Por Thalita Bianchini

Indicação de matéria publicada na coluna Techtudo do site globo.com. Autoria de Emanuel Schimidt.

 Estudantes criam protótipo de pulseira que traduz linguagem de sinais

 A pulseira que traduz linguagem de sinais

                Estudantes da Universidade da Ásia, com o intuito de facilitar a comunicação entre deficientes auditivos e pessoas que possuem audição, criaram o protótipo de uma pulseira, acompanhada de seis anéis, que traduz a linguagem de sinais para áudio e o áudio para a linguagem escrita.

A pulseira, batizada de Sign Language Ring, funciona da seguinte maneira: coloca-se a pulseira em um dos pulsos e três anéis em cada mão. Esses anéis possuem sensores de movimentos, que traduzem da linguagem de sinais para áudio, emitido pela pulseira em uma voz eletrônica. A tradução também acontece no caminho contrário. Quando uma pessoa fala, o microfone da pulseira capta o áudio e o converte para a linguagem escrita, que aparece em uma pequena tela de LED, na própria pulseira.

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                Os criadores do protótipo da pulseira, que foi inspirada nos colares budistas usados em orações, ganharam o prêmio de melhor design e conceito da Red Dot 2014, uma premiação de design realizada anualmente.

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                Por enquanto, a pulseira apenas traduz os sinais para a língua inglesa, e ainda não há previsão de lançamento. Seu protótipo está em exposição no Museu Red Dot, em Cingapura.

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“Acessibilidade na televisão brasileira”, programa Ver TV

Por Carol Molina

Para apresentação  de mais detalhes sobre acessibilidade para os meios audiovisuais e como as leis estão caminhando para a concretização de tal recurso segue a matéria “Acessibilidade na televisão brasileira” veiculada no programa “Ver TV” (TV Brasil).

O programa conta com a participação de Tuca Munhoz, filósofo e ativista dos direitos da pessoa com deficiência, Ana Júlia Perroti Garcia, tradutora e professora de audiodescrição e Paulo Romeu, deficiente visual, analista de sistemas e ativista dos direitos das pessoas com deficiência.

Em quase uma hora , a matéria apresenta vários tipos de recursos de acessibilidade, regulamentações e leis sobre os recursos e suas obrigações nos meios audiovisuais.

Cada um dos convidados relata em seus contextos específicos quais os avanços que temos tido no Brasil e os grandes desafios que ainda não foram alcançados.

Assista ao vídeo e se informe mais.

http://www.youtube.com/watch?v=i-i2WzEi6eg

Empresas de Acessibilidade de Mídias, por Carol Molina

A acessibilidade nunca foi tão difundida como atualmente. Tal recurso é de extrema importância e, quando se trata de meios audiovisuais, pode ser encontrada através de audiodescrições e legendagem para surdos. Hoje as mídias acessíveis devem promover diretrizes para que os deficientes não fiquem limitados às suas condições, pelo contrário, eles devem estar tão inseridos na sociedade e nas oportunidades e possibilidades que ela oferece quanto qualquer cidadão. Pensando nisso, a MIDIACE,  uma associação sem fins lucrativos de Belo Horizonte visa promover a acessibilidade para os diversos tipos de mídias.

 Contando com uma equipe formada por tradutores, audiodescritores e pedagogos, o grupo já realizou diversas audiodescrições para filmes, séries e seminarios como “Sr. E Sra. Smith”, “Comer, rezar e amar”, “Missão quase impossível” e o seriado Chaves.

A equipe da MIDIACE  produz diversos recursos de acessibilidade para mídias variadas.

 Entre no site do Midiace e saiba mais! http://www.midiace.com.br/index.php

Resenha do filme “Vermelho como o céu” por Ana Stamato

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Uma lição de vida!

Resenha de Ana Stamato

Há um tempo conheci o filme italiano “Vermelho como o céu’’ que retrata a história real de Mirco Mencacci, um renomado editor de som, com deficiência visual, da Itália.

Mirco, personagem apresentado no longa, sofre um acidente e perde a visão com 10 anos, com isso é obrigado a ir estudar num internato para deficientes visuais, pois na Itália dos anos 70 havia uma lei que proibia essas pessoas de frequentar a escola pública regular.
O garoto sempre foi apaixonado por cinema. Antes do acidente, seu pai o levava sessões de cinema e, mesmo depois que perdeu a visão, ele não deixou de gostar. Ele declara no filme que ainda entende a história porque há vozes e sons ambientes e foi por causa disso que Mirco começa a desenvolver o gosto pela edição de som.

No internato, ele descobre um gravador e começa a desvendar seus outros sentidos, principalmente a audição. Usa-o para representar sons da natureza, e com a ajuda de amigos constrói histórias fascinantes.
O problema é que o diretor do colégio, que também é cego, possui uma visão muito limitada sobre as condições dos garotos com a deficiência visual. Direcionava-os para serviços manuais como a tecelagem, o que infelizmente ainda retrata grande parcela da realidade atual.

Por isso, a história de Mirco é de superação. Ele não ficou limitado a sua condição, buscou seus sonhos se adaptando ao novo modo de vida.
Porém, além disso, hoje em dia a sociedade pode promover maiores condições de adaptação para os deficientes visuais como: a audiodescrição.
A audiodescrição é um dos grandes focos do nosso projeto. Com ela, podemos proporcionar maior vivência dos materiais audiovisuais. Imagine como é importante ter acesso não só ao conteúdo sonoro o filme, mas à descrição da cena?

Vamos lutar pela igualdade de direitos e oportunidades?!
Entre nesta luta com a gente!

Ficha Técnica

“Rosso como il cielo” (2006)

 Direção: Cristiano Bortone

 Roteiro: Cristiano Bortone, Paolo Sassanelli, Monica Zapelli

 Gênero: Drama

 Origem: Itália

 Duração: 96 minutos

 Tipo: Longa-metragem

 

Maicon Milanezi entrevista a tradutora Scheila Gomes

Por: Maicon Milanezi

Sheila Gomes, tradutora com 18 anos de experiência, especializada em localização de softwares e jogos e membro da ABRATES e da ATA, apresentou em sua entrevista para Maicon Milanezi, colaborador do Blog MATAV UNESP, um pouco sobre esse ofício que tem como objetivo adaptar culturalmente o texto em relação ao público alvo, adaptando de gírias, referências populares, até nomes de cidades e artistas. Ela também apresentou opiniões sobre o fazer tradutório nos dias de hoje e de sua importância como canal de acesso de pessoas que não dominam a língua estrangeira ao conteúdo de um o texto, produto ou empresa.    

 

Maicon: Em sua opinião, qual a maior mudança ocorrida no processo tradutório no decorrer do tempo? A contribuição da internet e dos softwares de memória alterou seu resultado final? Positiva ou negativamente?

Sheila Gomes: Comecei a traduzir nos anos 90, antes ainda do surgimento e da evolução da internet como meio de acesso e extensão de conhecimento que temos hoje, e acredito que essa foi a maior mudança. Com tantas fontes de informação e conteúdo disponibilizadas hoje, além dos vários programas de auxílio à tradução, tive que buscar qualificação tecnológica (o que fiz pela própria Internet) e ser uma pesquisadora mais criteriosa. Não vejo essas mudanças como boas ou más, mas como evolução do mercado e do próprio mundo do trabalho. As ferramentas podem oferecer um grande auxílio, se soubermos usá-las a nosso favor.

Maicon: Qual é o papel da tradução como intermediadora entre diversas culturas?

Sheila Gomes: A necessidade de comunicar-se de maneira clara e compreensível com povos em condições diversas de proficiência linguística mesmo em seu idioma nativo, o que dirá em idiomas estrangeiros, torna a tradução essencial para divulgar e vender produtos de maneira eficaz, comunicar ideias e fazer pontes entre povos, além de diminuir o isolamento que muitas vezes subjuga certas sociedades a costumes já extintos em outras culturas. E ainda que outros aspectos das culturas agora em contato com o restante do mundo também sejam afetados de maneiras não tão positivas, também há cada vez mais iniciativas de resgatar aspectos comprometidos por essa evolução, como a história e produção cultural.

Maicon: A tradução é uma forma de dar acesso a um texto para pessoas que não o compreende em sua língua original. Quais cuidados você — e qualquer outro tradutor — deve tomar para fazer com que esse leitor tenha a mesma experiência ao lê-lo?

Scheila Gomes: Trabalho com localização. Como a própria noção de localização surgiu da necessidade de adequar textos aos usos do idioma da cultura alvo, há esse cuidado em oferecer ao leitor a mesma experiência que os leitores no idioma de origem têm. Assim, há vários aspectos a levar em conta, desde normas ortográficas, costumes e outras regras de nomenclatura específicas da área do texto, até atentar para termos que não são encontrados na cultura alvo, considerados inadequados ou que possam ser interpretados de maneira diferente da intenção original.

Maicon: Como funciona o processo de localização?

Scheila Gomes: Localização é o processo de tradução cujo objetivo é adaptar culturalmente o texto em relação ao público alvo, tanto em relação às normas ortográficas (moeda, métricas, etc.) do país em questão quanto aos aspectos do uso do idioma em si: adaptação de gírias, referências populares, até nomes de cidades e artistas, por exemplo. É usada principalmente em websites e jogos, trazendo o texto/produto/empresa o mais próximo possível da realidade e do público local. Às vezes os textos vêm entremeados de comandos de programação, o que exige que o tradutor conheça um mínimo de sua sintaxe para reconhecer o que deve ser mantido igual ao original e não comprometer a integridade do programa.

Maicon: Com a difusão de cursos de idiomas, surgiram muitos diletantes e “críticos” de tradução, que pouco sabem do fazer tradutório, mas que sempre querem impor o que acham certo. Isso dificulta o trabalho do tradutor, pois o coloca como “traidor” do texto?

Scheila Gomes: As melhores traduções são aquelas em que o tradutor não “aparece” no produto final do seu trabalho, ou seja, o texto final deve parecer que foi escrito originalmente no idioma em que é lido. Mas essa “invisibilidade” acaba estendendo-se ao próprio tradutor e agindo contra nós, pois muito pouco é conhecido publicamente sobre as práticas da profissão. Algumas dificuldades criadas por essa situação são: a exigência de traduções “palatáveis” em detrimento das corretas (uma exigência de mercado, com a intenção de popularizar produtos e ideias) e o descrédito do profissional pela falta de clareza sobre os limites, exigências e condições de seu trabalho. São fatores que poderiam ser tratados com uma representação melhor dos tradutores na mídia e pela associatividade, o que poderia trazer uma compreensão melhor do seu trabalho ao público geral.

Maicon: O tradutor deve focar no público alvo de seu texto, suas exigências e expectativas, ou manter sua atenção ao que o texto base exige dele?

Scheila Gomes: Vejo o tradutor como uma ponte, que deve estabelecer uma conexão clara entre o autor e o leitor do texto. Assim, é necessário que o tradutor compreenda exatamente a intenção do autor com o texto, para tentar mantê-la na tradução, mas também leve o leitor em conta, adaptando as situações postas pelo texto original que só poderiam recriar a intenção original se forem expressas de forma talvez diversa da literalidade.

Maicon: Para finalizar, você acha que o fazer tradutório ainda tem muito a se desenvolver? Em quais aspectos?

Scheila Gomes: Sim, acredito que ainda temos muito a desenvolver, pois ainda vejo uma tendência em analisar a profissão e suas práticas por conceitos anacrônicos, que não levam em conta as condições postas pela evolução dos meios de criação e divulgação do conhecimento e da comunicação de maneira geral. Há iniciativas de uso das novas tecnologias para ampliar o alcance do trabalho do tradutor, mas creio que é preciso desenvolver uma comunicação mais ampla dentro do meio, entre os profissionais, estudantes e com o público leitor de tradução.

 

Acesse o blog no qual Sheila fala sobre a tradução e seus “nós”: https://tradutoraingport.wordpress.com/

Folha de São Paulo publica reportagens com recurso de áudio para portadores de deficiências visuais

Cada vez mais descubro recursos de acessibilidade adotados pela mídia brasileira. Ao buscar uma matéria da Folha de S. Paulo sobre a edição do  Festival Assim Vivemos em São Paulo, tive a grata surpresa de encontrar a janela de acesso ao áudio. Farei campanha para que os jornais bauruenses adotem este recurso. Segue o link da matéria e do áudio.

http://folha.com/no1353005