sylvia à sua família, todos os preconceitos de seus pais e irmãos são enfim revelados. “Porque ela tinha que ser surda?”, comentam seus familiares sobre a namorada de Billy. “Então, já que você está nos dois mundos, pode nos falar qual língua é melhor”, provoca Christopher, querendo dizer à Sylvia que a LIBRAS seria inferior ao Português. “O mundo é surdo”, diz o moço, ao ver a intolerância de seus entes queridos para com a Língua de Sinais. Sim, o mundo é surdo ao não querer compreender uma língua gestual, ou pior ainda, ao não conseguir entender a diversidade humana existente. Dessa forma, a peça se torna uma alegoria sobre todos os grupos sociais excluídos pela ignorância e pelo preconceito dos demais. Por esse motivo é que o enredo deixou de fora temas mais específicos do universo da surdez, como o Implante Coclear, e preferiu se focar na questão da LIBRAS, cuja segregação de seus usuários tende a ser mais acentuada do que a da comunidade dos surdos oralizados.

Trazendo ainda ao debate assuntos como a autoaceitação e as diversas faces que compõem a identidade surda, Tribos é um excelente convite à reflexão sobre como a sociedade vem tratando suas minorias e quantas oportunidades são perdidas ao escolher guiar-se somente pelo preconceito e decidir não ampliar seus horizontes para a diversidade e novas experiências.

Ana Raquel Périco Mangili.

* Com imagens cedidas pela Equipe Tribos.

Não percam, em breve, uma entrevista exclusiva com Bruno Fagundes, o Billy, protagonista da Peça Tribos!

Resenha do livro “Crônicas da Surdez”, de Paula Pfeifer

“Existe algo mais vergonhoso do que envergonhar-se de si mesmo? Não, não existe” É motivada com esta afirmação que Paula Pfeifer encara os obstáculos típicos da vida de quem possui algum tipo de deficiência e incentiva uma grande comunidade a fazer o mesmo. A autora gaúcha possui deficiência auditiva bilateral neurossensorial progressiva, tendo atingido o grau de perda profunda da audição por volta de seus vinte e poucos anos. Decidida a quebrar barreiras e desmitificar preconceitos, e baseando-se no trabalho que já desenvolvia no seu blog “Crônicas da Surdez” desde 2010, Paula publicou um livro de mesmo nome, pela Editora Plexus, em 2013, obra indispensável para se compreender a diversidade existente dentro do universo das pessoas que possuem dificuldades em ouvir.CDS

Definindo-se como surda oralizada, isto é, que usa sua fala e seu restante de audição para se comunicar com o mundo que a rodeia, a autora afirma que a diversidade é a palavra de ordem no mundo da surdez. Ao contrário dos surdos sinalizados, os oralizados não utilizam a Libras (Língua Brasileira de Sinais), pois estão bem adaptados à língua materna (o Português) e se valem de recursos adicionais, como a leitura labial e as legendas em vídeo, para contornar a sua perda auditiva e obter eficiência na comunicação oral. Porém, como destaca a blogueira, pelo fato da deficiência auditiva ser “invisível” aos olhos da maioria, os surdos muitas vezes não possuem seus direitos garantidos, como bem demonstra a ausência de legendas em muitos canais de televisão e internet.

Usando como exemplo sua própria história de vida, Pfeifer relata as diferentes etapas pelas quais uma pessoa se vê envolta ao receber o diagnóstico da surdez: incredulidade, negação, raiva, vergonha, autocomiseração, resignação e aceitação. Com foco principalmente nesta última, a obra funciona como uma verdadeira aula de autoestima e resiliência frente aos desafios impostos por uma deficiência sensorial.

O livro, de 152 páginas, é dividido em três partes. Na primeira, há uma introdução ao universo eclético da surdez, com a história da autora e seus conselhos ao lidar com a perda auditiva; em seguida, encontram-se crônicas (publicadas originalmente no blog) de situações vivenciadas sob o olhar de quem tem deficiência auditiva; e na última parte, são apresentados depoimentos e histórias de leitores do blog de Paula Pfeifer.

Também abordando assuntos como o bullying, o mercado de trabalho para quem tem algum tipo de deficiência, a cisão e o preconceito existentes entre os próprios surdos sinalizados e os oralizados e o sentimento de exclusão e isolamento social pelo qual os deficientes auditivos costumam passar durante alguns momentos de sua vida, Paula dá voz e expressão a um grupo social e explica suas particularidades. “Uma confissão: é frustrante e desesperador não entender o que se escuta”. Com esta frase, a autora ilustra a dicotomia entre o escutar um som e o processo auditivo de decodificá-lo, sendo esse último a principal dificuldade ocasionada pela surdez, realidade de 9,7 milhões de brasileiros atualmente.

Dessa forma, essa brilhante obra cumpre seu objetivo de guiar e inspirar seus leitores, sejam eles surdos ou não, ao mostrar que é possível transformar um ponto fraco em força de superação.

 

Por Ana Raquel Périco Mangili

Tecnologias a favor da acessibilidade por Bruna Chaves

vozmovel

As tecnologias são desenvolvidas para facilitar a vida de seus usuários e contribuir para melhorar sua relação com a sociedade. Atualmente observamos uma imensa variedade de produtos lançados para esses fins e a busca por recursos destinados a pessoas com deficiências vem crescendo continuamente. Sabemos que eles necessitam de assistência para serem inseridos de forma igualitária no meio social em que vivem.

No último dia 3 de dezembro, o Projeto Voz Móvel, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), lançou uma ferramenta eficaz e criativa para simplificar a utilização de smartphones por deficientes visuais.

O aplicativo, chamado CPqD Alcance, é compatível apenas a celulares que possuem tela sensível ao toque, a famosa geração “touch”. Dividindo-se a tela em seis áreas – tais como, atendimento de chamadas, configurações, envio de mensagens, entre outros – consiste em facilitar a localização das funções contidas no aparelho móvel. Após o toque na tela, o usuário é alertado, através de um sinal sonoro, a respeito do que foi selecionado. Dando um toque duplo, o serviço é então escolhido.

Há outros benefícios contidos no aplicativo, como, por exemplo, o despertador com lembrete de voz, o sistema que identifica a localização e facilita o deslocamento do individuo, além do tocador de música e do leitor de texto.

Nota-se, portanto, a autonomia que o CPqD Alcance traz para a vida de pessoas com deficiência visual à medida que o aplicativo é de fácil manipulação e dispensa a ajuda de terceiros.

 

Resenha do filme “Vermelho como o céu” por Ana Stamato

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Uma lição de vida!

Resenha de Ana Stamato

Há um tempo conheci o filme italiano “Vermelho como o céu’’ que retrata a história real de Mirco Mencacci, um renomado editor de som, com deficiência visual, da Itália.

Mirco, personagem apresentado no longa, sofre um acidente e perde a visão com 10 anos, com isso é obrigado a ir estudar num internato para deficientes visuais, pois na Itália dos anos 70 havia uma lei que proibia essas pessoas de frequentar a escola pública regular.
O garoto sempre foi apaixonado por cinema. Antes do acidente, seu pai o levava sessões de cinema e, mesmo depois que perdeu a visão, ele não deixou de gostar. Ele declara no filme que ainda entende a história porque há vozes e sons ambientes e foi por causa disso que Mirco começa a desenvolver o gosto pela edição de som.

No internato, ele descobre um gravador e começa a desvendar seus outros sentidos, principalmente a audição. Usa-o para representar sons da natureza, e com a ajuda de amigos constrói histórias fascinantes.
O problema é que o diretor do colégio, que também é cego, possui uma visão muito limitada sobre as condições dos garotos com a deficiência visual. Direcionava-os para serviços manuais como a tecelagem, o que infelizmente ainda retrata grande parcela da realidade atual.

Por isso, a história de Mirco é de superação. Ele não ficou limitado a sua condição, buscou seus sonhos se adaptando ao novo modo de vida.
Porém, além disso, hoje em dia a sociedade pode promover maiores condições de adaptação para os deficientes visuais como: a audiodescrição.
A audiodescrição é um dos grandes focos do nosso projeto. Com ela, podemos proporcionar maior vivência dos materiais audiovisuais. Imagine como é importante ter acesso não só ao conteúdo sonoro o filme, mas à descrição da cena?

Vamos lutar pela igualdade de direitos e oportunidades?!
Entre nesta luta com a gente!

Ficha Técnica

“Rosso como il cielo” (2006)

 Direção: Cristiano Bortone

 Roteiro: Cristiano Bortone, Paolo Sassanelli, Monica Zapelli

 Gênero: Drama

 Origem: Itália

 Duração: 96 minutos

 Tipo: Longa-metragem

 

E assim eles vivem!

cartaz

Impressões sobre o 6º Festival Internacional de filmes sobre Deficiência “Assim Vivemos”

Lucinéa Villela

Finalmente tive a oportunidade de conhecer no Rio de Janeiro o “Festival Assim Vivemos”, bater papos pra lá de produtivos com audiodescritores e com a curadora e produtora Lara Pozzobon. Passei duas tardes-noites ótimas assistindo filmes que retratam os paradoxos de algumas doenças ou “diferenças biológicas” (cegueira, surdez, AVC, Mal de Huntington, Síndrome de Down etc). Digo paradoxos porque há uma alegria melancólica vivida por cada um dos protagonistas dos documentários que ali assisti.

Todas as sessões foram audiodescritas ao vivo por bons profissionais e as legendas para surdos estavam primorosas (Produtora 4 Estações).

O debate sobre “Surdez e Comunicação” foi tão agitado! Senti que havia várias línguas sendo faladas e sinalizadas, realmente estamos engatinhando ainda na Tradução no seu sentido mais embrionário e amplo.

Cheguei à conclusão de que pelo menos uma vez por ano, todos, digo TODOS NÓS, devemos passar alguns minutos assistindo trabalhos como os selecionados de forma perspicaz pelos produtores da Lavoro.

Voltei do Rio de Janeiro certa de que tradutores, profissionais da comunicação e do audiovisual possuem um espaço garantido na Acessibilidade Cultural. Voltei absolutamente convencida de que o Brasil entrou pela porta da frente no debate sobre deficiência e tem propriedade para falar sobre vários tipos de inclusão.

Seguem minhas breves impressões sobre três dos sete filmes que assisti. Todos são chocantes, mas só darei pílulas daquilo que vi, espero que em outubro nossos MATAVs possam participar do Festival em SP.

Ataque de emoção (Stroke a chord)

ataquedeemocao

Duração: 26′

Diretor: Sarah Barton

Austrália / 2012

O filme apresenta relatos de uma equipe de músicos que montou um coral com sobreviventes do AVC. Ficamos sensibilizados ao ouvir e ver portadores de afasias sérias conseguirem cantar sem nenhuma dificuldade em uma apresentação em Londres.

Eu sinalizo, eu vivo (I sign, I live)

eusinalizoeuvivo

Duração: 80′
Diretor: Anja Hiddinga e Jascha Blume
Holanda / 2012

O jovem Jasha é estudante de artes e apesar da surdez, não deixa de brincar de ser DJ em baladas na Holanda. Ele entrevista idosos em visitas a única moradia européia para surdos e tenta descobrir como essas pessoas levaram suas vidas. Eles contam sobre sua juventude, quando a língua de sinais era proibida, e sobre sua luta contra constrangimentos e indignidades. As cenas em que Jasha dança com duas idosas surdas são brilhantes.

Improvisação livre (Free Improvisation )

improvisacaolivre

Duração: 50′
Diretor: Doron Djerassi
Israel / 2011

Meu favorito! Jean Claude Jones é contrabaixista de vanguarda, mora em Jerusalém e dedicou sua vida à música. Há 20 anos Jean Claude foi diagnosticado com Esclerose Múltipla, assistimos como ele sofre ao ver sua criatividade musical em risco. O filme acompanha sua inusitada relação professor-aluno com o pianista prodígio de 11 anos Ariel Lanyi, que evolui para uma incomum e profunda amizade. Um filme sobre paixão, música, vida e o processo de “deixar rolar”.