Matav se apresenta aos calouros da Unesp

Alunos são vendados e têm experiência imersiva
com a audiodescrição

Na última quinta-feira, dia 21/02/2019, o Matav realizou uma apresentação do projeto para os calouros da Unesp de Bauru, a fim de recrutar interessados em participar. Eles foram chegando aos poucos, achando seus lugares em carteiras dispostas em um semicírculo de frente para a tela de projeção. O curso de RTVI (Rádio, TV e Internet) foi representado em peso, com dezessete primeiranistas presentes. Uma única caloura de Jornalismo compareceu. Jorge Salhani, ex-aluno de Jornalismo, também marcou presença. Ele entrou no projeto em 2013, quando o Matav estava apenas começando.


#ParaCegoVer: Na foto, uma sala de aula com chão, cortinas e paredes brancas. Há estudantes sentados em carteiras dispostas em um semicírculo voltado para a lousa. Todos olham enquanto, no centro, a professora Lucinéa expõe algum assunto.

Lucinéa Villela, coordenadora do Matav, deu início à apresentação explicando os objetivos e área de atuação do Matav. Falou também de projetos já realizados pelo Matav, como a adiodescriçao e legendagem da websérie #E_VC?, legendagem de eventos de colação de grau na universidade, uma série de minidocumentários sobre estudantes deficientes na Unesp, entre outros.

A seguir, foi feita uma mostra de propagandas audiodescritas, como as da Natura. Por lei, as emissoras públicas de televisão precisam aumentar progressivamente seu conteúdo com audiodescrição: até 2020, todas as emissoras precisam ter 20h de sua programação com opção de audiodescrição. Embora as empresas privadas não tenham a mesma obrigação, elas têm se atentado cada vez mais ao público de pessoas com deficiências. Estima-se que haja cerca de 3,5% de brasileiros com deficiência visual, e 1,1% com deficiência auditiva. É uma fatia enorme do mercado que acaba sendo perdida, simplesmente porque as mensagens publicitárias não conseguem atingir esse público. Segundo Lucinéa, as propagandas acessíveis deverão ser um dos focos de estudo do Matav em 2019. 


#ParaCegoVer: Na foto, estudantes sentados em carteiras dentro de uma sala de aula. Eles usam máscaras cirúrgicas descartáveis cor-de-rosa para vendar os olhos. As luzes estão acesas, e alguns ainda não puseram as vendas, esperando o videoclipe audiodescrito começar.

A seguir, o Matav proporcionou uma experiência imersiva aos calouros. Foram distribuídas máscaras cirúrgicas descartáveis para que fossem usadas para vendar os olhos, e Lucinéa pôs para rodar uma versão audiodescrita do videoclipe “Flutua” (de Johnny Hooker e Liniker), produzida pelo Matav ao longo de 2018. A professora Suely Maciel emprestou sua voz para a produção, aproveitando os silêncios da música para encaixar uma narração do que era visto em tela. Sua voz se adequava ao ritmo e ao sentimento de ambas as narrativas, a lírica e a visual, se mesclando ao produto sem atrapalhá-lo. E, mesmo para aqueles que viam o videoclipe pela primeira vez, a visão acabou não fazendo falta. Suely nos conduziu pela história de um casal gay de surdos sinalizantes que, após uma noite de diversão com os amigos, acabam sofrendo uma violência movida pelo preconceito (uma forma de cegueira às vezes mais obstinada que a física). O medo da violência levou o casal a se afastar, mas acabam se reencontrando e se beijando, vencendo o medo e o ódio, sob o coro de Johnny Hooker e Liniker: Ninguém vai poder querer nos dizer como amar…


#ParaCegoVer: Na foto, o ambiente é uma sala de aula escura, exceto pela luz que penetra as frestas abertas da cortina e pela luz de um projetor. À esquerda, há vários alunos sentados em carteiras, com os olhos vendados. À direita, há uma tela onde é projetado o videoclipe audiodescrito da música “Flutua”. No momento da foto, o videoclipe mostra um close da cantora andrógina Liniker.

Com o fim do videoclipe, os alunos foram aos poucos tirando as vendas. Algumas estavam úmidas, e uma caloura admitiu estar emocionada. “Xiii”, alguém disse ao escutar a garoa lá fora. Nossos ouvidos ainda estavam aguçados. A chuva engrossou enquanto os presentes trocaram impressões sobre a experiência. A maioria dos calouros desconhecia a importância da acessibilidade para conteúdos audiovisuais. Jorge Salhani, que anda ocupado com a conclusão do mestrado, não tem podido participar ativamente do Matav, mas contou como sua passagem pelo projeto ajudou em sua formação humana e profissional, ampliando sua percepção sobre a comunicação. “Quando a gente fala de acessibilidade, geralmente se pensa sobre a estrutura dos espaços físicos, das ruas, dos transportes públicos”, comenta, “mas às vezes nos esquecemos de como os produtos culturais também devem ser acessíveis.”

Ter participado do Matav também foi um diferencial para que Jorge fosse selecionado para cobrir os Jogos Paralímpicos no Rio em 2016, como repórter dos jogos. Também despertou a sensibilidade para o assunto: conversou com os locutores da audiodescrição ao vivo e experimentou escutá-la ele mesmo. Também foi atrás de curiosidades sobre os recursos de acessibilidade no evento esportivo. Descobriu, por exemplo, que no goalball, esporte praticado por pessoas com deficiência visual, cerca de 70 dispositivos de áudio eram distribuídos a cada partida, para que o público cego pudesse ter a mesma experiência e emoção das pessoas videntes.

Finda a apresentação, os calouros e veteranos do Matav se dividiram em rodinhas para conversar, enquanto esperavam a chuva estancar. Eram conversas íntimas e agradáveis, de gente que acabara de se conhecer, e quem olhasse de fora poderia dizer que estávamos flutuando. 

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Entrevista com Fernando Botelho

Criador da organização F123, Fernando trabalha em função da inclusão dos deficientes visuais por meio da tecnologia

Fernando perdeu a visão ainda na adolescência e teve o privilégio de estudar sociologia nos Estados Unidos. No Brasil, criou uma empresa que produz software de baixo custo para pessoas cegas, contribuindo para a inclusão digital e social destas pessoas.

fernando

Juliana Gonzalez: Ao ler artigos sobre acessibilidade e tecnologia, esbarrei no termo “desigualdade social no acesso à informação”. Isto é uma realidade no Brasil?

 Fernando Botelho: Existe sim uma consequência grande da maior dificuldade de acesso à informação, porque a informação é importantíssima hoje em dia em todo contexto, desde a educação até o trabalho e a vida social. No caso específico das pessoas com deficiência, os fatores que contribuem para a perpetuação desse sistema desigual é incluir com um menor nível educacional. Na média, pessoas com deficiência têm uma menor escolaridade e, como consequência, menor qualificação para os ambientes de trabalho e afeta o sucesso profissional do indivíduo.

 Juliana Gonzalez: Quais fatores você acredita que perpetuam a exclusão digital, principalmente nos âmbitos comunicacionais como no jornalismo?

Fernando Botelho:  Dificuldades em acessar a informação devido à falta de tecnologia apropriada como leitores de tela para pessoas cegas, dificuldades pelo design inapropriado de páginas web e outros meios de comunicação que criam barreiras ao acesso a toda informação disponível. Então, mesmo quando a pessoa tem um leitor de tela, muitas vezes esse leitor de tela não consegue ler a informação pela forma com que foi desenhado o site. A complexidade dessas tecnologias é um impedimento também para essas pessoas.

Juliana Gonzalez: Quais mudanças você acredita que precisam ser feitas para que exista uma igualdade nesse sentido?

Fernando Botelho: Existem muitas coisas que poderiam ser mudadas e melhoradas, mas o principal seria exigir a acessibilidade na forma com que os conteúdos são criados na internet. Não é financeiramente  oneroso fazer com que todos os sites sigam as regras de acessibilidade da W3C , mas isso cria um impacto grande, porque tanto os leitores de tela mais simples, quanto os leitores mais caros poderiam ler de forma eficiente as informações nas páginas WEB. Hoje isso ainda é um problema sério.

Juliana Gonzalez: Qual a importância das Tecnologias Assistivas neste cenário?

Fernando Botelho: Tecnologias Assistivas são essenciais, elas têm que estar disponíveis. É necessário que exista competição nesse mercado, que existam várias opções, que existam versões gratuitas para que o usuário possa escolher a que se encaixa melhor nas condições e necessidades da pessoa. O governo tem que incentivar, no sentido de exigir que quem produz e quem divulga a informação cumpra com requisitos mínimos de acessibilidade. Porque, a partir daí, o resto do trabalho de disponibilizar isso fica a cargo de quem elabora as Tecnologias Assistivas. Pelo menos uma base mínima de acessibilidade tem que existir na mídia. Nesse sentido, não estou falando só de quem é cego, mas com qualquer tipo deficiência.

#PraCegover é incentivo para a acessibilidade nas redes sociais

 A partir deste mês o Blog do MATAV incluirá as descrições de imagens postadas nos posts. Adoraremos a #paratodosverem.

Leiam a matéria feita pela Juliana Gonzalez sobre o início da campanha #paracegover.

A criadora do projeto #PraCegover é a professora Patrícia Silva de Jesus, ou como prefere ser chamada, Patrícia Braille, especialista em educação especial na perspectiva da educação inclusiva. A iniciativa da professora baiana teve início em 2012 através da hashtag no facebook, que se espalhou pelas redes sociais e deixou muita gente curiosa. A ideia era fazer os videntes se darem conta de que as pessoas com deficiência visual também utilizam as redes e têm direito de acesso aos conteúdos visuais, já que os leitores de tela ou linhas de Braille leem apenas a parte textual. Desse modo incentiva-se a criação de legendas descritivas das imagens com a hashtag #PraCegover, tornando o seu conteúdo mais inclusivo.

 

  Em sua página do facebook, Patrícia dá algumas dicas valiosas para a descrição das imagens nas redes sociais:

  1. Coloque a hashtag #PraCegoVer.
  2. Anuncie o tipo de imagem: fotografia, cartum, tirinha, ilustração…
  3. Comece a descrever da esquerda para a direita, de cima para baixo [a ordem natural de escrita e leitura ocidental]
  4. Informe as cores: Fotografia em tons de cinza, em tons de sépia, em branco e preto [se a foto for colorida, não precisa informar “fotografia colorida”, porque você vai dizer as cores dos elementos da foto na descrição e a indicação ficará redundante. Se você já vai dizer que a moça está de casaco vermelho, ao lado de flores amarelas, não preciso dizer que a foto é colorida].
  5. Descreva todos os elementos de um determinado ponto da foto e só depois passo para o próximo ponto, criando uma sequência lógica.
  6. Descreva com períodos curtos [se posso falar com 3 palavras, não vou usar 5].
  7. Comece pelos elementos menos importantes, contextualizando a cena, e vá afunilando até chegar ao clímax, no ponto chave da imagem.

A imagem pode conter: 2 pessoas, tela

#PraCegoVer: Fotografia onde aparece o deputado Angelo Almeida ao lado da professora Patrícia Braille. Eles estão sentados na bancada do Plenarinho. Ao fundo, o slide projeta a marca Pra Cego Ver e um banner azul exibe a marca da Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência.

  Essa foi a solução encontrada para os conteúdos compartilhados nas redes sociais, mas e o resto da internet? Nos sites da Web nos deparamos com uma quantidade infinita de imagens, sejam elas essenciais ou decorativas, fotos, pinturas, logotipos, gráficos, etc. Toda informação que esses signos visuais contém ficam inacessíveis já que os recursos de Tecnologia Assistiva não fazem sua leitura, eles apenas transformam o texto em áudio, porém, se a imagem carregar um texto descritivo nela, o leitor já pode ter acesso a esse conteúdo. Para tornar o conteúdo do seu site acessível, é preciso fazer a descrição da imagem utilizando o texto alternativo. Esse recurso consiste em inserir a legenda descritiva “dentro” da imagem, passando com o mouse sobre a imagem, podemos ler o texto alternativo. Nas páginas Web, o texto alternativo é inserido no atributo “alt” do elemento <img>, já para documentos digitais, adicione a descrição em “propriedades da imagem”.

Venha conhecer o MATAV

MATAV

 

Algumas pessoas estão interessadas em saber sobre nosso MATAV.

Segue um pouquinho de nossa história.

O que é MATAV? Grupo de Pesquisa em Mídia Acessível e Tradução Audiovisual (Grupo cadastrado pelo CNPq)

Criado em 2013

Coordenado pela Profa. Dra. Lucinéa Marcelino Villela (Docente do Departamento de Ciências Humanas –FAAC- Unesp- Bauru)

Nossos objetivos:

– Estudar Tradução Audiovisual e recursos diversos de acessibilidade para pessoas com deficiências auditivas e visuais.

– Divulgar e debater projetos diversos que envolvam: acessibilidade artística e cultural, tecnologias e ferramentas que promovam a inclusão digital.

– Conscientizar a comunidade sobre produção audiovisual acessível.

– Organizar Simpósios, oficinas, cursos, feiras de inovação em acessibilidade, mostras de arte, design e cinema com recursos de acessibilidade.

– Treinar e capacitar todos (as) participantes  em legendagem e em técnicas para elaborar roteiros de audiodescrição

Quem pode participar?

TODA pessoa que tenha curiosidade, interesse e vontade de transformar um pouco o mundo e deixá-lo mais inclusivo e bacana para pessoas que possuem deficiências visuais e auditivas.

O Grupo MATAV é aberto para alunos de todos os cursos da Unesp, participantes externos do meio universitário ou curiosos em geral, ou seja, HÁ ESPAÇO PARA TODO MUNDO!

Atualmente estamos em busca de novos participantes.

Em 2018 estamos com propostas de projetos que deverão incluir alunos e profissionais de: Radialismo, Design, Relações Públicas, Tradução, Jornalismo, Pedagogia, Letras, Produção de audiovisual e Cinema, Tecnologia e Inovação.

Cinéfilos e viciados em séries, documentários e tecnologia em geral são super bem vindos também!

Quando e onde nos reunimos?

Quinzenalmente entre 17:30 e 19h no Departamento de Ciências Humanas (CHU) da Unesp/Bauru. Como o primeiro semestre de 2018 está começando, vamos consultar os interessados (as) para saber qual dia será melhor para a maioria. (Sigam no facebook nossa agenda de março https://www.facebook.com/Matav-1376405212602134/)

Projetos e Parcerias

Já fizemos muuuita coisa:

Sala Sense and Sensibility

 Webséries

 Fotodocumentário

Vídeos institucionais

Curta metragens

Feira de tecnologia em acessibilidade,

Simpósios, workshops e curso de extensão

Ebook: Acessibilidade audiovisual: produção inclusiva nos contextos acadêmicos, culturais e nas plataformas WEB

Parcerias:

 

ADAP

wpt

 

secretaria da cultura

 

OVNI Acessibilidade universal

 

GOSTOU? FAÇA PARTE DO MATAV EM 2018!

 

matav2013

Foto dos membros do MATAV em 2013. Evento Sense and Sensibility.

TV INES e Prodeaf – a tecnologia para fins educativos!

Os surdos estão cada vez mais conquistando seu espaço na sociedade brasileira. Um dos passos mais importantes se refere à TV INES, a primeira emissora para surdos do país. A TV INES criada pelo Instituto Nacional de Educação para Surdos tem como objetivo atender aos surdos do Brasil e conta com toda sua programação em Libras. A emissora é online atende a diferentes públicos em sua programação, desde o infantil ao adulto.

O site oficial da emissora é: http://www.tvines.com.br/

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Outra conquista importante é o Prodeaf, talvez um dos aplicativos mais úteis da plataforma Android e na Apple Store que auxilia na tradução da linguagem brasileira de sinais (LIBRAS). O aplicativo foi desenvolvido com o auxílio de 40 surdos e teve o apoio do CNPq e de empresas como Bradesco Seguros, Wayra (telefônica) e do Sebrae. O investimento foi de mais de R$500 mil para sua criação.

O aplicativo pode ser instalado no celular pelo Play Store ou pela Apple Store e tem como principal funcionalidade reconhecer a voz do usuário e traduzir do português para a linguagem de sinais. Isto é feito através de um avatar e conta também com um dicionário instalado com 3.700 palavras.

O aplicativo é gratuito, e está em desenvolvimento também para as versões  iOS e Windows Phone. É a tecnologia sendo utilizada para romper barreiras na comunicação.

Mais informações, acessem www.prodeaf.net ou curta a página no face https://www.facebook.com/prodeafLibras.

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