Deficiência auditiva e desempenho escolar – Como aproveitar melhor os estudos – Parte I

Na primeira parte desta matéria, saiba mais sobre a escolha da escola ideal para a criança com deficiência auditiva.

Por Ana Raquel Périco Mangili.

* Matéria adaptada e cedida pela parceria com a ADAP (Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear). Confira o texto na íntegra em http://adap.org.br/site/index.php/artigos/86-implante-coclear-e-desempenho-escolar-como-aproveitar-melhor-os-estudos

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Mesmo com a recente incorporação do Sistema FM (um recurso tecnológico para Aparelhos Auditivos) na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS, os deficientes auditivos ainda não têm uma total igualdade de condições, em comparação às crianças ouvintes, dentro da sala de aula. Vale lembrar que, apesar de existir inúmeros tipos de Aparelhos Auditivos, eles ainda não exercem a função de total substitutivo do ouvido humano. A audição é um dos órgãos mais complexos da nossa espécie, de forma que ainda não se alcançou, pela tecnologia, a capacidade de reproduzi-la integralmente. De forma natural, o próprio sistema auditivo humano apresenta oscilações em seu desempenho ao longo da vida. Nas pessoas que já possuem alguma perda auditiva, essa oscilação traz consequências de forma ainda mais acentuadas. Sendo assim, pessoas com deficiência auditiva ainda possuem alguma dificuldade para ouvir e compreender os sons, mesmo utilizando os aparelhos.

Na reabilitação da criança deficiente auditiva, a família desempenha um papel fundamental. É no ambiente silencioso de sua casa e na sua interação direta com os familiares que o indivíduo aprenderá a identificar os primeiros sons e palavras, e no caso da criança possuir uma deficiência auditiva, cabe aos pais redobrarem os estímulos e o acesso às fontes sonoras para o seu melhor aproveitamento e aprendizado. Dessa forma, com o apoio da família e do profissional fonoaudiólogo, a criança estará mais apta a enfrentar um ambiente mais dinâmico e desafiador para o seu sentido auditivo: a escola.

Se até então, no ambiente familiar, as situações sonoras as quais as crianças eram expostas podiam ser controladas em favor de um melhor aproveitamento pelo indivíduo deficiente auditivo, no ambiente escolar esse controle se reduz drasticamente. A criança passará a conviver com diversas pessoas e múltiplas fontes sonoras, que muitas vezes sobrepõem-se umas às outras e se distanciam do seu interlocutor, o que ocasionará as principais dificuldades na compreensão dos sons pela criança com deficiência auditiva.

Sendo assim, uma dúvida comum a todos os pais dessas crianças é sobre que tipo de escola é mais adequada aos seus filhos. Segundo a fonoaudióloga da ADAP Marcella Giust, a grande maioria das crianças com perdas auditivas é orientada a frequentar escolas comuns. Isso porque, se o objetivo da reabilitação é desenvolver as capacidades auditivas da criança, ela deve ser exposta, desde cedo, a ambientes com o maior número de experiências sonoras, para possibilitar o desenvolvimento da audição, da fala e da linguagem oral.

A Constituição Brasileira garante a oferta de educação igualitária a todos os seus cidadãos. É dever da sociedade se reajustar de modo a se tornar acolhedora e justa para todos. Porém, como isso dificilmente ocorre de forma espontânea na realidade, cabe aos pais e profissionais da saúde orientar os professores e diretores escolares sobre as especificidades da criança e coordenar, junto com eles, esforços no sentido de complementar e auxiliar o aprendizado que se dá por meio do sistema auditivo dos pequenos.

Ana Júlia Kemer em sua escola em Florianópolis/SC. Foto: arquivo pessoal.

Ana Júlia Kemer em sua escola em Florianópolis/SC. Foto: arquivo pessoal.

Para começar, a seleção da escola que mais se adeque às necessidades da criança implantada é um item fundamental. A preferência deve ser por escolas que trabalhem com as políticas da educação inclusiva.  Outro item que deve ser levado em conta é o tamanho da escola. Quanto menor o número de alunos por sala, menos ruído para o deficiente auditivo e mais possibilidades de dedicação do professor para cada aluno.

Essas características podem levar alguns pais a deduzirem que as escolas particulares podem ser a melhor escolha, mas nem sempre isso é a regra, como aconteceu no caso de Ana Júlia Kemer, de oito anos de idade, usuária de Implante Coclear que frequenta uma escola pública de Florianópolis/SC. Sua mãe, Geiciane Lemos, comenta sobre o local: “É uma escola que trabalha a inclusão social das crianças com deficiência, tem toda uma estrutura para receber as crianças de acordo com a deficiência delas, por exemplo, nos corredores tem o alfabeto em Libras e em Braile. A escola também oferece, no contra turno escolar, aulas de Libras e Português para a Ana Júlia”.

Essas aulas no contra turno escolar, citadas por Geiciane, fazem parte do que se chama de “serviços de apoio educacional especializado”, previstos nas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial como uma opção de auxílio na aprendizagem das crianças. Aqui, o aluno poderá contar com atividades focadas nas suas dificuldades auditivas e de linguagem, junto com outros recursos tecnológicos, como vídeos legendados, que facilitem o seu aprendizado.

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Não perca a Parte II desta matéria, que trará valiosas dicas para proporcionar um melhor aprendizado à criança com deficiência auditiva.

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