PAPO COM LEGENDA Episódio 06 – Memórias do MATAV


Episódio especial: MATAV com Vinícius Laureto, Luís Miguel e Sofia Vasconcelos

Transcrição: Ana Laura Dias, Daniela Souza, Letícia Santos, Luiza Hidalgo

LUCINEA:

Olá! Bem-vindo, bem-vinda e bem-vinde ao sexto e último episódio da primeira temporada do nosso podcast “Papo com Legenda”. Eu sou Lucinéa Villela, sou uma mulher de 51 anos, sou baixa, tenho cabelos castanhos curtos e encaracolados, meus olhos são castanhos também e uso óculos. Estou sentada em uma cadeira em frente à mesa de meu escritório,e estou gravando em meu notebook.

ANIELE:

E eu sou a Aniele, sou uma mulher de 27 anos de cabelos cacheados na altura do ombro, da cor castanha e olhos também castanhos. Eu meço 1,65 de altura, eu estou no meu quarto, sentada na frente do meu notebook.

LUCINEA:

Durante toda a nossa temporada, recebemos especialistas em recursos acessíveis para mídias audiovisuais e usuários que também atuam no meio profissional. Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre o grupo de pesquisa do qual o Papo com Legenda faz parte. 

Neste episódio especial, receberemos ex-membros do MATAV. Contaremos um pouco da história de como começamos, das perspectivas de cada um dentro do projeto e como o MATAV agregou dentro e fora da graduação de cada um.

ANIELE:

É com muita alegria que trazemos esse episódio! E com certeza os entrevistados terão muita coisa para falar. 

Eu por exemplo, estou adorando minha experiência no MATAV, que foi meu primeiro grupo de pesquisa e eu procurei muito por isso na minha graduação. E eu tenho certeza de que eu achei o grupo certo para mim. Além de todas as oficinas e palestras que o grupo me proporcionou, que me ajudaram a entender as questões de acessibilidade e melhorou o meu olhar empático sobre a causa, eu tive a oportunidade de me portar como designer, a profissão que eu almejo e ser vista como tal.

Gente, que experiência louca que foi tudo isso.

Mas antes de começar o papo com nossas convidadas e convidados, vamos para o nosso último “Legenda aí pra mim”

Criado em 2013, o grupo de pesquisa Mídia Acessível e Tradução Audiovisual, MATAV, surgiu com o intuito de agregar estudantes e pesquisadores da área de comunicação que possuem interesse em acessibilidade no audiovisual.

Os recursos de acessibilidade que os membros do MATAV estudam são audiodescrição, legendagem para surdos e ensurdecidos e outros recursos como dublagem e voice-over. Sempre focando na inserção da pessoa com deficiência visual e auditiva ao meio audiovisual. 

O projeto conta com 8 anos de história e nesse período muita coisa bacana foi realizada e parcerias muito boas foram estabelecidas.

Um exemplo disso é a websérie “#E_vc?voltada para o público juvenil, abordando os processos que todos passamos durante nosso desenvolvimento. A série foi elaborada pela 8KA produções e tem como protagonista Flora Paulita, dubladora de diversas séries da NETFLIX.

Outro projeto de destaque foi o fotodocumentário “A ditadura militar na perspectiva dos deficientes visuais”, produto autoral do MATAV, lançado em 2014, ano em que vários eventos foram realizados no Brasil para debater os 50 anos da Ditadura Militar em nosso país.

O MATAV também implementou o recurso de legendagem descritiva nas colações de grau dos cursos da FAAC, na UNESP de Bauru, durante os anos de 2017 e 2018.

Além desses projetos, o MATAV também realizou diversas oficinas e recebeu em Bauru muitos profissionais brasileiros em acessibilidade que colaboraram com a formação de nossos alunos e alunas. 

Por fim, são muitas as atividades que o MATAV tem produzido ao longo dos anos, contribuindo nesta longa jornada que é a acessibilidade.

LUCINEA:

É isso, aí, Aniele. Foi uma história muito bonita do MATAV, um grupo de pesquisa que eu iniciei em 2013 com alguns alunos do Curso de Radialismo (hoje RTVI), e na época contamos com a participação de alunos de Jornalismo, de alunos de Tradução da USC de Bauru. Foi muito bacana esta contaminação pela acessibilidade. Hoje nós temos ex-alunos que moram até fora do Brasil, mas que deixaram lembranças muito boas para gente até pensar nessa reunião de ex-membros do MATAV.

ANIELE: 

É isso aí, Lucinea! No próximo bloco, contaremos com os ex-membros do MATAV num bate-papo sobre a experiência deles no projeto!

Vamos para um breve intervalo e voltamos já!

WALESSON:

Acompanhe o Instagram do nosso podcast em @papocomlegenda para saber quando saem os novos episódios e no @matav_unesp para ficar por dentro das novidades e notícias sobre acessibilidade.

LUCINÉA: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos! Agradeço de coração por vocês terem aceitado participar desse episódio especial do Papo com Legenda, que é o último da primeira temporada. Essa é mais uma maluquice que eu inventei e outros malucos e malucas toparam, e nem dá para saber como a gente começou, mas sabemos que deu certo e estamos terminando super bem.

Eu pedi para que vocês participassem representando várias fases do MATAV e da história dele, que começou em 2013.

O Vinícius é dessa geração e acho que a pessoa que mais ficou ativamente no MATAV, de 2013 a 2017. Então, o Vinícius tem essa história marcante de vários projetos!

Também chamei a Sofia, porque ela representa um trio que eu amo demais, que era o Guri, a Sofia e a Giovana. Eles eram bolsistas na época e a Sofia participou de várias ações.

E o Luís, que é da terceira geração, se assim a gente pode chamar, e representa o curso de Design. É uma história bem bacana. Depois ele vai contar um pouquinho de como ele está atuando hoje.

Acho que nós temos que agradecer muito essa inserção do Design, porque desde que alunos do Design entraram para o MATAV, eu percebi que a gente não consegue mais viver sem esse tipo de profissionais. Eles fazem toda a diferença.

Então, antes de mais nada, eu vou me audiodescrever, porque a gente sempre faz isso no início dos episódios. Depois, eu vou pedir para que vocês três se audiodescrevam, e aí eu começo com o Vinícius.

Eu sou uma mulher branca, sou baixa, tenho 51 anos e os cabelos curtos e castanhos. Também tenho olhos castanhos, uso óculos e estou sentada em frente ao meu computador, no meu escritório. No fundo, há duas estantes um pouco bagunçadas, e estou vestindo uma camiseta preta. Passo para o Vinícius se audiodescrever.

VINÍCIUS: Olá, pessoal, tudo bem? Eu sou o Vinícius, sou homem, minha pele é branca, meus cabelos são curtos e pretos e eu uso óculos. Eu acho que se você olhar para o meu rosto, o que mais vai chamar atenção é o nariz, que é um pouquinho maior. Eu tenho uma barbichinha bem rala e falo que tenho uma barba rala, mas mais falo do que tenho. Eu estou com uma camiseta azul meio verde, entre os tons, e no fundo, tem uma lousa e um móvel azul com uma televisão em cima. 

LUCINÉA: Sofia, você pode se audiodescrever?

SOFIA: Posso sim. Eu sou uma mulher branca e tenho cabelo castanho ondulado, na altura dos ombros. Eu uso óculos redondo e estou vestindo uma camiseta cinza. Atrás de mim tem uma parede branca, alguns quadrinhos redondos com bordado e a cabeceira da minha cama.

LUCINÉA: Agora o Luís.

 LUÍS: Oi, gente! Eu sou um homem de pele bege clara, tenho cabelos cacheados bem volumosos e pretos, olhos pretos, lábios espessos e rosto fino. Eu estou usando uma camiseta de cor rosa.

LUCINÉA: Perfeito! Então, agora vamos começar o papo com algumas legendas, com o Vinícius. Como eu já adiantei um pouquinho e já dei um spoiler, o Vinícius teve essa história de participar ativamente do início do MATAV, lá em 2013, e muitos alunos de Radialismo, como era chamado o curso de Rádio, TV e Internet na época, acharam legal quando eu falei de audiodescrição e legendas para surdos e vieram me procurar.

E eu acho que o Vinícius vai contar algumas histórias, e é interessante ressaltar que a turma dele foi a que teve mais greve. Acho que isso, embora atrapalhasse academicamente a vida de muita gente, permitiu que você fizesse parte de tantos projetos. E, talvez, um paralelo que a gente tenha hoje a isso seja a pandemia, que embora tenha estragado a vida acadêmica regular de todos os alunos da UNESP, foi a época que mais tivemos alunos dentro do MATAV. Então, você pode fazer esse paralelo, porque eu acho que isso não passa batido pela sua turma.

Eu não lembro se foram duas ou três greves que vocês tiveram, mas vocês falavam que eram a turma que as greves nunca terminavam. E, só para citar, o Vinícius participou do “#E_VC?”, que é uma web série que está disponível em nossas plataformas; do “Armadilha”, uma outra web série muito engraçada que ele ajudou na acessibilidade; projeto “OBEDUC”, no qual teve uma bolsa CAPES, do nosso DVD acessível que foi “Incluindo Samuel” e do “Parole”, o seu aplicativo. E aí eu passo a bola para você, que a ideia é você falar um pouquinho da sua história com o MATAV.

VINÍCIUS: Claro, obrigado, professora. Vocês vão me ouvir chamar a Lucinéa de professora, porque eu sou acostumado a chamá-la de professora desde o primeiro dia. Obrigado também aos membros do MATAV pelo convite, é muito legal ver o projeto continuando desde 2013.

Daqui a pouco dá para falar que tem 10 anos, eu estou ficando velho. Mas é muito legal ver que tem dado certo, tanto pela pesquisa do MATAV, essa questão de acessibilidade, quanto por ser um projeto na universidade pública que está funcionando nesse momento, que é muito complicado. Então, ver um projeto desses existindo há tanto tempo, sendo relevante e uma fonte de conhecimento e de informação, além de estar se modernizando, como levando para um podcast, é muito legal.  Fiquei muito feliz mesmo pelo convite.

Eu comecei lá no MATAV em 2013, e eu lembro que quando a professora apresentou a proposta do MATAV para a gente, acho que foi na segunda ou terceira semana de aula, minha turma era totalmente de bichos. E, em Rádio, Tv e Internet, a gente andava com umas plaquinhas com o seu apelido que tínhamos recebido, eu inclusive tinha até perdido a minha, e a professora estava já estava comentando sobre a ideia do MATAV. Ela falou que a reunião seria naquela tarde, para quem quisesse, e nós nos reunimos no observatório de direitos humanos da UNESP, e eu quis participar e conhecer mais. Eu já tinha visto na televisão uma vez um filme com audiodescrição, fuçando na televisão, vendo aquelas configurações de áudio, mas não sabia direito o que era.

E aquele foi o momento de ligar as coisas, então eu fui conhecer o MATAV e entrei lá em 2013 e saí em 2017, por causa do que a professora comentou, sobre as greves. A minha turma pegou três greves: uma em 2013, que começou em junho e deve ter acabado em agosto ou setembro de 2013; uma em 2014 que começou mais ou menos no mesmo momento, mas acabou lá para outubro e depois uma em 2016, que durou mais ou menos o mesmo período, e nisso eu nunca tive um semestre normal na faculdade. Eu entrei em 2013, e lembro que a greve começou faltando mais ou menos um mês para o final das aulas, e esse um mês foi refletir lá em novembro, e assim foi indo. Em 2015 nós fizemos três semestres no mesmo ano, foi uma loucura, e as aulas acabaram em março e a colação aconteceu em maio de 2017. Então, nesse período inteiro eu estava ali, em volta do MATAV, e foi um momento muito legal isso.

Tentando ver um lado positivo dessa pausa, a greve possibilitou que a gente trabalhasse em muitas coisas, porque agora a gente tinha tempo para usar. Eu não me lembro se foi no primeiro ou no segundo semestre, mas a gente fez a sala “Sense and Sensibility” também

LUCINÉA: Foi no primeiro, e foi linda! Conta dessa sala!

VINÍCIUS: Foi muito legal! A gente pegou uma sala mesmo, durante a Jornada Multidisciplinar, na UNESP, e fizemos um caminho dentro da sala em que as pessoas passavam por vários recursos de acessibilidade, e elas também tinham algumas sensações, como coisas relacionadas ao olfato e à textura, e algumas partes eram relacionadas à audiodescrição.

LUCINÉA: Foi a apresentação da web série, que a Flora Paulita veio.

VINÍCIUS: Exatamente! Foi quando já tínhamos terminado os episódios do “#E_VC?”, e a Flora veio para acompanhar. A gente tinha vários notebooks, era uma gambiarra tremenda para ligar quatro, cinco, fones, um do ladinho do outro. O que é algo que a gente jamais faria agora, em uma pandemia; uma pessoa encostada no ouvido da outra para assistir o vídeo. Mas, até então, nós tínhamos tido a experiência de fazer audiodescrição, e quem consumia eram pessoas videntes. Então, era muito complicado, porque o pessoal falava que conseguia entender, mas entender vendo é diferente. E ali foi o momento em que a gente levou o pessoal do Lar Santa Luzia.

LUCINÉA: Isso, a escola Santa Luzia! Foram uns 20 membros!

VINÍCIUS: Foi bastante mesmo, todos assistiram e foi muito legal! Eu lembro que um dos episódios tinha uma piada que era extremamente visual, não me lembro a piada, mas era no primeiro episódio, e embora o timing da piada fosse um pouquinho diferente, porque para o público que enxergava a piada vinha um pouquinho antes, para o público que era cego a audiodescrição descrevia a piada, e todo mundo ria! Todo mundo riu uns três segundinhos depois, porque esperaram a audiodescrição falar, mas todo mundo riu. Foi demais! Foi muito legal a sensação de ver aquilo funcionando.

LUCINÉA: Foi um feedback instantâneo do usuário, foi a risada!

VINÍCIUS: Foi! E eu não estava esperando isso, pois acho que de tanto assistir o vídeo a gente não sentia mais graça na piada. Mas foi um feedback instantâneo. Foi muito legal e divertido. Depois a gente continuou com os projetos, fizemos o “#E_VC?”, para o qual fizemos todas as legendas e a audiodescrição, e que foi para o Youtube. Na época, a gente pesquisava jeitos de poder subir isso e pensava qual seria a melhor forma: “Ah! A gente vai colocar um áudio separado a mais? E como a gente faz quando tem que descrever muitos personagens?”. Era muito no começo, a gente estava aprendendo mesmo. A gente pensava: “Nossa, mas a gente pode passar uma cartela antes explicando quem são as personagens. A gente sempre tentava achar mais jeitos de colocar mais informação no áudio. Então era bem interessante.

Depois, a gente fez o “Armadilha”. O “Armadilha” foi muito engraçado, porque tinha episódios icônicos, daqueles que você olha no original e tem um milhão de visualizações na internet. A gente falava: “Gente, como é que vai ser a descrição disso?” Era muito engraçada a criação dos roteiros.

LUCINÉA: E a gente ainda precisa subir o “Armadilha” para o Youtube. Eu preciso localizar onde está tudo. O “Armadilha” tem a questão do erotismo, não é? Ele tinha um episódio em que a gente ria muito e pensava em como fazer a descrição, já que não podia ter pudor na audiodescrição. Muito legal isso, não é Vinícius?

VINÍCIUS: Sim! Eu lembro que era muito engraçado gravar o “Armadilha”, porque tinha palavras que a gente nunca pensava em ouvir em uma audiodescrição. As vezes de cunho mais sexual ou alguma coisa assim. E nisso a gente tentava gravar a audiodescrição da forma mais neutra o possível e ficava todo mundo no estúdio rindo da outra pessoa que estava gravando. Eu acho que era a Ana quem estava gravando as falas na época e eu estava me segurando para não rir e atrapalhar ela.

LUCINÉA: A saudosa Ana Beatriz, que está em algum lugar da Europa. Ela fez muita coisa com você.

VINÍCIUS: Sim, a Ana fez. Agora ela está na Irlanda. Inclusive, nós fizemos juntos dois DVDs acessíveis.

LUCINÉA: Sim, dois! “Inclusive Elas”, que é um projeto muito lindo. E o “Incluindo Samuel”, que é um projeto americano, para o qual recebemos verba para fazer a acessibilidade e o DVD acessível.

VINÍCIUS: Sim! O “Incluindo Samuel”, tem ainda uma história que é engraçada. Ele fez parte de um dos meus projetos da bolsa de Iniciação Científica com a bolsa da CAPES na OBEDUC, já no último ano, em 2016, e eu queira muito publicar o material feito. A gente tinha feito um DVD, na época em que DVD e Blue-ray era algo muito relevante, e inclusive até uma pauta que a gente queria trazer acessibilidade até para alguns meios digitais de streaming, que é uma coisa um pouco enrolada às vezes. Mas a gente queria mostrar e é um DVD super acessível, pois você andava pelo material e tinha no menu uma voz: “Iniciar filme; configurações”. Ele vinha já habilitado com tudo de acessibilidade e depois você ia desabilitando. Então, ele era um material que tentava facilitar ao máximo a inclusão.

Então, eu queria escrever e achei um Simpósio na UEL. Eu falei: “É ali”. Mas era aquela coisa: “Olha, as inscrições fecham em uma semana”. E eu falei: “Meu Deus, tenho que escrever em uma semana esse texto”. Lá tinha a modalidade painel. Assim, na modalidade de texto era preciso enviar trinta e tantas páginas, na modalidade painel eram dez páginas e tinha o cartaz. Então, eu falei: “Ah! Sem dúvidas o painel”. Peguei e mandei minha inscrição e o meu texto. Então, veio a devolutiva da universidade, de quem estava organizando: “Olha, a gente gostou muito do seu texto! Não tem como você inscrever ele na modalidade de texto mesmo, ao invés do painel?”. Dois dias para acabar o prazo. Falei: “Poxa, tem sim, mas eu preciso de mais umas semanas para eu conseguir escrever”. Aí eles perguntaram quantas semanas eu precisaria e eu pedi umas duas: “Ah, me deem mais umas duas semanas e eu acho que consigo”. Eu ainda enrolei mais um mês, mas falei: “Não, tudo bem, eu consigo, eu envio”. Eu ainda lembro que era algo como espaçamento um, fonte onze e aí eu falei: “Meu Deus, nada me ajuda a gerar volume nesse texto!”.

LUCINÉA: Põe uma imagem!

VINÍCIUS: É, a gente usava umas figuras, não tinha mais quem citar! Mas eu acabei mandando. Chegou no dia – eram dois dias de evento e eu sabia que minha apresentação era no segundo dia – e eu estava pronto para chegar para mais um evento de universidade no qual você apresenta em uma sala e conversa com o público que está ali naquela sala.

Eu cheguei e não encontrei meu nome nem na sala um, nem na sala dois e nem na três. Falei: “Gente, esqueceram de mim ou alguma coisa assim”. Sentei-me no auditório, abri o notebook e comecei a vasculhar on-line para saber: “Ah, as vezes está errado, não imprimiram alguma coisa”. Acabei encontrando meu nome no auditório, minha palestra iria ser as quatro horas e trinta da tarde e já eram onze hoje horas da manhã em Londrina. Então, eu falei: “E agora? Eles me colocaram no auditório, como vou apresentar isso?” E era um Simpósio sobre Educação Inclusiva e todos iam falar de Libras. Esse foi um momento interessante, pois ele aconteceu em 2015 e nesse ano se falava muito em Libras quando se falava de inclusão. Porém, não havia menção no Simpósio à audiodescrição e legenda, então, eu falei: “É aqui que eu vou atacar!” E eu falei isso já abrindo o Power point, falando assim: “Ah, agora eu tenho que fazer uma palestra para as quatro horas e trinta da tarde e eu não sei o que vou falar”. Eu só sei que eu tinha meia hora de grade, mais ou menos, e eu devo ter falado uns dez minutos.

Acho que eles anteciparam pela primeira vez o coffee break ou alguma coisa assim. Mas eu consegui e eu levei isso. Foi muito legal de ver o pessoal, professores e professoras da rede pública, conhecendo a audiodescrição e conversando comigo no coffee break falando que tinham alunos que eram cegos ou surdos e que não legendavam os vídeos para eles, mas que escreviam mais ou menos no caderno deles o que o vídeo queria dizer, ou alguma coisa assim: “Ah, o vídeo que eu passo é todo legendado em português, porque é um vídeo internacional, mas a minha aluna é cega e ela não fala inglês”. Então, eu falei: “Mas tem a dublagem para isso”.

E aí, o pessoal percebeu o quão inacessível eram alguns recursos de audiovisual que eles levavam para a educação. Então, isso foi legal. Assim, foi desesperador para mim o fato de ter que fazer uma palestra em dez minutos. E eu devo ter falhado muito nisso, porque eu falei dez minutos em uma grade de meia hora. Mas foi muito legal o feedback do pessoal em perceber e falar: “Nossa, e estou levando vários materiais que não são acessíveis”.

LUCINÉA: Eu sabia da história do Congresso, porque acho que depois entrou para mim como publicação, mas eu não sabia dessa tensão e de participar de um evento que não é da área do audiovisual, mas sim da área de educação. Isso é importante, pois você vê quantas não conheciam na época os dois recursos.

LUCINÉA: Agora, Sofia! Que ingressou em 2018, se eu não estou enganada, e teve um outro percurso. Ainda era o curso de Radialismo, ainda não era o curso de Rádio TV e internet. E aí a gente teve um projeto de extensão aprovado e, também, algumas bolsas naquele ano, então, essa foi a possibilidade de a Sofia, o Walesson, que é o Guri, e a Geovana fazerem parte. Mas a Sofia tem também umas histórias que você poderia contar um pouquinho para a gente sobre, como, por exemplo, o projeto que você fez sobre legendagem que você apresentou em um Congresso de Iniciação Científica. Sobre a Colação Acessível, você participou em não sei se mais de uma edição, não é Sofia?

SOFIA: Eu acho que a que participei foi a última.

LUCINÉA: Certo. E é uma experiência muito bacana, mas, infelizmente, a gente deixou de ter isso. E então, conte-nos das suas experiências no MATAV.

SOFIA: Eu entrei no MATAV em 2018, como a professora falou. Inclusive, eu estava trabalhando com o “Flutua”, que vocês revisaram agora. Nas reuniões, a gente debatia bastante sobre a audiodescrição, principalmente sendo um videoclipe. A professora sempre falava que isso era algo novo para nós, então eram muitas discussões que abriram meus olhos para muitas coisas.

Como bolsista, eu trabalhava bastante com a legendagem. Inicialmente, eu precisei ler bastante sobre o assunto, o que me ensinou coisas que eu nem se quer sabia que existiam e que são extremamente necessárias. Você percebe que existem regras e técnicas para tudo dar certo, porque senão vira uma bagunça. Por isso, testávamos de tudo, como o ritmo e o que seria escrito, porque a legenda não é uma transcrição integral do áudio. Enfim, precisávamos encaixar muitos elementos e acho que isso era um grande desafio.

Legendamos uma parte da entrevista do Dr. Drauzio Varella feita pelo Caco Barcelos e eu lembro que a Geovana e eu fazíamos a legendagem da forma mais utilizada no Brasil e o Walesson fazia no padrão europeu para ver a recepção das legendas, já que ambas usam recursos diferentes para identificar as pessoas e efeitos sonoros. Nós queríamos entender qual era o mais bem recebido e talvez iniciar uma conversa para provocar mudanças, caso fosse outro que não o mais comum no país. Então fizemos isso toda semana, sempre com a orientação da professora, e depois que terminamos de legendar a minutagem que precisávamos para o trabalho, fizemos um forms e recebemos mais de oitenta respostas, muito além do que esperávamos. Ficamos muito animados e felizes! Foi muito interessante ter esse retorno, porque todos que participaram da legendagem são ouvintes, então não tínhamos como nos certificar da qualidade das legendas. Muitas coisas que não percebemos ou pensamos chegou até nós e, por isso, é importante esse teste de recepção para todos os recursos de acessibilidade.

Lemos todas as respostas, anotamos as informações importantes e comparamos para saber qual legenda foi mais bem recebida, que nesse caso foi a que utilizou o padrão brasileiro. Começamos a prestar atenção na fonte da letra, por exemplo, a qual usamos a que já estava configurada no software. Trocamos as cores, mas não pensamos em contraste, aumentar a borda, colocar algo atrás e, por isso, foi muito apontada nesse feedback. Então, foi importante para percebermos muitos detalhes.

Acho que apresentamos o trabalho na Semana do Tradutor da Unesp de Rio Preto. Foi isso?

LUCINÉA: Sim, vocês foram para Rio Preto antes de ir para o CIC. Verdade. Conta do Ibilce, porque agora temos um monte de alunos de lá aqui no MATAV.

SOFIA: Que legal! Nós viajamos para Rio Preto e apresentamos o trabalho com um cartaz. As pessoas paravam e ouviam as nossas explicações sobre todo o processo e vimos bastante interesse delas sobre isso. Foi uma experiência diferente para mim, pois eu nunca tinha apresentado um trabalho acadêmico. Achei legal não guardar o trabalho só para nós, apenas testar e não fazer nada além. Estávamos levando o debate para uma faculdade de Tradução e a legendagem e a audiodescrição são partes dessa área. É importante que se tenha acesso a isso, ainda mais num espaço onde se forma tradutores. Além disso, foi muito divertido, uma experiência nova, pois conhecemos outro campus da Unesp.

LUCINÉA: E então veio a colação de grau. Parece ficcional falar disso, não é? Conta como foi. Só quem participou dessas colações, assim como o Vinícius, consegue descrever. Para nós era emocionante!

SOFIA: A colação de grau foi outra grande experiência que eu tive com o MATAV, porque era feita em parceria com a Web TV, que fazia a transmissão ao vivo e, como eu também fazia parte da TV, consegui ter as duas experiências da melhor forma. Minha função foi transmitir as legendas na hora, além de participar na produção delas com o Walesson e a Geovana. Fazíamos a legendagem ao vivo e, embora os textos fossem enviados com antecedência, era preciso ter muito jogo de cintura, muito feeling. Era uma grande emoção por ser ao vivo. Tínhamos pouco tempo de preparação, então era uma correria para separar quem legenda e você tem que estar lá na hora.

Quando se é gravado em vídeo, você tem o tempo, o software, no qual podemos revisar tudo. Na hora é diferente, recebemos os discursos previamente e separamos em legendas conforme os números de caracteres por linha e outras regras também importantes, mas precisa ser passado ao vivo, pois o evento está acontecendo e é inevitável que haja improvisações, já que as pessoas se deixam levar pelas emoções e acrescentam mais coisas. Então, deixávamos as legendas prontas em slides e outros sem para esses casos. Tínhamos que prestar muita atenção e agir com calma. Quando alguém dava uma pausa, já era possível saber se iria seguir o texto ou não. Eram grandes emoções e foi muito divertido. Acho que foi a minha primeira transmissão ao vivo e uma grande experiência.

Fico triste em saber que não tenham mais esses recursos, porque são muito importantes não só para quem está se formando que precisa de legenda, mas também um familiar, um amigo que quer assistir à colação e tem todo o direito de presenciar esse momento, assim como qualquer outra pessoa. Então é triste que não tenha mais isso.

LUCINÉA: Obrigada, Sofia! Você comentou algo muito importante a respeito da inclusão. Além da pessoa presente no evento, quem estava recebendo isso pela transmissão da FAAC TV poderia precisar das legendas também. Já havia a interpretação em LIBRAS, mas a gente sabe que não é toda pessoa com deficiência auditiva que a entende, então sempre queríamos e defendíamos os dois recursos.

É legal a Sofia lembrar também que, na época, ela já participou do roteiro de audiodescrição do “Flutua” e a partir daí eu já faço um gancho com o Luís, porque ele também participou desse projeto, e agora já estamos na terceira geração que fez uma revisão da audiodescrição e das legendas. Eu passo então a palavra para você, Luís, falar um pouco da sua experiência. Eu acho que você entrou no MATAV em 2018, não é? Foi uma época boa. Eu nem lembro como você ficou sabendo da gente. Foi pelo Facebook? Conta para o pessoal.

LUÍS: Exatamente, Lucinéa. No semestre anterior, eu tinha feito uma disciplina sobre design inclusivo com uma amiga, que me recomendou o grupo. Em 2018, ela viu uma publicação no Facebook do MATAV e ela compartilhou comigo, me disse que poderia ser algo do meu interesse, o que realmente aconteceu. Eu mandei uma mensagem pela rede social para vocês, perguntando se eu poderia participar, a qual a Lucinéa me respondeu. Na época havia muitos estudantes de Rádio/TV e Jornalismo, enquanto eu era a única pessoa do Design até então.

Era um assunto diferente, porque eu comecei a conhecer os recursos de audiodescrição e de legendagem para surdos e ensurdecidos no MATAV. Não eram pautas que a gente abordava no curso de Design propriamente. Então foi muito interessante, aprendi muito.

O projeto de audiodescrição do clipe “Flutua”, que foi uma das primeiras coisas que fizemos juntos, foi uma experiência muito engrandecedora. Aprendemos muito sobre vocabulário e estratégias, por entender o que as pessoas pensam e como podemos audiodescrever uma imagem, seja ela estática ou em movimento. Foi um processo muito interessante! E começamos com um videoclipe, que é um produto audiovisual desafiador também, porque a música toca a maior parte do tempo. Sempre ficamos no dilema sobre inserir a descrição enquanto o áudio tocava. Eu lembro também que discutimos bastante sobre respeitar os pronomes das pessoas, pesquisar para se referir a elas corretamente, porque também tinha a ver com a abordagem que o próprio clipe trazia e a sua narrativa, além da LIBRAS que aparecia no vídeo por tratar sobre pessoas surdas. É um clipe muito rico tanto na história que ele desenvolve, como nas diferentes abordagens que precisamos ter para torná-lo acessível. Então foi muito legal fazer esse roteiro na época.

Depois apresentamos na Jornada Multidisciplinar um artigo sobre como foi esse processo do “Flutua” e, enquanto isso, eu participava fazendo algumas artes para o MATAV, como templates para slides. Foi muito gostoso aproveitar a identidade visual do MATAV.

LUCINÉA: Santo Luís! As artes ficavam lindas!

LUÍS: Eu adorava fazer, pois era uma forma de explorar essa identidade do MATAV, como esse grupo se expressava. Lembro-me muito bem das oficinas, dos eventos externos da UNESP. E esse foi o período do “Flutua”.

Depois, foi o projeto “Te Vejo na Escola”, do qual também participei vários anos, voltado para fazer animações para as escolas públicas de Bauru, tendo as crianças como público prioritário. São animações de caráter educativo que visam explicar assuntos como meio-ambiente, família, e assim por diante.

Então, pensamos em trazer o “Te Vejo na Escola” em parceria com o MATAV e desenvolver a audiodescrição de uma animação. Isso foi um processo muito legal, mesmo por ser uma animação que nós mesmos fizemos e depois produzimos o roteiro de audiodescrição. Foi uma experiência muito dinâmica, pois conseguimos aproveitar o próprio roteiro da animação. E descobrimos que quando fazemos um roteiro de animação muito bem descrito para que o pessoal da arte possa trabalhar no storyboard e na animação em si, este pode ser usado para a audiodescrição.

Com esse projeto, fizemos a audiodescrição desse episódio que foi o “Família”, sempre pensando na relação entre AD e design, ou seja, como esse recurso pode se apropriar do vocabulário do design e seus elementos como o logotipo ou créditos.

E, mais recentemente, foi o TCC da minha graduação, em que desenvolvi um projeto autoral e queria que tivesse todos os recursos de acessibilidade: a legenda, a audiodescrição e com foco na Libras.

Eu consegui apresentar todas diferentes versões do trailer com esses recursos, que se tratava de um documentário que retratava a Libras no interior de São Paulo, em cidades próximas a Bauru.

Portanto, finalizei meu curta-metragem autoral chamado “Movimento”, baseado no projeto Códigos. Então, comecei a rodá-los em festivais. E fiquei muito feliz em saber que este ano, ele foi selecionado para o Festival Assim que vivemos, que sempre foi referência para o MATAV, pois foi pioneiro e trazer recursos de acessibilidade para o Brasil. Então, estar presente neste festival foi muito gratificante.

E por último, graças à experiência que tive com audiodescrição nesses anos, também realizei a AD desse curta-metragem, e foi selecionado para o Festival Ver Ouvindo de filmes do Recife. E foi selecionado, justamente, pela audiodescrição que realizei em parceria com o Juliano Severo, o meu consultor.

De forma geral, foi essa minha trajetória no MATAV, onde aprendi sobre diferentes recursos e, ao mesmo tempo, dialogando com o pessoal do Design sobre a AD, a legendagem e Libras. E comentava sempre como o MATAV é importante por incentivar o estudo sobre essas formas de tradução dentro da Universidade Pública, sendo essencial para a expansão dessa área. O primeiro passo é que as pessoas conheçam esses recursos e sua importância.

LUCINÉA: Você participou do MATAV mais de um ano e agora está voando com suas produções. Parabéns!

Para finalizar, gostaria que falassem da diferença que faz em nossas vidas, como cidadão, como pessoa. Particularmente, também me tornei uma pessoa mais empática quando comecei a estudar a audiodescrição, legenda, um pouco de Libras. E, acredito que quando nos colocamos no lugar da pessoa com deficiência auditiva, nos tornamos um pouco melhores, pois pensamos nos nossos pais, avós, pessoas idosas, ou seja, não apenas aqueles que nasceram com deficiência auditiva, mas que necessitam desses recursos ao longo da vida.

VINICIUS: Eu concordo. É um exercício de empatia. O fato de conhecer, alterna a sua realidade. É preciso entrar em um outro universo e perceber que nem todos ouvem, nem todos percebem as cores juntas.

Atualmente, não trabalho mais com audiovisual, mas a acessibilidade continua próxima a mim. Sou Desenvolvedor e quando realizo meu trabalho, procuro deixá-lo acessível, como, por exemplo, deixo um campo de descrição de imagem, e a maioria das páginas da internet não possuem esse recurso, mesmo com as formas de punição existentes.

É importante pensar na acessibilidade desde o início do desenvolvimento de algo, como o roteiro de um filme ou um site, mesmo com as várias regras do mercado.

Então, foi isso que o MATAV mudou em minha vida: exercitar a empatia, imaginando que muitos podem ter dificuldades para acessar os conteúdos.

SOFIA: Para mim, também foi essa questão da empatia, levando a entender que as coisas devem ser pensadas para todos, ou seja, com acessibilidade. E não utilizar esses recursos somente quando se deparar com uma pessoa que precisa da acessibilidade. Ou seja, precisamos pensar em meios acessíveis desde o início.

Isso não deveria fazer parte apenas do projeto de extensão, mas sim estar presente em todos os cursos e em todas as universidades, pois falta acessibilidade no mundo todo. E nós temos essa porta no MATAV para que se possa usar em todas as áreas, abrindo esses espaços. Não apenas para a área do audiovisual, mas para todas, entendendo todo o processo, o esforço para utilizar esses recursos.

Portanto, o MATAV me ajudou muito a entender e a reconhecer a necessidade destes recursos de acessibilidade.

LUÍS: Concordo com o Vinícius e a Sofia. É, de fato, uma questão de cidadania conhecer essas modalidades de Tradução Audiovisual, que podem ser aplicadas a diferentes modalidades de culturas e é um direito das pessoas com deficiência. E uma forma de incluir essas pessoas é removendo barreiras, como a comunicacional e a informacional.

Também aprendi a me comunicar de forma muito mais precisa, desenvolvendo a capacidade de linguagem, além de fazer criações utilizando esses recursos para diferentes públicos.

Além disso, eu me tornei um consumidor de audiodescrição e legenda. E é importante que este recurso esteja sempre presente, como uma alternativa.

Ressalto a importância de continuarmos pesquisando sobre esses recursos e torná-los cada vez mais conhecidos, de tal forma que não seja preciso conscientizar as pessoas da sua importância, sendo algo natural para todos.

LUCINÉA: Que bom ouvir isso de todos vocês! Esse é nosso último episódio e tenho certeza de que todos tem aprendido muito. E agradeço a oportunidade de ter vocês em minha história. Muito obrigada!

ANIELE:

Bom, esse foi o nosso episódio final da primeira temporada do Papo com Legenda. Muito obrigado a todos que nos acompanharam ao longo dessa temporada.

Se você ainda não ouviu os episódios anteriores ou se quer retomar os temas abordados nessa temporada, pode conferir acessando o link da bio no nosso Instagram: @papocomlegenda ou digitar “Papo com Legenda” na sua plataforma de podcasts preferida.

LUCINEA:

Esse foi o nosso último episódio. Muito obrigada a você que nos acompanhou durante os 6 episódios da primeira temporada do nosso Papo com Legenda! 

Continue ligado nos projetos do MATAV e até logo!

ANIELE:

Se você ainda não conhece a página do MATAV no Instagram, não deixe de nos seguir em: @matav_unesp.

NARRADOR:

O “Papo com Legenda” é um podcast original do MATAV, o grupo de pesquisa Mídia Acessível e Tradução  Audiovisual. Para ficar por dentro dos nossos lançamentos e demais novidades, acompanhem o nosso Instagram @papocomlegenda

“CODA”: UMA HISTÓRIA EMOCIONANTE E SINCERA SOBRE ENCONTRAR NOSSO LUGAR NO MUNDO

Por Ana Laura Dias

Filmdrama "CODA": Veröffentlichung im August — Taubenschlag

Descrição da imagem: Uma família está sentada na carroceria de uma caminhonete azul, iluminados pela luz do sol. Ao fundo há um barco. Ruby se encontra à esquerda, tem cabelos castanhos, pele clara e veste uma camisa xadrez azul e preta. Ela olha para a frente  e  apoia a cabeça no ombro de seu pai, Frank. Ele tem uma barba longa com alguns fios grisalhos, pele clara, usa um boné preto e um casaco de mesma cor sobre uma camisa azul. Frank apoia a mão sobre o joelho da filha e sorri olhando para a esposa, Jackie, à sua direita. Jackie tem longos cabelos loiros, pele clara e veste um casaco marrom sobre uma blusa azul. Ela também sorri para o marido, com as mãos apoiadas no próprio colo. À sua direita se encontra Leo, que olha para a esquerda. Ele tem cabelos castanhos, pele clara e uma barba rala. Leo veste uma jaqueta jeans com revestimento felpudo sobre uma camiseta xadrez azul, vermelha e  branca.

No dia 23 de setembro irá estrear nos  cinemas do Brasil o filme CODA (traduzido para o português como “No Ritmo do Coração”). Aclamado pela crítica estadunidense, o drama familiar foi o grande vencedor do Festival Sundance 2021, ganhando todos os prêmios aos quais estava elegível.

CODA é uma adaptação da comédia dramática francesa A Família Bélier, lançada em 2014. A trama estadunidense acompanha a família Rossi, moradores de uma cidadezinha costeira no estado de Massachusetts, Estados Unidos. A caçula da família, Ruby (Emilia Jones), é uma jovem CODA (child of deaf parents, ou filha de pais surdos) de 17 anos. Por ser a única pessoa da casa capaz de ouvir, Ruby frequentemente ajuda o seu irmão mais velho Leo (Daniel Durant) e seu pai Frank (Troy Kotsur) nos afazeres do barco de pesca da família, além de atuar como uma intérprete em situações comunicativas entre seus familiares, incluindo sua mãe Jackie (Marlee Matlin), e as outras pessoas.

Ainda que em constante pressão para atender às necessidades de seus pais e dos negócios da família, Ruby decide entrar para o coral da escola, a fim de explorar uma de suas grandes paixões: a música. Reconhecida como uma aluna com grande potencial pelo professor Bernardo Villalobos (Eugenio Derbez), Ruby precisa decidir entre investir em seus sonhos e partir para uma faculdade de prestígio de música ou continuar com seus pais, que encontram dificuldades em participar dessa parte da vida da filha.

O filme explora a narrativa por meio da perspectiva de todos os membros da família Rossi, expondo as dificuldades enfrentadas por eles ao tentarem se adaptar a um mundo que acreditam não se encaixar. Com uma trama divertida e emocionante, CODA se diferencia de outros filmes do gênero ao entregar personagens reais e atuações incríveis, capazes de transmitir ao telespectador relações familiares críveis de maneira natural. Além disso, CODA é uma produção que não só fala sobre acessibilidade e grupos minoritários, como também é inclusiva. Todos os personagens surdos foram interpretados por atores surdos, infundindo na adaptação um tipo de autenticidade difícil de ser encontrado.

 Por fim, é importante ressaltar outro aspecto inclusivo atrelado ao filme CODA. Essa é a primeira produção em língua inglesa a ser exibida nos cinemas dos Estados Unidos com legenda embutida na própria projeção, permitindo que pessoas com deficiências auditivas acompanhem o filme normalmente. No país, a cultura das legendas no cinema é praticamente inexistente e para que pessoas surdas possam assistir a um filme americano é necessário a utilização de óculos especiais que sobrepõem o texto na tela por meio de uma outra projeção, oculta a olho nu. Esse recurso, no entanto, não é sempre acessível, já que as máquinas responsáveis por esse tipo de projeção frequentemente estão quebradas. Logo, CODA apresenta uma alternativa promissora em prol da acessibilidade e inclusão.

E você, leitor, marque na agenda a data de estreia de CODA e confira com seus próprios olhos essa história emocionante! Mas não se esqueça de que ainda estamos em uma pandemia e devemos tomar cuidado a fim de nos proteger e aqueles à nossa volta!

Assim Vivemos: Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência

Por Isabeli Bovério dos Santos

Descrição oficial da imagem de capa do evento: Imagem de divulgação horizontal com fundo cor de vinho. À esquerda em letras amarelas e brancas: 10 a 14 de abril. Assim Vivemos Online – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência www.assimvivemos.com.br . À direita, foto de uma mulher negra em uma cadeira de rodas com um sorriso largo. Ela é completamente calva e usa óculos. Está com o braço esquerdo ao longo do corpo e o direito apoiado no braço da cadeira. Usa vestido amarelo com estampa de flores cor de laranja e azuis e bijuterias douradas. Abaixo da foto, escrito em branco: Mona Rikumbi é atriz, dançarina, enfermeira e ativista. Na parte de baixo do convite: Produção: Cinema Falado. Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil e Anaísa Raquel Produções. Patrocínio: Secretaria de Cultura e Economia Criativa , Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil – Governo Federal. (fonte Página do Facebook do Festival Assim Vivemos online)

Realizado desde 2003, o Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência é o mais importante festival de cinema sobre o tema. A edição de 2021 ocorreu entre os dias 10 e 13 de abril e foi totalmente desenvolvida pensando na acessibilidade digital e audiovisual. Além de ocorrer de forma online, devido à pandemia, os filmes foram audiodescritos e legendados com LSE (legendas para surdos e ensurdecidos), e os debates contaram com intérpretes de libras, além de estarem disponíveis no site e no canal do Youtube do festival (https://assimvivemos.com.br/2021/online/#_arte).

Lara Pozzobon, curadora e fundadora do festival, mediou os debates através de perguntas e apontamentos sobre as temáticas e contextos apresentados nas sessões. Ao início de cada debate, os participantes são convidados a se audiodescreverem. 

O Debate 1, realizado no dia dez de abril, recebeu Moira Braga e Lucio Piantino que teceram reflexões sobre os filmes exibidos no dia, sendo eles: “A largura e o comprimento do céu” (França, 1998), “Quem é o último?” (Belarus, 2018); e “O que tem debaixo do seu chapéu?” (Espanha, 2006). A temática dessa sessão foi ‘Arte e Diversidade’. 

Moira, como bailarina contemporânea e consultora de audiodescrição, pôde trazer aos ouvintes sua perspectiva profissional e humana em relação aos cenários abordados nos filmes. Lucio, em contrapartida, como artista plástico e como pessoa com síndrome de Down, comentou sobre a realidade dos artistas com deficiência, além do papel transformador da arte e como ela se relaciona positivamente às expressões de vida em sociedade.

No segundo dia de festival, a temática central foi ‘Vida amorosa e autonomia’, com exibição dos filmes “Ver e crer” (Rússia, 2007), “Beleza desconhecida” (Irã, 2014), “Mona” (Brasil, 2018), “Quando brilha um raio de luz” (Irã, 2010), “Dentro de mim” (Tailândia, 2015), e “O que pode um corpo?” (Brasil, 2020). Os convidados para o Debate 2, foram Mona Rikumbi, atriz, dançarina, enfermeira e ativista, personagem documentada em “Mona”, e Victor Di Marco, ator, diretor, roteirista e idealizador do projeto “O que pode um corpo?”.

Os artistas compartilharam suas impressões sobre a experiência e vivência com autonomia na sociedade e na arte, suas problemáticas, enfrentamentos e conquistas em suas diferentes perspectivas pessoais e profissionais.

No dia 12 de abril, terceiro dia de festival, o tema proposto foi ‘Escola e vida independente’ com exibição dos filmes: “Estrangeiros” (Brasil, 2013), “Uma menina em 10×10” (Myanmar, 2013), “Independente” (Israel, 2015), e “De corpo e alma” (Moçambique, 2010).

Participaram do Debate 3, Lucília Machado – Mestra em Diversidade e Inclusão, jornalista, diretora da “Acessar, Comunicação, Diversidade e Inclusão“ e titular do Podcast “Acessando Lucília” – e Rosangela Bernan Bieler – jornalista, conselheira global em Infância e Deficiência da UNICEF. Foram refletidos assuntos relevantes à diversidade humana e a vida independente apresentados nos filmes, bem como a pobreza sistêmica, o olhar da sociedade sobre a pessoa com deficiência e suas influências na discriminação escolar e educacional, além do papel da LIBRAS na educação e inclusão. As debatedoras trouxeram pontos de vista observados nas suas realidades e no cotidiano escolar/acadêmico dos brasileiros.

‘Autismo e neurodiversidade’ foi o tema do último dia de festival que contou com a exibição dos filmes: “Somos todos Daniel” (Canadá, 2009), “Stimados Autistas” (Brasil, 2020), e “Soluções promissoras” (França, 2012). Cristiano de Oliveiro – diretor do filme “Stimados Autistas” e pós-graduado em audiologia clínica – e Laís Silveira Costa – cofundadora do AcolheDown e Doutora em saúde pública – conduziram o Debate 4. Eles proporcionam uma discussão rica sobre temas como espaço no mercado de trabalho, o papel da família na inclusão, as pressuposições existentes sobre as pessoas com deficiência e o rebaixamento de suas capacidades, além da importância da desconstrução do pensamento social e a representatividade visual e social que a programação do festival trouxe.

O evento abordou temáticas interessantes e fundamentais sobre a vida e realidade social das pessoas com deficiência, abrangendo todos seus aspectos – pessoais e profissionais. Os convidados foram importantes para a discussão dos contextos e tramas apresentados nas sessões fílmicas e puderam aproximar o ouvinte à perspectiva brasileira. Assim Vivemos é indicado a todas as pessoas envolvidas com o ativismo dos direitos das pessoas com deficiência, sejam pesquisadores, familiares, estudantes ou profissionais. O festival reflete um caráter humano, inclusivo, único e representativo de todas as temáticas propostas nos quatro dias do evento.

Para saber mais sobre esta e as próximas edições, siga Assim Vivemos nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/festivalassimvivemos/

Facebook: https://www.facebook.com/assimvivemos/

Festival Assim Vivemos On line

Descrição da imagem: convite de divulgação com fundo cor de vinho. À esquerda em letras amarelas e brancas: 10 a 14 de abril. Assim Vivemos Online – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência http://www.assimvivemos.com.br . À direita, foto de uma mulher negra em uma cadeira de rodas com um sorriso largo. Ela é calva e usa óculos. Está com o braço esquerdo ao longo do corpo e o direito apoiado no braço da cadeira. Usa vestido amarelo com estampa de flores cor de laranja e azuis e bijuterias douradas. Abaixo da foto, escrito em branco: Mona Rikumbi é atriz, dançarina, enfermeira e ativista. Na parte de baixo do convite: Produção: Cinema Falado. Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil e Anaísa Raquel Produções. Patrocínio: Secretaria de Cultura e Economia Criativa , Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil – Governo Federal.

O Blog MATAV colabora com a divulgação do Festival Assim Vivemos on Line. Seguem as informações enviadas pelos organizadores do evento.

Histórias de vidas, de amores, dúvidas, aceitações e frustrações. Trajetórias que perguntam, que buscam pertencimento, soluções, espaços e trocas. O Festival Assim Vivemos Online apresenta um conjunto de filmes e debates transformadores. Uma experiência marcante que propõe a reflexão sobre a riqueza e a beleza da diversidade humana. Um lugar de propostas para a construção de uma sociedade mais diversa, compartilhada e interessante.

Nesta edição, que conta com recursos da Lei Aldir Blanc, serão exibidos filmes de diversos países, que marcaram as edições anteriores do Festival, além de dois filmes brasileiros inéditos. Um mosaico abrangente e rico de como as questões são abordadas em diferentes contextos e culturas. A programação ainda conta com debates e materiais didáticos divididos em quatro temas: Arte e Diversidade, Escola e Vida Independente, Vida Amorosa e Autonomia e Autismo e Neurodiversidade. Toda a programação conta com recursos de acessibilidade comunicacional, nesta edição que permitirá a ampliação do Assim Vivemos para pessoas de todos os lugares.

Realizado desde 2003, o Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, é o mais importante festival de cinema sobre o tema e foi o primeiro a disponibilizar o recurso da audiodescrição para pessoas cegas e de baixa visão no Brasil. Acontece de forma presencial no Centro Cultural Banco do Brasil, trazendo o melhor da produção audiovisual mundial e nacional sobre o tema, com a primordial participação de pessoas com deficiências em debates e oficinas.

Toda a programação no link https://assimvivemos.com.br/2021/online/

MATAV is back

Após um ano de muitas mudanças no mundo, o blog Matavunesp está de volta.

2020 não foi fácil para ninguém, ninguém mesmo. Logo depois do anúncio da pandemia, resolvemos realizar atividades remotas como Lives e Oficinas e colocamos nosso Instagram no ar.

Foram experiências maravilhosas, pudemos contar com convidados para lá de especiais em nossas Lives e conseguimos alcançar muita gente de fora de Bauru, de outros estados e até de fora do Brasil. Seguem algumas lembranças de nossas lives sobre acessibilidade.

O que temos para 2021?

Muitas novidades!

O MATAV voltou com suas reuniões quinzenais, sempre às quintas 17h. Estamos com novos membros: alunos dos cursos de RTVI e Tradução da UNESP, profissionais de Tradução e todos farão parte de nossos novos projetos: Podcast, Oficinas, Rodas de Conversa, produção de conteúdo para o blog e Instagram.

Gravem esses nomes, pois vão aparecer como autores de algumas postagens publicadas aqui: Ana Laura, Daniela Cristina, Gabriel Leite, Isabeli Bovério, Leila Filipini, Lucas Mossato, Luiza Hidalgo, Natália Fernandes e Walesson.

Já realizamos duas Rodas de Conversas e nesta semana nossas convidadas são as idealizadoras do Podcast Euphoricas @podcasteuphoricas. Será um papo com muita descontração e com dicas sobre a criação de um Podcast. O link do evento está na bio do @matav_unesp

Sigam nossas redes sociais Instagram @matav_unesp

Facebook https://www.facebook.com/Matav-1376405212602134

Que 2021 seja um ano de muita troca de conhecimento e novas experiências em acessibilidade.

Equipe MATAV

Pioneira em audiodescrição é uma da convidadas da XXI Jornada Multidisciplinar em Bauru

Matéria de João Batista de Carvalho e Silva Signorelli

Lívia Motta apresentará palestra que destaca a importância e os desafios da acessibilidade para pessoas com deficiência visual no Brasil.

livia

#pracegover #pratodosverem: Fotografia colorida de Lívia Motta. Ela está sorridente, usa óculos, batom vermelho claro, veste uma camisa branca e um colar com várias voltas metalizadas e em pedras. 

Nos próximos dias 16 a 18 de setembro, ocorrerá no Campus de Bauru da UNESP, a XXI Jornada Multidisciplinar – 2019, que terá como tema a Crise nas Humanidades: Inclusão e Resistência em Tempos de Retrocesso. Além das diversas atividades e apresentações de Comunicações, Oficinas e Projetos, a FAAC receberá convidados especiais que em palestras e conferências irão destacar diferentes facetas do tema da Jornada 2019.  

Dentre estes, destaca-se Lívia Maria Villela de Mello Motta, que além de ter mestrado e doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), é audiodescritora, formadora de audiodescritores, e diretora da empresa Ver Com Palavras, que realiza audiodescrições para diversos tipos de espetáculos, eventos, e produtos audiovisuais e editoriais.

Lívia é a pioneira nesse recurso de acessibilidade no Brasil, tendo sido responsável pela primeira audiodescrição de uma peça de teatro e de ópera, além de ter organizado a primeira obra sobre audiodescrição e acessibilidade cultural no país, o livro “Audiodescrição: transformando imagens em palavras”. 

Este ano o Blog do MATAV entrevistou a audiodescritora, na ocasião em que audiodescreveu o desfile de carnaval no Sambódromo do Anhembi (link: https://matavunesp.wordpress.com/2019/03/05/desfiles-no-anhembi-tem-camarote-com-recursos-de-acessibilidade/

No evento da FAAC, apresentará a palestra “Audiodescrição e inclusão cultural: aprendendo a expandir o olhar”.

A palestra/oficina de Lívia Motta objetiva discutir e oferecer oportunidades de reflexão sobre a audiodescrição, recurso de acessibilidade comunicacional e modalidade de tradução audiovisual intersemiótica, que possibilita a expansão do olhar, transformando imagens em palavras e ampliando, desta forma, o entendimento e a experiência estética de pessoas com deficiência visual em espetáculos, eventos e produtos audiovisuais por meio de informação sonora. Além do conceito e das diferentes possibilidades de aplicação, serão apresentados também os avanços e dificuldades da implementação do recurso no Brasil.

Ela será realizada na Quarta-Feira, 18 de Setembro, às 8h30, no Auditório Adriana Chaves (Central de Salas), na Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (FAAC), no Câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). 

 A palestra é gratuita e aberta ao público. 

Quem quiser receber CERTIFICADO deve fazer inscrição para a XXI Jornada Multidisciplinar na Secretaria do DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS (DCHU). Telefone (14) 3103-6064 

Há duas modalidades de  inscrições

Com APRESENTAÇÕES DE TRABALHOS de 22/08 a 05/09.

Para OUVINTES de 22/08 a 16/09.

Abaixo o link com todas as informações da XXI Jornada Multidisciplinar.

https://www.faac.unesp.br/?fbclid=IwAR1ABxS5QP5JCd_FtqD3P11VUHF6f0tFheo7ttrG4cXeTkAtxgMFy8WKpQ8#!/jornada-multidisciplinar-2019) .

Entrevista com Emmanuelle Alkmin Projeto Cozinhando às Cegas

 

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#paracegover #pratodosverem Foto colorida de Emmanuelle em um fundo com placa de cor de madeira clara com listras verticais. Manu olha sorrindo para a câmera. Ela usa brincos, batom vermelho claro e um vestido azul de mangas curtas. Há um microfone de lapela preso no lado esquerdo do vestido. No canto direito superior da foto, há um retângulo e dentro está escrito com letras brancas e em caixa alta “brigadeiro branco”. Na parte inferior da foto, há outro um retângulo centralizado com a frase “Cozinhando às cegas #03” com letras brancas e em caixa alta. Há três figuras de brigadeiros brancos na foto, dois estão no lado esquerdo superior, próximo da cabeça de Emmanuelle, o outro brigadeiro está localizado lado direito e próximo de seu braço.

Muita gente acha que uma pessoa com deficiência visual é incapaz de ter autonomia para tarefas rotineiras, como morar sozinha, cozinhar, fazer compras etc.

A advogada Emmanuelle Alkmin rompeu várias barreiras desde sua infância e comprova mais uma vez em seu programa “Cozinhando às Cegas” que a deficiência visual pode ser superada com muita criatividade.

O blog do MATAV entrevistou Emmanuelle para saber como surgiu seu novo projeto gastronômico. Uma das curiosidades que a ativista nos relatou é que a crise financeira no país e as dificuldades de inserção no mercado de trabalho fizeram com que ela começasse a cuidar literalmente de sua casa, desde faxina até cozinhar todos os dias. Segundo Emmanuelle:  “A primeira vez que utilizei o termo “cozinhando às cegas” foi em uma foto que coloquei em uma rede social de um strogonoff que havia feito. Houve muitos comentários. Muitas perguntas”. A partir daí, surgiu a ideia do programa, leia a seguir a entrevista cheia de otimismo da nossa nova chef.

MATAV: Como foi concebida a ideia do programa “Cozinhando às Cegas”?

EMMANUELLE: Começou bem por acaso. Lembro-me de uma palestra em que falava sobre superação de limites e enfrentamento do desconhecido, utilizei como exemplo uma torta que tinha feito, a dificuldade de colocar a massa líquida na forma, separar cada uma das metades etc.

 Quando terminei, muitas pessoas vieram falar comigo sobre o exemplo da torta. Uma delas me disse: “ Você precisa falar mais sobre isso, porque o que para você é óbvio, para gente não é.”

Percebi que as pessoas que enxergam, efetivamente, desconhecem o potencial das pessoas que não têm visão, simplesmente pela falta de conhecimento, pela falta de convivência, pela falta de exposição desse potencial. Fiquei pensando sobre isso durante bastante tempo.

É difícil ir para frente de uma câmera, ainda mais totalmente fora da minha zona de conforto. Comentei com a Bia Sartori (produtora do programa), quando ela estava saindo de um café que faço em casa, e, ela começou a sonhar! Sonhar efetivamente e delinear esse sonho! Até que surgiu o canal.

MATAV: Quantos episódios e quantas receitas a série terá?

EMMANUELLE: Queremos fazer quatro episódios mensais. Um por semana, toda terça-feira. Não temos o número definido. Terei em vários outros programas pessoas me ensinando a fazer alguma receita para demonstrar as dificuldades de conversa entre esses dois mundos na cozinha que é extremamente visual.

Não temos também o número definido de receitas, porque propositalmente, pedimos para as pessoas sugerirem.

Ainda é uma categoria no YOUTUBE em teste. Essas definições ocorrerão por meio de respostas aos estímulos recebidos dos internautas.

MATAV: Onde foram feitas as gravações do programa?

EMMANUELLE: As gravações são realizadas em pelo menos dois lugares diferentes, não sendo nenhum no meu apartamento. No vídeo da omelete, por exemplo, demonstro a dificuldade de utilização do fogão que é impróprio para utilização de pessoas com deficiência visual.

MATAV: Qual tem sido a repercussão da série tanto para o público com deficiência visual como para o público em geral?

EMMANUELLE: Faz pouco tempo que o programa está no ar, ainda estamos em fase de testes. Qualquer avaliação aqui, é meramente especulativa e baseada em sensações. A repercussão tem sido bem maior entre o público sem deficiência visual, porque, aliás, é a esse público que se destina.

MATAV: Vocês pensaram em inserir audiodescrição no programa?
EMMANUELLLE: Eu sou consultora em audiodescrição, então, isso sempre foi avaliado no projeto. Há dois fatores envolvendo a AD. O primeiro é que o público alvo é o público sem deficiência em geral e, como estamos fazendo tudo em parceria, ainda não é possível fazer um programa acessível com audiodescrição e Libras. O outro aspecto é que tenho a preocupação de falar muito durante o vídeo, para dar às pessoas com deficiência visual a exata noção do que estou fazendo.

Infelizmente, no Brasil, a comunicação inclusiva ainda é inacessível economicamente. Em outras palavras, os custos de uma comunicação para todos não acompanha a velocidade da produção de conteúdo hoje. O que tem ocorrido é o barateamento da tecnologia envolvida na produção de vídeo.

Há, pois, a necessidade de se discutir seriamente essa questão no âmbito da inclusão, porque se de um lado a universalização tecnológica permite a manifestação efetiva da liberdade do pensar e do expressar-se, há, cada vez mais, pela questão econômica, a exclusão desse ‘conteúdo livre’ de parcela significativa da população com deficiência auditiva e visual.

MATAV: Há outras situações, além da gastronomia, em que a pessoa com deficiência visual consegue ser autônoma e que também merecem ser temas de novos projetos?

EMMANUELLE: Com certeza há diversas outras situações em que poderia ser mostrada a autonomia da pessoa com deficiência visual. Contudo, para que consigamos fazer com excelência o que nos propomos, fechamos o leque e recortamos para a cozinha.

Cremos que a culinária aproxima as pessoas, promove uma zona confortável para desmistificar muitas questões relativas à deficiência visual, bem como traz, assim, um ambiente de transformação pessoal para quem assiste, levando o internauta a outras percepções, sensações e à necessidade de estar presente nas situações por inteiro.

Receitas da Manu

Omelete de aveia https://www.youtube.com/watch?v=C0Luqd0GQ1E&t=43s

Brigadeiro Branco https://www.youtube.com/watch?v=JOrmKqfWWfU

Dadinho de Tapioca https://www.youtube.com/watch?v=Ody6m6LiTHQ&t=89s

 

 

 

Junho com Arte Acessível

Resultado de imagem para audiodescrição

As férias de inverno estão quase chegando e para quem mora em algumas cidades do estado de São Paulo há boas oportunidades para assistir espetáculos com acessibilidade.

Encontrar uma peça ou exposição acessível tornou-se uma tarefa mais fácil nos sites brasileiros de divulgação cultural, basta prestar atenção em Tags ou ícones que indicam os recursos de Audiodescrição ou Libras, por exemplo.

No site do Itaú Cultural, para todos os eventos anunciados há as indicações dos recursos oferecidos para as pessoas com deficiência auditiva ou visual. Outro diferencial é a acessibilidade em LIBRAS que está disponível em todos os conteúdos da homepage por meio do aplicativo ProDeaf. A pessoa surda poderá entender todas as matérias em LIBRAS, basta clicar no ícone do aplicativo e, em seguida, selecionar trecho a trecho do texto e uma intérprete virtual traduz em Língua Brasileira de Sinais o conteúdo que está em português.

O MATAV indica duas peças com recursos de acessibilidade que estarão em cartaz em junho e que são produzidas com apoio do Itaú Cultural.

https://www.itaucultural.org.br/

Chiquita Bacana no Reino das Bananas

Fotografia colorida de cena da peça Chiquita Bacana no Reino das Bananas. Na imagem, atores a atoras vestem preto. Colocam as mãos cruzadas sobre o próprio peito e olham para o lado.

#paraCegoVer #paraTodosVerem (descrição da imagem) Foto colorida de atores do grupo Folias d’Arte. Todos os atores estão vestidos de preto, eles estão em pé em um círculo. Na frente da foto está uma atriz de cabelos curtos, de cor avermelhada, ela usa óculos e está com os braços e mãos cruzados cobrindo seu peito. A foto tem fundo preto. (fim da descrição)

A peça de Reinaldo Maia apresenta a história de uma menina que é acusada de comer uma banana no Reino das Bananas.  O reino, que é comandado pelo Rei Leonino e por seu grupo de girafas e gorilas, possui outros animais que estão perdendo suas funções sociais. O desfecho da peça é decidido pelo público.

O grupo Folias d’Arte foi formado em 1997 e seus espetáculos tratam dos problemas da sociedade contemporânea. O grupo já recebeu cerca de 50 prêmios, incluindo os prêmios Shell, APCA e Molière.

Serviço: Chiquita Bacana no Reino das Bananas [com interpretação em Libras e audiodescrição].

Itaú Cultural São Paulo

Endereço: Avenida Paulista 149 São Paulo SP – [Estação Brigadeiro do metrô]

Sábados 22 e 29 e domingos 23 e 30 de junho de 2019 às 15h [nos dias 29 e 30, o espetáculo conta com audiodescrição] [duração aproximada: 60 minutos] Sala Multiúso (piso 2) – 70 lugares

 

Joaquim, o Fusca que Contava Histórias

#PraCegoVer #PraTodosVerem. (descrição da foto) Fotografia colorida com quatro atrizes encostadas na frente de um fusca branco em uma praça. Elas vestem vestidos rosa, amarelo, azul e laranja e seguram uma faixa longa feita de tecidos coloridos. Sorriem para a câmera. (fim da descrição)

Um projeto itinerante de contação de histórias que usa como base de transporte e fonte de causos um tradicional Fusca branco de 1978, chamado Joaquim. Assim é “Joaquim, o Fusca que Contava Histórias”,  projeto criado pelo gRUPO êBA!, que de 9 a 11 de junho irá percorrer as cidades de São Luiz do Paraitinga, Taubaté e São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba.

A intervenção consiste na apresentação de um espetáculo inédito, A Menina das Meias Vermelhas, seguida de um convite para que o espectador entre no Fusca e, sentado no banco do motorista, compartilhe a própria história, protesto ou o que tiver vontade de contar. A equipe artística é composta de três contadoras de histórias ouvintes que utilizam a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e de uma contadora surda. Todo o espetáculo será acompanhado por elementos percussivos e visuais, e narrado em Libras e português simultaneamente.

Serviço: Joaquim, o Fusca que Contava Histórias

domingo 9 de junho de 2019 às 14h30
Largo do Rosário [apresentação aberta ao público]
São Luiz do Paraitinga, SP

segunda 10 de junho de 2019 às 14h
Emief Anna dos Reis Signorini [apresentação fechada para alunos]
Jardim Jaraguá, Taubaté, SP

terça 11 de junho de 2019 às 15h30
Emef Profa Maria Aparecida dos Santos Ronconi [apresentação fechada para alunos]
R. Ana Gonçalves da Cunha, 400, Jardim Jussara, São José dos Campos, SP

[livre para todos os públicos]

Bauru terá feira voltada à troca de informação sobre pessoas com deficiência

Em maio, SESI-Horto abrirá seu espaço para workshops, estandes e oficinas

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#ParaCegoVer: Na imagem, a logo da REAB. Temos um origami de tsuru desenhado e, embaixo, as letras R, E, A e B – respectivamente nas cores ciano, vermelho, laranja e roxo. 

A 1ª Feira de Reabilitação de Bauru (REAB) acontecerá no fim de semana dos dias 17, 18 e 19 de maio. Ela será no SESI-Horto, que fica no mesmo quarteirão do Horto Florestal: Rua Professora Zenita Alcântara Nogueira, 1-67.

O evento, que promete ser bienal, será um ponto de convergência para pesquisadores, profissionais e todo mundo que se interessa pelas pessoas com deficiência. Além de contribuir para a formação e atualização de gente envolvidas na área, o REAB contribuirá para o debate sobre acessibilidade e a conscientização sobre o assunto no interior paulista.

A cerimônia de abertura será no dia 17, das 19h30 às 22h. Nos dias 18 e 19, os portões estarão abertos para o público das 8h30 às 18h. A programação do evento está abastecida com dezenas de atividades como palestras, workshops e oficinas. Também haverá estandes de produtos e serviços espalhados pelo SESI ao longo de todo o evento.

É possível se inscrever pelo Sympla, site especializado em eventos. A entrada é franca, mas para retirar o ingresso é preciso doar ou um quilo de alimento não perecível ou um “kit higiene”, composto por uma escova e uma pasta de dentes.

O esplendor do cinema

Filme japonês revela a sensibilidade na audiodescrição

Matéria: Bruna Tastelli

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#ParaCegoVer: Foto colorida apresenta uma sala com cerca de vinte carteiras escolares. Há vários jovens sentados, alguns estão olhando para uma tela de projeção de filmes, outros conversam descontraídos. Uma das jovens entrega um saco de pipoca de embalagem vermelha para sua colega. Ela está vestida com uma camiseta preta com a logomarca do MATAV e shorts.

No dia 10 de abril, o CineMatav exibiu o filme Esplendor (2017) na sala de projeção da biblioteca da Unesp Bauru. Com muita pipoca e olhares atentos, os alunos que compareceram puderam adentrar no universo da audiodescrição, tema central do filme de Naomi Kawase.

O longa se inicia com uma narração em off que descreve as cenas de uma típica cidade grande: muita agitação nas ruas, carros barulhentos e pessoas seguindo o fluxo cotidiano. A narradora é a audiodescritora Misako Ozaki (Ayame Misaki), que faz consultoria com grupos de deficientes visuais para avaliar o seu trabalho. Misako tem um olhar atencioso a tudo que a cerca na tentativa de descrever o mundo com precisão para aqueles que não podem enxergar. No entanto, tal precisão é questionada por Masaya Nakamori (Masatoshi Nagase), um fotógrafo que frequenta o grupo e está perdendo sua visão gradativamente.

O que incomoda Masaya é a suposta interferência pessoal de Misako na audiodescrição de um filme durante uma sessão-teste, como se ela estivesse forçando sensações nos ouvintes por meio de uma percepção particular das emoções dos personagens. Em meio a críticas do fotógrafo, que está frustrado com a cegueira cada vez mais próxima, a audiodescritora busca aprimorar seu trabalho enquanto lida com a mãe que precisa de cuidados especiais. A relação entre os dois protagonistas sustenta a narrativa até o fim, desencadeando em um romance pouco convencional.

A diretora Naomi Kawase utiliza a câmera em primeiro plano na maioria das cenas, de forma que o espectador veja detalhes importantes que passariam despercebidos em um plano mais aberto. Ela também acertou em cheio nas cenas em que a perspectiva utilizada foi a da câmera Rolleiflex que o fotógrafo Masaya manuseava, fazendo dela seus olhos e seu coração.

Conhecida por trazer sensações e emoções em seus filmes, Kawase concretiza a experiência de Esplendor com uma trilha sonora impecável e um jogo de luzes muito presente – como o reflexo de um prisma ou o do sol forte que ilumina o rosto de Misako e sua mãe –, o que explica o nome do filme.

A coordenadora do Matav, Lucinéa Villela, conta que a escolha do filme para a primeira sessão do CineMatav do ano foi para mostrar esse mundo tão pouco explorado no cinema, mas ao mesmo tempo tão próximo: “A maneira como a protagonista é retratada é muito fiel ao ofício de audiodescrição. De fato, os audiodescritores trabalham com consultoria em instituições de pessoas com deficiência visual”, comenta Lucinéa.

Costumo anotar algumas frases dos filmes que vejo e a frase mais impactante de Esplendor foi dita por uma das integrantes do grupo de deficientes visuais: “O cinema ‘vive’ em um mundo vasto e frente a essa vastidão nossas palavras são pequenas, mas não devemos desprezá-las”.