Lançamento do Podcast Papo com Legenda

Imagem com fundo azul claro, o logo do Papo com Legenda está no centro da imagem. O logo é composto pela letra P, que tem a cor amarela, seu formato é semelhante a um ícone de balão de fala. No centro da letra P há uma vírgula de cor azul clara. No centro da imagem, ao lado do logo, está escrito em letras brancas Papo com Legenda. No canto superior e inferior da imagem há linhas variando entre as cores verde, rosa, azul e amarelo. 

Nosso grupo de pesquisa MATAV vai lançar em 30 de setembro o podcast sobre acessibilidade audiovisual Papo com Legenda. A ideia de entrar para o universo das mídias sonoras surgiu no início de 2021, a partir da necessidade de divulgarmos para um público mais amplo as ações desenvolvidas pelo MATAV, especificamente nas temáticas que envolvem a produção audiovisual acessível para pessoas com deficiência visual e auditiva.

Em 2020, com a quarentena em todo país, realizamos diversas Lives e o alcance do público foi além de Bauru e do estado de São Paulo, conseguimos entrevistar uma audiodescritora brasileira que mora no Canadá. Percebemos, então, que o podcast teria ainda mais eficácia, pois além de ser um meio que pode ser acessado no momento que o usuário quiser, será um inventário de nossas produções. O conteúdo fica armazenado e podemos sempre usar.

Legenda para quem não ouve

Um grande diferencial do Papo com Legenda é que todo o conteúdo dos episódios será publicado no blog do MATAV, pois pensou-se também no acesso da pessoa com deficiência auditiva. Ou seja, haverá legenda para todos e todas. Basta a pessoa entrar no blog do Matav e acessar o menu Papo com Legenda

Quem faz o Papo com Legenda?

O podcast é coordenado pela líder do Grupo MATAV, Profa. Dra. Lucinéa Marcelino Villela, Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC/SP) e Pós Doutora em Tradução Audiovisual (Universidade Autônoma de Barcelona), e as diversas funções são desempenhadas por uma equipe de alunos do Curso de Rádio, Televisão e Internet da UNESP/Bauru, além de outros voluntários do Curso de Design e deTradução da UNESP e ainda há profissionais das áreas de Letras e Tradução.

Pesquisa e Produção: Profa. Dra. Lucinéa Marcelino Villela

Roteiro: Gabriel H. Leite de Souza (RTVI/FAAC), Julia Ferreira da Silva (RTVI/FAAC), Natália Fernandes de Sena (RTVI/FAAC) e Walesson Almeida dos Santos (RTVI/FAAC).

Edição som: Gabriel H. Leite de Souza (RTVI/FAAC)

Apresentação: Lucinéa Marcelino Villela e Aniele de Macedo Estevo (Design/FAAC)

Trilha sonora: João Batista de Carvalho e Silva Signorelli (RTVI/FAAC)

Comunicação: Luiza Hidalgo (Tradutora/UNISAGRADO), Walesson Almeida dos Santos (RTVI/FAAC), Natália Fernandes de Sena (RTVI/FAAC) e Isabeli Bovério dos Santos (Tradutora/UNISAGRADO)

Transcrição: Ana Laura Dias (Tradução/IBILCE), Luiza Hidalgo (Tradutora/UNISAGRADO), Letícia Santos (Mestranda PPGEL/IBILCE) e Daniela Carvalho Souza (Licenciada em Letras)

A primeira temporada do podcast será composta por episódios sobre audiodescrição, dublagem, web acessível e mídia sonora acessível. As temáticas serão desenvolvidas por meio de uma introdução histórica e conceitual e, no segundo bloco, haverá entrevistas a especialistas e profissionais de cada área. Contaremos também com um episódio com participação de uma pessoa com deficiência visual, que atua em Porto Alegre como consultor em audiodescrição. Ele relatará, na perspectiva do usuário, as experiências de acesso ao audiovisual.

Os episódios serão lançados às quintas-feiras, a partir de 30 de setembro, e o episódio piloto será sobre audiodescrição (AD). Foram entrevistadas duas pioneiras em AD no Brasil que compartilharão com os ouvintes as etapas de produção de AD no Carnaval no Rio de Janeiro e São Paulo.

Dia do Tradutor: 30 de setembro

O lançamento ocorrerá no Dia do Tradutor, data comemorada em todos os países ocidentais, em homenagem a São Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latim. As modalidades de audiodescrição e legendagem para surdos são estudadas dentro da área de Tradução Audiovisual e a líder do grupo MATAV é formada em Tradução pela UNESP, no IBILCE em São José do Rio Preto.

Instagram @papocomlegenda

https://matavunesp.wordpress.com/

ENTREVISTA COM DANIELA REIS, IDEALIZADORA DO PROJETO ENXERGANDO O FUTURO

Por Daniela C. de Carvalho Souza

Descrição de imagem: Fotografia em cores claras. No centro da imagem, Daniela está sentada em um banco de madeira escura e à sua frente há uma mesa de madeira retangular escura. Suas mãos estão sobre uma cela pré-braille nas cores preta, vermelha, azul e verde. Ela é magra, possui pele clara, cabelos castanhos claros, longos e ondulados com mechas loiras. Ela usa um vestido estampado nas cores azul, rosa e branco com alças finas. Está maquiada. Atrás do banco de madeira, na parede de fundo, há uma cortina branca e à direita da imagem há um vaso grande com uma vegetação com flores rosas.

Neste mês a entrevistada do blog MATAV é a empresária Daniela Reis Frontera, de Duartina, interior de SP. Aos 23 anos foi diagnosticada com retinose pigmentar e soube que perderia grande parte da visão. Mesmo em meio às dificuldades, nunca desanimou, buscou maneiras de se adaptar a sua nova realidade e foi aprender Braille. A partir daí, imaginou que além de aprender, também poderia ensinar o método a outras pessoas com deficiência visual e transformar as vidas dessas pessoas, pois acredita que poder ler é também uma forma de inclusão, e o Braille é o caminho para isso. E assim foi criado o projeto Enxergando o Futuro. Na entrevista, ela conta um pouco a história do projeto e sua paixão pelo esporte.

MATAV: Como surgiu a ideia deste projeto?

DANIELA: A ideia surgiu do momento em que resolvi aprender o método Braille e senti muita dificuldade em encontrar um profissional que me ensinasse, mesmo pagando pelas aulas. E isso ficou em meu coração, pois imaginei como seria com aquelas pessoas que realmente necessitam dessa alfabetização e não encontram profissionais suficientemente capacitados.

Então, quando encontrei uma professora que me ensinasse Braille, eu disse a ela que, quando estivesse pronta, gostaria de ser instrutora deste método. E com o seu apoio e suporte técnico, em novembro de 2019, nasceu o “Enxergando o Futuro”. Começamos em minha cidade, com apenas 10 alunos e com aulas presencias. Porém, com a pandemia, tivemos vários desafios, mas superamos e hoje, esse projeto tornou-se mundial.

MATAV: Qual o grande propósito do Enxergando o Futuro?

DANIELA: Nosso propósito é alcançar cada vez mais as pessoas com deficiência visual e levá-las a aprenderem o método Braille, além de tentar conscientizá-las que o Braille é importante na vida da gente; que o Braille é nossa cartilha. Portanto, nosso objetivo é Brailletizar essas pessoas e transformar o Braille numa língua nacional. Também, queremos levar a todos os municípios do nosso país uma consultoria para que possamos capacitar profissionais de tal forma que, se nascer uma criança cega naquele município, a prefeitura tenha um profissional capacitado pelo Enxergando o Futuro, capaz de alfabetizar essa criança.

MATAV: Você poderia dar detalhes sobre como essas as aulas acontecem?

DANIELA: São aulas a distância, por meio da nossa plataforma on-line gratuita e com acessibilidade para as pessoas com deficiência visual. Na plataforma, vamos liberando as aulas para que os alunos possam fazer as atividades dos módulos. Depois, devem postar essas atividades no grupo de WhatsApp de alunos. E, somente depois da correção e análise das atividades é que liberamos outro módulo. Se o aluno tiver dificuldade, nós o chamamos e tiramos dúvidas e ele tem a oportunidade de fazer a correção. Se necessário, fazemos chamada de vídeo com as nossas pedagogas voluntárias que enxergam. E, aleatoriamente, fazemos aulas on-line pelo aplicativo Zoom com a pedagoga vidente que me auxilia na correção.

Logo no início do curso, ensinamos nossos alunos a confeccionarem uma cela pré-Braille, com material reciclável, que vão usar para a alfabetização. E essa é a primeira etapa do curso. A segunda é a reglete negativa, e a terceira é a leitura.

MATAV: Como tem sido a adesão das pessoas ao projeto?

DANIELA: A adesão tem sido muito boa. Estamos atingindo quem gostaríamos, mas queremos muito mais. Nós somos 6 milhões e meio de pessoas com deficiência visual, então ainda temos muita gente para alcançar. Então, pedimos que todos os meios de comunicação se manifestem e abracem a nossa causa para que realmente cheguemos até essas pessoas que não tiveram oportunidade de se alfabetizarem no Braille e possam ser alfabetizados em casa. Só precisa ter a Internet, do restante a gente cuida. Atualmente, estamos com alunos em outros países como Portugal e África do Sul. E no Brasil, já chegamos em 25 estados, totalizando mais de 180 alunos. E queremos transformar nossa plataforma em multilíngue para que também possamos ensinar o Braille em espanhol e inglês.

MATAV:  Como os interessados podem se inscrever e participar deste projeto?

DANIELA: Quem quiser se inscrever pode entrar no nosso site enxergandoofuturo.com.br; nas nossas mídias sociais (Facebook, Instagram, LinkedIn); no nosso canal do YouTube Enxergando o Futuro ou pelo WhatsApp (14) 997408217. É só deixar uma mensagem que já enviamos o link para a inscrição.

MATAV:  Como o projeto é mantido e como voluntários podem ajudar de alguma forma?

DANIELA: Vivemos de doações, de campanhas, de rifas, de lives solidárias. Como o projeto cresceu muito, existem gastos. Então, procuramos empresas que queiram ser parceiras. Já temos empresas e pessoas físicas que contribuem mensalmente. Em breve, vamos transformar o Projeto em Fundação, para que também possamos oferecer outros benefícios aos deficientes visuais. E todos que quiserem contribuir com o Enxergando para o Futuro, podem entrar em contato conosco e para empresas maiores com responsabilidade social, temos formas bem interessantes para que possam participar das mídias.

Aqueles voluntários videntes, ou seja, os que enxergam, também sempre são bem-vindos para nos ajudar e podem entrar em contato pelo WhatsApp.

MATAV: Além de todo esse trabalho e dedicação em ajudar pessoas com deficiência visual, você ainda é paratleta?

DANIELA: Pois é. Quando era criança, eu praticava o paratambor, pois já tinha  dificuldade para enxergar, mas depois acabei parando. Eu sempre gostei muito de esportes. Eu corro, pedalo na bicicleta Tandem. Este ano, descobri a Ecoterapia em meu município, então, entrei em contato para fazermos uma parceria com o projeto e, durante a conversa descobri que eu poderia fazer o paratambor com acessibilidade. Então, comecei as aulas. Como não tenho medo, sou arrojada, enfrentei esse desafio. E, recentemente, fui Vice-Campeã Nacional do Paratambor. Hoje, estou muito feliz e realizada em praticar um esporte que achei que nunca mais conseguiria. E isso não tem preço!

Por isso, digo sempre: você que tem qualquer tipo de limitação, não se entregue! Adapte-se a uma nova realidade de vida e não deixe seu sonho acabar!

Descrição da imagem: Fotografia de Dani Reis. Ela é uma mulher de pele clara, é magra, seus cabelos são castanhos claros, longos e ondulados com mechas loiras. Em pé, ela sorri e segura um troféu prata em forma de um cavalo. Ela veste uma camisa de manga longa azul clara, calça jeans e cinto de couro.

Para saber mais sobre o projeto visite:

https://www.youtube.com/enxergandoofuturo

https://www.linkedin.com/company/enxergando-o-futuro/

https://www.instagram.com/enxergandoofuturo/

https://www.facebook.com/projetoenxergandoofuturo

“CODA”: UMA HISTÓRIA EMOCIONANTE E SINCERA SOBRE ENCONTRAR NOSSO LUGAR NO MUNDO

Por Ana Laura Dias

Filmdrama "CODA": Veröffentlichung im August — Taubenschlag

Descrição da imagem: Uma família está sentada na carroceria de uma caminhonete azul, iluminados pela luz do sol. Ao fundo há um barco. Ruby se encontra à esquerda, tem cabelos castanhos, pele clara e veste uma camisa xadrez azul e preta. Ela olha para a frente  e  apoia a cabeça no ombro de seu pai, Frank. Ele tem uma barba longa com alguns fios grisalhos, pele clara, usa um boné preto e um casaco de mesma cor sobre uma camisa azul. Frank apoia a mão sobre o joelho da filha e sorri olhando para a esposa, Jackie, à sua direita. Jackie tem longos cabelos loiros, pele clara e veste um casaco marrom sobre uma blusa azul. Ela também sorri para o marido, com as mãos apoiadas no próprio colo. À sua direita se encontra Leo, que olha para a esquerda. Ele tem cabelos castanhos, pele clara e uma barba rala. Leo veste uma jaqueta jeans com revestimento felpudo sobre uma camiseta xadrez azul, vermelha e  branca.

No dia 23 de setembro irá estrear nos  cinemas do Brasil o filme CODA (traduzido para o português como “No Ritmo do Coração”). Aclamado pela crítica estadunidense, o drama familiar foi o grande vencedor do Festival Sundance 2021, ganhando todos os prêmios aos quais estava elegível.

CODA é uma adaptação da comédia dramática francesa A Família Bélier, lançada em 2014. A trama estadunidense acompanha a família Rossi, moradores de uma cidadezinha costeira no estado de Massachusetts, Estados Unidos. A caçula da família, Ruby (Emilia Jones), é uma jovem CODA (child of deaf parents, ou filha de pais surdos) de 17 anos. Por ser a única pessoa da casa capaz de ouvir, Ruby frequentemente ajuda o seu irmão mais velho Leo (Daniel Durant) e seu pai Frank (Troy Kotsur) nos afazeres do barco de pesca da família, além de atuar como uma intérprete em situações comunicativas entre seus familiares, incluindo sua mãe Jackie (Marlee Matlin), e as outras pessoas.

Ainda que em constante pressão para atender às necessidades de seus pais e dos negócios da família, Ruby decide entrar para o coral da escola, a fim de explorar uma de suas grandes paixões: a música. Reconhecida como uma aluna com grande potencial pelo professor Bernardo Villalobos (Eugenio Derbez), Ruby precisa decidir entre investir em seus sonhos e partir para uma faculdade de prestígio de música ou continuar com seus pais, que encontram dificuldades em participar dessa parte da vida da filha.

O filme explora a narrativa por meio da perspectiva de todos os membros da família Rossi, expondo as dificuldades enfrentadas por eles ao tentarem se adaptar a um mundo que acreditam não se encaixar. Com uma trama divertida e emocionante, CODA se diferencia de outros filmes do gênero ao entregar personagens reais e atuações incríveis, capazes de transmitir ao telespectador relações familiares críveis de maneira natural. Além disso, CODA é uma produção que não só fala sobre acessibilidade e grupos minoritários, como também é inclusiva. Todos os personagens surdos foram interpretados por atores surdos, infundindo na adaptação um tipo de autenticidade difícil de ser encontrado.

 Por fim, é importante ressaltar outro aspecto inclusivo atrelado ao filme CODA. Essa é a primeira produção em língua inglesa a ser exibida nos cinemas dos Estados Unidos com legenda embutida na própria projeção, permitindo que pessoas com deficiências auditivas acompanhem o filme normalmente. No país, a cultura das legendas no cinema é praticamente inexistente e para que pessoas surdas possam assistir a um filme americano é necessário a utilização de óculos especiais que sobrepõem o texto na tela por meio de uma outra projeção, oculta a olho nu. Esse recurso, no entanto, não é sempre acessível, já que as máquinas responsáveis por esse tipo de projeção frequentemente estão quebradas. Logo, CODA apresenta uma alternativa promissora em prol da acessibilidade e inclusão.

E você, leitor, marque na agenda a data de estreia de CODA e confira com seus próprios olhos essa história emocionante! Mas não se esqueça de que ainda estamos em uma pandemia e devemos tomar cuidado a fim de nos proteger e aqueles à nossa volta!

“O SOM DO SILÊNCIO”: UMA EXPERIÊNCIA AUDITIVA, MAS, E A COMUNIDADE SURDA? Por Letícia Santos


Descrição da imagem: Imagem com fundo preto, ao centro um homem musculoso e magro tocando uma bateria. Ele tem cabelo descolorido e barba preta, está sem camisa e tem várias tatuagens em seu peito.

Sensorial, instigante, diferente. Essas foram algumas das muitas características atribuídas pela crítica ao filme “O Som do Silêncio” (Sound of Metal). Por meio de uma impecável edição de efeitos sonoros e visuais que lhe renderam dois Oscars – Melhor Som e Melhor Edição -, o longa conta a história do baterista Ruben (Riz Ahmed) que perde maior parte da audição devido a longos períodos exposto a sons extremamente altos e intensos. O protagonista é um ex-viciado que encontrou na música a sua salvação e está prestes a iniciar uma turnê com a banda de punk/metal formada por ele e sua namorada Lou (Olivia Cooke). Tudo isso torna ainda mais difícil para o músico se adaptar à sua nova realidade.

A edição permite que ouvintes tenham a mesma experiência do personagem principal. Você vai ouvir sons abafados, a vibração do alumínio, o som metálico do implante coclear e até o mais absoluto silêncio. Isso nos permite até sentir o desespero do protagonista que se depara com novos obstáculos para se comunicar. Mas, como foi a experiência de espectadores surdos?

Olívia, 30, que é professora de Libras (Língua de Sinais Brasileira), acredita que houve uma falha na legenda. “Não recomendaria o filme por causa da parte que não tem legenda e tanto ouvinte como surdo não entenderiam”, explica. Mesmo assim, ela considera que a produção foi empática pela cultura surda. “O filme mostra as diferentes identidades surdas existentes. A partir do momento que Ruben conhece a escola para surdos, ele percebe que existe uma comunidade capaz de se desenvolver de forma natural, utilizando sua própria língua.”

Para Patrícia Valíni, 29, dona de casa, e seu esposo Mateus Valíni, 29, auxiliar de produção, a falta de legendas para a Língua de Sinais Americana incomodou muito. “A Língua de Sinais é diferente em cada idioma, mas quando os surdos conversavam não aparecia legenda. Nós não entendemos nada”, comentam. Embora tenha esse problema, o casal gostou bastante da trama. Patrícia perdeu a audição quando tinha 2 anos por conta da meningite, ela acredita que a reação do protagonista foi representativa. “Ele ainda não tem a identidade de surdo. Quando você está acostumado a escutar sons e barulhos, demora um pouco para se acostumar com o silêncio”, afirma. Ela também considera um ponto positivo o ator ser ouvinte. “Acho importante os ouvintes entenderem como é ser surdo.”

Naiara Moura, 29, compartilha da mesma opinião. Para ela, as mídias precisam mostrar aos ouvintes a experiência da pessoa surda para que haja mais empatia e a escolha de ator ouvinte mostra que ele precisou fazer esse exercício para incorporar o personagem. “As pessoas têm a impressão de que ser surdo é fácil, mas não é. Por isso acho que a escolha foi boa, pois ele precisou sentir na pele como é ser surdo.”

E você, leitor? Já assistiu ao filme “O Som do Silêncio”? Conta pra gente como foi a sua experiência. Entender os desafios da comunicação irá nos ajudar ainda mais a criar soluções para mídias mais acessíveis.

Stickers de captions no Instagram: mais um passo em direção à acessibilidade.

Por Daniela C. C. Souza

Edição Lucinéa Villela

Facebook, TikTok, LinkedIn, cada vez mais as redes sociais têm ganhado espaço no mundo digital. O Instagram sem dúvida é o queridinho dos usuários e permite compartilhar e editar fotos e vídeos para trabalho, estudo, lazer e até mesmo para compra e venda de produtos.

De acordo com o site eMarketer (2020), a estimativa de seguidores do Instagram pelo mundo em 2021 é de 1.074 bilhões, ou seja, um aumento de 73,5 milhões de seguidores em relação ao ano anterior. De fato, esses dados chamam a atenção e nos levam a pensar: diante de tantos usuários e dos vários recursos audiovisuais oferecidos, o quão acessível o Instagram tem se tornado para as pessoas com deficiência auditiva?

O Brasil é o 3º país com mais usuários ativos no Instagram (ABC Repórter, 2021). Se considerarmos que ao menos 5% da nossa população possui alguma condição relacionada à surdez (IBGE, 2020), cerca de 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva não têm acesso aos áudios do aplicativo. 

Pensando em inclusão, o Instagram tem lançado alguns recursos que podem tornar as publicações mais acessíveis, dentre elas, o Alt Text (texto alternativo) que, embora não seja tão preciso, faz a descrição automática de imagens. Outro recurso é a legenda automática em vídeos do IGTV que está disponível em 16 idiomas, incluindo o português.

O mais novo recurso lançado em maio de 2021 para esse aplicativo é o Caption Sticker que ao ser adicionado nos stories ou reels produz legenda automática, sendo possível alterar sua cor e posição. Infelizmente, por enquanto, a função está disponível apenas em países de língua inglesa, mas espera-se que chegue logo ao Brasil.

O lançamento do recurso foi extremamente comemorado entre os pordutores de conteúdo digital que pensam no público com deficiência auditiva e também em permitir que em ambientes com muito ruídos possamos compreender o que está sendo falado nos áudios.

Jessica Worb, criadora canadense de conteúdo digital, ensina os passos para postagens com o Caption Sticker. https://later.com/blog/add-captions-to-instagram-stories/

Seguem os passos para a postagem com Caption Sticker.

Passo #1 Abra a câmera dos Stories do Instagram ou do Reels e grave um vídeo ou carregue um vídeo de sua câmera.

Passo #2 Depois de carregar ou gravar o vídeo, toque no ícone de Sticker. 

Créditos: Foto do blog de Jessica Worb  https://later.com/blog/add-captions-to-instagram-stories/

Passo #3- Selecione o sticker “Captions”.

Créditos: Foto do blog de Jessica Worb  https://later.com/blog/add-captions-to-instagram-stories/

Passo #4- Nessa fase, você pode escolher um dos quatro formatos de texto, mova o texto ao redor da tela e mude a cor.

Créditos: Foto do blog de Jessica Worb  https://later.com/blog/add-captions-to-instagram-stories/

Prontinho! Você terá sua fala com caption.

Para os usuários de países onde o recurso ainda não está disponível, como o Brasil, é possível incluir legenda ou caption de forma manual. Basta digitar o texto em sobreposição à sua fala. 

Créditos: Foto do blog de Jessica Worb  https://later.com/blog/add-captions-to-instagram-stories/

Jessica Worb ainda alerta aos produtores de conteúdo no Instagram que a inserção de caption não é útil apenas para os usuários que estão assistindo a postagem sem áudio, mas principalmente para mais de 5% da população mundial (446 milhões de pessoas) que possuem deficiências auditivas.

É importante lembrar também que embora a legenda seja uma forma de acessibilidade, ela não atinge todo esse público. No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida como meio legal de comunicação da comunidade surda  por meio da Lei 10.436/2002 e, portanto, é urgente que haja a inserção de janela de Libras, mesmo que seja por aplicativos como HandTalk, dentro do Instagram. Esse recurso poderia ser disponibilizado em tamanho adequado para que a pessoa com deficiência auditiva  possa ter as mesmas experiências que o ouvinte.

Fontes de pesquisa:

Assim Vivemos: Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência

Por Isabeli Bovério dos Santos

Descrição oficial da imagem de capa do evento: Imagem de divulgação horizontal com fundo cor de vinho. À esquerda em letras amarelas e brancas: 10 a 14 de abril. Assim Vivemos Online – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência www.assimvivemos.com.br . À direita, foto de uma mulher negra em uma cadeira de rodas com um sorriso largo. Ela é completamente calva e usa óculos. Está com o braço esquerdo ao longo do corpo e o direito apoiado no braço da cadeira. Usa vestido amarelo com estampa de flores cor de laranja e azuis e bijuterias douradas. Abaixo da foto, escrito em branco: Mona Rikumbi é atriz, dançarina, enfermeira e ativista. Na parte de baixo do convite: Produção: Cinema Falado. Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil e Anaísa Raquel Produções. Patrocínio: Secretaria de Cultura e Economia Criativa , Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil – Governo Federal. (fonte Página do Facebook do Festival Assim Vivemos online)

Realizado desde 2003, o Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência é o mais importante festival de cinema sobre o tema. A edição de 2021 ocorreu entre os dias 10 e 13 de abril e foi totalmente desenvolvida pensando na acessibilidade digital e audiovisual. Além de ocorrer de forma online, devido à pandemia, os filmes foram audiodescritos e legendados com LSE (legendas para surdos e ensurdecidos), e os debates contaram com intérpretes de libras, além de estarem disponíveis no site e no canal do Youtube do festival (https://assimvivemos.com.br/2021/online/#_arte).

Lara Pozzobon, curadora e fundadora do festival, mediou os debates através de perguntas e apontamentos sobre as temáticas e contextos apresentados nas sessões. Ao início de cada debate, os participantes são convidados a se audiodescreverem. 

O Debate 1, realizado no dia dez de abril, recebeu Moira Braga e Lucio Piantino que teceram reflexões sobre os filmes exibidos no dia, sendo eles: “A largura e o comprimento do céu” (França, 1998), “Quem é o último?” (Belarus, 2018); e “O que tem debaixo do seu chapéu?” (Espanha, 2006). A temática dessa sessão foi ‘Arte e Diversidade’. 

Moira, como bailarina contemporânea e consultora de audiodescrição, pôde trazer aos ouvintes sua perspectiva profissional e humana em relação aos cenários abordados nos filmes. Lucio, em contrapartida, como artista plástico e como pessoa com síndrome de Down, comentou sobre a realidade dos artistas com deficiência, além do papel transformador da arte e como ela se relaciona positivamente às expressões de vida em sociedade.

No segundo dia de festival, a temática central foi ‘Vida amorosa e autonomia’, com exibição dos filmes “Ver e crer” (Rússia, 2007), “Beleza desconhecida” (Irã, 2014), “Mona” (Brasil, 2018), “Quando brilha um raio de luz” (Irã, 2010), “Dentro de mim” (Tailândia, 2015), e “O que pode um corpo?” (Brasil, 2020). Os convidados para o Debate 2, foram Mona Rikumbi, atriz, dançarina, enfermeira e ativista, personagem documentada em “Mona”, e Victor Di Marco, ator, diretor, roteirista e idealizador do projeto “O que pode um corpo?”.

Os artistas compartilharam suas impressões sobre a experiência e vivência com autonomia na sociedade e na arte, suas problemáticas, enfrentamentos e conquistas em suas diferentes perspectivas pessoais e profissionais.

No dia 12 de abril, terceiro dia de festival, o tema proposto foi ‘Escola e vida independente’ com exibição dos filmes: “Estrangeiros” (Brasil, 2013), “Uma menina em 10×10” (Myanmar, 2013), “Independente” (Israel, 2015), e “De corpo e alma” (Moçambique, 2010).

Participaram do Debate 3, Lucília Machado – Mestra em Diversidade e Inclusão, jornalista, diretora da “Acessar, Comunicação, Diversidade e Inclusão“ e titular do Podcast “Acessando Lucília” – e Rosangela Bernan Bieler – jornalista, conselheira global em Infância e Deficiência da UNICEF. Foram refletidos assuntos relevantes à diversidade humana e a vida independente apresentados nos filmes, bem como a pobreza sistêmica, o olhar da sociedade sobre a pessoa com deficiência e suas influências na discriminação escolar e educacional, além do papel da LIBRAS na educação e inclusão. As debatedoras trouxeram pontos de vista observados nas suas realidades e no cotidiano escolar/acadêmico dos brasileiros.

‘Autismo e neurodiversidade’ foi o tema do último dia de festival que contou com a exibição dos filmes: “Somos todos Daniel” (Canadá, 2009), “Stimados Autistas” (Brasil, 2020), e “Soluções promissoras” (França, 2012). Cristiano de Oliveiro – diretor do filme “Stimados Autistas” e pós-graduado em audiologia clínica – e Laís Silveira Costa – cofundadora do AcolheDown e Doutora em saúde pública – conduziram o Debate 4. Eles proporcionam uma discussão rica sobre temas como espaço no mercado de trabalho, o papel da família na inclusão, as pressuposições existentes sobre as pessoas com deficiência e o rebaixamento de suas capacidades, além da importância da desconstrução do pensamento social e a representatividade visual e social que a programação do festival trouxe.

O evento abordou temáticas interessantes e fundamentais sobre a vida e realidade social das pessoas com deficiência, abrangendo todos seus aspectos – pessoais e profissionais. Os convidados foram importantes para a discussão dos contextos e tramas apresentados nas sessões fílmicas e puderam aproximar o ouvinte à perspectiva brasileira. Assim Vivemos é indicado a todas as pessoas envolvidas com o ativismo dos direitos das pessoas com deficiência, sejam pesquisadores, familiares, estudantes ou profissionais. O festival reflete um caráter humano, inclusivo, único e representativo de todas as temáticas propostas nos quatro dias do evento.

Para saber mais sobre esta e as próximas edições, siga Assim Vivemos nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/festivalassimvivemos/

Facebook: https://www.facebook.com/assimvivemos/

AUDIODESCRIÇÃO NA ESCOLA: ABRINDO CAMINHOS PARA LEITURA DE MUNDO

Descrição da imagem: imagem da capa do livro nas cores azul e branca. Na parte superior da imagem há o nome da autora Lívia Maria Villela de Mello Motta em letras brancas. Abaixo o título do livro na cor verde e o subtítulo na cor amarela AUDIODESCRIÇÃO NA ESCOLA: abrindo caminhos para leitura de mundo. Na parte central da capa do livro há uma gravura de uma sala de aula, assinada por Ricardo Ferraz. Na frente sala, aparece uma professora em pé, vestida de saia e blusa de manga curta, no lado esquerdo de seu rosto há um balão com os dizeres: O homem de chapéu preto, bigode e barba branca. A mão esquerda da professora indica uma tela com a pintura de um homem com chapéu preto, barba e bigode brancos. Ele está apenas com o olho esquerdo aberto, atrás dele há um papagaio colorido, ao fundo aparecem montanhas e parte da imagem do sol. À frente da professora há várias carteiras com crianças sentadas com livros abertos em cima da carteira. Um aluno está sentado em uma cadeira de rodas e outro garoto usa óculos escuros. Na janela à direita há a imagem de uma parte do globo terrestre. Na parte inferior da capa do livro aparece escrito PONTES, nome da editora.

O livro Audiodescrição na escola: abrindo caminhos para leitura de mundo, publicado em 2016, é da autoria de Lívia Maria Villela de Mello Motta, Doutora em Linguística Aplicada pela PUC de São Paulo. Além de promover a audiodescrição em diversos eventos, Lívia Motta também é pioneira em AD no Brasil e é formadora de dezenas audiodescritores.

Audiodescrição na Escola é dividida em nove capítulos, cada qual denominado de modo a sintetizar o que será abordado: primeiro capítulo (prefácio por Marta Gil) – A audiodescrição: uma maneira de vi-ver o mundo; segundo capítulo – A audiodescrição na escola: abrindo caminhos para leitura de mundo; terceiro capítulo – Audiodescrição de imagens estáticas em livros didáticos; quarto capítulo – Aprendendo a descrever fotografias, charges, cartuns, tirinhas e histórias em quadrinhos; quinto capítulo – Exibição de filmes em sala de aula e a participação de alunos com deficiência visual; sexto capítulo – Contação de histórias com audiodescrição; sétimo capítulo – O uso do quadro e de arquivos power point – verbalizar é preciso; oitavo capítulo – Audiodescrição em atividades extracurriculares como teatro, passeios, feiras e exposições; nono capítulo – Um poema para concluir audiodescrição na escola para todos.

O prefácio resume e expressa a opinião de Marta Gil sobre a obra de Motta e sobre a necessidade da utilização da audiodescrição nas escolas. Já os demais capítulos trazem diversas questões a serem consideradas para que haja mais atividades e recursos audiodescritos durante o processo de ensino-aprendizado, tornando, assim, a escola um ambiente inclusivo que promova a acessibilidade. 

Dentre estas questões abordadas ao longo da obra, podem ser destacadas: a definição do conceito de audiodescrição; as ideias de atividades de conscientização sobre a deficiência visual; a importância da visualização com o auxílio da audiodescrição das imagens presentes nos livros didáticos; as orientações para audiodescrição de vários tipos de imagens, de características fisionômicas, de personagens; as orientações para elaboração de roteiros de audiodescrição de filmes; as sugestões de atividades que trazem audiodescrição e que podem ser beneficiadas pelo conhecimento desse recurso (como a contação de histórias, no sexto capítulo); os tipos de livros existentes que trazem uma maior acessibilidade de conteúdo para aqueles que tem baixa ou nenhuma visão (audiolivros, livros daisy, livros em braile e ampliados); a reflexão acerca da necessidade de estratégias, como a verbalização e a audiodescrição; o incentivo a passeios escolares com mais recursos acessíveis, bem como a promoção de outras atividades extracurriculares (como a produção de uma peça de teatro pelos alunos).

Pode-se observar que Motta trouxe um livro que apresenta uma excelente organização da disposição de capítulos, bem como a divisão dentro de cada um, apresentando ao final de cada capítulo, com exceção do primeiro e do último, todas as referências que utilizou. Essa organização junto à linguagem de fácil compreensão e à toda exemplificação, proporciona uma leitura ao mesmo tempo reflexiva, dinâmica e motivante.

Além disso, o livro em si é a prova de que é possível trazer um material acessível de qualidade, visto que o título e o nome da editora estão também em braile na capa, tanto a capa quanto as imagens e as charges possuem descrições, e o livro ainda conta com um audiobook (livro falado) no formato de Cd.

Sabendo que Audiodescrição na escola é um livro que procura levar o conhecimento sobre audiodescrição para o âmbito escolar e universitário, gerando mais acessibilidade e inclusão, e levando em consideração a riqueza dos detalhes apresentados ao longo escrita de Motta, este livro é ideal para todos os profissionais envolvidos com o planejamento acadêmico, em especial os professores, que buscam levar a todos os estudantes um ensino de qualidade. Sua leitura também é recomendada aos profissionais do meio audiovisual, tradutores, bem como àqueles que possuam interesse em temáticas voltadas à acessibilidade ou que queiram conhecer mais sobre o assunto.

MOTTA, Lívia Maria Villela de Mello. Audiodescrição na escola: abrindo caminhos para leitura de mundo. 1. Ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2016.

Dicas de serviços sobre acessibilidade: Boletim da Acessibilidade Audiovisual

Leila Felipini

#pracegover #paratodosverem

Descrição da imagem: imagem da plataforma SoundCloud. Na barra de rolagem, aparecem as abas SoundCloud, Início, Stream, Biblioteca, Pesquisa, Entrar, Criar Conta e Upload nas cores preta, cinza e laranja. Na parte central, aparece uma seta branca dentro de um círculo laranja, ao lado estão escritas as palavras TraduSound, Boletim da Acessibilidade Audiovisual 84. No lado direito da imagem, detalhe das obras da exposição Toque, do artista plástico Helio Schonmann. Em branco, diversos autorretratos em relevo estão dispostos na parede e em uma coluna também na cor branca. 

O primeiro Boletim da Acessibilidade Audiovisual foi ao ar em março de 2019 para o programa Espaço da Inclusão, de Felipe Diogo, pela Rádio Paraty e retransmissoras. Atualmente, o programa é transmitido pela Rádio Teletema e retransmissoras, pelas Rádios Web, e fica hospedado no SoundCloud e no Megafono. Até o momento, foram publicados 84 boletins, e a edição de abril apresenta uma entrevista com o artista plástico Helio Schonmann, idealizador de diversas exposições de arte com acessibilidade para diferentes públicos. Entre elas, Exposição interativa “TOQUE”, a qual apresenta obras para serem vistas e tocadas.  Esse mesmo Boletim apresenta o quadro Peripécias de uma cega com Dayane Bubalo e uma entrevista com Graciela Pozzobon, do Festival Assim Vivemos, primeiro evento a ter audiodescrição no Brasil.

Ana Julia Perrotti é a idealizadora, redatora-chefe, entrevistadora e apresentadora. Atualmente, a jornalista Denise Aleluia está colaborando na prospecção de conteúdo e redação de algumas matérias. 

O temas dos Boletins estão relacionados à acessibilidade em geral. O foco principal é a audiodescrição, mas também há notícias sobre línguas de sinais, legendas, cursos na área, entrevistas com expoentes e ativistas das causas relativas aos direitos das pessoas com deficiência.

O processo de produção dos Boletins é colaborativo e a seleção do conteúdo é bastante orgânica. O Boletim recebe indicações de ouvintes e contatos de pessoas produtoras de conteúdo cultural, além de prospectar temas com base nas datas comemorativas (como Dia da Mulher, Dia do Cão Guia, Dia do Braille, Virada Inclusiva, entre outros).

Para conhecer mais sobre os Boletins da Acessibilidade Audiovisual, acesse 

https://tradusound.com.br/

Festival Assim Vivemos On line

Descrição da imagem: convite de divulgação com fundo cor de vinho. À esquerda em letras amarelas e brancas: 10 a 14 de abril. Assim Vivemos Online – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência http://www.assimvivemos.com.br . À direita, foto de uma mulher negra em uma cadeira de rodas com um sorriso largo. Ela é calva e usa óculos. Está com o braço esquerdo ao longo do corpo e o direito apoiado no braço da cadeira. Usa vestido amarelo com estampa de flores cor de laranja e azuis e bijuterias douradas. Abaixo da foto, escrito em branco: Mona Rikumbi é atriz, dançarina, enfermeira e ativista. Na parte de baixo do convite: Produção: Cinema Falado. Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil e Anaísa Raquel Produções. Patrocínio: Secretaria de Cultura e Economia Criativa , Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil – Governo Federal.

O Blog MATAV colabora com a divulgação do Festival Assim Vivemos on Line. Seguem as informações enviadas pelos organizadores do evento.

Histórias de vidas, de amores, dúvidas, aceitações e frustrações. Trajetórias que perguntam, que buscam pertencimento, soluções, espaços e trocas. O Festival Assim Vivemos Online apresenta um conjunto de filmes e debates transformadores. Uma experiência marcante que propõe a reflexão sobre a riqueza e a beleza da diversidade humana. Um lugar de propostas para a construção de uma sociedade mais diversa, compartilhada e interessante.

Nesta edição, que conta com recursos da Lei Aldir Blanc, serão exibidos filmes de diversos países, que marcaram as edições anteriores do Festival, além de dois filmes brasileiros inéditos. Um mosaico abrangente e rico de como as questões são abordadas em diferentes contextos e culturas. A programação ainda conta com debates e materiais didáticos divididos em quatro temas: Arte e Diversidade, Escola e Vida Independente, Vida Amorosa e Autonomia e Autismo e Neurodiversidade. Toda a programação conta com recursos de acessibilidade comunicacional, nesta edição que permitirá a ampliação do Assim Vivemos para pessoas de todos os lugares.

Realizado desde 2003, o Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, é o mais importante festival de cinema sobre o tema e foi o primeiro a disponibilizar o recurso da audiodescrição para pessoas cegas e de baixa visão no Brasil. Acontece de forma presencial no Centro Cultural Banco do Brasil, trazendo o melhor da produção audiovisual mundial e nacional sobre o tema, com a primordial participação de pessoas com deficiências em debates e oficinas.

Toda a programação no link https://assimvivemos.com.br/2021/online/

Livro falado

Matéria de Ana Laura Dias.


#ParaCegoVer: Na imagem, um headphone vermelho, conectado a um fio vermelho e com o interior acolchoado cinza, repousa sobre um livro aberto em uma mesa de madeira.

O livro falado surgiu como um recurso eficaz para viabilizar a acessibilidade no Brasil. Ele é uma tecnologia assistiva que serve para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com baixa visão ou cegas. Seu conteúdo, ao contrário dos audiolivros, é disposto por meio de leitura branca, ou seja, objetiva e sem dramatização por parte do ledor, possibilitando diversas interpretações da obra.

Esses livros também podem fazer o uso da audiodescrição, que consiste na tradução de imagens em palavras. Desta forma, todos têm acesso às informações fornecidas durante a leitura por meio de gráficos, imagens, desenhos etc. A audiodescrição é bastante encontrada em livros infantis, que fazem o uso frequente de imagens para contar partes da história.

O pioneiro do livro falado no Brasil foi o professor cego Beno Arno Marquardt, que inicialmente organizava um pequeno grupo de leituras de livros em Braile. Algum tempo depois, com ajuda da ledora Lenora Andrada, fundou o Clube da Boa Leitura, uma biblioteca de livros em áudio com sede no Rio de Janeiro. Entretanto, essa prática só foi popularizada a partir da década de 1980, com o surgimento das fitotecas, que eram espaços dentro de uma biblioteca que disponibilizavam parte do seu acervo em fitas cassete.

Atualmente, é possível encontrar um Livro Falado no formato de CD em diversas bibliotecas e instituições, como o Instituto Benjamin Constant e a Fundação Dorina Nowill Para Cegos, que disponibilizam o livro gratuitamente e enviam para todo o território nacional por meio dos Correios. O link do acervo de ambas as bibliotecas pode ser encontrado no final da publicação.

Conceitos chave:

Audiodescrição: Recurso que traduz imagens em palavras, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão consigam compreender conteúdos audiovisuais ou imagens estáticas

Ledor: Pessoa que empresta aos cegos e deficientes visuais através de sua voz a possibilidade da leitura de diferentes textos.

Tecnologia Assistiva: Conjunto de tecnologias, dispositivos, artefatos e programas que contribuem para que a vida em sociedade da pessoa com deficiência seja facilitada, melhorando suas habilidades funcionais para que ela tenha mais autonomia e inclusão.

http://www.ibc.gov.br/images/conteudo/DTE/DPME/2020/listagem-livros-falados-2020.pdf

http://www.dorinateca.org.br/agora/doc.cfm?id_doc=2072