Pioneira em audiodescrição é uma da convidadas da XXI Jornada Multidisciplinar em Bauru

Matéria de João Batista de Carvalho e Silva Signorelli

Lívia Motta apresentará palestra que destaca a importância e os desafios da acessibilidade para pessoas com deficiência visual no Brasil.

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#pracegover #pratodosverem: Fotografia colorida de Lívia Motta. Ela está sorridente, usa óculos, batom vermelho claro, veste uma camisa branca e um colar com várias voltas metalizadas e em pedras. 

Nos próximos dias 16 a 18 de setembro, ocorrerá no Campus de Bauru da UNESP, a XXI Jornada Multidisciplinar – 2019, que terá como tema a Crise nas Humanidades: Inclusão e Resistência em Tempos de Retrocesso. Além das diversas atividades e apresentações de Comunicações, Oficinas e Projetos, a FAAC receberá convidados especiais que em palestras e conferências irão destacar diferentes facetas do tema da Jornada 2019.  

Dentre estes, destaca-se Lívia Maria Villela de Mello Motta, que além de ter mestrado e doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), é audiodescritora, formadora de audiodescritores, e diretora da empresa Ver Com Palavras, que realiza audiodescrições para diversos tipos de espetáculos, eventos, e produtos audiovisuais e editoriais.

Lívia é a pioneira nesse recurso de acessibilidade no Brasil, tendo sido responsável pela primeira audiodescrição de uma peça de teatro e de ópera, além de ter organizado a primeira obra sobre audiodescrição e acessibilidade cultural no país, o livro “Audiodescrição: transformando imagens em palavras”. 

Este ano o Blog do MATAV entrevistou a audiodescritora, na ocasião em que audiodescreveu o desfile de carnaval no Sambódromo do Anhembi (link: https://matavunesp.wordpress.com/2019/03/05/desfiles-no-anhembi-tem-camarote-com-recursos-de-acessibilidade/

No evento da FAAC, apresentará a palestra “Audiodescrição e inclusão cultural: aprendendo a expandir o olhar”.

A palestra/oficina de Lívia Motta objetiva discutir e oferecer oportunidades de reflexão sobre a audiodescrição, recurso de acessibilidade comunicacional e modalidade de tradução audiovisual intersemiótica, que possibilita a expansão do olhar, transformando imagens em palavras e ampliando, desta forma, o entendimento e a experiência estética de pessoas com deficiência visual em espetáculos, eventos e produtos audiovisuais por meio de informação sonora. Além do conceito e das diferentes possibilidades de aplicação, serão apresentados também os avanços e dificuldades da implementação do recurso no Brasil.

Ela será realizada na Quarta-Feira, 18 de Setembro, às 8h30, no Auditório Adriana Chaves (Central de Salas), na Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (FAAC), no Câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). 

 A palestra é gratuita e aberta ao público. 

Quem quiser receber CERTIFICADO deve fazer inscrição para a XXI Jornada Multidisciplinar na Secretaria do DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS (DCHU). Telefone (14) 3103-6064 

Há duas modalidades de  inscrições

Com APRESENTAÇÕES DE TRABALHOS de 22/08 a 05/09.

Para OUVINTES de 22/08 a 16/09.

Abaixo o link com todas as informações da XXI Jornada Multidisciplinar.

https://www.faac.unesp.br/?fbclid=IwAR1ABxS5QP5JCd_FtqD3P11VUHF6f0tFheo7ttrG4cXeTkAtxgMFy8WKpQ8#!/jornada-multidisciplinar-2019) .

Junho com Arte Acessível

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As férias de inverno estão quase chegando e para quem mora em algumas cidades do estado de São Paulo há boas oportunidades para assistir espetáculos com acessibilidade.

Encontrar uma peça ou exposição acessível tornou-se uma tarefa mais fácil nos sites brasileiros de divulgação cultural, basta prestar atenção em Tags ou ícones que indicam os recursos de Audiodescrição ou Libras, por exemplo.

No site do Itaú Cultural, para todos os eventos anunciados há as indicações dos recursos oferecidos para as pessoas com deficiência auditiva ou visual. Outro diferencial é a acessibilidade em LIBRAS que está disponível em todos os conteúdos da homepage por meio do aplicativo ProDeaf. A pessoa surda poderá entender todas as matérias em LIBRAS, basta clicar no ícone do aplicativo e, em seguida, selecionar trecho a trecho do texto e uma intérprete virtual traduz em Língua Brasileira de Sinais o conteúdo que está em português.

O MATAV indica duas peças com recursos de acessibilidade que estarão em cartaz em junho e que são produzidas com apoio do Itaú Cultural.

https://www.itaucultural.org.br/

Chiquita Bacana no Reino das Bananas

Fotografia colorida de cena da peça Chiquita Bacana no Reino das Bananas. Na imagem, atores a atoras vestem preto. Colocam as mãos cruzadas sobre o próprio peito e olham para o lado.

#paraCegoVer #paraTodosVerem (descrição da imagem) Foto colorida de atores do grupo Folias d’Arte. Todos os atores estão vestidos de preto, eles estão em pé em um círculo. Na frente da foto está uma atriz de cabelos curtos, de cor avermelhada, ela usa óculos e está com os braços e mãos cruzados cobrindo seu peito. A foto tem fundo preto. (fim da descrição)

A peça de Reinaldo Maia apresenta a história de uma menina que é acusada de comer uma banana no Reino das Bananas.  O reino, que é comandado pelo Rei Leonino e por seu grupo de girafas e gorilas, possui outros animais que estão perdendo suas funções sociais. O desfecho da peça é decidido pelo público.

O grupo Folias d’Arte foi formado em 1997 e seus espetáculos tratam dos problemas da sociedade contemporânea. O grupo já recebeu cerca de 50 prêmios, incluindo os prêmios Shell, APCA e Molière.

Serviço: Chiquita Bacana no Reino das Bananas [com interpretação em Libras e audiodescrição].

Itaú Cultural São Paulo

Endereço: Avenida Paulista 149 São Paulo SP – [Estação Brigadeiro do metrô]

Sábados 22 e 29 e domingos 23 e 30 de junho de 2019 às 15h [nos dias 29 e 30, o espetáculo conta com audiodescrição] [duração aproximada: 60 minutos] Sala Multiúso (piso 2) – 70 lugares

 

Joaquim, o Fusca que Contava Histórias

#PraCegoVer #PraTodosVerem. (descrição da foto) Fotografia colorida com quatro atrizes encostadas na frente de um fusca branco em uma praça. Elas vestem vestidos rosa, amarelo, azul e laranja e seguram uma faixa longa feita de tecidos coloridos. Sorriem para a câmera. (fim da descrição)

Um projeto itinerante de contação de histórias que usa como base de transporte e fonte de causos um tradicional Fusca branco de 1978, chamado Joaquim. Assim é “Joaquim, o Fusca que Contava Histórias”,  projeto criado pelo gRUPO êBA!, que de 9 a 11 de junho irá percorrer as cidades de São Luiz do Paraitinga, Taubaté e São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba.

A intervenção consiste na apresentação de um espetáculo inédito, A Menina das Meias Vermelhas, seguida de um convite para que o espectador entre no Fusca e, sentado no banco do motorista, compartilhe a própria história, protesto ou o que tiver vontade de contar. A equipe artística é composta de três contadoras de histórias ouvintes que utilizam a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e de uma contadora surda. Todo o espetáculo será acompanhado por elementos percussivos e visuais, e narrado em Libras e português simultaneamente.

Serviço: Joaquim, o Fusca que Contava Histórias

domingo 9 de junho de 2019 às 14h30
Largo do Rosário [apresentação aberta ao público]
São Luiz do Paraitinga, SP

segunda 10 de junho de 2019 às 14h
Emief Anna dos Reis Signorini [apresentação fechada para alunos]
Jardim Jaraguá, Taubaté, SP

terça 11 de junho de 2019 às 15h30
Emef Profa Maria Aparecida dos Santos Ronconi [apresentação fechada para alunos]
R. Ana Gonçalves da Cunha, 400, Jardim Jussara, São José dos Campos, SP

[livre para todos os públicos]

O esplendor do cinema

Filme japonês revela a sensibilidade na audiodescrição

Matéria: Bruna Tastelli

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#ParaCegoVer: Foto colorida apresenta uma sala com cerca de vinte carteiras escolares. Há vários jovens sentados, alguns estão olhando para uma tela de projeção de filmes, outros conversam descontraídos. Uma das jovens entrega um saco de pipoca de embalagem vermelha para sua colega. Ela está vestida com uma camiseta preta com a logomarca do MATAV e shorts.

No dia 10 de abril, o CineMatav exibiu o filme Esplendor (2017) na sala de projeção da biblioteca da Unesp Bauru. Com muita pipoca e olhares atentos, os alunos que compareceram puderam adentrar no universo da audiodescrição, tema central do filme de Naomi Kawase.

O longa se inicia com uma narração em off que descreve as cenas de uma típica cidade grande: muita agitação nas ruas, carros barulhentos e pessoas seguindo o fluxo cotidiano. A narradora é a audiodescritora Misako Ozaki (Ayame Misaki), que faz consultoria com grupos de deficientes visuais para avaliar o seu trabalho. Misako tem um olhar atencioso a tudo que a cerca na tentativa de descrever o mundo com precisão para aqueles que não podem enxergar. No entanto, tal precisão é questionada por Masaya Nakamori (Masatoshi Nagase), um fotógrafo que frequenta o grupo e está perdendo sua visão gradativamente.

O que incomoda Masaya é a suposta interferência pessoal de Misako na audiodescrição de um filme durante uma sessão-teste, como se ela estivesse forçando sensações nos ouvintes por meio de uma percepção particular das emoções dos personagens. Em meio a críticas do fotógrafo, que está frustrado com a cegueira cada vez mais próxima, a audiodescritora busca aprimorar seu trabalho enquanto lida com a mãe que precisa de cuidados especiais. A relação entre os dois protagonistas sustenta a narrativa até o fim, desencadeando em um romance pouco convencional.

A diretora Naomi Kawase utiliza a câmera em primeiro plano na maioria das cenas, de forma que o espectador veja detalhes importantes que passariam despercebidos em um plano mais aberto. Ela também acertou em cheio nas cenas em que a perspectiva utilizada foi a da câmera Rolleiflex que o fotógrafo Masaya manuseava, fazendo dela seus olhos e seu coração.

Conhecida por trazer sensações e emoções em seus filmes, Kawase concretiza a experiência de Esplendor com uma trilha sonora impecável e um jogo de luzes muito presente – como o reflexo de um prisma ou o do sol forte que ilumina o rosto de Misako e sua mãe –, o que explica o nome do filme.

A coordenadora do Matav, Lucinéa Villela, conta que a escolha do filme para a primeira sessão do CineMatav do ano foi para mostrar esse mundo tão pouco explorado no cinema, mas ao mesmo tempo tão próximo: “A maneira como a protagonista é retratada é muito fiel ao ofício de audiodescrição. De fato, os audiodescritores trabalham com consultoria em instituições de pessoas com deficiência visual”, comenta Lucinéa.

Costumo anotar algumas frases dos filmes que vejo e a frase mais impactante de Esplendor foi dita por uma das integrantes do grupo de deficientes visuais: “O cinema ‘vive’ em um mundo vasto e frente a essa vastidão nossas palavras são pequenas, mas não devemos desprezá-las”.

Desfiles no Anhembi têm camarote com recursos de acessibilidade

Evento conta com audiodescrição e interpretação
dos sambas de enredo em LIBRAS.

Matéria: Bruno Ferreira
Entrevista: Lucinéa Villela

#ParaCegoVer: Na foto, as audiodescritoras Lívia Motta e Marisa Pretti estão em uma cabine de vidro no Camarote da Cidade, no Sambódromo do Anhembi. As duas estão com camisetas pretas com logotipo laranja no peito esquerdo, em forma de peão. Há um microfone e um computador à frente de cada uma. As duas olham atentamente para fora da cabine. Lívia aponta com o dedo chamando a atenção de Marisa. (Foto: Raoni Reis)

Nos dias 1 e 2 de março, as empresas “Ver com Palavras” e “As Meninas dos Olhos” se uniram numa parceria para audiodescrever os desfiles das escolas de samba em São Paulo, no Sambódromo do Anhembi. Os profissionais fizeram a audiodescrição dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial — que, em uma analogia com o futebol, é a “Série A” do Carnaval paulistano.

Os recursos de acessibilidade ficaram disponíveis no Camarote da Cidade, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED). Para os surdos, havia um telão projetando a interpretação em LIBRAS dos sambas de enredo. As pessoas com deficiência visual, por sua vez, receberam aparelhos receptores de áudio e fones de ouvido, por onde escutavam a audiodescrição. Os aparelhos funcionavam em todo o perímetro do camarote, de modo que seus usuários pudessem transitar livremente pelo espaço. A audiodescrição ainda foi transmitida ao vivo pelo Facebook, na página da SMPED, permitindo que pessoas do Brasil inteiro tivessem acesso ao desfile.

O blog do MATAV entrevistou Lívia Motta, diretora da empresa “Ver com Palavras”. Ela explica que não basta reunir profissionais experientes no dia do evento, porque a audiodescrição envolve muito mais do que simplesmente articular em palavras o que veem os olhos. É preciso um preparo especial: “O Carnaval é um evento vibrante e intenso, que, tal qual um musical ou uma ópera, exige um conhecimento específico, um mergulho no enredo de cada escola para a elaboração dos roteiros. O acesso às informações, entretanto, torna-se mais difícil devido à confidencialidade, à necessidade de absoluto sigilo. Também o dinamismo e estruturação da apresentação de cada escola impõem um ritmo diferenciado à elaboração de roteiros e narração. Com relação à narração, destacamos a importância de se colocar entusiasmo na voz para estar dentro do clima deste gênero de apresentação.”

A equipe, composta por seis audiodescritores e um consultor com deficiência visual, se empenhou em levantar informações sobre cada uma das catorze escolas que desfilariam nas noites de sexta e sábado. Eles tiveram cerca de quinze dias para ver os ensaios no sambódromo, falar com os dirigentes e componentes das escolas, estudar a história e a terminologia do Carnaval. A empresa “As Meninas dos Olhos” fez a audiodescrição do Carnaval nos dois últimos anos e o consultor Laercio Santanna já havia assistido ao Carnaval com acessibilidade no ano anterior, o que foi fundamental nesse estágio.

#ParaCegoVer: No Camarote da Cidade, quatro pessoas com deficiência visual estão sentadas, vestidas com camisetas amarelas e usando aparelhos receptores e fones de ouvido. Da esquerda para a direita, estão um homem sorridente de barba grisalha pressionando o fone sobre a orelha com uma das mãos, uma senhora de cabelos castanhos, um homem de boina e uma moça de tiara amarela. (Foto: Raoni Reis)

Lívia Motta relatou que este ano houve menos ingressos para o Camarote da Cidade, apenas 20 convites foram disponibilizados para as pessoas com deficiência visual: “Contamos com a presença de aproximadamente 15 pessoas com deficiência visual no primeiro e no segundo dia de desfile”, afirma a audiodescritora.

Mesmo assim, a recepção pelo público tem sido animadora. Alessandro Silva, jovem com deficiência visual, é ritmista e desfilou na bateria da Acadêmicos do Tucuruvi, na sexta-feira. Na noite seguinte, no sábado, ele esteve no Camarote da Cidade, para assistir pela primeira vez a um desfile com audiodescrição. Ele assistiu o tempo todo com o recurso e adorou. “Não sabia nem que existia isso,” disse animado. Alexandre Toco, administrador de empresas, também se empolgou com a audiodescrição: “É minha primeira experiência de muitas,” ele diz. “Totalmente diferente assistir o Carnaval aqui, é outra energia e a gente viaja com a audiodescrição. Tomara que todo mundo possa ter essa experiência. Vale a pena demais.”

#ParaCegoVer: Na foto, sete pessoas abraçadas posam sorridentes para a câmera. Elas estão no Sambódormo do Anhembi. Da esquerda para a direita: Fátima Angelo, Rosângela Fávaro, Marisa Pretti, Andréia Paiva, Laercio Santanna, Lívia Motta e César Tunas. Laercio, o consultor da equipe, usa uma camisa polo vermelha com listras horizontais brancas. Os demais integrantes do grupo usam uniforme preto com logotipo laranja em forma de peão no peito esquerdo. (Foto: Raoni Reis)

Segue o depoimento completo de Alexandre Toco:

DESEJOS PARA 2019!

O grupo MATAV continuará a defender em 2019 o direito ao acesso irrestrito e igualitário a todo conteúdo audiovisual para pessoas com deficiências visuais e auditivas.

Nossa forma de RESISTÊNCIA contra o preconceito, ignorância e intolerância sempre será produzir cada vez mais legendas descritivas, audiodescrições e diversas formas de acessibilidade para nossos usuários e parceiros.

Desejamos a todos um Novo Ano repleto de coragem, alegria e disposição para tornar o mundo audiovisual cada vez mais inclusivo.

 

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#PraCegoVer: Na primeira fotografia colorida há oito membros do MATAV no meio do palco do Teatro Municipal de Bauru. Todos estão vestidos com camisetas pretas de manga curta com a logomarca do MATAV no centro da camiseta. O grupo todo sorri e olha para frente. À direita da imagem há uma cortina preta e no fundo, à direita do grupo, aparecem alguns instrumentos de percussão.
Na segunda fotografia colorida há nove jovens com vendas pretas que sorriem para fazer pose para uma selfie. Eles estão em pé, alguns gesticulam as mãos para a câmera em uma sala de aula com paredes brancas e carteiras ao fundo.

ARSAD 2019 Advanced Research Seminar on Audio Description (TransMedia Catalonia- Barcelona)

De 19 a 21 de março de 2019 ocorrerá o 7º ARSAD (Advanced Research Seminar on Audio Description) em Barcelona.

Organizado pelo grupo de pesquisa TransMedia Catalonia, o evento tem se destacado por promover debates e troca de experiências entre pesquisadores, audiodescritores, produtores audiovisuais e usuários de AD de vários continentes.

Todas as atividades do ARSAD serão na  Residència de Investigadors (C/Hospital, 64, 08001 Barcelona).

Abaixo o link do evento.

http://grupsderecerca.uab.cat/arsad/

Acessibilidade é o tema da Semana do Tradutor/2018 – Unesp/IBILCE

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A tradicional Semana do Tradutor, organizada anualmente pelos alunos e professores de Tradução da Unesp de São José do Rio Preto terá como tema este ano: ˜Caminhos da acessibilidade: o papel sociocultural da tradução”.

Nossa querida colega Bell Machado estará por lá falando de audiodescrição.

Curtam, participem e inscrevam-se!

 

https://38semanadotradutor.wixsite.com/unesp

 

 

 

Carnaval para todos: audiodescrição na Sapucaí 2018 Entrevista com Graciella Pozzobon

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Graciella Pozzobon é atriz, audiodescritora. Foi premiada como melhor atriz por sua atuação no documentário Cão Guia (1999).

O audiodescritor para descrever o Carnaval tem que ter mil olhos, porque ele tem que ver ao mesmo tempo muitas coisas (Graciella Pozzobon)

 

MATAV: Qual tipo de preparo ou treinamento que você e a equipe da Lavoro Produções fazem para audiodescrever o Carnaval no Rio de Janeiro?

Graciella: Um dois maiores desafios para nosso treinamento sempre é a questão do sigilo, as escolas de samba entregam muito pouco o jogo. E com isso a gente trabalha com o mesmo material que vai para as emissoras, as informações das escolas, do samba enredo, das alas, da estrutura da escola, o número de componentes etc. Nós não temos informação antecipada, as nossas contratações são feitas em cima da hora, dois ou três dias antes do evento.

Na primeira vez que fizemos a audiodescrição do carnaval do Rio de Janeiro, descrevemos todo o Sambódromo, a história da construção do local, da escultura do Niemeyer, fizemos uma descrição bem detalhada das arquibancadas e da estrutura física da passarela. Ou seja, a gente estuda os temas das escolas e os enredos. O carnaval tem uma questão muito subjetiva, a questão do nome da ala com a descrição dos detalhes ajuda muito a compreender o que está sendo passado naquele desfile. Temos que ir desvendando o que o carnavalesco quis dizer.

Para a preparação da AD do Carnaval em 2011, assistimos os DVDs dos desfiles dos anos anteriores e fomos treinando e ensaiando essa descrição. Foi uma coisa bastante engraçada, foi difícil fazer pela primeira vez, ainda mais na televisão.

No carnaval nós ficamos em uma cabine com visão privilegiada, isso ajuda muito a ver cada detalhe. Nós vemos a escola passar a dois metros de distância, é muito diferente de ver por uma tela, mas o treinamento com DVDS foi muito útil para nós entendermos a dificuldade que é descrever aquele imenso universo visual que é muito vasto e complexo de um desfile de escola de samba.

MATAV: Em 2018 houve algum desafio muito grande na AD do Carnaval da Sapucaí?

Graciella: Os desafios são constantes, pois é um espetáculo que tem muito imprevisto. Neste ano, no primeiro dia do desfile no Rio de Janeiro (domingo) estava um calor muito forte e muitas pessoas passaram mal desfilando.

E como a cabine de AD no Sambódromo fica na dispersão, na apoteose, a gente vê a escola chegando e finalizando o seu desfile. O que é muito bonito porque a gente vê a emoção dos componentes, a exaustão dos componentes e do pessoal que trabalha empurrando os carros. Vemos a emoção da diretoria toda ao vivo.

É um lugar muito legal, muito melhor, por exemplo, do que o início do desfile, onde está todo mundo certinho e tenso.

Enfim, neste ano muitas pessoas passaram mal e nós víamos os bombeiros, os componentes passando mal, sendo levados em cadeiras de rodas. Também apresentamos essas informações aos usuários. O audiodescritor para descrever o Carnaval tem que ter mil olhos, porque ele tem que ver ao mesmo tempo muitas coisas, por isso que trabalhamos em dupla porque um vai auxiliando o outro. Pois um vai auxiliando o outro e cada um vê uma coisa. Um pode ver o diretor da escola abraçado, chorando, por exemplo, e isso tudo também é descrito. Todas essas informações de bastidores, que é uma coisa muito incrível, a gente tem ali na nossa frente e na TV nós não temos esse tipo de informação. Só apresentam informações se há acidente ou um carro que quebra. Os imprevistos acontecem toda hora no evento ao vivo.

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MATAV: E sobre a emoção de trabalhar em um evento como este?

Graciella: É tão emocionante você estar na avenida, ouvir o samba, você fica envolvido naquela atmosfera do carnaval que por si só é muito arrepiante. O audiodescritor não precisa enfeitar ou trazer alguma carga de emoção pessoal porque o espetáculo sozinho já é muito poderoso. Mas é inevitável para o profissional trazer no tom da voz a emoção de ver aquelas coisas grandiosas e maravilhosas. A emoção não está exatamente na informação, ela está no tom do audiodescritor, por estar ali naquele lugar vendo ao vivo aquela informação visual tão mágica e tão incrível. Isso é o que eu acho que faz a audiodescrição ser tão empolgada, porque a gente não fica imune a esse impacto que o desfile causa.

MATAV: Vocês conseguem ter feedback dos usuários? Quais são?

Graciella: Conversamos praticamente com 100% das pessoas. Ficamos em um setor da prefeitura do Rio de Janeiro para pessoas com deficiência em geral: pessoas cadeirantes, cegas, surdas, com deficiências intelectuais variadas, dessa forma temos acesso a essas pessoas. Como é um trabalho de muitas horas, a gente chega por volta das 19h horas, o desfile começa às 21h e termina 6h da manhã, temos acesso a essas pessoas por muitas horas.

Nós sempre fazemos um registro em vídeo do trabalho de entrevistas com eles, para justamente ter esse retorno. Com isso nós conversamos de um a um, ao longo daquela noite toda, entrevistando e perguntando sobre a experiência com AD. Temos dois vídeos registrados, o de 2011 e o de 2016 (Youtube) e estamos acabando a edição do vídeo deste ano e são arrepiantes os depoimentos deles. Essas pessoas dizem: “Hoje eu vi”.

Há muitas pessoas cegas que são foliões, que vão à Sapucaí desde sempre e antes de ter a AD, eles ficavam apenas com o samba. Eu digo “apenas” porque comparado com a informação que eles têm com a AD é pouca coisa. Mas se formos pensar em termos gerais, é muito, porque o desfile é muito potente para quem está ali do lado.

É muito incrível você estar ali e ouvir a bateria passar. Ouvimos os depoimentos dessas pessoas que já iam à Sapucaí sem ter a experiência com a AD e passam a ter a descrição de todos os detalhes do início ao fim e percebemos como a AD é transformadora e maravilhosa para eles.

 

Carnaval para todos: audiodescrição na Sapucaí 2018 Entrevista com Lara Pozzobon

O carnaval do Rio de Janeiro é considerado um dos maiores eventos ao vivo do mundo. Uma grande festa que deve oferecer a toda e qualquer pessoa a possibilidade de ser inserida e incluída sem nenhuma barreira seja arquitetônica, de comunicação ou sensorial. Apresentaremos aqui no Blog duas entrevistas feitas pelo grupo MATAV com as profissionais da Lavoro Produções, equipe que realiza desde 2011 a audiodescrição (AD) ao vivo do Carnaval da Sapucaí.

 

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Lara Pozzobon é Doutora em Literatura Comparada (Literatura e Cinema) e produtora de cinema. A proprietária da Lavoro Produções é considerada pioneira e especialista em produção de eventos acessíveis, trouxe ao Brasil o Festival Assim Vivemos (Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência), primeiro festival brasileiro que ofereceu três recursos de acessibilidade sensorial em suas sessões (audiodescrição, legendagem para surdos e ensurdecidos e LIBRAS).

MATAV: Há quanto tempo a Lavoro Produções está envolvida com a AD do Carnaval no Rio de Janeiro?

Lara: A Lavoro Produções está envolvida com as audiodescrições no Carnaval do Rio de Janeiro desde 2011. A primeira vez que realizamos AD foi em 2011, depois em 2016 e este ano (2018) conseguimos novamente ser contratados para o serviço. Destaco que houve várias tentativas de aprovação da AD em todos os outros anos, mas não houve sucesso no diálogo com a equipe da RIOTUR.

 

MATAV: Quais os maiores desafios de fazer a AD dos desfiles de carnaval?

Lara: Há dois desafios: Reunir as informações e articulá-las com a descrição propriamente dita do que o audiodescritor está vendo. Ter a equipe escolhida para fazer esse trabalho, pessoas com conhecimento amplo de cultura e de elementos cênicos de Carnaval.

O maior desafio na primeira vez foi dar conta da quantidade enorme de informações que vem simbolizada em cada escola, em cada carro alegórico, em cada ala e em cada fantasia. Existe toda uma simbolização e quem assiste apenas a escola e não leu sobre o assunto ou não assistiu os comentaristas falando, não percebe e fica assistindo sem entender bem. Só pelo samba a gente não compreende todas as fantasias.

O mais difícil foi reunir todas as informações antes do desfile, porque boa parte das informações é sigilosa, são liberadas um dia antes ou no próprio dia do desfile. Depois que passa aquele momento do sigilo, a RIOTUR distribui para todos uma publicação com o resumo de todos os detalhes das escolas. Se a gente só descrevesse o que estivéssemos vendo, sem usar esse recurso não daríamos às pessoas com deficiência visual condições de igualdade para com os demais foliões que estão lendo o informativo. Então nós usamos as informações contidas nele para intercalar essas informações de simbolizações, de nomes das pessoas ou de algum outro detalhe histórico relacionado, que seja relevante para incrementar a descrição pura e simples do que estamos vendo passar na frente da cabine de AD. A gente usa as informações mais organizadas e sistematizadas para alinhavar com a descrição pura da imagem.

Outro desafio é fazer uma escalação apropriada para o gênero da audiodescrição. Escalar uma equipe que já tenha conhecimento ou capacidade de compreender rapidamente e saber identificar o que é mais relevante naquela imagem para fazer este trabalho.

Na minha equipe eu tenho dois carnavalescos, pessoas que amam o carnaval, que tem blocos e são atores. São pessoas que chegam com um entendimento da festa que é muito valiosa.

Na nossa equipe todos os audiodescritores são atores e geralmente entendem muito de figurinos, de tecido, de texturas, de elementos cenográficos, de todo o tipo de objetos cênicos e conhecem também muito a cultura brasileira, porque circulam na área, estudam e já têm o conhecimento. Aqui no Rio de Janeiro escolhemos atores-audiodescritores que já tivessem conhecimento de Carnaval, de personalidades, de pessoas conhecidas. Devem conhecer as celebridades, as personalidades ou a velha guarda de cada escola, as pessoas que estão passando ali na frente da cabine de AD.

 

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MATAV: Este ano quantos usuários foram pedir para ouvir a AD?

Lara: Nas três ocasiões em que fizemos AD, os ingressos foram distribuídos com aproximadamente 30 ou até 60 dias de antecedência do Carnaval e não se sabia se haveria AD. Eles são distribuídos antecipadamente para instituições de pessoas com deficiência das mais variadas. Como mencionei, a RIOTUR só nos contrata em cima da hora, com dois ou três dias de antecedência, infelizmente. Ou seja, a presença das pessoas com deficiências visual no Setor 13 não tem relação nenhuma com ter ou não ter divulgação da AD. Eu sempre digo que seria bom que isto seja decidido desde antes. De qualquer maneira, em 2018 tivemos um público de 20 a 30 pessoas em todas as noites que fizemos o trabalho.

MATAV: O que é necessário para que eventos como o Carnaval sempre tenham acessibilidade com qualidade e profissionalismo?

Lara: É importante que a sociedade em geral, o poder público e a mídia saibam que a AD é um direito do cidadão, como outros direitos que todo cidadão tem. A acessibilidade com qualidade e profissionalismo abarca várias questões, desde as licitações que nem sempre garantem a qualidade dos profissionais envolvidos e até questões peculiares do Brasil.

Seria interessante se as pessoas tivessem acesso ao hall de profissionais que já possuem experiência na área e sabem fazer de forma eficaz a AD. Valeria a pena conversar com profissionais experientes e não tão experientes de forma aberta para troca de informações. Em países desenvolvidos como o Japão, situações emergenciais são tratadas rapidamente sem a demora que envolve licitações e a burocracia que faz com que ações como a AD só sejam inseridas de última hora em eventos como o Carnaval.

 

 

Venha conhecer o MATAV

MATAV

 

Algumas pessoas estão interessadas em saber sobre nosso MATAV.

Segue um pouquinho de nossa história.

O que é MATAV? Grupo de Pesquisa em Mídia Acessível e Tradução Audiovisual (Grupo cadastrado pelo CNPq)

Criado em 2013

Coordenado pela Profa. Dra. Lucinéa Marcelino Villela (Docente do Departamento de Ciências Humanas –FAAC- Unesp- Bauru)

Nossos objetivos:

– Estudar Tradução Audiovisual e recursos diversos de acessibilidade para pessoas com deficiências auditivas e visuais.

– Divulgar e debater projetos diversos que envolvam: acessibilidade artística e cultural, tecnologias e ferramentas que promovam a inclusão digital.

– Conscientizar a comunidade sobre produção audiovisual acessível.

– Organizar Simpósios, oficinas, cursos, feiras de inovação em acessibilidade, mostras de arte, design e cinema com recursos de acessibilidade.

– Treinar e capacitar todos (as) participantes  em legendagem e em técnicas para elaborar roteiros de audiodescrição

Quem pode participar?

TODA pessoa que tenha curiosidade, interesse e vontade de transformar um pouco o mundo e deixá-lo mais inclusivo e bacana para pessoas que possuem deficiências visuais e auditivas.

O Grupo MATAV é aberto para alunos de todos os cursos da Unesp, participantes externos do meio universitário ou curiosos em geral, ou seja, HÁ ESPAÇO PARA TODO MUNDO!

Atualmente estamos em busca de novos participantes.

Em 2018 estamos com propostas de projetos que deverão incluir alunos e profissionais de: Radialismo, Design, Relações Públicas, Tradução, Jornalismo, Pedagogia, Letras, Produção de audiovisual e Cinema, Tecnologia e Inovação.

Cinéfilos e viciados em séries, documentários e tecnologia em geral são super bem vindos também!

Quando e onde nos reunimos?

Quinzenalmente entre 17:30 e 19h no Departamento de Ciências Humanas (CHU) da Unesp/Bauru. Como o primeiro semestre de 2018 está começando, vamos consultar os interessados (as) para saber qual dia será melhor para a maioria. (Sigam no facebook nossa agenda de março https://www.facebook.com/Matav-1376405212602134/)

Projetos e Parcerias

Já fizemos muuuita coisa:

Sala Sense and Sensibility

 Webséries

 Fotodocumentário

Vídeos institucionais

Curta metragens

Feira de tecnologia em acessibilidade,

Simpósios, workshops e curso de extensão

Ebook: Acessibilidade audiovisual: produção inclusiva nos contextos acadêmicos, culturais e nas plataformas WEB

Parcerias:

 

ADAP

wpt

 

secretaria da cultura

 

OVNI Acessibilidade universal

 

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Foto dos membros do MATAV em 2013. Evento Sense and Sensibility.