Câmara avalia regulamentação da profissão de audiodescritor

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O autor da proposta, Eduardo Barbosa, defende a audiodescrição como uma das formas de acessibilidade para deficientes.

A câmara dos deputados começou a analisar na última semana o projeto que regulamenta a profissão de audiodescrição. O Projeto de Lei 5156/13 foi criado pelo deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) e visa normatizar a profissão classificada como: “a atividade consiste na narração destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações que não poderiam ser percebidos ou compreendidos por pessoas com deficiência visual.”

O deputado autor da proposta afirma que a audiodescrição “é de suma importância para a inclusão de pessoas, não somente com deficiência visual, mas com também com deficiência intelectual, além de disléxicos e idosos”. O deputado também ressaltou a Portaria 310/06, que torna obrigatória medidas de acessibilidades por parte das emissoras, e que não vem sendo cumprida de forma adequada por parte da mídia.

Entre as tarefas do audiodescritor reconhecidas pela proposta estão:

– Planejamento e execução de roteiros de audiodescrição
– Produção de ensaios e experimentações no campo de atividade
– Elaboração de estudos, projetos e pareceres técnico-científicos ou culturais no âmbito de sua formação
– Jornada de trabalho de seis horas diárias; exceto quando houver algum acordo entre o audiodescritor e o empregador.

Leia a Proposta na íntegra: Lei 5156/13

Fonte: Câmara Notícias

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O desafio de uma boa tradução

Por: Ana Stamato, Gabriela Staffa e Carol Molina

No processo de tradução e dublagem encontramos um desafio que, muitas vezes, passa despercebido pelos telespectadores: a transposição do regionalismo utilizado pelo autor da obra original.

Muitos profissionais não se preocupam em manter as diferenças linguísticas da obra traduzida, promovendo correções e fazendo com que a essência seja perdida. Às vezes, o autor deseja usar gírias e sotaques para demarcar traços estilísticos dos personagens, e isso não pode ser simplesmente ignorado pelo tradutor ou pelo legendista.

Por isso deve-se tomar muito cuidado ao adaptar obras de outras línguas, pois é preciso manter os traços estilísticos do autor e da obra original, uma vez que, como Carvalhal ressalta “se as línguas são diferentes, traduzir significa levar em conta essa diferença” (2003: 217).

Porém, a tradução literal, às vezes, não passa o sentido que o autor pretendia, exigindo que algumas adaptações sejam ser feitas. Carvalhal ressalta que “se as línguas são diferentes, traduzir significa levar em conta essa diferença” (2003: 217).

Cabe ressaltar que, quando tradutores adicionam regionalismos pessoais nas obras traduzidas, isso também pode gerar mudanças no significado original da obra, deixando o trabalho com baixa credibilidade perante o público conhecedor da obra original.

Tomamos como exemplo o análise feito por Yanna Karlla H.G.Cunha no seu trabalho O ENFOQUE REGIONALISTA NA TRADUÇÃO DE FARACO :

“De cuando en cuando, como siempre, golpeaba los trozos de coronilla con una trenza de alambre y arrimaba brasas a la caldera tiznada y panzona. (p.36)“

“De vez em quando, como sempre, golpeava as achas de coronilha com um arame trançado e encostava as brasas na cambona negra e bojuda. (p.36)”

A troca de “caldera” por “cambona” segue o mesmo intuito citado acima, ou seja, trazer um novo termo que esteja mais relacionado com o regional, porém mantendo a mesma impressão pretendida no original ao leitor.

O certo, então, seria trazer a obra de língua estrangeira para língua desejada de modo adaptado e buscando sempre as intenções iniciais do autor para que o significado original não seja perdido, já que a linguagem própria de um lugar não é uma simples expressão de cor local, mas sim uma identidade que, no contato com o outro, afirma uma história e evidencia a presença da cultura de um território.

Surdos querem direitos iguais em filmes e TV em Malta

Tradução e adaptação: Dimitrios Meimaridis

A Associação de Pessoas Surdas de Malta, lançou no começo do ano uma campanha chamada Legendas Agora [Subtitles Now]. O objetivo da campanha é incentivar uma maior produção de material com legenda nos cinemas e na televisão local.

Segundo os organizadores da campanha, a qualidade de vida de pessoas surdas e deficientes auditivos do pequeno país europeu localizado no mar mediterrâneo, seria grandemente beneficiada, uma vez que a televisão é uma grande fonte de conhecimento. Alison Vere, uma das pessoas ligadas a Associação revelou em uma entrevista com o jornal Times of Malta que com exceção do Jornal para Surdos – cuja duração é de cinco minutos – o restante da programação da televisão do país é inacessível aos surdos.

O grupo ainda afirmou que a novidade que funcionaria de forma opcional para os telespectadores também beneficiaria outros grupos de pessoas, como por exemplo, quem está aprendendo a falar inglês ou convive em um ambiente barulhento. O comercial da campanha produzido junto com a ONG Kinemastik, produz uma interessante troca de papéis demonstrando de forma prática como os surdos se sentem quando estão em contato com um material que não é acessível a eles.

No Brasil, a acessibilidade ainda está longe de atender ao número de pessoas necessitadas. Segundo o CENSO de 2010, quase 10 milhões de brasileiros alegaram sofrer de alguma deficiência auditiva, dos quais mais de dois milhões são representados por pessoas com grandes dificuldades auditivas ou surdez absoluta.

O governo brasileiro criou em 2006 a norma n°01/2006, tornando obrigatório que as emissoras abertas oferecessem recursos de acessibilidade, sendo que a legenda oculta (closed caption) e dublagem já estão em vigor no país desde 2008. Em Junho do ano passado, a audiodescrição  começou a ser utilizada, hoje cerca de 2 horas da programação  recebe esse tipo de acessibilidade. A esperança do governo é de que até 2020, a programação acessível por audiodescrição seja de 20 horas semanais.

O Ministério das Comunicações é o responsável pela fiscalização dos veículos televisivos. No ano passado, o MiniCom avaliou as emissoras de Brasília e pode constatar que seis delas não cumpriam com regulamento e foram notificadas por irregularidades. O mecanismo que ficará responsável pela fiscalização das empresas será o SAR (Sorteios para o Acompanhamento da Radiodifusão), que a cada dois meses ira sortear um novo município para avaliar a qualidade da acessibilidade oferecida pelas emissoras.