Desfiles no Anhembi têm camarote com recursos de acessibilidade

Evento conta com audiodescrição e interpretação
dos sambas de enredo em LIBRAS.

Matéria: Bruno Ferreira
Entrevista: Lucinéa Villela

#ParaCegoVer: Na foto, as audiodescritoras Lívia Motta e Marisa Pretti estão em uma cabine de vidro no Camarote da Cidade, no Sambódromo do Anhembi. As duas estão com camisetas pretas com logotipo laranja no peito esquerdo, em forma de peão. Há um microfone e um computador à frente de cada uma. As duas olham atentamente para fora da cabine. Lívia aponta com o dedo chamando a atenção de Marisa. (Foto: Raoni Reis)

Nos dias 1 e 2 de março, as empresas “Ver com Palavras” e “As Meninas dos Olhos” se uniram numa parceria para audiodescrever os desfiles das escolas de samba em São Paulo, no Sambódromo do Anhembi. Os profissionais fizeram a audiodescrição dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial — que, em uma analogia com o futebol, é a “Série A” do Carnaval paulistano.

Os recursos de acessibilidade ficaram disponíveis no Camarote da Cidade, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED). Para os surdos, havia um telão projetando a interpretação em LIBRAS dos sambas de enredo. As pessoas com deficiência visual, por sua vez, receberam aparelhos receptores de áudio e fones de ouvido, por onde escutavam a audiodescrição. Os aparelhos funcionavam em todo o perímetro do camarote, de modo que seus usuários pudessem transitar livremente pelo espaço. A audiodescrição ainda foi transmitida ao vivo pelo Facebook, na página da SMPED, permitindo que pessoas do Brasil inteiro tivessem acesso ao desfile.

O blog do MATAV entrevistou Lívia Motta, diretora da empresa “Ver com Palavras”. Ela explica que não basta reunir profissionais experientes no dia do evento, porque a audiodescrição envolve muito mais do que simplesmente articular em palavras o que veem os olhos. É preciso um preparo especial: “O Carnaval é um evento vibrante e intenso, que, tal qual um musical ou uma ópera, exige um conhecimento específico, um mergulho no enredo de cada escola para a elaboração dos roteiros. O acesso às informações, entretanto, torna-se mais difícil devido à confidencialidade, à necessidade de absoluto sigilo. Também o dinamismo e estruturação da apresentação de cada escola impõem um ritmo diferenciado à elaboração de roteiros e narração. Com relação à narração, destacamos a importância de se colocar entusiasmo na voz para estar dentro do clima deste gênero de apresentação.”

A equipe, composta por seis audiodescritores e um consultor com deficiência visual, se empenhou em levantar informações sobre cada uma das catorze escolas que desfilariam nas noites de sexta e sábado. Eles tiveram cerca de quinze dias para ver os ensaios no sambódromo, falar com os dirigentes e componentes das escolas, estudar a história e a terminologia do Carnaval. A empresa “As Meninas dos Olhos” fez a audiodescrição do Carnaval nos dois últimos anos e o consultor Laercio Santanna já havia assistido ao Carnaval com acessibilidade no ano anterior, o que foi fundamental nesse estágio.

ParaCegoVer: No Camarote da Cidade, quatro pessoas com deficiência visual estão sentadas, vestidas com camisetas amarelas e usando aparelhos receptores e fones de ouvido. Da esquerda para a direita, estão um homem sorridente de barba grisalha pressionando o fone sobre a orelha com uma das mãos, uma senhora de cabelos castanhos, um homem de boina e uma moça de tiara amarela. (Foto: Raoni Reis)

Lívia Motta relatou que este ano houve menos ingressos para o Camarote da Cidade, apenas 20 convites foram disponibilizados para as pessoas com deficiência visual: “Contamos com a presença de aproximadamente 15 pessoas com deficiência visual no primeiro e no segundo dia de desfile”, afirma a audiodescritora.

Mesmo assim, a recepção pelo público tem sido animadora. Alessandro Silva, jovem com deficiência visual, é ritmista e desfilou na bateria da Acadêmicos do Tucuruvi, na sexta-feira. Na noite seguinte, no sábado, ele esteve no Camarote da Cidade, para assistir pela primeira vez a um desfile com audiodescrição. Ele assistiu o tempo todo com o recurso e adorou. “Não sabia nem que existia isso,” disse animado. Alexandre Toco, administrador de empresas, também se empolgou com a audiodescrição: “É minha primeira experiência de muitas,” ele diz. “Totalmente diferente assistir o Carnaval aqui, é outra energia e a gente viaja com a audiodescrição. Tomara que todo mundo possa ter essa experiência. Vale a pena demais.”

PraCegoVer: Na foto, sete pessoas abraçadas posam sorridentes para a câmera. Elas estão no Sambódormo do Anhembi. Da esquerda para a direita: Fátima Angelo, Rosângela Fávaro, Marisa Pretti, Andréia Paiva, Laercio Santanna, Lívia Motta e César Tunas. Laercio, o consultor da equipe, usa uma camisa polo vermelha com listras horizontais brancas. Os demais integrantes do grupo usam uniforme preto com logotipo laranja em forma de peão no peito esquerdo. (Foto: Raoni Reis)

Segue o depoimento completo de Alexandre Toco:

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Matav se apresenta aos calouros da Unesp

Alunos são vendados e têm experiência imersiva
com a audiodescrição

Na última quinta-feira, dia 21/02/2019, o Matav realizou uma apresentação do projeto para os calouros da Unesp de Bauru, a fim de recrutar interessados em participar. Eles foram chegando aos poucos, achando seus lugares em carteiras dispostas em um semicírculo de frente para a tela de projeção. O curso de RTVI (Rádio, TV e Internet) foi representado em peso, com dezessete primeiranistas presentes. Uma única caloura de Jornalismo compareceu. Jorge Salhani, ex-aluno de Jornalismo, também marcou presença. Ele entrou no projeto em 2013, quando o Matav estava apenas começando.


#ParaCegoVer: Na foto, uma sala de aula com chão, cortinas e paredes brancas. Há estudantes sentados em carteiras dispostas em um semicírculo voltado para a lousa. Todos olham enquanto, no centro, a professora Lucinéa expõe algum assunto.

Lucinéa Villela, coordenadora do Matav, deu início à apresentação explicando os objetivos e área de atuação do Matav. Falou também de projetos já realizados pelo Matav, como a adiodescriçao e legendagem da websérie #E_VC?, legendagem de eventos de colação de grau na universidade, uma série de minidocumentários sobre estudantes deficientes na Unesp, entre outros.

A seguir, foi feita uma mostra de propagandas audiodescritas, como as da Natura. Por lei, as emissoras públicas de televisão precisam aumentar progressivamente seu conteúdo com audiodescrição: até 2020, todas as emissoras precisam ter 20h de sua programação com opção de audiodescrição. Embora as empresas privadas não tenham a mesma obrigação, elas têm se atentado cada vez mais ao público de pessoas com deficiências. Estima-se que haja cerca de 3,5% de brasileiros com deficiência visual, e 1,1% com deficiência auditiva. É uma fatia enorme do mercado que acaba sendo perdida, simplesmente porque as mensagens publicitárias não conseguem atingir esse público. Segundo Lucinéa, as propagandas acessíveis deverão ser um dos focos de estudo do Matav em 2019. 


#ParaCegoVer: Na foto, estudantes sentados em carteiras dentro de uma sala de aula. Eles usam máscaras cirúrgicas descartáveis cor-de-rosa para vendar os olhos. As luzes estão acesas, e alguns ainda não puseram as vendas, esperando o videoclipe audiodescrito começar.

A seguir, o Matav proporcionou uma experiência imersiva aos calouros. Foram distribuídas máscaras cirúrgicas descartáveis para que fossem usadas para vendar os olhos, e Lucinéa pôs para rodar uma versão audiodescrita do videoclipe “Flutua” (de Johnny Hooker e Liniker), produzida pelo Matav ao longo de 2018. A professora Suely Maciel emprestou sua voz para a produção, aproveitando os silêncios da música para encaixar uma narração do que era visto em tela. Sua voz se adequava ao ritmo e ao sentimento de ambas as narrativas, a lírica e a visual, se mesclando ao produto sem atrapalhá-lo. E, mesmo para aqueles que viam o videoclipe pela primeira vez, a visão acabou não fazendo falta. Suely nos conduziu pela história de um casal gay de surdos sinalizantes que, após uma noite de diversão com os amigos, acabam sofrendo uma violência movida pelo preconceito (uma forma de cegueira às vezes mais obstinada que a física). O medo da violência levou o casal a se afastar, mas acabam se reencontrando e se beijando, vencendo o medo e o ódio, sob o coro de Johnny Hooker e Liniker: Ninguém vai poder querer nos dizer como amar…


#ParaCegoVer: Na foto, o ambiente é uma sala de aula escura, exceto pela luz que penetra as frestas abertas da cortina e pela luz de um projetor. À esquerda, há vários alunos sentados em carteiras, com os olhos vendados. À direita, há uma tela onde é projetado o videoclipe audiodescrito da música “Flutua”. No momento da foto, o videoclipe mostra um close da cantora andrógina Liniker.

Com o fim do videoclipe, os alunos foram aos poucos tirando as vendas. Algumas estavam úmidas, e uma caloura admitiu estar emocionada. “Xiii”, alguém disse ao escutar a garoa lá fora. Nossos ouvidos ainda estavam aguçados. A chuva engrossou enquanto os presentes trocaram impressões sobre a experiência. A maioria dos calouros desconhecia a importância da acessibilidade para conteúdos audiovisuais. Jorge Salhani, que anda ocupado com a conclusão do mestrado, não tem podido participar ativamente do Matav, mas contou como sua passagem pelo projeto ajudou em sua formação humana e profissional, ampliando sua percepção sobre a comunicação. “Quando a gente fala de acessibilidade, geralmente se pensa sobre a estrutura dos espaços físicos, das ruas, dos transportes públicos”, comenta, “mas às vezes nos esquecemos de como os produtos culturais também devem ser acessíveis.”

Ter participado do Matav também foi um diferencial para que Jorge fosse selecionado para cobrir os Jogos Paralímpicos no Rio em 2016, como repórter dos jogos. Também despertou a sensibilidade para o assunto: conversou com os locutores da audiodescrição ao vivo e experimentou escutá-la ele mesmo. Também foi atrás de curiosidades sobre os recursos de acessibilidade no evento esportivo. Descobriu, por exemplo, que no goalball, esporte praticado por pessoas com deficiência visual, cerca de 70 dispositivos de áudio eram distribuídos a cada partida, para que o público cego pudesse ter a mesma experiência e emoção das pessoas videntes.

Finda a apresentação, os calouros e veteranos do Matav se dividiram em rodinhas para conversar, enquanto esperavam a chuva estancar. Eram conversas íntimas e agradáveis, de gente que acabara de se conhecer, e quem olhasse de fora poderia dizer que estávamos flutuando. 

DESEJOS PARA 2019!

O grupo MATAV continuará a defender em 2019 o direito ao acesso irrestrito e igualitário a todo conteúdo audiovisual para pessoas com deficiências visuais e auditivas.

Nossa forma de RESISTÊNCIA contra o preconceito, ignorância e intolerância sempre será produzir cada vez mais legendas descritivas, audiodescrições e diversas formas de acessibilidade para nossos usuários e parceiros.

Desejamos a todos um Novo Ano repleto de coragem, alegria e disposição para tornar o mundo audiovisual cada vez mais inclusivo.

 

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#PraCegoVer: Na primeira fotografia colorida há oito membros do MATAV no meio do palco do Teatro Municipal de Bauru. Todos estão vestidos com camisetas pretas de manga curta com a logomarca do MATAV no centro da camiseta. O grupo todo sorri e olha para frente. À direita da imagem há uma cortina preta e no fundo, à direita do grupo, aparecem alguns instrumentos de percussão.
Na segunda fotografia colorida há nove jovens com vendas pretas que sorriem para fazer pose para uma selfie. Eles estão em pé, alguns gesticulam as mãos para a câmera em uma sala de aula com paredes brancas e carteiras ao fundo.

Microsoft usa inteligência artificial para promover acessibilidade

Em comemoração ao Dia internacional das Pessoas com deficiência empresa divulga recursos de legendas para Skype e Powerpoint

 

No dia 3 de dezembro a Microsoft apresentou um novo recurso de legendas ao vivo para o Skype e PowerPoint em celebração ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, uma iniciativa ONU. O aplicativo Skype é conhecido como uma rede social de videochamadas online e agora contará com legendas em tempo real, uma ferramenta de inclusão para facilitar a comunicação de pessoas com deficiência auditiva.

Para ativar as legendas em uma chamada é só clicar no botão + que aparece na tela e selecionar “ativar legenda”. Mas, se você deseja habilitar a live legendas para todas as conversas no Skype, selecione sua imagem de perfil > Configurações > Chamadas > Legendas de chamadas > Mostrar as legendas de todas as chamadas de voz e vídeo.

Assim que habilitadas, as legendas irão rodar na chamada automaticamente, mas também ficarão registradas em outra guia para que possam ser acessadas facilmente e lidas posteriormente.  

Outro conhecido programa da Microsoft, o PowerPoint, ganhará em sua mais nova versão a função de closed caption (legendas automáticas) na produção de slides. Essa foi outra solução da empresa para que pessoas com deficiência auditiva possam utilizar seus programas com autonomia e praticidade. Mais uma vez com uso da inteligência artificial, de acordo com a empresa, o programa reconhecerá 10 línguas faladas e poderá transcrever e traduzir automaticamente para mais de 60 idiomas.

A nova ferramenta do Skype já está disponível para versão 8 tanto para computadores quanto para dispositivos móveis e faz parte de um projeto de inteligência artificial da Microsoft, que também está desenvolvendo programa de tradução simultânea, em fase de teste. Já para o PowerPoint Office 365, a previsão de uso do novo recurso é para o final de janeiro de 2019. A promessa da Microsoft é de um desenvolvimento tecnológico com atenção em acessibilidade,e pretende quebrar também as barreiras da língua na comunicação. Consequentemente, a empresa estará contribuindo para uma sociedade digital cada vez mais inclusiva. 

MATAV Visita o Instituto Laramara

A instituição é referência em projetos de inclusão e desenvolvimento de tecnologia para deficientes visuais

Em uma visita ao Instituto Laramara tivemos a oportunidade de conhecer um pouco da história do instituto e o seu trabalho social em habilitação e acessibilidade. Hoje o instituto existe como uma unidade de negócios, onde o lucro é revertido para a Laramara, que atende gratuitamente a comunidade no bairro Barra Funda, da cidade de São Paulo. A empresa foi formada pelo casal Mara e Victor Siaulys, que reuniu profissionais em busca de encontrar soluções para a educação de sua filha Lara. Fundando assim uma instituição que visa a inclusão da pessoa com deficiência, e tem como base três pilares principais: a família, a educação e o trabalho. A visita foi guiada pelo voluntário Antônio Carlos, que também é deficiente visual, ele explica: “O nome Laramara vêm da junção dos nomes da mãe e da filha, e é essa relação de amor e família que buscamos reproduzir aqui no Instituto. Eu espero que até o final da visita você fique tipo “agora sim”.

A instituição Laramara atende pessoas cegas ou de baixa visão e que tenham deficiências múltiplas além da visual, sem restrições de idades, apesar de seu maior público ser o infantil, representando 90% dos atendimentos. Ele se destaca com base na independência e inclusão dessas pessoas na sociedade. Com seu centro de desenvolvimento de tecnologias assistivas, o Laratec  e também laboratórios de informática em seu prédio. Além de contar com uma gama de profissionais que prezam pela autonomia social como circular pela cidade ou navegar na internet e estimulam os conhecimentos sensoriais e culturais com aulas de música e artes plásticas.

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#ParaCegoVer:  Na foto temos a visão de fora de uma sala de música do Instituto Laramara, visto por uma grande janela de vidro.  Ao lado da janela existe uma placa escrito “Música” com o logo do Instituto, o desenho de um olho na cor azul.  No interior da sala vários violões pendurados em uma parede, caixas de som, cadeiras e outros instrumentos musicais.

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#ParaCegoVer: Na imagem temos duas fotos, uma em cima da outra, de diferentes ângulos de uma sala de artes plásticas do Instituto Laramara. Na primeira, cavaletes expõe pinturas e desenhos, enquanto na segunda, duas estantes expõe esculturas coloridas. 

“Tudo aqui na Laramara é baseado no brincar”, afirma Antônio, segundo ele, quanto mais estimulada é a criança, melhor é a sua visão com o passar do tempo. É  por isso que hoje, o número de pessoas atendidas com baixa visão é maior do que as que têm perda de visão total, pois estão recebendo estímulo desde cedo. 

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#ParaCegoVer: A imagem mostra um pátio coberto com brinquedos de plástico com escadas e escorregadores coloridos. 

A Laramara forma parcerias com escolas da cidade de São Paulo, oferecendo curso para a capacitação de professores e profissionais da educação, e até da família para que a criança atendida tenha total apoio em seu desenvolvimento e não seja privada da experiência de estudar em uma escola comum ou de ir à um passeio em um parque de diversões, por exemplo. É realizada também a fiscalização nas escolas de seus alunos para verificar se está sendo feita a inclusão das crianças nas aulas, e principalmente nas atividades recreativas. “Inclusão é em tudo, é na escola, na brincadeira, no passeio, no esporte, na igreja, na faculdade, trabalho, balada. Tem que ser em tudo, se não é, então não há inclusão”, explica o guia.

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#PraCegoVer: Na imagem um técnico funcionário do Instituto Laramara mostra como funciona os ampliadores de tela, que permitem uma ampliação dos conteúdos do papel que podem ser vistos por uma tela, permitindo que pessoas com baixa visão possam ler um livro, por exemplo.

Se para as crianças o mais importante é brincar, para o adulto é a autonomia de ir e vir, por isso a Laramara têm um módulo específico em “Orientação em mobilidade”. O pilar do trabalho é impulsionado com cursos e orientações para o mercado e desenvolvimento profissional, com módulos de comunicação onde é possível aprender a língua inglesa, informática, projeto de vida, cidadania, apresentação pessoal, etc. Como disse Antônio, cada indivíduo é único e tem que ter a liberdade para desenvolver suas habilidades e gostos pessoais. A missão é trabalhar com as potencialidades, e não com as deficiências. O objetivo final é que a criança que descobriu o mundo através da brincadeira,  possa tornar-se um cidadão produtivo, social e feliz. 

 

MATAV visita a Fundação Dorina Nowill para cegos

A instituição oferece serviços de apoio à inclusão e promove a disseminação de cultura informação com acessibilidade

Propagar o acesso à cultura e informação para deficientes visuais foi a missão de Dorina Nowill, que deixou seu legado em sua Fundação que contribui até hoje como uma instituição de referência em acessibilidade no Brasil. Atualmente a fundação Dorina trabalha com cerca de 130 funcionários e 400 voluntários atuando na habilitação e reabilitação de deficientes visuais. A empresa está há mais de 70 anos na cidade de São Paulo prestando serviços gratuitos à comunidade com um projeto de inclusão, principalmente em três pilares: educação, trabalho, autonomia.

A educação está em seus princípios desde sua criação, pois sua fundadora, Dorina, foi uma estudante cega e na época havia poucos livros em Baille no Brasil. Mesmo sem livros apropriados ela se destacou em sua escola e ganhou uma bolsa de estudos nos Estados Unidos em 1946, onde teve contato com o que havia de mais avançado em reabilitação para pessoas com deficiência visual. Em sua volta para o Brasil, Dorina decidiu trazer essas mudanças para seu país, criando a  Fundação Para o Livro do Cego, com uma imprensa Braille em 1960. Uma das prioridades da fundação é a garantia do acesso à cultura e informação para a comunidade com deficiência visual, tudo começou com o projeto da Dorina de produzir livros em braille no Brasil e a produtora de livros cresceu e existe até hoje, fornecendo livros e materiais escolares em Braille para todo o Brasil gratuitamente.

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#ParaCegoVer: Na imagem temos duas fotos, uma em cima da outra. A primeira mostra duas portas de vidro de duas salas com adesivos amarelos  onde se lê “Editora” e “Revisão”, respectivamente. Ao lado das salas, uma estante expõe alguns dos livros publicados pela Editora da Fundação Dorina Nowill, em Braille. Na segunda foto, temos o interior de uma sala com uma grande mesa retangular e nela várias impressoras.

Com o tempo e a modernização foram surgindo os áudio-livros, antes gravados em fitas, hoje estão disponíveis em CD’s em seu acervo e também em uma plataforma online, a Dorinateca, biblioteca digital da fundação, onde qualquer cego pode fazer o seu cadastro e ter acesso à audiolivros através do site. Em sua sede, localizada na Vila Clementino, além de salas de atendimento especializado, a fundação também conta com O Centro de Memória Dorina Nowill, uma imprensa gráfica de livros em Braille e um estúdio de locução onde produzem os audiolivros.  No mesmo local, todos os materiais produzidos são revisados por voluntários cegos que aprovam e garantem um conteúdo acessível de qualidade.

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#ParaCegoVer: Na imagem temos duas fotos, uma ao lado da outra.  A primeira Mostra a Biblioteca de Audiolivros da Fundação Dorina Nowill, vista por uma janela de vidro, com um adesivo onde se lê “Aqui tem livro acessível”. Temos também na mesma imagem uma funcionária segurando uma pasta de documentos e ao fundo, um funcionário organiza as estantes do acervo. Na segunda foto temos o estúdio onde são gravados os audiolivros, podemos ver uma cabine sonora, com microfone, computadores e uma caixa de som.

“Temos que lembrar que a inclusão não se faz por decreto. É um processo e como tal leva tempo. Implica em mudanças estruturais na cultura, na construção de uma nova postura pessoal e pedagógica, na vida de relação e na sociedade”. Dorina Nowill

Para agendar sua visita à Fundação é só entrar em contato pelo telefone: (11) 5087-0955

ou mande um e-mail para: centrodememoria@fundacaodorina.org.br

TV Ines: Uma webTv brasileira acessível

Ela está entre as 5 redes de TV do mundo que produzem todo seu conteúdo com recursos de tradução audiovisual

A emissora é uma parceria entre a Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e a TV Escola/Roquette Pinto Comunicação Educativa (ACERP). Juntas, estas empresas trazem um canal com propostas em cultura e educação para a comunidade surda, com programas voltados a libras como além do compromisso com a produção de uma comunicação acessível nos boletins jornalísticos e reportagens. Um exemplo é o “Boletim Primeira Mão”, um dos programas mais aclamados do canal. Em 2018, a TV Ines completou quatro anos de atividade e propôs recentemente o primeiro programa de telejornalismo esportivo, principalmente sobre futebol, totalmente acessível, nomeado “Mão na Bola”.

TV Inesp se apresenta como uma webTv que tem em seu cerne o compromisso com a acessibilidade e a informação, seus programas jornalísticos são referência para a comunidade surda. O programa “Visual”, é o primeiro telejornal diário que traz as principais notícias do universo surdo, do Brasil e do mundo traduzido para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Além disso, a emissora também produz conteúdos com outras formas de tradução audiovisual acessível, como legendas e a Audiodescrição para cegos. Pioneira no brasil em produzir conteúdos totalmente acessíveis para a comunidade surda, com o slogan “TV INES: Acessível Sempre”, o INES e o ACERP viabilizam a primeira webTV em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com legendas e locução. Existem apenas 5 emissoras no mundo que produzem esse tipo de conteúdo, e a TV Ines é uma delas. Com as discussões sobre acessibilidade na web em voga no mundo, se faz importante valorizar a presença de uma iniciativa brasileira em um cenário de inclusão em comunicação digital.

Além de programas jornalísticos, a TV Ines possui uma grande variedade de conteúdos de entretenimento, educação, filmes e documentários e infantis. Os conteúdos da TV Ines podem ser acessados pela internet no site ou na plataforma de vídeos do Youtube

A Roquette Pinto também desenvolveu aplicativos da webTv que podem ser baixados gratuitamente para aparelhos com sistema Android, iOS e Windows Phone.  O objetivo é facilitar ainda mais acesso a informação com o uso de smarthphones e ganhar uma maior interação com o público, que pode enviar sugestões e conteúdos para a emissora. O aplicativo está disponível também para SmartTv.