O movie reading e a tecnologia acessível

A ciência mais uma vez cumpre seu papel primordial: expandir informação

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       Desde o momento em que o despertador toca até a hora em que ele é reprogramado para tocar, o cidadão moderno tem o hábito de acessar em suas mãos toda informação por meio da tecnologia. No trabalho, no trânsito, no almoço e até no banho, a modernidade nos deu a grande vantagem e responsabilidade que é o acesso à rede de modo amplo e transformador. Transformador como, por exemplo, o sistema Movie Reading.

       O movie reading é um aplicativo que está disponível e pode ser baixado gratuitamente por celulares que tenham Android ou o sistema iOS. Representado na América Latina e no Brasil pela parceria de negócios entre a empresa brasileira Iguale Comunicação de Acessibilidade e a italiana Universal Multimedia Access. O app tem como função sincronizar áudio e legenda automaticamente, ou seja, se você estiver no cinema e ativá-lo, terá acesso à legendagem do filme. Além disso, o público pode usar óculos eletrônicos para visualizar as legendas de modo mais confortável e no caso da audiodescrição, basta um fone de ouvido. Também podemos usá-lo em casa, no conforto da televisão e da pipoca.

        Esse advento, além de gerar um grande avanço na área da comunicação acessível, também fomenta o índice de investimento no setor, agregando a ele a condição de importância que realmente tem. O movie reading, tecnologia facilmente disponível, é eficaz, fácil de utilizar e cumpre o que promete. Uma grande demonstração da demanda e da capacidade de convivência da sociedade com as pessoas com deficiência.

        A tecnologia se mostra infinita. Infinita no sentido de poder se expandir para todas as direções e demonstrar a que veio. O lançamento desse aplicativo mostrou mais uma vez a importância da acessibilidade no mundo, já que todas as classes sociais podem usá-lo e a base da comunicação igualitária para todos deve ser esse empenho em criar ferramentas e demonstrar que todo conhecimento pode ser acessível.

As vozes Tagarellas da Audiodescrição

Todo dia quero ser os olhos de alguém. (Mimi Arágon)

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As tagarellas Kemi Oshiro, Marcia Caspary e Mimi Arágon (da esq. para a dir.) na 32ª Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo.

Entrevista de Giovana Amorim

Revisão: Lucinéa Villela

Entre os vários e interessantes projetos sobre comunicação e acessibilidade, principalmente no que se refere ao recurso da audiodescrição, a empresa Tagarellas é uma referência em qualidade e profissionalismo no Brasil. A fundação porto alegrense foi inicialmente criada apenas para realizar produções sem utilizar do recurso de acessibilidade

Os sócios da Tagarellas Audiodescrição são produtores, jornalistas, redatores, atores, narradores, roteiristas e, acima de tudo, audiodescritores. Apaixonados pelos trabalhos que fazem e pelos seus produtos não se contentam apenas com o meio digital ou com a área cinematográfica: já audiodescreveram vídeo, danças, foto e até casamentos; participam de Feiras do Livro e com frequência participam como audiodescritores de lançamentos de filmes no Festival de Cinema de Gramados.

Levando a cultura acessível até o público em geral, a Tagarellas se coloca à disposição para fazer do mundo um espaço menos discriminador e segregador. Mimi Arágon, 43 anos, publicitária, roteirista, audiodescritora e sócia da Tagarellas deu uma entrevista para o Blog do MATAV sobre o início, os meios e os fins do seu trabalho e da sua equipe.

 

Giovana Amorim (colaboradora do Blog MATAV): Em primeiro lugar, parabéns pelo projeto. Conhecendo essa área há tão pouco tempo, eu já recebi bastante informação por meio do trabalho de vocês e isso me ajudou em muitas dúvidas. Queria que vocês falassem um pouco sobre o surgimento e consolidação da Tagarellas.

Mimi: Eu conheci o recurso [da audiodescrição] em 2010. Fiz um curso com a Lívia Mota, de São Paulo, que veio a Porto Alegre para ministrá-lo. No curso estava comigo a Márcia Caspary, dona da Tagarellas Produções que ainda não fazia audiodescrição. Depois desse curso, nós nos apaixonamos perdidamente pelo recurso e montamos um grupo de estudos.

Na época ainda não havia um curso de formação em audiodescrição como lá em Juiz de Fora, então, nós fazíamos cursos de carga horária reduzida, 40 horas por semana, e nos virávamos para estudar. Tínhamos reuniões uma vez por semana para pesquisar mais sobre as diretrizes do recurso, como era feita a audiodescrição no Brasil e nos outros países. Nós propusemos fazer algumas coisas e aí a gente fez um videoclipe com audiodescrição da Luiza Caspary.

A partir desse grupo de estudo, a gente começou a receber muita demanda de trabalho e percebemos que tínhamos uma empresa; tinha pessoal, tinha mão de obra e tinha trabalho. E então começamos a trabalhar: eu, a Márcia, a Mariana Baierle e o Felipe Mianes.

A gente já tinha a empresa da Márcia com o nome Tagarellas, passamos a usá-lo e pegou. Depois conhecemos a Kemi e formamos o time que temos de cinco sócios.

MATAV: Olhando no Blog de vocês, percebi que ministram e ministraram várias vezes cursos e oficinas sobre acessibilidade e audiodescrição. Quando surgiu a idéia de expandir a atuação para algo mais aberto a toda sociedade?

Mimi: Na verdade essa é uma demanda que surgiu porque as pessoas têm muita curiosidade sobre o recurso que é novo, no mundo existe há 35 anos e no Brasil há 15 anos. É uma novidade e desperta curiosidade, ainda mais quando passou a ter obrigatoriedade na TV, a partir de 2008. Isso deu bastante visibilidade para o assunto. As pessoas perguntam muito o que é. Nossos cursos são de sensibilização e não de formação. Eles oferecem uma introdução ao assunto. Nós recebemos sempre muitos pedidos para que façamos esses eventos e esclarecemos o que é o recurso. Embora a gente não tenha se programado para ministrar cursos, nós também fazemos porque é nossa missão de multiplicar o conhecimento, a gente precisa fazer isso para espalhar por aí. É o compromisso que temos em divulgar o conhecimento sobre a audiodescrição.

MATAV: Como é a receptividade do público? Existe um tipo de público específico que participa mais ativamente desses cursos ou vocês têm variedade?

Mimi: Não, esse público na verdade passa sempre por renovação. No ano passado e neste ano (2014) nós fizemos aqui em Porto Alegre uma oficina na Feira do Livro. No ano passado (2013) tinha muita gente de muitas áreas e que chegou à oficina desconhecendo o recurso. As pessoas foram chegando por curiosidade, perguntando o que era aquilo e dizendo que tinham ouvido falar, mas não sabiam o que era. Este ano foi diferente, o público que recebemos na oficina foi para aprofundar o que já sabiam um pouco. Era gente que já trabalhava com acessibilidade de livros, libras e outros recursos, pessoas que foram para aprofundar um pouquinho mais sua noção sobre produto cultural acessível. A gente vê que aos poucos esse nosso papel de multiplicação do conhecimento tem funcionado, ou seja, o público tem se renovado e se especializado. É um público que sempre se renova e se especializa.

 

MATAV: A Tagarellas realiza também muitos eventos: já participaram de exposições, conferências e até espetáculos de dança. Qual a importância das parcerias que vocês fazem ao longo do projeto?

Mimi: Para Tagarellas e para mim pessoalmente, da maneira como eu vejo a questão da acessibilidade principalmente no Brasil, é fundamental ter parcerias. Eu acho que o nosso mercado nem está constituído, a audiodescrição e a acessibilidade são tão novas no Brasil que a gente precisa andar junto. Se a gente não andar junto, não vamos conseguir constituir esse mercado. Se a gente não for parceiro e se abraçar, não vamos conseguir construir a acessibilidade e não vamos conseguir avançar com os conceitos, práticas e políticas que precisamos. É uma das nossas bandeiras na Tagarellas. A gente acha que se não andarmos juntos, construirmos juntos, nós não vamos avançar.

Eu não acredito na questão da competição. Existem algumas poucas empresas que acham que nós somos concorrentes, mas eu não acredito que tenhamos concorrentes no mercado e, sim, aliados. Eu gostaria que todos trabalhassem sob essa lógica, mas já somos felizes de ver que a maioria não acredita na competição.

Tivemos uma experiência muito, muito bacana neste ano de 2014 que foi o filme A Despedida. Fizemos seu roteiro de audiodescrição para o Festival de Cinema de Gramado. O diretor Marcelo Galvão já é parceiro desde que fizemos a audiodescrição do seu filme Colegas em 2012.

Daí quando aconteceu a história do movie reading, que é um aplicativo da Iguale, aí de São Paulo (do Maurício Santana), o Marcelo insistiu para que nosso roteiro fosse usado pelo aplicativo. O Maurício me ligou um dia falando que o nosso roteiro estava muito bom e disse que queria passar o filme em São Paulo com o ele. Realmente o filme foi gravado com o nosso roteiro e isso foi uma prova de que a gente pode andar junto, e é assim que a gente vai construir a acessibilidade.

MATAV: Como a mídia ajuda na área de audiodescrição? Vocês sentem uma abertura grande ou até crescentenos veículos de comunicação para a pauta da acessibilidade?

Mimi: Olha, a gente tá caminhando, é um trabalho de formiguinha. Temos que trabalhar todo dia. A acessibilidade ainda é relativamente desconhecida. Quando começamos a trabalhar forte com a Tagarellas, a gente optou por divulgar bastante nosso trabalho, usar redes sociais, manter nosso blog atualizado e estabelecer relações bacanas com jornalistas e com a mídia. Porque é preciso que as pessoas conheçam o recurso, a gente precisa divulgá-lo, o público alvo às vezes não conhece o recurso, a gente precisa o tempo inteiro divulgar. E a gente precisa manter aliados, como a mídia, um aliado que todo mundo sabe que é forte e poderoso.

Quando fazemos uma divulgação do nosso trabalho e vamos atrás de um jornal, da TV, a gente não está fazendo uma propaganda da Tagarellas. Estamos divulgando o recurso, a audiodescrição, a iniciativa, um pensamento político.

Existe uma questão muito importante: os deficientes, historicamente, sempre foram discriminados e excluídos. Se a gente não fizer barulho por causa dos recursos acessíveis, essas pessoas vão continuar ilhadas. Também temos que procurar a parceria da mídia, mas procuramos nos manter atualizados. Quando vamos fazer um evento nós avisamos as pessoas por e-mail, mandamos mensagem, ligamos. É importante isso, saber que as pessoas receberam a informação. É difícil tirar as pessoas de casa, ainda mais em Porto Alegre, uma cidade inacessível, de difícil circulação, que não está preparada para receber as pessoas. A gente tem um trabalho muito cuidadoso, boca a boca, corpo a corpo. Não é a divulgação do trabalho da Tagarellas e, sim, do recurso acessível.

 

MATAV: Vocês já produziram audiodescrição de curtas e longas, como por exemplo, o filme Colegas, de Marcelo Galvão, mas também já fizeram audiodescrição de espetáculos de dança. Como é se aventurar por tantos modos de produção e quais são as grandes dores e delícias do processo? 

Mimi: É sempre um desafio para gente. É uma revolução. Na Tagarellas eu trabalho com produção e roteiro, eu sou roteirista, que é meu grande barato, igual às artes cênicas. Eu adoro ficar pulando de galho em galho. Adoro fazer roteiro para teatro, dança, circo e artes visuais. Quando eu comecei a fazer audiodescrição me incomodava que pessoas iguais a mim não pudessem ir ao teatro como eu, que vou desde pequenininha. Eu acho que do ponto de vista do público, quanto mais a gente puder oferecer produtos variados, melhor. Quanto mais a gente puder oferecer livro acessível, teatro acessível, filme acessível, fotografia acessível, oficina de artes e xilogravura como fizemos em Porto Alegre, enfim, quanto mais a gente variar o cardápio de produtos acessíveis, melhor. Do ponto de vista do desafio profissional, eu quero fazer tudo. Costumamos dizer nas oficinas que não existe nada que não pode ser audiodescrito. Tudo o que pode ser visto pode ser audiodescrito. E a gente quer fazer tudo. No início deste ano, nós audiodescrevemos um casamento aqui no interior do Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina. E estávamos muito inspirados pela experiência da Lívia, que não só foi nossa professora como nossa grande incentivadora. Ela é nossa “mãezona”. A gente já fez audiodescrição até de concurso de miss. Nós queremos fazer tudo! Eu sou uma super empolgada. A gente fica empolgado, queremos inventar muita coisa, queremos abrir os olhos das pessoas por aí. A gente quer fazer acontecer!

 

MATAV: Algumas exibições de trabalhos das Tagarellas foram feitas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Visto que a universidade no todo é um lugar de jovens, gerador e transformador de pensamento e comportamento, qual o papel desse espaço junto às questões da acessibilidade? Vocês acham que a educação superior brasileira hoje é receptiva a esse assunto?

 Mimi: Eu acho que a universidade é fundamental para a acessibilidade, é o grande balão de ensaio para a pesquisa, o desenvolvimento. Na verdade, a audiodescrição nasceu de uma dissertação de mestrado, de uma pesquisa nos Estados Unidos e se desenvolveu muito nesse meio. No Brasil, a audiodescrição está muito vinculada à pesquisa acadêmica. Eu sou formada em propaganda e não sou nada acadêmica, nada mesmo, mas busco muito ler e pesquisar, dependo muito da produção acadêmica, só não tenho perfil de pesquisadora. De qualquer maneira, o trabalho na academia é de fundamental importância para o desenvolvimento do recurso.

De quatro anos para cá, quando eu comecei a estudar a audiodescrição, foi impressionante ver que o número que trabalhos acadêmicos sobre a acessibilidade e audiodescrição aumentou muito de tamanho no Brasil. E isso engrandece muito nosso trabalho aqui fora. “Aqui fora” significa para gente que está no mercado trabalhando com isso, enfim. A gente tem que andar junto, como eu falei no começo da entrevista.

Essa construção da questão da acessibilidade e da audiodescrição inclui os profissionais da audiodescrição, o público, o poder público, os pesquisadores, a academia. Então, quando eu falo no coletivo, é todo mundo. Nós e vocês da academia. Se não andarmos juntos, não vamos avançar. A gente só avançou o que avançou até agora por causa, em grande parte, da pesquisa. A gente precisa muito dos estudos, por isso o que está acontecendo em Juiz de Fora é de uma riqueza impressionante (Curso de Especialização em Audiodescrição, Universidade Federal de Juiz de Fora). Tive a oportunidade de estar lá como ouvinte. E foi muito especial ver que quando a gente começou não tivemos a mesma oportunidade desses alunos em Juiz de Fora, pois eles têm todos esses professores que são, na verdade, pioneiros da audiodescrição do Brasil reunidos e sistematizando conhecimento.

Quando eu comecei, eu tive que fazer sozinha. A Lívia facilitou bastante, mas tive que ir fazer contatos e aprendendo por minha conta. A turma de Juiz de Fora está tendo uma oportunidade incrível de ter aula com os melhores professores, dentro de uma Universidade Federal com um conhecimento bem sistematizado que só o ambiente da academia proporciona. Então é muito rico, é muito importante, a gente precisa mesmo andar todo mundo junto para conseguir avançar. É no que eu acredito, pelo menos até agora.

MATAV: A comunicação é importante para o funcionamento do mundo talvez desde quando ele foi criado e é acessada por nós todos os dias. O ativismo pela acessibilidade de vocês nos faz lembrar que ainda conhecemos muito pouco sobre ela. Como o ativismo pela acessibilidade influencia o dia a dia de vocês?

Mimi: Isso é grandioso de falar. No meu primeiro dia de aula com a Lívia eu não me dava conta de como a limitação de um sentido realmente limita o acesso à informação. Quando eu me dei conta, percebi como é importante e simples descrever uma imagem para alguém e como isso, sendo tão simples e tão básico, muda a vida das pessoas, transforma sua realidade. Tem essa história que eu sempre conto e canso as pessoas [risos], enfim, eu tenho pouco mais de 20 anos de propaganda e sempre trabalhei com criação. Sou redatora. Na verdade era, fico feliz em dizer que sou cada vez mais audiodescritora do que redatora. Quando eu conheci a audiodescrição, eu já estava insatisfeita com meu trabalho, com a propaganda, cansada de vender sabão em pó ou apartamento, aquilo não me dizia mais nada.

Nem meus melhores anúncios fizeram com que alguém agradecesse pelo meu trabalho, não fizeram diferença na vida de alguém. Com a audiodescrição todo dia chega alguém para agradecer e dizer que meu trabalho fez a diferença. É para isso que eu trabalho 16 horas por dia e estudo tanto. Não é por vaidade, é por acreditar que podemos fazer a vida de alguém mais bonita. Sou muito mais feliz por saber disso. Todo dia quero ser os olhos de alguém. Ser ativista da acessibilidade é acreditar que a gente pode fazer a diferença na vida das pessoas.

(confira o blog das tagarellas https://tagasblog.wordpress.com/)

 

TOM-SP- Evento reúne tecnologia e acessibilidade em prol da melhoria de vida

USP receberá convidados para cuidar da Tecnologia Assistiva.

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Logo do evento israelense

  

   Nos próximos dias 28 a 30 de novembro acontecerá na USP de SP o evento TOM-SP, realizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e que contará com a presença de diversos profissionais da área da acessibilidade e da tecnologia. O evento tem como proposta reunir especialistas que usem do advento tecnológico para resolver desafios propostos que se referem às dificuldades com que sofrem os deficientes em relação ao meio tecnológico.

   A reunião dos participantes será no Departamento de Engenharia de Produção da Poli/USP e lá estarão presentes os cerca de 80 convidados selecionados, desde representantes de instituições da área da tecnologia e da acessibilidade, até deficientes e entidades que sugerem desafios a serem cumpridos. A professora e coordenadora do Grupo de Pesquisa Mídia Acessível e Tradução Audiovisual (MATAV) Lucinéa Marcelino estará presente no evento como representante da UNESP.

   Por se tratar de uma área tão importante como a tecnológica, que, além de produzir conhecimento e integração também pode ser utilizada para diversos fins, a intenção é que os médicos, fisioterapeutas, designers, engenheiros, entre outros conhecedores presentes, unam suas forças afim de criar um caminho, uma solução para os problemas propostos no ato, aplicando seu conhecimento e estimulando a Tecnologia Assistiva.

   Inspirado no projeto original israelense, o TOM se baseia na ideia de “reparar o mundo” e se coloca como um gerador de ação que pode ser replicada ao redor do globo. Serão 72 horas empreendedoras em que o maior interesse é ajudar pessoas e atender uma demanda de problemas que não é comumente vista pela sociedade em geral, já que esta discrimina e desmerece a luta do deficiente.

   A troca de conhecimento entre os diversos profissionais é imprescindível para o evento. O TOM promove, independente da localidade, a integração de funções em prol da criação de meios para a melhor vivência dos deficientes, através de projetos que possam ser transformados em produtos e disponibilizados para a população, aumentando, consequentemente, o nível de produção do setor.

Simpósio leva mídia acessível para a universidade

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Nos últimos dias 22 e 23, aconteceu na Unesp de Bauru o I Simpósio de Mídia Acessível e Audiodescrição. Realizado pelos grupos de pesquisa Mídia Acessível e Tradução Audiovisual (MATAV), coordenado pela Profa. Dra. Lucinéa Villela, e Linguagem e Mídias Sonoras (GELMS), com a Profa. Dra. Suely Maciel coordenando, o evento, que teve início às 14h da quarta-feira, contou com a presença de 55 inscritos entre estudantes e visitantes. Além disso, palestrantes realizaram ao longo dos dois dias atividades que tiveram a participação dos presentes, os quais também receberam Workshops de audiodescrição e locução.

A data do simpósio teve caráter simbólico, já que em outubro comemora-se mês da acessibilidade no Brasil. Com o intuito de debater como é o cenário da mídia acessível no país, a importância da produção de audiodescrição e o papel social que a universidade tem em relação à acessibilidade, o simpósio trouxe a tona a dificuldade que há em produzir e oferecer aos cegos e deficientes visuais condições para que aproveitem totalmente aquilo que é feito atualmente no campo da mídia, da arte e da comunicação.

A audiodescrição

Audiodescrição é um recurso que consiste em descrever objetivamente informações que são visivelmente passadas numa imagem (ou sequência de imagens). Tais informações não estão presentes em diálogos ou fundos musicais, mas nas expressões, nos movimentos, no ambiente, no tempo e espaço de uma cena, nas roupas, no físico, em efeitos especiais e até em créditos finais. O recurso nunca se sobrepõe às falas de um filme, por exemplo, sendo feita nos espaços entre elas.

Não é difícil notar sua importância. Dados de 2010 do IBGE junto à CORDE apontavam que quase 150 mil pessoas já haviam se declarado cegas entre 16,6 milhões com algum grau de deficiência visual. Ainda assim, pouco é divulgado, em espaços públicos comuns, sobre a audiodescrição. Um dos visitantes do Lar e Escola Santa Luzia para Cegos, em depoimento sobre suas experiencias, disse que “algumas audiodescrições são tão bem feitas que é como se eu estivesse enxergando”. Apesar disso, o investimento nessa área ainda não é suficiente para que todos os que precisam façam uso do recurso e, mais que isso, consigam também enxergar.

Seja por falta de planejamento, políticas públicas e até interesse, a audiodescrição, tão importante para quem necessita dela, não é ainda amplamente divulgada e fomentada; isso também acontece com outros tipos de recursos que garantem a acessibilidade mas não são massivamente valorizados. A audiodescritora e palestrante do simpósio Bell Machado aponta “A dificuldade [da produção e disseminação da audiodescrição] é a falta de políticas públicas que garantam o acesso aos bens culturais, embora haja muita gente de esferas como a municipal e a estadual trabalhando nisso”. “Esses recursos – continua- precisam de formação, ou seja, precisam de políticas públicas. Precisa-se, desde formar os audiodescritores até colocar rampas de acesso. A política pública possibilitaria essa formação, essa ampliação, atingindo todas as esferas até chegar ao deficiente”.

E a universidade?

O espaço da universidade pública é o espaço da integração. Ultrapassar as barreiras do conhecimento, não só acadêmico como pessoal, é uma das coisas a que se propõe esse tipo de instituição. Com a Unesp não é diferente. Embora a mídia acessível e a formação de profissionais da área ainda não seja uma realidade constante, a presença de grupos de estudo sobre a área já indica uma maior abertura; com o acontecimento de um simpósio, isso se intensifica.

Em um cenário onde há luta diária contra a exclusão de qualquer tipo, há de se lutar também contra a desinformação. Para que houvesse uma integração das partes que sempre se excluíram, historicamente, foi sempre necessário o uso da comunicação, essa que, em maior ou menor escala, atinge a todos, mesmo quando precisar ser adaptada para isso.

O evento foi importante, não só, mas também, nesse sentido. “A importância desse evento é justamente a inclusão das pessoas com deficiência, fazendo com que elas tenham acesso às informações que todos têm. Mas é bom principalmente para a sociedade. Como nós temos poucas políticas públicas que promovem acessibilidade cultural às pessoas com deficiência, a sociedade acaba não convivendo com a diversidade. Quando ela [sociedade] aprende sobre o outro, diferente de si, e interage com ele, ela só tem a aprender.” diz Bell Machado.

I Simpósio dos Grupos de Pesquisa “Mídia Acessível e Tradução Audiovisual (MATAV)” e “Linguagem e Mídias Sonoras (GELMS)” 

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Tendo em vista que em outubro comemora-se o mês da acessibilidade no Brasil, o MATAV e o grupo de pesquisa “Linguagem e Mídias Sonoras” (GELMS), do Departamento de Ciências Humanas da UNESP – Bauru,  promoverão um debate pertinente sobre os direitos à acessibilidade aos produtos audiovisuais e oferecerão duas oficinas com profissionais nas áreas de Tradução Audiovisual e Produção sonora.

O evento, que ocorre nos dias 22 e 23 deste mês, tem como objetivo proporcionar a discussão sobre acessibilidade aos meios de comunicação e à cultura em seus diversos contextos. Durante os dois dias do Simpósio haverá:

a) palestras sobre o panorama brasileiro na área acessibilidade cultural e sobre as possibilidades de produção para as mídias sonoras e audiovisuais;

b) oficinas que buscarão oferecer aos discentes e à comunidade externa capacitação nas áreas de audiodescrição e produção sonora.

Os interessados em acompanhar as oficinas e palestras poderão se inscrever nos Departamento de Ciências Humanas (DCHU) da UNESP a partir de 06/10/2014. Serão emitidos certificados de participação e dos workshops. Serão cobradas pequenas taxas no valor e R$ 10,00 para alunos, docentes, funcionários e servidores da FAAC e R$ 20,00 para a comunidade externa.

Confira abaixo a programação do simpósio:

22/10/2014 (quarta-feira)

•9h

–  Abertura (Sala 1A)

– Mesa-redonda: Comunicação e Acessibilidade Cultural

Participantes:

Bell Machado (Audiodescritora e Assessora na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de Campinas)

Profa. Dra. Lucinéa Villela (Docente do Departamento de Ciências Humanas- FAAC- campus de Bauru)

Profa. Dra. Suely Maciel (Docente do Departamento de Ciências Humanas- FAAC- campus de Bauru)

•14h às 17h

– Workshop de Iniciação à Audiodescrição (sala 1A)

Participantes:

Bell Machado

“A audiodescrição é um recurso de acessibilidade, também chamado de tecnologia assistiva, utilizado para ampliar o entendimento de pessoas com deficiência visual e baixa visão em cinema, teatro, televisão e em todas as atividades nas quais as informações visuais são fundamentais para o entendimento da obra. É esse recurso que permite a verdadeira inclusão cultural e social dessas pessoas na sociedade.
A partir das informações visuais fornecidas pela audiodescrição, a pessoa com deficiência visual poderá melhor elaborar suas idéias ao assistir eventos, sejam culturais, como cinema, espetáculos de teatro, dança, musicais, óperas, desfiles, exposições de arte, mostras de fotografia; turísticos, como caminhadas e passeios em cidades ou no campo, lugares onde a descrição da paisagem é fundamental, museus e zoológicos; esportivos, como esportes radicais, jogos, competições; acadêmicos, como palestras, seminários, congressos, aulas; e sócio-culturais como, feiras culturais e de ciências”

23/10/2014 (quinta-feira)

•9h às 12h

– Workshop de locução (Laboratório de Técnica Redacional) – atenderá no máximo 20 alunos.

Participantes:

Wellington Leite (Mestre em Comunicação Midiática e radialista da Rádio Unesp FM)

•14h

– Palestra “Produção em Mídias Sonoras”

Participantes:

Profa. Elisa Bicudo  (Mestre em Ciências da Comunicação, professora adjunta e pesquisadora da Faculdade Cásper Líbero e Coordenadora de Ensino do curso de Rádio e TV do Centro Universitário Belas Artes. Também é Coordenadora de Programação da Rádio Globo de São Paulo.)