Acessibilidade é o tema da Semana do Tradutor/2018 – Unesp/IBILCE

semanadotradutor

A tradicional Semana do Tradutor, organizada anualmente pelos alunos e professores de Tradução da Unesp de São José do Rio Preto terá como tema este ano: ˜Caminhos da acessibilidade: o papel sociocultural da tradução”.

Nossa querida colega Bell Machado estará por lá falando de audiodescrição.

Curtam, participem e inscrevam-se!

 

https://38semanadotradutor.wixsite.com/unesp

 

 

 

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#PraCegover é incentivo para a acessibilidade nas redes sociais

 A partir deste mês o Blog do MATAV incluirá as descrições de imagens postadas nos posts. Adoraremos a #paratodosverem.

Leiam a matéria feita pela Juliana Gonzalez sobre o início da campanha #paracegover.

A criadora do projeto #PraCegover é a professora Patrícia Silva de Jesus, ou como prefere ser chamada, Patrícia Braille, especialista em educação especial na perspectiva da educação inclusiva. A iniciativa da professora baiana teve início em 2012 através da hashtag no facebook, que se espalhou pelas redes sociais e deixou muita gente curiosa. A ideia era fazer os videntes se darem conta de que as pessoas com deficiência visual também utilizam as redes e têm direito de acesso aos conteúdos visuais, já que os leitores de tela ou linhas de Braille leem apenas a parte textual. Desse modo incentiva-se a criação de legendas descritivas das imagens com a hashtag #PraCegover, tornando o seu conteúdo mais inclusivo.

 

  Em sua página do facebook, Patrícia dá algumas dicas valiosas para a descrição das imagens nas redes sociais:

  1. Coloque a hashtag #PraCegoVer.
  2. Anuncie o tipo de imagem: fotografia, cartum, tirinha, ilustração…
  3. Comece a descrever da esquerda para a direita, de cima para baixo [a ordem natural de escrita e leitura ocidental]
  4. Informe as cores: Fotografia em tons de cinza, em tons de sépia, em branco e preto [se a foto for colorida, não precisa informar “fotografia colorida”, porque você vai dizer as cores dos elementos da foto na descrição e a indicação ficará redundante. Se você já vai dizer que a moça está de casaco vermelho, ao lado de flores amarelas, não preciso dizer que a foto é colorida].
  5. Descreva todos os elementos de um determinado ponto da foto e só depois passo para o próximo ponto, criando uma sequência lógica.
  6. Descreva com períodos curtos [se posso falar com 3 palavras, não vou usar 5].
  7. Comece pelos elementos menos importantes, contextualizando a cena, e vá afunilando até chegar ao clímax, no ponto chave da imagem.

A imagem pode conter: 2 pessoas, tela

#PraCegoVer: Fotografia onde aparece o deputado Angelo Almeida ao lado da professora Patrícia Braille. Eles estão sentados na bancada do Plenarinho. Ao fundo, o slide projeta a marca Pra Cego Ver e um banner azul exibe a marca da Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência.

  Essa foi a solução encontrada para os conteúdos compartilhados nas redes sociais, mas e o resto da internet? Nos sites da Web nos deparamos com uma quantidade infinita de imagens, sejam elas essenciais ou decorativas, fotos, pinturas, logotipos, gráficos, etc. Toda informação que esses signos visuais contém ficam inacessíveis já que os recursos de Tecnologia Assistiva não fazem sua leitura, eles apenas transformam o texto em áudio, porém, se a imagem carregar um texto descritivo nela, o leitor já pode ter acesso a esse conteúdo. Para tornar o conteúdo do seu site acessível, é preciso fazer a descrição da imagem utilizando o texto alternativo. Esse recurso consiste em inserir a legenda descritiva “dentro” da imagem, passando com o mouse sobre a imagem, podemos ler o texto alternativo. Nas páginas Web, o texto alternativo é inserido no atributo “alt” do elemento <img>, já para documentos digitais, adicione a descrição em “propriedades da imagem”.

Media for All 2019

O evento Media for All é um dos melhores espaços de integração de pesquisadores e profissionais da área de Tradução Audiovisual. Ocorre bienalmente e sua 8ª edição será em junho de 2019, na  Stockholm University com a organização geral de Jan Ivarsson, conhecido internacionalmente por suas pesquisas na área de legendagem.

O site do evento já está ativado com as principais informações e segue abaixo a carta circular com mais detalhes.

m4ALL

#paratodosverem

(descrição da imagem):  O e-flyer colorido e horizontal tem como fundo a cor azul clara e a logomarca da oitava edição do evento Media for All em destaque no centro. Letras e números compõem a logomarca. Aparecem da esquerda para a direita em caixa alta e em cor branca a letra M, o número quatro e a letra A, e por fim o número oito em cor rosa. No fundo da letra M aparece a ilustração de um recorte de película de filme na cor preta. Na linha abaixo da logomarca do evento aparecem em inglês e em fonte branca as informações sobre data, cidade e país do evento. 17 a 19 de junho, Estocolmo, Suécia.

https://www.tolk.su.se/english/media-for-all-8

 

1ª circular m4a8_cfp

 

Venha conhecer o MATAV

MATAV

 

Algumas pessoas estão interessadas em saber sobre nosso MATAV.

Segue um pouquinho de nossa história.

O que é MATAV? Grupo de Pesquisa em Mídia Acessível e Tradução Audiovisual (Grupo cadastrado pelo CNPq)

Criado em 2013

Coordenado pela Profa. Dra. Lucinéa Marcelino Villela (Docente do Departamento de Ciências Humanas –FAAC- Unesp- Bauru)

Nossos objetivos:

– Estudar Tradução Audiovisual e recursos diversos de acessibilidade para pessoas com deficiências auditivas e visuais.

– Divulgar e debater projetos diversos que envolvam: acessibilidade artística e cultural, tecnologias e ferramentas que promovam a inclusão digital.

– Conscientizar a comunidade sobre produção audiovisual acessível.

– Organizar Simpósios, oficinas, cursos, feiras de inovação em acessibilidade, mostras de arte, design e cinema com recursos de acessibilidade.

– Treinar e capacitar todos (as) participantes  em legendagem e em técnicas para elaborar roteiros de audiodescrição

Quem pode participar?

TODA pessoa que tenha curiosidade, interesse e vontade de transformar um pouco o mundo e deixá-lo mais inclusivo e bacana para pessoas que possuem deficiências visuais e auditivas.

O Grupo MATAV é aberto para alunos de todos os cursos da Unesp, participantes externos do meio universitário ou curiosos em geral, ou seja, HÁ ESPAÇO PARA TODO MUNDO!

Atualmente estamos em busca de novos participantes.

Em 2018 estamos com propostas de projetos que deverão incluir alunos e profissionais de: Radialismo, Design, Relações Públicas, Tradução, Jornalismo, Pedagogia, Letras, Produção de audiovisual e Cinema, Tecnologia e Inovação.

Cinéfilos e viciados em séries, documentários e tecnologia em geral são super bem vindos também!

Quando e onde nos reunimos?

Quinzenalmente entre 17:30 e 19h no Departamento de Ciências Humanas (CHU) da Unesp/Bauru. Como o primeiro semestre de 2018 está começando, vamos consultar os interessados (as) para saber qual dia será melhor para a maioria. (Sigam no facebook nossa agenda de março https://www.facebook.com/Matav-1376405212602134/)

Projetos e Parcerias

Já fizemos muuuita coisa:

Sala Sense and Sensibility

 Webséries

 Fotodocumentário

Vídeos institucionais

Curta metragens

Feira de tecnologia em acessibilidade,

Simpósios, workshops e curso de extensão

Ebook: Acessibilidade audiovisual: produção inclusiva nos contextos acadêmicos, culturais e nas plataformas WEB

Parcerias:

 

ADAP

wpt

 

secretaria da cultura

 

OVNI Acessibilidade universal

 

GOSTOU? FAÇA PARTE DO MATAV EM 2018!

 

matav2013

Foto dos membros do MATAV em 2013. Evento Sense and Sensibility.

Aplicativos de acessibilidade para deficientes auditivos

phone-36271_960_720Em meio a grande oferta atual de aplicativos que ampliam as funções de celulares e tablets, existem aqueles cuja missão é totalmente voltada para a promoção da acessibilidade para as pessoas com deficiências sensoriais. Tais aplicativos podem ser encontrados, de forma gratuita ou em versão paga, nas lojas de App’s ou até por meio de uma rápida busca na internet. Mas o problema é que eles não são muito conhecidos pela grande maioria da população.

A ADAP então fez uma pesquisa e listou a seguir os aplicativos que encontrou e que podem ser úteis às pessoas com deficiência auditiva, ao facilitarem algum aspecto do seu dia a dia com a promoção da acessibilidade. A lista terá um caráter aberto e colaborativo, ou seja, basta vocês nos escreverem se conhecerem mais algum aplicativo desse tipo, que adicionaremos a sugestão aqui.

Além disso, alguns dos app’s acessíveis já ganharam matérias próprias, como essa com os melhores aplicativos que substituem a função das chamadas telefônicas. Outros app’s mencionados aqui podem não terem sido criados exclusivamente para a promoção da acessibilidade, mas oferecem opções que muito auxiliam as pessoas com deficiência auditiva, como o famoso WhatsApp e seus concorrentes de envio de mensagens textuais instantâneas, ou o app do serviço Netflix, que oferece muitos filmes com legendas.

E há também marcas de aparelhos auditivos ou de Implante Coclear que possuem seus próprios aplicativos de treinamento auditivo (nesses casos, consulte a marca de seus aparelhos para conhecer a disponibilidade desses produtos).

Agora, chega de mais delongas! Confira a seguir a lista de aplicativos acessíveis:

Play It Down – App feito para todos, independentemente de se ter ou não deficiência auditiva. Simula como uma pessoa surda ouve uma música de acordo com o grau de perda auditiva, e também funciona como medidor de decibéis para alertar sobre ambientes muito barulhentos e nocivos aos ouvidos. Disponível gratuitamente para iPhone e iPad.

TuneWiki – App que também não foi feito só para deficientes auditivos, mas, assim como o Netflix (que fornece legendas para filmes), o TuneWiki nos apresenta a letra da música que estamos ouvindo, auxiliando quem não tem compreensão auditiva sem leitura labial. Disponível gratuitamente para celulares que tenham Android ou o sistema iOS na versão 5.0.

Dragon Dictation – Outro aplicativo que não foi feito só para pessoas com deficiência sensorial, mas que funciona como um transcritor de palavras: escreve na tela tudo que está sendo dito por alguém ao alcance do celular e, com isso, pode ajudar deficientes auditivos a compreender os sons. Disponível gratuitamente para iPhone e iPad.

VoxTraining – App de treino de voz, por meio de um jogo lúdico, com vários ajustes e opções. Custa   quinze dólares e está disponível no iTunes para iPhone, iPad and iPod Touch.

MovieReading – App que fornece legendas e audiodescrição para filmes. Confira matéria da ADAP sobre ele aqui. Disponível gratuitamente para celulares que tenham Android ou o sistema iOS.

WhatsCine – Tem a mesma função que o MovieReading, com a diferença de que possui acessibilidade também em LIBRAS para os filmes escolhidos. A desvantagem é que o cinema também precisa ter um equipamento para a sincronização com o aplicativo. Disponível gratuitamente para celulares que tenham Android ou o sistema iOS.

TV Louder – App que funciona como um amplificador pessoal, transmitindo o aumento do volume da TV apenas para os fones de ouvido conectados no celular. Custa dez dólares e está disponível na App Store para iPhone, iPad and iPod Touch.

TAP TAP – App que faz o celular vibrar e piscar ao detectar algum som ambiente, como o de porta batendo, campainhas e detectores de incêndio. Os alertas são reguláveis de acordo com os ajustes do usuário. Custa três dólares e está disponível na App Store para iPhone, iPad and iPod Touch.

Projeto Ludwig – App que tem por objetivo reproduzir músicas por meio de vibrações. É o único dessa lista que ainda não está disponível para compra. A previsão de lançamento é para dezembro de 2016.

HandTalk – Para os surdos que utilizam a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), e também para aqueles que querem se comunicar com eles mesmo não tendo o conhecimento da LIBRAS, esse app é um tradutor simultâneo dos dois idiomas. Disponível gratuitamente no Google Play ou na Apple Store.

ProDeaf – Tradutor simultâneo de LIBRAS-Português, com funções parecidas com as do HandTalk. Confira matéria da ADAP sobre ele aqui. Disponível gratuitamente na Play Store ou na Apple Store.

Suíte VLibras – conjunto de softwares públicos, incluindo um aplicativo tradutor LIBRAS-Português, que está disponível gratuitamente na Google Play e na Apple Store.

AutoVerbal Pro Talking Soundboard – App que pode auxiliar a comunicação de pessoas com vários tipos de deficiências, através da opção de se expressar por voz eletrônica ou imagens. Custa quinze dólares e está disponível na App Store para iPhone, iPad e iPod Touch.

* Algumas sugestões de aplicativos dessa lista tiveram seus nomes retirados dos sites Crônicas da Surdez e Folha de São Paulo.

* Crédito da imagem: Pixabay.

* Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto originalmente publicado aqui.

Documentário sobre Acessibilidade na Unesp conta com recurso de legendagem

AcessibiliUnespA estagiária em assessoria de imprensa da ADAP, Ana Raquel Périco Mangili, que também é estudante do último ano de Jornalismo na Unesp de Bauru/SP e colaboradora do Blog MATAV, produziu o documentário AcessibiliUnesp, um curta de 25 minutos de duração e com o recurso de legendagem para surdos e ensurdecidos.

O objetivo da produção foi apresentar um retrato das experiências de universitários com deficiência e a questão da acessibilidade em uma instituição pública de ensino superior, no caso, o campus de Bauru da Unesp. Esse produto audiovisual foi desenvolvido como atividade de uma disciplina do curso da aluna, e teve o apoio da Unesp, da ADAP e do grupo de estudos MATAV (cuja equipe produziu as legendas acessíveis e tradução de trechos legendados do espanhol para o português).

Quatro alunos com deficiência, inclusive a própria autora do documentário (Ana Raquel tem Distonia e deficiência auditiva), participaram das gravações com os seus relatos, além de professores, profissionais e demais alunos que desenvolvem projetos voltados para a acessibilidade dentro da universidade. Dessa forma, é fornecido nesse produto audiovisual um panorama a respeito de como caminha a aplicação de recursos acessíveis na educação pública superior brasileira.

Confira a seguir o documentário AcessibiliUnesp, hospedado no Youtube e com legendas para surdos e ensurdecidos: https://www.youtube.com/watch?v=rorgbPoyA9M

 

Por Ana Raquel Périco Mangili.

Conheça a função do Monitor da Pessoa com Deficiência

O sistema educacional brasileiro, público ou privado, é moldado segundo critérios gerais de necessidades de crianças e jovens no aprendizado e nas dinâmicas em sala de aula. Porém, sabe-se que cada ser humano é único e, portanto, podem ser necessários ajustes individuais ou coletivos para um melhor aproveitamento desta época da vida. No caso da pessoa com deficiência, tais adaptações são imprescindíveis para garantir a igualdade de oportunidades. Dependendo do tipo e do grau de uma deficiência, seja ela física, sensorial, intelectual ou múltipla, podem existir barreiras no meio escolar que dificultem ou até mesmo impeçam a plena realização da vida estudantil. Quando tais obstáculos não podem ser contornados com ações físicas e pontuais de acessibilidade, entra em cena o profissional Monitor de Apoio à Pessoa com Deficiência (MAPD), para garantir a inclusão do aluno em classes regulares de ensino.

Como trabalha o monitor da pessoa com deficiência?

O monitor é contratado como servidor público na área magisterial, quando atua em escolas públicas de ensino fundamental e médio. No ensino superior, o contrato de trabalho varia de acordo com cada universidade estadual ou federal, assim como nas escolas e faculdades particulares. A formação exigida desse profissional é livre (com exceção do intérprete de LIBRAS, sobre o qual falaremos mais adiante), podendo a pessoa ter cursado apenas o ensino fundamental, ou ter feito pós-graduação na área educacional; os critérios de escolha, bem como os salários, variam para cada instituição contratante.

As atividades do serviço de monitoria são diversificadas de acordo com a deficiência e as necessidades de cada estudante. No atendimento às pessoas com deficiência física, as principais ações do monitor podem ser referentes à ajuda no deslocamento do aluno e nas anotações do material passado em aula. Para os estudantes com graus variados de surdez, o profissional pode ajudar na sua comunicação interpessoal. Aos alunos com baixa visão ou cegueira, o auxílio é direcionado para a leitura e transcrição dos trabalhos e provas e, finalmente, para os estudantes com deficiência intelectual ou com Transtornos Globais do Aprendizado, o monitor auxilia na mediação dos conhecimentos passados pelos professores. Quando o aluno tem mais de um tipo de deficiência, as funções do profissional são ampliadas para dar conta de todas as necessidades do educando.

O serviço de monitoria nas escolas e universidades faz parte do Atendimento Educacional Especializado, este garantido por Lei, segundo os Artigos 227, § 1º, inciso II, e 208, inciso III, da Constituição Federal: “O Estado promoverá a criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência […]”. Também a Política Nacional de Educação Especial, na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008, dita que “cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de monitor ou cuidador aos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxílio constante no cotidiano escolar”. Para saber mais sobre outras leis que garantem esse direito aos estudantes com deficiência em geral e esclarecer mais dúvidas, veja o artigo da pedagoga Sônia Aranha sobre o tema.

O monitor-intérprete de LIBRAS

O tipo de profissional monitor de alunos com deficiência auditiva mais conhecido é o intérprete da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Ele é requisitado quando o jovem surdo não tem fluência na Língua Portuguesa e possui a LIBRAS como idioma materno. A fonoaudióloga Larissa Coutinho Fonseca, especialista em LIBRAS, afirma que, nesses casos, o monitor-intérprete é obrigatório para a comunicação da criança surda sinalizada. Tanto que esta profissão é regulamentada por uma lei específica, a de nº 12.319, de 1º de setembro de 2010. Larissa complementa: “Eles precisam do intérprete de LIBRAS, sem sombra de dúvidas! Porém, é apenas um intérprete para quantos surdos houver em sala de aula. No caso do surdo-cego, precisa de um interprete exclusivo”. A profissional também comenta sobre o panorama do mercado atual na área. “O mercado é promissor, porém, acredito que o intérprete precisa ter formação superior, seja em fono, pedagogia, o que for. Precisa estudar, conhecer as questões relacionadas à surdez”, defende.

11123555_845035602246155_2142651409_nA intérprete Paloma Bueno Fernandes dos Santos, por exemplo, é formada em Gestão de RH, com pós-graduação em Interpretação da LIBRAS, mestranda em Linguística Aplicada, e com diversos cursos de formação em Tradutor Intérprete de LIBRAS. Moradora de São José dos Campos/SP, ela nos conta um pouco de sua história com esse trabalho. “Consegui meu primeiro emprego após vários anos de voluntariado em instituições religiosas e eventos, as pessoas me ajudaram mostrando vagas e oportunidades de trabalho. Trabalho em duas instituições como intérprete de LIBRAS e também em eventos. Comecei a “carreira” quando tinha 16 anos de idade, pois na época eu ajudava meu ex-namorado surdo. Na adolescência, antes mesmo de ter contato com surdos já tinha feito um curso por curiosidade. Minha rotina é basicamente trabalho diário com surdos na Universidade e em curso de capacitação, auxilio nas atividades propostas pelo professor/instrutor e na comunicação com outros alunos. Tenho contato com vários intérpretes no trabalho, na igreja e grupos regionais de intérpretes de LIBRAS. Amo muito meu trabalho. Sinto muito satisfeita e realizada na minha profissão”.

11180248_820306491391852_1632758544_nO conhecimento sobre a surdez também pode vir das próprias experiências de vida do profissional com a cultura surda brasileira. Foi o caso da intérprete e professora de LIBRAS Letícia Navero, residente de Campinas/SP, com formação em fotografia, atualmente graduanda em pedagogia e fundadora do Movimento Eu Vivo LIBRAS. “Desde criança comecei a interagir com surdos, aos 5 anos de idade. O que facilitou foi a convivência com meus familiares surdos e amigos. Comecei trabalhando como tradutora intérprete no meio religioso, até que percebi que era essa minha profissão, parti para os estudos e cursos e sigo assim até hoje. Acordo bem cedo todos os dias, trabalho na cidade vizinha, Jundiaí. Trabalho com surdos em fase de aquisição de língua, ensino todos os vocabulários programados, utilizando vários recursos visuais. Em outros momentos, atendo surdos já fluentes na LIBRAS, o trabalho fica um pouco mais fácil, mesmo assim estimulamos para o conhecimento de informações diversas”, explica.

A paixão pela profissão é algo muito presente na vida de Letícia. “O porquê de ser intérprete? Acredito muito em sonhos que se tornam reais. Desde criança, meu sonho era ser tradutora-intérprete de língua de sinais, a partir do momento que coloquei na minha cabeça que era essa minha meta e o que eu queria, nunca mais parei de estudar. A comunicação, no meu ponto de vista, hoje é a “coisa” mais importante do mundo, o fato de ser intérprete ou tradutora de LIBRAS é algo surreal, você ser a interlocutora do discurso é maravilhoso, além de possibilitar o acesso da comunicação às pessoas surdas”.

Letícia também comenta sobre a situação atual do intérprete na sociedade. “A função do tradutor intérprete de LIBRAS é pouco valorizada no Brasil, aliás, a comunidade surda é vista com incapacidade perante a sociedade. Claro que isso vem mudando conforme os anos vão passando, mas infelizmente, em “passos de tartarugas”. Tenho fé, esperanças que as políticas educacionais aos sujeitos Surdos ainda serão restauradas, aprimoradas e aceitas, temos um grande número de Surdos e apoiadores ouvintes na militância por todo esse movimento!”, completa.

Monitores para surdos oralizados?

Poucas pessoas sabem, mas há um segundo tipo de monitor que pode acompanhar alunos com deficiência auditiva nas escolas e universidades. Chamado por alguns de “intérprete oralista”, este profissional costuma atuar na transcrição das aulas no caderno do estudante ou na repetição oral do conteúdo dito pelo professor quando este estiver distante do aluno. Geralmente, este monitor só é contratado quando a pessoa com perda auditiva possui também outra deficiência associada ou quando, sendo oralizada, não consegue obter benefícios com nenhum tipo de AASI ou implantes auditivos convencionais.

Esta questão do “intérprete oralista” é polêmica e suscita debates das várias partes envolvidas no processo. Se a criança não possuir nenhuma outra deficiência além da auditiva, as escolas podem ter dificuldades de aceitar contratar um monitor apenas para este trabalho. Além disso, alguns profissionais da saúde defendem que isso prejudicaria a autonomia da criança e seus esforços auditivos para compreender as palavras por si mesma, ao depender de outra pessoa como sua mediadora auditiva. Patrícia Rodrigues Witt, terapeuta ocupacional e especialista em surdez, comenta sobre esse dilema.

“Acredito que o monitor em sala de aula poderá causar dependência, a criança se acomoda e não procura independência, e passa a ser diferente de outras crianças… Eu, com deficiência auditiva profunda, nunca tive monitor em sala de aula, pois não existia o olhar da inclusão. Na época, minha mãe criou uma espécie de sala de recursos ambulantes: a cada dois meses, havia reunião dos profissionais que trabalhavam comigo (psicóloga, pedagoga e fonoaudióloga) na minha escola e davam orientação aos meus professores e serviços de supervisão. Além de instruí-los nas minhas necessidades, eles faziam avaliação constante de como estava o meu desenvolvimento em relação a escola. Mas, em casos extremos, eu acho que o monitor pode estar na sala de aula, dependendo da necessidade do aluno, mas, ao mesmo tempo, deve incentivá-lo para a sua independência”, explica.

A psicóloga Raquel Cassoli também nos mostra a sua visão sobre essa questão. “A recomendação é de que a criança use monitores apenas em casos mais severos, no caso do deficiente auditivo, se a criança realmente não tiver desenvolvido a comunicação ou em casos que haja outra deficiência além da surdez. A recomendação dos profissionais que trabalham com crianças deficientes é de sempre estimular a comunicação e a autonomia. Vigotski, um teórico russo da Psicologia, dizia que: “o maior problema que as pessoas deficientes têm, não é o limite causado pela deficiência em si, mas sim a forma como a sociedade os trata”. Esta frase é uma das coisas mais verdadeiras que já vi, a criança não deve ser tratada diferente, deve ser dado a ela a oportunidade de desenvolvimento o melhor possível. Por isso, na escola, nenhuma criança deve ser protegida, muito menos as crianças com deficiências, a criança super protegida tem menor tolerância a frustração, e a presença de um monitor que fique para atendê-la o tempo todo não a coloca em situações reais, como quando queremos falar algo e o professor não vê que queremos atenção, ou quando não somos entendidos e somos estimulados a formular nossas perguntas e nossas dúvidas de outra forma”.

Já a fonoaudióloga Larissa defende que “cada caso é um caso” e diz que, se a intervenção de reabilitação auditiva e fonoaudiológica for tardia, a criança poderá precisar sim de um monitor, mesmo que não tenha outra deficiência associada. “Eu acredito que vá depender de cada caso. Por exemplo, uma criança que tenha tido acompanhamento fonoaudiólogico precoce e faça uso sistemático de AASI frequentemente não precisa. Mas, para que os pais solicitem um mediador/monitor, é necessário saber se a criança também faz acompanhamentos extra escola. Uma criança com diagnóstico e intervenção tardios sempre apresentará maiores dificuldades que outra com todas as intervenções realizadas no tempo adequado. O monitor é recomendado apenas em casos em que a criança, mesmo estando em terapia fonoaudiológica e fazendo uso sistemático de AASI, ainda encontre dificuldades para acompanhar o conteúdo escolar”.

Como exemplo de atuação de “intérpretes oralistas”, trago a minha própria história para ilustrar a matéria. Eu, Ana Raquel, sou surda oralizada, tenho deficiência auditiva de grau moderado. Uso AASI, mas minha perda é agravada por um quadro intenso de zumbido, piorando minha discriminação dos sons da fala. Além disso, tenho um distúrbio de movimentos raro chamado Distonia, que se configura como uma deficiência física, pois limita meus movimentos dos braços e pescoço. Assim, quando eu era criança, tive monitores que me acompanharam na escola até eu atingir uma certa idade, para me auxiliarem, principalmente, em questões físicas.

Com a entrada em uma universidade pública e de grande porte, vi que não conseguia mais copiar conteúdos das aulas e ouvir os professores ao mesmo tempo, pois isso demandava um grande esforço físico e auditivo simultaneamente. Então, com base em minhas dificuldades físicas e auditivas, a Unesp de Bauru/SP contratou duas alunas da mesma instituição para me apoiarem durante as aulas, em dias alternados. Além de me auxiliarem fisicamente, por exemplo, copiando os conteúdos passados, elas repetem oralmente o que os professores dizem quando há muito barulho na sala ou quando não dá para eu fazer leitura labial.

11216190_1051571621539647_84116212_nConvidei as duas monitoras para darem os seus depoimentos aqui na reportagem, e elas aceitaram. Amanda Tiengo, recém-formada em Jornalismo, conta sobre como conseguiu esta função de monitoria e porque se identificou com o trabalho. “Consegui por meio de uma bolsa disponível na faculdade. Sempre gostei muito de ajudar as pessoas, principalmente quanto aos estudos. Durante o tempo que exerci a função, também era monitora de acompanhamento pedagógico em um projeto de uma escola municipal de Bauru, e plantonista de redação em um cursinho pré-vestibular, também em Bauru. O trabalho me traz satisfação visto que contempla uma coisa que gosto muito que é ajudar, sobretudo nos estudos”.

1384094_553876634683748_85592462_nJá a monitora Bárbara Zaneti de Carvalho, estudante de Arquitetura, dá a sua opinião sobre a importância da função do “intérprete oralista”. “Achei a proposta da monitoria interessante, pois teria contato com uma realidade diferente da minha. É gratificante saber que nossas atividades auxiliam na formação da aluna, e que facilita seu acesso ao conteúdo apresentado em sala de aula. Acredito ser uma função muito importante, pois auxilia no processo de inclusão dos surdos oralizados”.

Monitoria às pessoas com deficiência visual

Entrevistamos também uma monitora de um aluno universitário com deficiência visual e que estuda Direito na ITE (Instituição Toledo de Ensino), de Bauru/SP. Aline Cristina Caffêo Abrão trabalha na faculdade como secretária há dez anos. Porém, com o ingresso de um aluno com deficiência visual no período noturno da instituição, há quatro anos, Aline passou a desempenhar também a atividade de monitoria. “Auxilio o aluno ocasionalmente, somente no período de provas. Faço a leitura de todas as informações contidas nas avaliações, ele interpreta e responde. Eu nunca havia trabalhado como monitora antes, e não tenho contato com nenhuma outra pessoa que seja monitora, embora, no ano passado, tenha ingressado mais um deficiente visual e uma outra funcionária o acompanha nas provas também, mas quase não conversamos sobre isso por sermos de setores diferentes”, comenta ela sobre seu trabalho.

Pela responsabilidade que a função de monitoria envolve, Aline conta que teve algumas dúvidas e receios no início do seu trabalho. “No começo, me senti um pouco insegura, pois dependia muito de mim para ele entender as questões da prova e respondê-las. Eu tinha receio de ler rápido demais, devagar demais, ler errado, o que acontece muito, pois os professores usam muito o Latim no curso de Direito, mas deu tudo muito certo no final. O aluno foi me “moldando”, pedindo para ler novamente a questão mais devagar, e eu repito quantas e quantas vezes ele achar necessário, leio pausadamente quando a questão é bem extensa. E, em alguns casos, é necessário fazer uso dos Códigos (Civil, Penal, Processual), então ele traz o notebook e tem o Código falado, o que ajuda muito. Em outros casos, usamos o livro, e mesmo assim ele me orienta quanto à página, artigo e tudo mais a ser consultado”.

11080650_878657965505906_497682425070432930_oA atividade de monitoria gerou em Aline uma genuína gratificação e despertou seu interesse pelas questões que envolvem a adaptação e o apoio às pessoas com deficiência. “Eu estou gostando muito desse trabalho, estou me sentindo muito útil e importante para o aluno. Posso ajudá-lo quando ele precisa e isso é gratificante demais. Nós ficamos amigos, conheço seus pais, sua namorada, seus irmãos e o local onde ele estagia. Tenho vontade de fazer cursos ou algum treinamento para estar mais preparada para lidar com todas as situações de deficiência, pois a qualquer momento a faculdade poderá estar recebendo novos ingressantes e, hoje, nós, monitores, não temos esses conhecimentos a mais para oferecer”.

Jorge Luís Galli, o estudante de 22 anos e com deficiência visual monitorado por Aline, relata como se deu o processo da seleção do monitor para auxiliá-lo durantes as avaliações do seu curso. Antes de entrar na universidade, ele nunca havia tido contato com esse tipo de profissional, e realizava suas provas separadamente com os próprios professores ou com a sua professora de Braille. “Quando ingressei na faculdade, fui chamado para uma conversa com o diretor da instituição, para que eu explicasse todas as minhas dificuldades por causa da minha deficiência, e dessa forma, poder ajudar a instituição a realizar as adaptações necessárias. Neste sentido, a faculdade me ofereceu a ajuda da minha então monitora Aline Caffêo para a realização das minhas avaliações”.

Como conseguir um monitor para a sua criança com deficiência

O diagnóstico que determinará se a criança precisa ou não de um monitor escolar deverá ser realizado por uma equipe multidisciplinar, com professores, psicopedagogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Dr. Rogério Hamerschmidt, chefe do Serviço de Implante Coclear do Hospital de Clinicas da UFPR, também lembra a importância do laudo médico no processo, mas diz que só este documento não é o suficiente para conseguir o direito à monitoria. “O médico não dá laudo solicitando monitor, o médico dá o laudo atestando a surdez (ou outra deficiência). Quem vai solicitar o monitor é a própria professora, pedagoga ou a fonoaudióloga que assiste a criança”.

Segundo a pedagoga Sônia Aranha em seu site, nenhum tipo de escola, pública ou particular, pode cobrar a mais pelo serviço de monitoria, pois os custos de atendimentos especializados já devem estar inclusos entre os gastos da instituição (nas particulares, diluídos nas mensalidades de todos os alunos), o que, infelizmente, não ocorre em grande parte das vezes. A única alternativa restante mediante uma negativa da escola perante o pedido é juntar todos os documentos e procurar o Ministério Público do Estado, exigindo a sua intervenção, ou contratar um advogado e entrar diretamente na justiça contra a escola.

 

* Créditos das fotos: arquivos pessoais dos entrevistados.

* Por Ana Raquel Périco Mangili. Matéria desenvolvida inicialmente para uma disciplina do curso de Jornalismo da Unesp e publicada posteriormente também no site ADAP.