PAPO COM LEGENDA Episódio 06 – Memórias do MATAV


Episódio especial: MATAV com Vinícius Laureto, Luís Miguel e Sofia Vasconcelos

Transcrição: Ana Laura Dias, Daniela Souza, Letícia Santos, Luiza Hidalgo

LUCINEA:

Olá! Bem-vindo, bem-vinda e bem-vinde ao sexto e último episódio da primeira temporada do nosso podcast “Papo com Legenda”. Eu sou Lucinéa Villela, sou uma mulher de 51 anos, sou baixa, tenho cabelos castanhos curtos e encaracolados, meus olhos são castanhos também e uso óculos. Estou sentada em uma cadeira em frente à mesa de meu escritório,e estou gravando em meu notebook.

ANIELE:

E eu sou a Aniele, sou uma mulher de 27 anos de cabelos cacheados na altura do ombro, da cor castanha e olhos também castanhos. Eu meço 1,65 de altura, eu estou no meu quarto, sentada na frente do meu notebook.

LUCINEA:

Durante toda a nossa temporada, recebemos especialistas em recursos acessíveis para mídias audiovisuais e usuários que também atuam no meio profissional. Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre o grupo de pesquisa do qual o Papo com Legenda faz parte. 

Neste episódio especial, receberemos ex-membros do MATAV. Contaremos um pouco da história de como começamos, das perspectivas de cada um dentro do projeto e como o MATAV agregou dentro e fora da graduação de cada um.

ANIELE:

É com muita alegria que trazemos esse episódio! E com certeza os entrevistados terão muita coisa para falar. 

Eu por exemplo, estou adorando minha experiência no MATAV, que foi meu primeiro grupo de pesquisa e eu procurei muito por isso na minha graduação. E eu tenho certeza de que eu achei o grupo certo para mim. Além de todas as oficinas e palestras que o grupo me proporcionou, que me ajudaram a entender as questões de acessibilidade e melhorou o meu olhar empático sobre a causa, eu tive a oportunidade de me portar como designer, a profissão que eu almejo e ser vista como tal.

Gente, que experiência louca que foi tudo isso.

Mas antes de começar o papo com nossas convidadas e convidados, vamos para o nosso último “Legenda aí pra mim”

Criado em 2013, o grupo de pesquisa Mídia Acessível e Tradução Audiovisual, MATAV, surgiu com o intuito de agregar estudantes e pesquisadores da área de comunicação que possuem interesse em acessibilidade no audiovisual.

Os recursos de acessibilidade que os membros do MATAV estudam são audiodescrição, legendagem para surdos e ensurdecidos e outros recursos como dublagem e voice-over. Sempre focando na inserção da pessoa com deficiência visual e auditiva ao meio audiovisual. 

O projeto conta com 8 anos de história e nesse período muita coisa bacana foi realizada e parcerias muito boas foram estabelecidas.

Um exemplo disso é a websérie “#E_vc?voltada para o público juvenil, abordando os processos que todos passamos durante nosso desenvolvimento. A série foi elaborada pela 8KA produções e tem como protagonista Flora Paulita, dubladora de diversas séries da NETFLIX.

Outro projeto de destaque foi o fotodocumentário “A ditadura militar na perspectiva dos deficientes visuais”, produto autoral do MATAV, lançado em 2014, ano em que vários eventos foram realizados no Brasil para debater os 50 anos da Ditadura Militar em nosso país.

O MATAV também implementou o recurso de legendagem descritiva nas colações de grau dos cursos da FAAC, na UNESP de Bauru, durante os anos de 2017 e 2018.

Além desses projetos, o MATAV também realizou diversas oficinas e recebeu em Bauru muitos profissionais brasileiros em acessibilidade que colaboraram com a formação de nossos alunos e alunas. 

Por fim, são muitas as atividades que o MATAV tem produzido ao longo dos anos, contribuindo nesta longa jornada que é a acessibilidade.

LUCINEA:

É isso, aí, Aniele. Foi uma história muito bonita do MATAV, um grupo de pesquisa que eu iniciei em 2013 com alguns alunos do Curso de Radialismo (hoje RTVI), e na época contamos com a participação de alunos de Jornalismo, de alunos de Tradução da USC de Bauru. Foi muito bacana esta contaminação pela acessibilidade. Hoje nós temos ex-alunos que moram até fora do Brasil, mas que deixaram lembranças muito boas para gente até pensar nessa reunião de ex-membros do MATAV.

ANIELE: 

É isso aí, Lucinea! No próximo bloco, contaremos com os ex-membros do MATAV num bate-papo sobre a experiência deles no projeto!

Vamos para um breve intervalo e voltamos já!

WALESSON:

Acompanhe o Instagram do nosso podcast em @papocomlegenda para saber quando saem os novos episódios e no @matav_unesp para ficar por dentro das novidades e notícias sobre acessibilidade.

LUCINÉA: Olá, pessoal! Sejam bem-vindos! Agradeço de coração por vocês terem aceitado participar desse episódio especial do Papo com Legenda, que é o último da primeira temporada. Essa é mais uma maluquice que eu inventei e outros malucos e malucas toparam, e nem dá para saber como a gente começou, mas sabemos que deu certo e estamos terminando super bem.

Eu pedi para que vocês participassem representando várias fases do MATAV e da história dele, que começou em 2013.

O Vinícius é dessa geração e acho que a pessoa que mais ficou ativamente no MATAV, de 2013 a 2017. Então, o Vinícius tem essa história marcante de vários projetos!

Também chamei a Sofia, porque ela representa um trio que eu amo demais, que era o Guri, a Sofia e a Giovana. Eles eram bolsistas na época e a Sofia participou de várias ações.

E o Luís, que é da terceira geração, se assim a gente pode chamar, e representa o curso de Design. É uma história bem bacana. Depois ele vai contar um pouquinho de como ele está atuando hoje.

Acho que nós temos que agradecer muito essa inserção do Design, porque desde que alunos do Design entraram para o MATAV, eu percebi que a gente não consegue mais viver sem esse tipo de profissionais. Eles fazem toda a diferença.

Então, antes de mais nada, eu vou me audiodescrever, porque a gente sempre faz isso no início dos episódios. Depois, eu vou pedir para que vocês três se audiodescrevam, e aí eu começo com o Vinícius.

Eu sou uma mulher branca, sou baixa, tenho 51 anos e os cabelos curtos e castanhos. Também tenho olhos castanhos, uso óculos e estou sentada em frente ao meu computador, no meu escritório. No fundo, há duas estantes um pouco bagunçadas, e estou vestindo uma camiseta preta. Passo para o Vinícius se audiodescrever.

VINÍCIUS: Olá, pessoal, tudo bem? Eu sou o Vinícius, sou homem, minha pele é branca, meus cabelos são curtos e pretos e eu uso óculos. Eu acho que se você olhar para o meu rosto, o que mais vai chamar atenção é o nariz, que é um pouquinho maior. Eu tenho uma barbichinha bem rala e falo que tenho uma barba rala, mas mais falo do que tenho. Eu estou com uma camiseta azul meio verde, entre os tons, e no fundo, tem uma lousa e um móvel azul com uma televisão em cima. 

LUCINÉA: Sofia, você pode se audiodescrever?

SOFIA: Posso sim. Eu sou uma mulher branca e tenho cabelo castanho ondulado, na altura dos ombros. Eu uso óculos redondo e estou vestindo uma camiseta cinza. Atrás de mim tem uma parede branca, alguns quadrinhos redondos com bordado e a cabeceira da minha cama.

LUCINÉA: Agora o Luís.

 LUÍS: Oi, gente! Eu sou um homem de pele bege clara, tenho cabelos cacheados bem volumosos e pretos, olhos pretos, lábios espessos e rosto fino. Eu estou usando uma camiseta de cor rosa.

LUCINÉA: Perfeito! Então, agora vamos começar o papo com algumas legendas, com o Vinícius. Como eu já adiantei um pouquinho e já dei um spoiler, o Vinícius teve essa história de participar ativamente do início do MATAV, lá em 2013, e muitos alunos de Radialismo, como era chamado o curso de Rádio, TV e Internet na época, acharam legal quando eu falei de audiodescrição e legendas para surdos e vieram me procurar.

E eu acho que o Vinícius vai contar algumas histórias, e é interessante ressaltar que a turma dele foi a que teve mais greve. Acho que isso, embora atrapalhasse academicamente a vida de muita gente, permitiu que você fizesse parte de tantos projetos. E, talvez, um paralelo que a gente tenha hoje a isso seja a pandemia, que embora tenha estragado a vida acadêmica regular de todos os alunos da UNESP, foi a época que mais tivemos alunos dentro do MATAV. Então, você pode fazer esse paralelo, porque eu acho que isso não passa batido pela sua turma.

Eu não lembro se foram duas ou três greves que vocês tiveram, mas vocês falavam que eram a turma que as greves nunca terminavam. E, só para citar, o Vinícius participou do “#E_VC?”, que é uma web série que está disponível em nossas plataformas; do “Armadilha”, uma outra web série muito engraçada que ele ajudou na acessibilidade; projeto “OBEDUC”, no qual teve uma bolsa CAPES, do nosso DVD acessível que foi “Incluindo Samuel” e do “Parole”, o seu aplicativo. E aí eu passo a bola para você, que a ideia é você falar um pouquinho da sua história com o MATAV.

VINÍCIUS: Claro, obrigado, professora. Vocês vão me ouvir chamar a Lucinéa de professora, porque eu sou acostumado a chamá-la de professora desde o primeiro dia. Obrigado também aos membros do MATAV pelo convite, é muito legal ver o projeto continuando desde 2013.

Daqui a pouco dá para falar que tem 10 anos, eu estou ficando velho. Mas é muito legal ver que tem dado certo, tanto pela pesquisa do MATAV, essa questão de acessibilidade, quanto por ser um projeto na universidade pública que está funcionando nesse momento, que é muito complicado. Então, ver um projeto desses existindo há tanto tempo, sendo relevante e uma fonte de conhecimento e de informação, além de estar se modernizando, como levando para um podcast, é muito legal.  Fiquei muito feliz mesmo pelo convite.

Eu comecei lá no MATAV em 2013, e eu lembro que quando a professora apresentou a proposta do MATAV para a gente, acho que foi na segunda ou terceira semana de aula, minha turma era totalmente de bichos. E, em Rádio, Tv e Internet, a gente andava com umas plaquinhas com o seu apelido que tínhamos recebido, eu inclusive tinha até perdido a minha, e a professora estava já estava comentando sobre a ideia do MATAV. Ela falou que a reunião seria naquela tarde, para quem quisesse, e nós nos reunimos no observatório de direitos humanos da UNESP, e eu quis participar e conhecer mais. Eu já tinha visto na televisão uma vez um filme com audiodescrição, fuçando na televisão, vendo aquelas configurações de áudio, mas não sabia direito o que era.

E aquele foi o momento de ligar as coisas, então eu fui conhecer o MATAV e entrei lá em 2013 e saí em 2017, por causa do que a professora comentou, sobre as greves. A minha turma pegou três greves: uma em 2013, que começou em junho e deve ter acabado em agosto ou setembro de 2013; uma em 2014 que começou mais ou menos no mesmo momento, mas acabou lá para outubro e depois uma em 2016, que durou mais ou menos o mesmo período, e nisso eu nunca tive um semestre normal na faculdade. Eu entrei em 2013, e lembro que a greve começou faltando mais ou menos um mês para o final das aulas, e esse um mês foi refletir lá em novembro, e assim foi indo. Em 2015 nós fizemos três semestres no mesmo ano, foi uma loucura, e as aulas acabaram em março e a colação aconteceu em maio de 2017. Então, nesse período inteiro eu estava ali, em volta do MATAV, e foi um momento muito legal isso.

Tentando ver um lado positivo dessa pausa, a greve possibilitou que a gente trabalhasse em muitas coisas, porque agora a gente tinha tempo para usar. Eu não me lembro se foi no primeiro ou no segundo semestre, mas a gente fez a sala “Sense and Sensibility” também

LUCINÉA: Foi no primeiro, e foi linda! Conta dessa sala!

VINÍCIUS: Foi muito legal! A gente pegou uma sala mesmo, durante a Jornada Multidisciplinar, na UNESP, e fizemos um caminho dentro da sala em que as pessoas passavam por vários recursos de acessibilidade, e elas também tinham algumas sensações, como coisas relacionadas ao olfato e à textura, e algumas partes eram relacionadas à audiodescrição.

LUCINÉA: Foi a apresentação da web série, que a Flora Paulita veio.

VINÍCIUS: Exatamente! Foi quando já tínhamos terminado os episódios do “#E_VC?”, e a Flora veio para acompanhar. A gente tinha vários notebooks, era uma gambiarra tremenda para ligar quatro, cinco, fones, um do ladinho do outro. O que é algo que a gente jamais faria agora, em uma pandemia; uma pessoa encostada no ouvido da outra para assistir o vídeo. Mas, até então, nós tínhamos tido a experiência de fazer audiodescrição, e quem consumia eram pessoas videntes. Então, era muito complicado, porque o pessoal falava que conseguia entender, mas entender vendo é diferente. E ali foi o momento em que a gente levou o pessoal do Lar Santa Luzia.

LUCINÉA: Isso, a escola Santa Luzia! Foram uns 20 membros!

VINÍCIUS: Foi bastante mesmo, todos assistiram e foi muito legal! Eu lembro que um dos episódios tinha uma piada que era extremamente visual, não me lembro a piada, mas era no primeiro episódio, e embora o timing da piada fosse um pouquinho diferente, porque para o público que enxergava a piada vinha um pouquinho antes, para o público que era cego a audiodescrição descrevia a piada, e todo mundo ria! Todo mundo riu uns três segundinhos depois, porque esperaram a audiodescrição falar, mas todo mundo riu. Foi demais! Foi muito legal a sensação de ver aquilo funcionando.

LUCINÉA: Foi um feedback instantâneo do usuário, foi a risada!

VINÍCIUS: Foi! E eu não estava esperando isso, pois acho que de tanto assistir o vídeo a gente não sentia mais graça na piada. Mas foi um feedback instantâneo. Foi muito legal e divertido. Depois a gente continuou com os projetos, fizemos o “#E_VC?”, para o qual fizemos todas as legendas e a audiodescrição, e que foi para o Youtube. Na época, a gente pesquisava jeitos de poder subir isso e pensava qual seria a melhor forma: “Ah! A gente vai colocar um áudio separado a mais? E como a gente faz quando tem que descrever muitos personagens?”. Era muito no começo, a gente estava aprendendo mesmo. A gente pensava: “Nossa, mas a gente pode passar uma cartela antes explicando quem são as personagens. A gente sempre tentava achar mais jeitos de colocar mais informação no áudio. Então era bem interessante.

Depois, a gente fez o “Armadilha”. O “Armadilha” foi muito engraçado, porque tinha episódios icônicos, daqueles que você olha no original e tem um milhão de visualizações na internet. A gente falava: “Gente, como é que vai ser a descrição disso?” Era muito engraçada a criação dos roteiros.

LUCINÉA: E a gente ainda precisa subir o “Armadilha” para o Youtube. Eu preciso localizar onde está tudo. O “Armadilha” tem a questão do erotismo, não é? Ele tinha um episódio em que a gente ria muito e pensava em como fazer a descrição, já que não podia ter pudor na audiodescrição. Muito legal isso, não é Vinícius?

VINÍCIUS: Sim! Eu lembro que era muito engraçado gravar o “Armadilha”, porque tinha palavras que a gente nunca pensava em ouvir em uma audiodescrição. As vezes de cunho mais sexual ou alguma coisa assim. E nisso a gente tentava gravar a audiodescrição da forma mais neutra o possível e ficava todo mundo no estúdio rindo da outra pessoa que estava gravando. Eu acho que era a Ana quem estava gravando as falas na época e eu estava me segurando para não rir e atrapalhar ela.

LUCINÉA: A saudosa Ana Beatriz, que está em algum lugar da Europa. Ela fez muita coisa com você.

VINÍCIUS: Sim, a Ana fez. Agora ela está na Irlanda. Inclusive, nós fizemos juntos dois DVDs acessíveis.

LUCINÉA: Sim, dois! “Inclusive Elas”, que é um projeto muito lindo. E o “Incluindo Samuel”, que é um projeto americano, para o qual recebemos verba para fazer a acessibilidade e o DVD acessível.

VINÍCIUS: Sim! O “Incluindo Samuel”, tem ainda uma história que é engraçada. Ele fez parte de um dos meus projetos da bolsa de Iniciação Científica com a bolsa da CAPES na OBEDUC, já no último ano, em 2016, e eu queira muito publicar o material feito. A gente tinha feito um DVD, na época em que DVD e Blue-ray era algo muito relevante, e inclusive até uma pauta que a gente queria trazer acessibilidade até para alguns meios digitais de streaming, que é uma coisa um pouco enrolada às vezes. Mas a gente queria mostrar e é um DVD super acessível, pois você andava pelo material e tinha no menu uma voz: “Iniciar filme; configurações”. Ele vinha já habilitado com tudo de acessibilidade e depois você ia desabilitando. Então, ele era um material que tentava facilitar ao máximo a inclusão.

Então, eu queria escrever e achei um Simpósio na UEL. Eu falei: “É ali”. Mas era aquela coisa: “Olha, as inscrições fecham em uma semana”. E eu falei: “Meu Deus, tenho que escrever em uma semana esse texto”. Lá tinha a modalidade painel. Assim, na modalidade de texto era preciso enviar trinta e tantas páginas, na modalidade painel eram dez páginas e tinha o cartaz. Então, eu falei: “Ah! Sem dúvidas o painel”. Peguei e mandei minha inscrição e o meu texto. Então, veio a devolutiva da universidade, de quem estava organizando: “Olha, a gente gostou muito do seu texto! Não tem como você inscrever ele na modalidade de texto mesmo, ao invés do painel?”. Dois dias para acabar o prazo. Falei: “Poxa, tem sim, mas eu preciso de mais umas semanas para eu conseguir escrever”. Aí eles perguntaram quantas semanas eu precisaria e eu pedi umas duas: “Ah, me deem mais umas duas semanas e eu acho que consigo”. Eu ainda enrolei mais um mês, mas falei: “Não, tudo bem, eu consigo, eu envio”. Eu ainda lembro que era algo como espaçamento um, fonte onze e aí eu falei: “Meu Deus, nada me ajuda a gerar volume nesse texto!”.

LUCINÉA: Põe uma imagem!

VINÍCIUS: É, a gente usava umas figuras, não tinha mais quem citar! Mas eu acabei mandando. Chegou no dia – eram dois dias de evento e eu sabia que minha apresentação era no segundo dia – e eu estava pronto para chegar para mais um evento de universidade no qual você apresenta em uma sala e conversa com o público que está ali naquela sala.

Eu cheguei e não encontrei meu nome nem na sala um, nem na sala dois e nem na três. Falei: “Gente, esqueceram de mim ou alguma coisa assim”. Sentei-me no auditório, abri o notebook e comecei a vasculhar on-line para saber: “Ah, as vezes está errado, não imprimiram alguma coisa”. Acabei encontrando meu nome no auditório, minha palestra iria ser as quatro horas e trinta da tarde e já eram onze hoje horas da manhã em Londrina. Então, eu falei: “E agora? Eles me colocaram no auditório, como vou apresentar isso?” E era um Simpósio sobre Educação Inclusiva e todos iam falar de Libras. Esse foi um momento interessante, pois ele aconteceu em 2015 e nesse ano se falava muito em Libras quando se falava de inclusão. Porém, não havia menção no Simpósio à audiodescrição e legenda, então, eu falei: “É aqui que eu vou atacar!” E eu falei isso já abrindo o Power point, falando assim: “Ah, agora eu tenho que fazer uma palestra para as quatro horas e trinta da tarde e eu não sei o que vou falar”. Eu só sei que eu tinha meia hora de grade, mais ou menos, e eu devo ter falado uns dez minutos.

Acho que eles anteciparam pela primeira vez o coffee break ou alguma coisa assim. Mas eu consegui e eu levei isso. Foi muito legal de ver o pessoal, professores e professoras da rede pública, conhecendo a audiodescrição e conversando comigo no coffee break falando que tinham alunos que eram cegos ou surdos e que não legendavam os vídeos para eles, mas que escreviam mais ou menos no caderno deles o que o vídeo queria dizer, ou alguma coisa assim: “Ah, o vídeo que eu passo é todo legendado em português, porque é um vídeo internacional, mas a minha aluna é cega e ela não fala inglês”. Então, eu falei: “Mas tem a dublagem para isso”.

E aí, o pessoal percebeu o quão inacessível eram alguns recursos de audiovisual que eles levavam para a educação. Então, isso foi legal. Assim, foi desesperador para mim o fato de ter que fazer uma palestra em dez minutos. E eu devo ter falhado muito nisso, porque eu falei dez minutos em uma grade de meia hora. Mas foi muito legal o feedback do pessoal em perceber e falar: “Nossa, e estou levando vários materiais que não são acessíveis”.

LUCINÉA: Eu sabia da história do Congresso, porque acho que depois entrou para mim como publicação, mas eu não sabia dessa tensão e de participar de um evento que não é da área do audiovisual, mas sim da área de educação. Isso é importante, pois você vê quantas não conheciam na época os dois recursos.

LUCINÉA: Agora, Sofia! Que ingressou em 2018, se eu não estou enganada, e teve um outro percurso. Ainda era o curso de Radialismo, ainda não era o curso de Rádio TV e internet. E aí a gente teve um projeto de extensão aprovado e, também, algumas bolsas naquele ano, então, essa foi a possibilidade de a Sofia, o Walesson, que é o Guri, e a Geovana fazerem parte. Mas a Sofia tem também umas histórias que você poderia contar um pouquinho para a gente sobre, como, por exemplo, o projeto que você fez sobre legendagem que você apresentou em um Congresso de Iniciação Científica. Sobre a Colação Acessível, você participou em não sei se mais de uma edição, não é Sofia?

SOFIA: Eu acho que a que participei foi a última.

LUCINÉA: Certo. E é uma experiência muito bacana, mas, infelizmente, a gente deixou de ter isso. E então, conte-nos das suas experiências no MATAV.

SOFIA: Eu entrei no MATAV em 2018, como a professora falou. Inclusive, eu estava trabalhando com o “Flutua”, que vocês revisaram agora. Nas reuniões, a gente debatia bastante sobre a audiodescrição, principalmente sendo um videoclipe. A professora sempre falava que isso era algo novo para nós, então eram muitas discussões que abriram meus olhos para muitas coisas.

Como bolsista, eu trabalhava bastante com a legendagem. Inicialmente, eu precisei ler bastante sobre o assunto, o que me ensinou coisas que eu nem se quer sabia que existiam e que são extremamente necessárias. Você percebe que existem regras e técnicas para tudo dar certo, porque senão vira uma bagunça. Por isso, testávamos de tudo, como o ritmo e o que seria escrito, porque a legenda não é uma transcrição integral do áudio. Enfim, precisávamos encaixar muitos elementos e acho que isso era um grande desafio.

Legendamos uma parte da entrevista do Dr. Drauzio Varella feita pelo Caco Barcelos e eu lembro que a Geovana e eu fazíamos a legendagem da forma mais utilizada no Brasil e o Walesson fazia no padrão europeu para ver a recepção das legendas, já que ambas usam recursos diferentes para identificar as pessoas e efeitos sonoros. Nós queríamos entender qual era o mais bem recebido e talvez iniciar uma conversa para provocar mudanças, caso fosse outro que não o mais comum no país. Então fizemos isso toda semana, sempre com a orientação da professora, e depois que terminamos de legendar a minutagem que precisávamos para o trabalho, fizemos um forms e recebemos mais de oitenta respostas, muito além do que esperávamos. Ficamos muito animados e felizes! Foi muito interessante ter esse retorno, porque todos que participaram da legendagem são ouvintes, então não tínhamos como nos certificar da qualidade das legendas. Muitas coisas que não percebemos ou pensamos chegou até nós e, por isso, é importante esse teste de recepção para todos os recursos de acessibilidade.

Lemos todas as respostas, anotamos as informações importantes e comparamos para saber qual legenda foi mais bem recebida, que nesse caso foi a que utilizou o padrão brasileiro. Começamos a prestar atenção na fonte da letra, por exemplo, a qual usamos a que já estava configurada no software. Trocamos as cores, mas não pensamos em contraste, aumentar a borda, colocar algo atrás e, por isso, foi muito apontada nesse feedback. Então, foi importante para percebermos muitos detalhes.

Acho que apresentamos o trabalho na Semana do Tradutor da Unesp de Rio Preto. Foi isso?

LUCINÉA: Sim, vocês foram para Rio Preto antes de ir para o CIC. Verdade. Conta do Ibilce, porque agora temos um monte de alunos de lá aqui no MATAV.

SOFIA: Que legal! Nós viajamos para Rio Preto e apresentamos o trabalho com um cartaz. As pessoas paravam e ouviam as nossas explicações sobre todo o processo e vimos bastante interesse delas sobre isso. Foi uma experiência diferente para mim, pois eu nunca tinha apresentado um trabalho acadêmico. Achei legal não guardar o trabalho só para nós, apenas testar e não fazer nada além. Estávamos levando o debate para uma faculdade de Tradução e a legendagem e a audiodescrição são partes dessa área. É importante que se tenha acesso a isso, ainda mais num espaço onde se forma tradutores. Além disso, foi muito divertido, uma experiência nova, pois conhecemos outro campus da Unesp.

LUCINÉA: E então veio a colação de grau. Parece ficcional falar disso, não é? Conta como foi. Só quem participou dessas colações, assim como o Vinícius, consegue descrever. Para nós era emocionante!

SOFIA: A colação de grau foi outra grande experiência que eu tive com o MATAV, porque era feita em parceria com a Web TV, que fazia a transmissão ao vivo e, como eu também fazia parte da TV, consegui ter as duas experiências da melhor forma. Minha função foi transmitir as legendas na hora, além de participar na produção delas com o Walesson e a Geovana. Fazíamos a legendagem ao vivo e, embora os textos fossem enviados com antecedência, era preciso ter muito jogo de cintura, muito feeling. Era uma grande emoção por ser ao vivo. Tínhamos pouco tempo de preparação, então era uma correria para separar quem legenda e você tem que estar lá na hora.

Quando se é gravado em vídeo, você tem o tempo, o software, no qual podemos revisar tudo. Na hora é diferente, recebemos os discursos previamente e separamos em legendas conforme os números de caracteres por linha e outras regras também importantes, mas precisa ser passado ao vivo, pois o evento está acontecendo e é inevitável que haja improvisações, já que as pessoas se deixam levar pelas emoções e acrescentam mais coisas. Então, deixávamos as legendas prontas em slides e outros sem para esses casos. Tínhamos que prestar muita atenção e agir com calma. Quando alguém dava uma pausa, já era possível saber se iria seguir o texto ou não. Eram grandes emoções e foi muito divertido. Acho que foi a minha primeira transmissão ao vivo e uma grande experiência.

Fico triste em saber que não tenham mais esses recursos, porque são muito importantes não só para quem está se formando que precisa de legenda, mas também um familiar, um amigo que quer assistir à colação e tem todo o direito de presenciar esse momento, assim como qualquer outra pessoa. Então é triste que não tenha mais isso.

LUCINÉA: Obrigada, Sofia! Você comentou algo muito importante a respeito da inclusão. Além da pessoa presente no evento, quem estava recebendo isso pela transmissão da FAAC TV poderia precisar das legendas também. Já havia a interpretação em LIBRAS, mas a gente sabe que não é toda pessoa com deficiência auditiva que a entende, então sempre queríamos e defendíamos os dois recursos.

É legal a Sofia lembrar também que, na época, ela já participou do roteiro de audiodescrição do “Flutua” e a partir daí eu já faço um gancho com o Luís, porque ele também participou desse projeto, e agora já estamos na terceira geração que fez uma revisão da audiodescrição e das legendas. Eu passo então a palavra para você, Luís, falar um pouco da sua experiência. Eu acho que você entrou no MATAV em 2018, não é? Foi uma época boa. Eu nem lembro como você ficou sabendo da gente. Foi pelo Facebook? Conta para o pessoal.

LUÍS: Exatamente, Lucinéa. No semestre anterior, eu tinha feito uma disciplina sobre design inclusivo com uma amiga, que me recomendou o grupo. Em 2018, ela viu uma publicação no Facebook do MATAV e ela compartilhou comigo, me disse que poderia ser algo do meu interesse, o que realmente aconteceu. Eu mandei uma mensagem pela rede social para vocês, perguntando se eu poderia participar, a qual a Lucinéa me respondeu. Na época havia muitos estudantes de Rádio/TV e Jornalismo, enquanto eu era a única pessoa do Design até então.

Era um assunto diferente, porque eu comecei a conhecer os recursos de audiodescrição e de legendagem para surdos e ensurdecidos no MATAV. Não eram pautas que a gente abordava no curso de Design propriamente. Então foi muito interessante, aprendi muito.

O projeto de audiodescrição do clipe “Flutua”, que foi uma das primeiras coisas que fizemos juntos, foi uma experiência muito engrandecedora. Aprendemos muito sobre vocabulário e estratégias, por entender o que as pessoas pensam e como podemos audiodescrever uma imagem, seja ela estática ou em movimento. Foi um processo muito interessante! E começamos com um videoclipe, que é um produto audiovisual desafiador também, porque a música toca a maior parte do tempo. Sempre ficamos no dilema sobre inserir a descrição enquanto o áudio tocava. Eu lembro também que discutimos bastante sobre respeitar os pronomes das pessoas, pesquisar para se referir a elas corretamente, porque também tinha a ver com a abordagem que o próprio clipe trazia e a sua narrativa, além da LIBRAS que aparecia no vídeo por tratar sobre pessoas surdas. É um clipe muito rico tanto na história que ele desenvolve, como nas diferentes abordagens que precisamos ter para torná-lo acessível. Então foi muito legal fazer esse roteiro na época.

Depois apresentamos na Jornada Multidisciplinar um artigo sobre como foi esse processo do “Flutua” e, enquanto isso, eu participava fazendo algumas artes para o MATAV, como templates para slides. Foi muito gostoso aproveitar a identidade visual do MATAV.

LUCINÉA: Santo Luís! As artes ficavam lindas!

LUÍS: Eu adorava fazer, pois era uma forma de explorar essa identidade do MATAV, como esse grupo se expressava. Lembro-me muito bem das oficinas, dos eventos externos da UNESP. E esse foi o período do “Flutua”.

Depois, foi o projeto “Te Vejo na Escola”, do qual também participei vários anos, voltado para fazer animações para as escolas públicas de Bauru, tendo as crianças como público prioritário. São animações de caráter educativo que visam explicar assuntos como meio-ambiente, família, e assim por diante.

Então, pensamos em trazer o “Te Vejo na Escola” em parceria com o MATAV e desenvolver a audiodescrição de uma animação. Isso foi um processo muito legal, mesmo por ser uma animação que nós mesmos fizemos e depois produzimos o roteiro de audiodescrição. Foi uma experiência muito dinâmica, pois conseguimos aproveitar o próprio roteiro da animação. E descobrimos que quando fazemos um roteiro de animação muito bem descrito para que o pessoal da arte possa trabalhar no storyboard e na animação em si, este pode ser usado para a audiodescrição.

Com esse projeto, fizemos a audiodescrição desse episódio que foi o “Família”, sempre pensando na relação entre AD e design, ou seja, como esse recurso pode se apropriar do vocabulário do design e seus elementos como o logotipo ou créditos.

E, mais recentemente, foi o TCC da minha graduação, em que desenvolvi um projeto autoral e queria que tivesse todos os recursos de acessibilidade: a legenda, a audiodescrição e com foco na Libras.

Eu consegui apresentar todas diferentes versões do trailer com esses recursos, que se tratava de um documentário que retratava a Libras no interior de São Paulo, em cidades próximas a Bauru.

Portanto, finalizei meu curta-metragem autoral chamado “Movimento”, baseado no projeto Códigos. Então, comecei a rodá-los em festivais. E fiquei muito feliz em saber que este ano, ele foi selecionado para o Festival Assim que vivemos, que sempre foi referência para o MATAV, pois foi pioneiro e trazer recursos de acessibilidade para o Brasil. Então, estar presente neste festival foi muito gratificante.

E por último, graças à experiência que tive com audiodescrição nesses anos, também realizei a AD desse curta-metragem, e foi selecionado para o Festival Ver Ouvindo de filmes do Recife. E foi selecionado, justamente, pela audiodescrição que realizei em parceria com o Juliano Severo, o meu consultor.

De forma geral, foi essa minha trajetória no MATAV, onde aprendi sobre diferentes recursos e, ao mesmo tempo, dialogando com o pessoal do Design sobre a AD, a legendagem e Libras. E comentava sempre como o MATAV é importante por incentivar o estudo sobre essas formas de tradução dentro da Universidade Pública, sendo essencial para a expansão dessa área. O primeiro passo é que as pessoas conheçam esses recursos e sua importância.

LUCINÉA: Você participou do MATAV mais de um ano e agora está voando com suas produções. Parabéns!

Para finalizar, gostaria que falassem da diferença que faz em nossas vidas, como cidadão, como pessoa. Particularmente, também me tornei uma pessoa mais empática quando comecei a estudar a audiodescrição, legenda, um pouco de Libras. E, acredito que quando nos colocamos no lugar da pessoa com deficiência auditiva, nos tornamos um pouco melhores, pois pensamos nos nossos pais, avós, pessoas idosas, ou seja, não apenas aqueles que nasceram com deficiência auditiva, mas que necessitam desses recursos ao longo da vida.

VINICIUS: Eu concordo. É um exercício de empatia. O fato de conhecer, alterna a sua realidade. É preciso entrar em um outro universo e perceber que nem todos ouvem, nem todos percebem as cores juntas.

Atualmente, não trabalho mais com audiovisual, mas a acessibilidade continua próxima a mim. Sou Desenvolvedor e quando realizo meu trabalho, procuro deixá-lo acessível, como, por exemplo, deixo um campo de descrição de imagem, e a maioria das páginas da internet não possuem esse recurso, mesmo com as formas de punição existentes.

É importante pensar na acessibilidade desde o início do desenvolvimento de algo, como o roteiro de um filme ou um site, mesmo com as várias regras do mercado.

Então, foi isso que o MATAV mudou em minha vida: exercitar a empatia, imaginando que muitos podem ter dificuldades para acessar os conteúdos.

SOFIA: Para mim, também foi essa questão da empatia, levando a entender que as coisas devem ser pensadas para todos, ou seja, com acessibilidade. E não utilizar esses recursos somente quando se deparar com uma pessoa que precisa da acessibilidade. Ou seja, precisamos pensar em meios acessíveis desde o início.

Isso não deveria fazer parte apenas do projeto de extensão, mas sim estar presente em todos os cursos e em todas as universidades, pois falta acessibilidade no mundo todo. E nós temos essa porta no MATAV para que se possa usar em todas as áreas, abrindo esses espaços. Não apenas para a área do audiovisual, mas para todas, entendendo todo o processo, o esforço para utilizar esses recursos.

Portanto, o MATAV me ajudou muito a entender e a reconhecer a necessidade destes recursos de acessibilidade.

LUÍS: Concordo com o Vinícius e a Sofia. É, de fato, uma questão de cidadania conhecer essas modalidades de Tradução Audiovisual, que podem ser aplicadas a diferentes modalidades de culturas e é um direito das pessoas com deficiência. E uma forma de incluir essas pessoas é removendo barreiras, como a comunicacional e a informacional.

Também aprendi a me comunicar de forma muito mais precisa, desenvolvendo a capacidade de linguagem, além de fazer criações utilizando esses recursos para diferentes públicos.

Além disso, eu me tornei um consumidor de audiodescrição e legenda. E é importante que este recurso esteja sempre presente, como uma alternativa.

Ressalto a importância de continuarmos pesquisando sobre esses recursos e torná-los cada vez mais conhecidos, de tal forma que não seja preciso conscientizar as pessoas da sua importância, sendo algo natural para todos.

LUCINÉA: Que bom ouvir isso de todos vocês! Esse é nosso último episódio e tenho certeza de que todos tem aprendido muito. E agradeço a oportunidade de ter vocês em minha história. Muito obrigada!

ANIELE:

Bom, esse foi o nosso episódio final da primeira temporada do Papo com Legenda. Muito obrigado a todos que nos acompanharam ao longo dessa temporada.

Se você ainda não ouviu os episódios anteriores ou se quer retomar os temas abordados nessa temporada, pode conferir acessando o link da bio no nosso Instagram: @papocomlegenda ou digitar “Papo com Legenda” na sua plataforma de podcasts preferida.

LUCINEA:

Esse foi o nosso último episódio. Muito obrigada a você que nos acompanhou durante os 6 episódios da primeira temporada do nosso Papo com Legenda! 

Continue ligado nos projetos do MATAV e até logo!

ANIELE:

Se você ainda não conhece a página do MATAV no Instagram, não deixe de nos seguir em: @matav_unesp.

NARRADOR:

O “Papo com Legenda” é um podcast original do MATAV, o grupo de pesquisa Mídia Acessível e Tradução  Audiovisual. Para ficar por dentro dos nossos lançamentos e demais novidades, acompanhem o nosso Instagram @papocomlegenda

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s